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Entrevista: Wishbone Ash

45 anos de carreira não belisca nem ofusca a criatividade nem a imaginação dos Wishbone Ash. Depois de Elegant Stealth ter sido considerado o seu melhor trabalho, o regresso faz-se com Blue Horizon, um disco que vem provar que, apesar da idade, o horizonte ainda é azul (e brilhante) para estes veteranos. O delfim da banda, o baterista Joe Crabtree, respondeu às nossas questões.

Olá Joe! Obrigado pela tua disponibilidade em falares para Via Nocturna! 45 anos de carreira e os Wishbone Ash ainda andam por aí a rockar a valer. Quais são as vossas maiores motivações para se manterem com o mesmo espirito forte de sempre?
Obrigado por nos contactares. Sim, 45 anos é muito tempo! Andy é uma potência – poderia ser chamado de um guerreiro da estrada. O seu entusiasmo com a banda nunca diminui e é infeciosa. Nós damo-nos bem, o que é extremamente importante quando estás em tournée e tens que passar tanto tempo junto. Acrescenta a isso o entusiasmo dos fãs que vêm a cada show e é fácil dar o melhor a cada noite.

Particularmente para este novo álbum, de onde veio a inspiração?
Este álbum começou com as demos de Muddy, Andy, o filho de Andy (Aynsley) e Roger Filgate. Havia algumas ideias bastante completas e outras que precisavam de algum trabalho. Passamos 10 dias a trabalhar essas demos das músicas e depois saímos em tournée durante um mês antes de voltarmos ao estúdio para gravar. Outras canções foram trabalhadas durante a gravação, mas a ênfase em todo o processo esteve em pensar a música e as letras. Elegant Stealth, por outro lado, foi um álbum mais de improvisação em que e as letras e melodias foram a última coisa a ser escrita.

Como descreves Blue Horizon?
Acho que é um álbum de "canções", com solos de guitarra extra. Ao ouvir as demos que tínhamos gravadas na sessão de escrita quase cortamos as extremidades de coisas como Blue Horizon, Way Down South e Strange How Things Come Back Around. No fim, aqueles solos e jam sessions são o que tornam este álbum um álbum de Wishbone Ash. Os fãs adoram um solo de guitarra.

Na altura, Elegant Stealth foi considerado como o melhor álbum da banda! Como receberam uma notícia dessas?
Ficamos muito felizes com esse álbum. As músicas, a produção, o artwork, etc tudo levou o seu tempo mas ficamos satisfeitos com o resultado final. Estou muito feliz que tenha sido bem recebido pelos fãs.

Acredito que para vocês esse reconhecimento em nada tenha afetado o processo de composição deste novo álbum?
Com Elegant Stealth fiz força para juntar os créditos da escrita. Passámos duas semanas em França a trabalhar as ideias com base na improvisação. Basicamente escrevemos um monte de música instrumental como uma banda e depois, no fim de tudo, acrescentamos as letras. Foi divertido, mas minhas músicas favoritas do álbum acabaram por ser as demos do Muddy e do Andy. Acho que quando uma pessoa passa muito tempo a trabalhar num pedaço de música isso pode levá-la a patamares onde não seria possível tendo toda a banda a governar o navio.

Como foi o processo de escrita? Há duas canções escritas pelo filho de Powell...
Como já referi, as músicas começaram principalmente como demos. No caso das canções que Aynsley escreveu, ele fez as demos numa Garage Band e tinha praticamente a música completa: bateria, guitarras, letras, tudo. São grandes canções - ele é muito talentoso. Nós adicionamos pedaços aqui e ali e mantivemos os solos originais, essas músicas eram, na realidade, os seus bebés.

E uma outra escrita por um ex-guitarrista dos Wishbone Ash, Roger Filgate. É expectável o seu regresso à banda?
Andy vive perto de Roger e eles estão juntos de vez em quando. Andy pediu ao Roger se ele queria contribuir com algo para o álbum. Reuniram-se e trabalharam na ideia de Roger. Ele não vai voltar - ele tem as suas próprias coisas a acontecer e três guitarristas seriam demasiados!

