Entrevista: Lover Under Cover

Depois de Set The Night On Fire ter recebido fortes elogios por todo o mundo, Mikael Carlsson está de regresso com a segunda proposta do seu projeto Lover Under Cover. Como se uma continuação se tratasse, Into The Night mantém a mesma editora, o mesmo line-up, a mesma tendência. No entanto, representa um passo em frente em termos de qualidade musical. Fãs do hard rock melódico têm a obrigatoriedade de descobrir este projecto e este álbum. Cerca de um ano depois, voltámos a conversar com Mikael Carlsson a respeito desta nova proposta e descobrimos coisas interessantes…

Olá Mikael! Tudo bem desde a última vez que conversamos? Pouco mais de um ano passou desde a tua estreia com Lover Under Cover (LUC). Agora estás de regresso com um álbum mais forte, na minha opinião. O facto de terem mantido o mesmo line-up trouxe outra estabilidade, suponho...
Viva e obrigado pelas tuas ​​palavras simpáticas sobre o novo álbum. Claro que é uma grande vantagem poder manter o line-up intacto. Não há nenhuma dúvida sobre isso. Todos nós os quatro nos damos muito bem, por isso era natural continuarmos onde tínhamos terminado o primeiro álbum. E o tempo corre rápido quando vives bons momentos. Tem sido um ano muito ocupado, devo acrescentar.

Isso também deve permitir que tenham maiores expetativas?
Bem, todos podemos fantasiar sobre como será o último álbum, mas há tantas coisas estranhas que podem acontecer durante um projeto. E posso-te dizer que nós somos a prova viva disso.

Pode afirmar-se que Set The Night On Fire foi um trabalho mais individual de ti próprio do que este?
Talvez na questão da composição, mas não em outros aspetos. Se olhares para as demos que eu levei para estúdio para o primeiro álbum e as comparares com as músicas finais há várias mudanças em algumas das canções. Por exemplo, o refrão da faixa-título é completamente diferente do original. Todos na banda estão livres para colorir a música da sua própria maneira de forma a torná-la mais pessoal e com mais vida. Portanto, não é um one-man-show. Mas no novo álbum sente-se mais variedade porque todos os membros tiveram muito mais envolvimento na composição, arranjo e produção. Nós evoluímos como banda.

E o facto é que, apesar das super agendas de todos os membros dos LUC, vocês voltam a estar todos juntos neste novo álbum?
Sim. Não é fantástico? É mais fácil trabalhar em conjunto quando se conhecem as pessoas um pouco melhor. Eu conheço Erlandsson há mais de 30 anos, mas só conheci Perra e Martin há cerca de ano e meio. O facto é que quando começamos a gravar a bateria para Set The Night On Fire, nunca tinha visto Perra antes e o Martin só o tinha visto umas 5 ou 6 vezes. A forma como o resultado final saiu tão bom é a prova do profissionalismo destes elementos. Quando chegou a altura de começar as gravações do segundo álbum, sentimo-nos muito mais confortáveis uns com os outros e penso que isso se pode notar Into The Night. A parte complicada é gerir todas as agendas e encontrar um espaço que funcione para todos ao mesmo tempo.

Coisa engraçada: novamente a palavra "night” no título...
Sim, eu sei. Porreiro, não é? Talvez isso possa ser algum tipo de apelido no futuro? Nós não tínhamos qualquer nome para o álbum, então a ideia veio realmente da Escape Music. E nós pensamos... Por que não? E assim ficou Into The Night!

E mais uma capa com algum sex appeal, desta vez mais evidente. Poderemos, também por isso, considerar que Into The Night é a continuação óbvia de Set The Night On Fire?
Claro que é uma continuação, embora eu veja mais como uma capa sensual de que sexual. É uma capa elegante e penso que não ultrapassa os limites. Mas o ponto de vista pode ser diferente dependendo de onde vives. Eu vi a capa num site árabe que vende CD,s e o rabo da senhora foi retocado. Vivemos num mundo engraçado.

Andrés Orena voltou a fazer algum trabalho desta vez?
Sim, uma parte. O principal artista da nova capa é Chris Jones e ele fez uma capa muito porreira. Na primeira versão que tivemos a senhora estava quase nua e pensamos que poderia ser um pouco demais. Por isso, enviamo-la para o Andrés e perguntamos-lhe se ele a poderia vestir um pouco. Foi o Andrés que fez a lingerie que ela veste. Achamos que fez uma imagem um pouco mais elegante.

