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Entrevista: Rozz

A viverem a sua segunda reencarnação, os franceses Rozz apresentam o seu segundo trabalho desta nova fase. O guitarrista e vocalista (quase por acidente) Marcel Ximenes, fala-nos do regresso, do novo álbum, dos problemas que surgiram no caminho. Mas sempre com otimismo.

Olá Marcel, obrigado pela tua disponibilidade. Esta segunda vida dos Rozz tem sido muito ativa e com muita força…
Sim, muita vontade, muitos projetos. Não há tempo para dormir.

Quais os motivos porque, a certa altura, puseram um termo na vossa carreira?
Fomos forçados a parar. Na realidade, queríamos continuar, mas questões familiares obrigaram-me a afastar dos outros membros da banda. Eles não quiseram continuar sem mim. Um segundo álbum estava pronto para ser gravado, havia concertos agendados.

E o que vos fez voltar? Foi com a formação original?
Há quase 30 anos que estávamos em contacto! E um dia vi na web uma entrevista com um ex-membro dos Rozz por uma webzine que estava interessada no Hard Rock dos anos 80. Imediatamente entrei em contato com ele e apercebi-me que o vocalista  JP Mauro já tinha feito a mesma coisa, alguns dias antes . O resultado foi muito rápido, porque todos nós sonhávamos com os Rozz desde 1988. Morávamos muito longe uns dos outros (cerca de 1.000 km), mas decidimos encontrar-nos no norte de França, onde a banda nasceu e começamos com uma primeira cena em agosto de 2008 depois de um mês de ensaios intensivos. A nova versão da nossa reformação (3 dos 5 membros originais, 2 guitarristas e vocalista) rapidamente se espalhou e tocamos para uma casa lotada e um público que cantou as nossas músicas connosco. Motiva a continuar, não concordas?

Podes descrever-nos este novo trabalho, Tranches de Vie?
Deves saber que Jean Pierre Mauro, o vocalista original dos Rozz parou as suas atividades musicais em 2011. Durante algum tempo tivemos outro vocalista, mas quando tudo estava pronto para este álbum, até com alguns dos instrumentos já gravados, divergências de opinião entre nós tê-lo-ão levado a deixar o grupo. Rapidamente, testamos vários cantores, mas nada que nos convinha. Isso levou à (difícil) decisão de ser eu a cantar. Eu não sou um cantor, mas tinha que ser feito. E fiz. Tenho trabalhado todos os dias para me tornar um verdadeiro cantor e estar mais confortável nos espetáculos que faremos a partir de fevereiro até o final do ano. De resto, escrevi as músicas, como sempre, mas queria que fossem diferentes umas das outras. Neste disco, fizemos o que tínhamos em mente e sabíamos que ele poderia surpreender muitas pessoas. Acho que muitas destas canções são feitas para o palco e podem entrar sem problema no nosso espetáculo juntamente com os temas de outros álbuns.

As letras são na quase totalidade em francês, como de costume. Nunca pensaram fazer um álbum inteiro em Inglês?
Pensamos sobre isso várias vezes, mesmo nos anos 80, mas decidimos continuar assim, principalmente porque escrever letras é muito diferente em Francês e Inglês. Nós queremos dizer alguma coisa com as nossas músicas e assim é possível. A segunda razão é que nós acreditamos que os sons da língua francesa não irão prejudicar mesmo para um público não-francês, se a nossa música for boa. Finalmente, vários bons grupos franceses conheceram o sucesso cantando na nossa língua e outros tentaram cantar em Inglês e tiveram maus resultados. Quando tocamos para um público que não entende a nossa língua, falamos em Inglês e cantamos as nossas músicas em francês, como de costume.

Para além do digipack há também uma versão em vinil. Como está a ser a aceitação desta versão?
Muito boa. Fizemos muito poucos exemplares para experimentar e ver como as pessoas reagiam. Ficamos muito surpreendidos por vender tudo num mês, sem grande promoção e tivemos que fazer uma nova impressão. Parece que as pessoas adoram este produto tanto mais que a capa bonita desenhada por Stan W Decker é tem maior destaque neste grande formato.

Como têm sido as reações até agora?
Para dizer a verdade, as reações têm sido extremamente variadas: alguns adoram todo o disco; outros odeiam tanto a minha voz como a diversidade de músicas; outros, muito poucos, felizmente, encontram neste álbum algumas músicas que gostam muito mesmo que não gostem de outras. Atingimos um público muito maior do que tínhamos, apesar de alguns fãs dos Rozz da década de 80 estarem perplexos ou dececionados. A mudança de voz da banda associado ao fato de eu não estar “preparado " para cantar, são, definitivamente, os maiores problemas neste álbum o que é uma boa notícia, porque são as coisas que podemos trabalhar e melhorar.

Já referiste a diversidade presente em Tranches de Vie. É daí que surge um blues
As nossas raízes musicais estão realmente lá: Rock e Blues. Sempre tocamos blues nos nossos shows e muitas vezes também covers de ícones do rock and roll e do boogie. Por isso, é bastante natural que um blues esteja em cada um de nossos dois últimos álbuns: Ménagère Blues aqui e Tu no álbum D'un siècle à L' autre.

Como decorreu a gravação deste disco?
É uma sensação um pouco estranha, porque estávamos, e estamos felizes e orgulhosos de tocar e apresentar estas músicas, mas houve uma série de dificuldades que nos incomodaram. Especialmente tendo que fazer o melhor possível para cantar, mas sabendo que não seria perfeito. Além disso, foi como todas as gravações de álbuns: um período de trabalho intenso, diversão, ansiedade, fadiga, stress, alegria, rearranjos de última hora... tudo o que geralmente existe na gravação de um disco. Mas com bons momentos.

Já estão em tournée ou estão a planear isso?
Não, ainda estamos em ensaios (com o nosso novo baterista Julien Nicolas, que tocou com os Kells durante 2 anos) para nos prepararmos para a tournée promocional a partir de meados de Fevereiro. Primeiro na França e na Bélgica, com uma ou duas datas em Espanha e, depois, na China, em junho. Em princípio, descansaremos em julho (a menos que surja algum festival interessante) e iremos promover o álbum em concerto novamente a partir de agosto, mas ainda há muitas coisas para definir. Esperamos tocar noutros países europeus, em seguida, especialmente na Europa do norte e central, onde a nossa música é bem apreciada. A ideia é fazer um álbum ao vivo ou um DVD este ano.

Mais uma vez obrigado. Queres acrescentar mais alguma coisa que não tenha sido abordada nesta entrevista...
Obrigado por esta entrevista! Esperamos encontrar o público Português. Portanto, se os organizadores de concertos ou festivais ou bandas portuguesas nos puderam ajudar a fazer isso, será com enorme prazer que iremos tocar no teu belo país.

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