quinta-feira, 10 de abril de 2014

Review: Beholden To Nothing, Braver Since Then (Leviathan)

Beholden To Nothing, Braver Since Then (Leviathan)
(2014, Stonefellowship Recordings)
(4.8/6)

Muitas vezes nos últimos tempos o termo progressivo tem sido utilizado indevidamente (eventualmente até por nós próprios). Mas desta vez, esse termo tem total cabimento. A banda Cristã do Colorado Leviathan regressa com um trabalho extraordinariamente longo (15 temas em 75 minutos) em que o progressivo é levado com total rigor. Arranjos complexos, jogos estruturais, espaço para as masturbações técnicas dos músicos mas mantendo também o espaço para a canção. Beholden To Nothing, Braver Since Then cruza toda a capacidade técnica com momentos cheios de sentimento e algumas belas melodias. Muitos desses momentos são conseguidos com a utilização de guitarras acústicas e clássicas, violinos e violoncelo. Curioso é, também, a introdução de imensas partes narradas, dando a sensação de se tratar de uma banda sonora de um qualquer filme. Diversidade é portanto uma palavra que deve ser empregue para descrever Beholden To Nothing… Mesmo que se possa por em causa algumas das opções tomadas pelos Leviathan neste disco (que acabam por afetar de forma negativa o trabalho), como seja o exagerado número de temas e tempo do álbum, ou como algumas passagens com menor interesse, de uma coisa não pode haver dúvidas: o quarteto americano explora como poucos a sua costela progressiva, arrisca, sai da sua zona de conforto e explora outras vertentes. Os Leviathan são, para além de diversificados, como já vimos, ecléticos e criativos. Mas atenção porque Beholden To Nothing… tem alguns momentos sensacionais: A Shepher’s Work, Intrinsic Contentment, Creatures Of Habit, A Testament For Non-Believers, If The Devil Doesn’t Exist, Thumbing Your Nose At Those Who Oppose ou Beholden To Nothing. Mas não é um álbum homogéneo e esse é o seu principal problema. Por exemplo Empty Vessel Of Faith tem uma secção espetacular à qual se segue uma segunda parte desinteressante; já Magical Pill Provided, sendo um dos temas mais fracos, apresenta uma secção final espetacular. Estranho sem dúvida. Uma bipolaridade que só se explica por aquilo que já avançámos: uma intrínseca capacidade de arriscar, de explorar, de criar… e nesse sentido Beholden To Nothing, Braver Since Then é do melhor que se tem feito neste setor.

Tracklist:
1.      Ephemeral Cathexis
2.      A Shepher’s Work
3.      Intrinsic Contentment
4.      Overture Of Exasperation
5.       Creatures Of Habit
6.      Solitude Begets Ignorance
7.      A Testament For Non-Believers
8.      If The Devil Doesn’t Exist…
9.      Magical Pill Provided
10.  Thumbing Your Nose At Those Who Oppose
11.  Empty Vessel Of Faith
12.  Words Borrowed Wings
13.  Bettering Darklighter
14.  Misanthrope Exhumed
15.  Beholden To Nothing

Line-up:
Jeff Ward - vocais
John Lutzow – guitarras, teclados
Dave Rumbold – bateria
Derek Blake – baixo

Convidados:
Ronald Percival, Trevor Helfer, Paul Perry - bateria
Rachel Segal – violin e viola
Tom Capek - piano
Jason Boudreau – guitarra solo em Testament For Non-Believers
Chris Lasegue – guitarra solo em Empty Vessel Of Faith

Internet:

Sem comentários: