domingo, 23 de março de 2014

Review: Coventry Blue (Jeremy Spencer)

Coventry Blue (Jeremy Spencer)
(2014, Propelz)
(5.4/6)

Jeremy Spencer, antigo guitarrista dos Fletwood Mac, considerado o maior especialista em slide guitar está de regresso com Coventry Blue, o segundo álbum em dois anos, depois de Bend In The Road e com a curiosidade de as 29 faixas apresentadas nos dois álbuns terem sido registadas na mesma altura. Coventry Blue começa precisamente onde acaba Bend In The Road. Este tinha uma forte componente blues que se ia desvanecendo ao longo disco. Sequencialmente Coventry Blue apresenta-se menos virado para o blues e mais para o indie folk rock ou para algo que poderemos apelidar de sixties rock. Claro que a slide guitar continua a criar aquela magia que só o Sr. Spencer consegue, ainda por cima adicionada, a espaços, da belíssima voz de Rachel May e de um sensual ensemble de cordas. Embora nos pareça um pouco menos conseguido que o seu trabalho anterior, ainda assim, Coventry Blue tem para oferecer, dentro dos seus 15 temas, alguns momentos magistrais. Sound Like Paris, um dos cinco instrumentais do disco, captura de forma imaculada o romantismo e brilho da cidade luz onde nem falta o acordeão a enfatizar esse sentimento; Blind Lover pela forma como evolui e cresce e pelo sensacional solo final de Jeremy Spencer; Open The Door, tema verdadeiramente arrepiante pela subtileza do piano, hammond e guitarra acústica numa inesquecível melodia bluesy onde a voz de Rachel May sobressai de forma categórica e em grande beleza; Sweet Were The Days, outro instrumental de belíssimo efeito com cordas, piano e um solo de guitarra fenomenal; Letting Go Of The Past, vocalizada mais uma vez de forma superior por Rachel May, naquele que é o tema mais jazzístico do álbum e que tem um dueto de piano/guitarra simplesmente espetacular; finalmente, o tema título, um blues acústico de belo efeito. Se repararam, esta coleção de momentos geniais situam-se no meio de Coventry Blue. Os primeiro e último terços não criam tais níveis de empolgamento e contribuem para a sensação geral que este trabalho está uns furos abaixo do anterior. Inferior no geral, embora, no particular, atinja níveis que Bend In The Road não atinge. Para os amantes da boa música, que preferem um disco suave, com grandes canções e extraordinárias interpretações, este é um disco obrigatório.

Tracklist:
1.      Happy Troubador
2.      Got To Keep Movin’
3.      Dearest… umm, yah
4.      Send An Angel
5.      Sounds Like Paris
6.      Blind Lover
7.      Open The Door
8.      Sweet Were The Days
9.      Letting Go Of The Past
10.  Coventry Blue
11.  Nightingale’s Pledge
12.  Durango
13.  Moonshide Slide
14.  The World In Her Heart
15.  Endlessly

Line-up:
Jeremy Spencer – vocais e guitarras
Brett Lucas – guitarras
James Simonson – baixo
Todd Glass – bateria
Rachel May – vocais
Molly Hughes – violino
Mimi Morris – violoncelo
Stephan Koch – violoncelo
Duncan McMillan – acórdeão

Internet:

Edição: Propelz (www.propelz.com)

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