sexta-feira, 25 de abril de 2014

Entrevista: Mars Red Sky

Considerados um dos grandes nomes europeus do stoner rock, os franceses Mars Red Sky ganharam reputação internacional graças a um som único baseado na mistura entre groove e riffs de guitarra melódicos e estratosféricos. Dois dos três marcianos – Matgaz, baterista e Julian Pras, guitarrista e vocalista – relembram as passagens pelo nosso país e falam deste novo álbum, recordando algumas histórias mirabolantes.

Viva! Obrigado pela vossa disponibilidade! Quem são os Mars Red Sky? Qual é o significado deste nome?
Mat: Nós somos um psicadélico power trio formado em 2009 em Bordéus na França. Lançamos um primeiro álbum auto-intitulado e um EP Be My Guide pela nossa etiqueta MRS Red Sound e agora temos este novo álbum Stranded in Arcadia pela Listenable Records.
Julien: Encontramos o nome ao ouvir Sleep’s Dragonaut e a ler o booklet. As palavras destacaram-se como algo óbvio, parecia que encaixavam perfeitamente na atmosfera da música que estávamos a começar a fazer.

Depois de uma estreia bem-sucedida, em 2011, lançaram vários EP’s que, eventualmente, vos conduziu a Stranded In Arcadia. Esses EP’s foram, de facto, uma espécie de preparação para este novo e grande álbum?
Mat: Sim, podemos dizer isso. Eu entrei para a banda há 2 anos e meio atrás e queríamos fazer algo juntos muito rápido e ver como seria. Pensamos que o EP foi um bom passo antes de um novo álbum.

Também por essa altura fizeram grandes tournées pela Europa e América Latina. Que aprendizagens e memórias guardam desses momentos?
Mat: A coisa mais louca é, provavelmente, a produção deste novo álbum que foi planeado para acontecer em Palm Springs nos EUA depois de nos termos encontrado com Harper Hug no Desert Fest, em Londres. Mas tivemos problemas com os serviços de imigração dos EUA e ficamos presos no Brasil quase 10 dias. Aproveitamos esse tempo disponível para encontrar um estúdio e fazer o álbum, apesar da nossa má sorte. Mas finalmente conhecemos esse tipo incrível que é Gabriel Zander graças ao nosso agente (e amigo) brasileiro Felipe Toscano, e acabamos por gravar o nosso novo álbum no Rio de Janeiro no seu estúdio Superfuzz Estudio. Às vezes não se tem controlo no que acontece, mas em algumas alturas é muito bom! Todos esses espectáculos que fizemos fizeram-nos melhores músicos e podemos lidar melhor com estar em tournée. Conhecemo-nos muito bem e sabemos como estar na estrada para tentar manter isso divertido.

Geralmente vocês são descritos como um cruzamento entre doom metal e 70’s psych pop. Concordam com essa descrição? Que nomes mais vos influenciaram?
Mat: Sim, concordo, e gostaria de dizer «entre Black Sabbath e Simon and Garfunkel» que é mais ou menos a mesma comparação. Todos nós gostamos e ouvimos muitos tipos diferentes de música, desde o pop dos anos 60 ao black e death metal, Cold Wave, Indie Rock, e assim por diante... Quando estávamos no Brasil descobrimos grandes artistas como Os Mutantes, Chico Buarque, Raúl Seixas... Nos últimos meses tenho cantado um pouco de música africana. Como banda, as nossas influências são: Dead Meadow, Sleep, The Melvins, Pink Floyd, Black Sabbath...

Sobre o vosso álbum novo, Stranded In Arcadia, recentemente lançado, quais são as vossas expetativas?
Mat: Nós esperamos que as pessoas se vão divertir e esperamos ver metalheads a explorá-lo juntamente com tipos do indie pop ou outros, se gostarem!
Julien: Também esperamos fazer uma tournée para o promover. Acho que somos uma boa banda ao vivo, estamos melhor a cada show e teremos muita diversão quando tocarmos estas novas músicas, bem como as mais antigas.

Esta é a vossa primeira experiência com a Listenable? Como se sentem?
Mat: Sim, eles entraram em contacto connosco no ano passado. Estávamos em conversações com uma outra editora, mas não tínhamos certeza se seria bom ficar com eles. Foi quando a Listenable conversou connosco e pensamos que era a melhor solução. Eles são uma etiqueta de metal, e nós não tocamos metal, mas os metalheads gostam de nós, portanto foi uma boa equação poder trabalhar com eles. E eles são franceses, estão perto de nós, a comunicação é fácil, estamos na mesma página.
Julien: E nós gostamos de metal, tanto quanto qualquer outra coisa, por isso sentimo-nos em casa estando numa editora de metal.

Quais são os aspectos líricos em que vocês mais se concentram neste álbum?
Julien: Acho que as letras atualmente, são um pouco mais simples e diretas do que nos discos anteriores. No que me diz respeito, são como pequenos poemas com metáforas e rimas bonitas, mas os temas subjacentes são realmente muito escuros. Quando as escrevia, apercebi-me que a maioria deles fala acerca de alienação, dependência, ansiedade, isolamento, amor e perda... Muito gótico, não? Mas espero que não seja muito óbvio. É como uma triste velha senhora vestida com novas roupas coloridas.

Já estão a preparar mais uma tournée europeia? Como será?
Mat: Iremos para a estrada na Europa em outubro. Antes disso, temos alguns bons festivais como Hellfest, Stone From The Underground, Rock Dans Tous Ses États... E vamos abrir para um grande nome em França chamado Detroit. Não estão Stoner/Heavy nem nada disso, são um pouco mais rock mainstream mas são ótimos e é uma boa oportunidade para nós poder tocar para o seu público!

Já tem algum vídeo para este álbum?
Mat: O plano é ter quase todas as músicas cobertas com vídeo. Mas temos estado em palco na maior parte do tempo. Assim que pudermos.

Projetos para os próximos tempos? O que têm em mente?
Mat: Vamos fazer uma tour com este novo álbum.
Julien: Também faremos um show único em Bordéus na festa de lançamento do álbum; antes de fazer o espectáculo normal, iremos tocar algum material instrumental totalmente novo para uma peça de música acusmática composta e executada pelo nosso amigo Julia Al Abed com um show de luzes e vídeos.

Bem, foi um prazer conversar convosco. Existe mais alguma coisa que queiram dizer aos nossos leitores ou aos vossos fãs?
Mat: Obrigado! Espero voltar a Portugal em breve, a última vez em Moledo no Sonic Blast foi ótimo!
Julien: O mesmo! Tivemos uma explosão no Porto há alguns anos, entre outros. Tours em Portugal têm sido sempre um prazer, por isso espero ver-vos em breve!

NOTA: todas notícias sobre outros projetos como Epiq Mars Red Sky, Headcases Play Nirvana, partituras de bateria, entrevistas: www.matgaz.com

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