E como decorreu o processo de gravação?
Queríamos que este álbum soasse mais “ao vivo” que os dois últimos. Usamos amplificadores Kemper para os sons de guitarra, o que significa que todos nós poderíamos estar ao vivo na sala e apenas a bateria fazia som. Os Kemper foram maravilhosos. Eles não se distinguem dos outros amplificadores, mas deram-nos um enorme grau de controlo sobre todos os aspetos do som com um simples apertar de um botão. A maioria das músicas foram gravadas com um clique. Às vezes eu regravei a bateria tocando na gravação e outras coisas que seriam regravadas por cima.

Como surgiu a ideia de incluir um violino? É Pat MacManus que o toca não é? Ele já havia colaborado em Elegant Stealth
Pat escreveu Can’t Go It Alone para Elegant Stealth. Foi uma das primeiras músicas que tocamos ao vivo (mesmo antes de a gravarmos no álbum). Pat contribuiu com o principal riff introdutório e estrofes em All There Is To Say. Foi, novamente uma demo bastante completa, mas nós mudamos algumas das secções e acrescentamos algo nosso, além de que não havia letras na demo. Ele veio cá um dia, tocou o violino nesse tema e ainda acrescentou mais algumas coisas interessantes em Take It Back. É porreiro ter esse violino a abrir a fechar o álbum.

Usas aqui aquele software de música e bateria que criaste há uns anos atrás? Em que consiste?
Suponho que te referes ao RhythMaching. Não, não uso o software para isso. É mais uma ferramenta prática para bateristas ou outros músicos, para trabalhar no treino do ouvido. Pode ser útil para inspirar novas direções, ritmos, sequências de acordes, etc, mas não é realmente apropriado para o material Wishbone.

Martin Turner estava a tentar conseguir os direitos sobre o nome Wishbone Ash. Está resolvida a situação?
Ele falhou. Vencemos.

Tu estás com os WA desde 2007. És um membro jovem, mas com uma experiência extraordinária no mundo do rock progressivo. Suponho que a adaptação não tenha sido difícil…
Eu não conhecia a música dos Wishbone Ash quando entrei. Tenho tocado todos os estilos ao longo dos anos, de modo que o material não foi difícil de aprender. Steve Upton tinha um estilo agradável e aprendi algumas coisas a trabalhar nas músicas que ele tocou. A minha abordagem é tocar as peças que se encaixam nas músicas e prestar homenagem à bateria original, mas injetando a minha própria personalidade.

Qual é o sentimento de bandas tão diferentes como Lynyrd Skynyrd, Opeth ou Iron Maiden citarem o vosso nome como influência?
É ótimo que Wishbone Ash tenha inspirado tantas bandas. Eu não fazia parte da banda quando eles inspiraram esses nomes, mas é bom saber que sou parte de algo que tantas bandas apreciam.

Por esta altura, já terminaram a vossa tournée americana, em que visitaram alguns lugares pela primeira vez em anos. Como correram as coisas?
Visitamos muitos novos sítios nos EUA. Não tínhamos certeza se as multidões estariam lá, mas acabou por ser muito bom. Já estamos a tentar reservar uma tour semelhante para 2015.

Eu acho que ainda faz sentido falar sobre o futuro! Ainda existe alguma coisa que não tenham feito e que esteja nos vossos planos futuros?
De momento estamos a gostar muito de tocar ao vivo. Estamos muito unidos. Temos o objetivo de trabalhar mais músicas para um novo álbum em conjunto para termos uma nova oportunidade de as poder tocar ao vivo. Provavelmente iremos começar a pensar em algo novo dentro de um ano ou dois. Há ainda demos deste álbum onde ainda não trabalhamos.

Então, naturalmente, os fãs poderão esperar um novo álbum de estúdio?
Tê-lo-ão!

Bem, foi um prazer! Queres acrescentar mais alguma coisa para os nossos leitores ou para os vossos fãs?
Obrigado por seguirem a banda. Não poderíamos fazer isso sem vocês. Se quiserem saber mais sobre as minhas atividades fora da banda (incluindo aulas on-line) visitem http://www.joecrabtree.com. Obrigado.

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