Set The Night On Fire foi muito bem recebido e até foi presença em muitas listas de melhores do ano. Sentiram esse peso quando começaram a trabalhar neste álbum?
Curiosamente acho que nenhum de nós realmente pensou sobre qualquer tipo de pressão que tivéssemos de ultrapassar para provar alguma coisa. Somos simplesmente quatro pessoas que adoram o que fazem. E a música que tocamos é a música que realmente amamos. Assim é simples. Mas devo dizer que sou verdadeiramente abençoado por ter estes elementos à minha volta. Eles são muito profissionais em tudo o que fazem. Martin é realmente um grande guitarrista, um compositor fantástico e um produtor de top. Mikael Erlandsson é fantástico com os teclados e, na minha opinião, um dos melhores vocalistas do mundo neste género. E Perra Johansson! Que fantástico baterista que ele é. Trabalha de uma maneira tão fácil. Apenas precisou de dois dias para gravar todas as baterias álbum. É incrível. Sinto que sou apenas o sortudo que teve a oportunidade de estar com eles.

Como decorreu o processo de gravação desta vez?
Além de uma inesperada pausa de três semanas que tivemos que fazer (ver motivos abaixo) foi bastante calmo. Perra fez o seu trabalho em dois dias. Eu gravei todas as faixas de baixo e alguns teclados no meu próprio estúdio. Alguns vocais e teclados foram gravados no estúdio Mikael Erlandsson e as guitarras e voz foram gravadas no estúdio do Martin. Assim, foi muito fácil fazer todas as partes das músicas.

A respeito das canções, o que podes dizer sobre elas, em comparação com a vossa estreia?
Devido ao fato de haver mais compositores envolvidos neste álbum, acho que se torna um álbum mais variado. E também amadurecemos e evoluímos como banda uma vez que nos conhecemos melhor uns aos outros. Isso teve algum impacto sobre o resultado final. Há algumas músicas bem hard rock, há outras mais suaves, portanto acho que todos os fãs poderão encontrar a sua própria faixa favorita.

Ainda não têm qualquer vídeo para este álbum, pois não? Já há alguma coisa planeada?
Não, de momento não, embora realmente já devêssemos ter. Mas é em situações como esta que se nota a dificuldade de conseguir conciliar as agendas de cada um. Vamos ver e quando chegar a oportunidade, corrigiremos isso.

Tu, Martin Kronlund e Perra Jonhsson também estiveram no último álbum dos Dogface, não foi? Como aconteceu isso?
Esta é que é uma história digna de ser contada. Estávamos a meio das gravações de Into The Night e já estávamos tão avançados que era a altura de Mikael Erlandsson fazer os vocais. De repente, ele teve que deixar a Suécia durante três semanas para uma tournée na Rússia com uma banda chamada Secret Service. E assim ficamos nós: estúdio reservado mas sem vocalista. O que iriamos fazer? Foi então que Martin veio com a ideia de que talvez pudéssemos recomeçar o seu antigo projeto Dogface. Eles já não lançavam nada desde 2002. Ao lado de Martin, os Dogface também era Mats Levén (Candlemass, Therion, Yngwie Malmsteen) nos vocais e, felizmente para nós, ele estava disponível nessa altura. E na realidade, conseguimos gravar um álbum inteiro com 10 músicas nessas três semanas. Quando isso terminou, Erlandsson estava de regresso da Rússia, correu para estúdio e começou com os vocais para o álbum de LUC novamente. Assim, durante o outono, trabalhamos simultaneamente em dois álbuns. Realmente confuso, com certeza.

Quanto a futuros planos para LUC?
Estamos confirmados para o Väsby Rockfestival em Estocolmo, aqui na Suécia, a 18-19 de julho deste verão. É um grande cartaz com muitas das melhores bandas de rock melódico. Jorn, Candlemass, TNT com o seu vocalista original, só para mencionar alguns. Isso vai ser muito bom! Podem confirmar e comprar bilhetes em www.vasbyrockfestival.se. Espero ver alguns de vocês por lá. Fica apenas a 15 minutos de distância do aeroporto de Arlanda, portanto é muito fácil chegar lá.

Mais uma vez obrigado e dou-te a oportunidade de acrescentar mais alguma coisa que não tenha sido abordado nesta entrevista...
Queríamos dizer muito obrigado a todos os amigos e fãs aí fora, que se juntaram a nós na nossa jornada. Estamos muito gratos por todo o apoio e esperamos conhecer alguns de vocês por aí. Por favor, visitem-nos no Facebook ou no nosso website www.loverundercovertheband.com

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