sexta-feira, 20 de junho de 2014

Entrevistas: The Furys

Os adeptos do punk rock seguramente se lembrarão dos The Furys, banda de Los Angeles dos anos 70. A boa notícia é que Jeff Wolfe resolveu dar uma nova vida ao seu coletivo. Do line-up original só resta ele, mas diversas influências (incluindo o seu próprio filho) fizeram-no regressar com um EP de 4 temas em formato digital. Mas muito mais está para vir! Confiram…

Olá Jeff! Obrigado por esta entrevista. Quando sentiram que estava na altura certa para o regresso?
Estava a trabalhar num filme de monstros chamado Return Of The Killer Shrews. No filme havia uma música chamada Fifty Years. Depois do espetáculo, o diretor, Steve Latshaw e eu fomos para o deserto onde acidentalmente vimos os The Fleshtones tocar num velho honky-tonk. Depois de ver essa banda e ver a incrível resposta do público, Steve sugeriu que eu deveria voltar a trabalhar com os The Furys. Ele até se ofereceu para dirigir um documentário sobre tudo.

Quem tem a maior influência nessa decisão: vocês (a banda) ou os fãs?
O meu filho, há uns anos atrás, tinha cerca de 17 anos, perguntou-me: "Pai, estiveste nos The Furys? Todos os meus amigos e eu adoramos essa banda!” Eu nunca tinha falado com ele sobre meus dias como cantor punk. Também comecei a receber cheques de royalties novamente pelo airplay de Say Goodbye To The Black Sheep. Na verdade, essa canção tornou-se um êxito no Little Steven’s Underground Garage Show na Rádio Sirius. Por isso, por causa do meu filho e do interesse dos seus amigos, o airplay renovado e incentivo de Steve Latshaw, decidi voltar a cantar as músicas dos The Furys.

O que fizeste após a paragem dos The Furys? Como te sentes com este regresso?
Após a separação dos The Furys em 1987, decidi cantar música country e western. Formei os Horse Soldiers para esse fim. Ao longo de 25 anos, fiz cerca de 400 espetáculos, lancei 3 álbuns e apareci em 4 grandes compilações de editoras na onde de Johnny Cash, Waylon Jennings e Willie Nelson. Tocamos em alguns locais surpreendentes: cidades fantasma, estúdios de cinema, jardins, escolas, feiras, festivais, museus. Eu tenho um novo álbum dos Horse Soldiers chamado Fifty Years que pretendo lançar em breve. Como vês, mantive-me ocupado com os Horse Soldiers desde que os The Furys terminaram. Até agora, poder tocar essas músicas
de novo tem sido uma experiência maravilhosa. Em junho passado estávamos a tocar num grande festival em Los Angeles Chinatown (os The Furys foram a primeira banda a tocar Madame Wongs em 1978, de modo que fomos cabeça de cartaz nesse espetáculo) e reparei numa menina muito jovem que cantava connosco Waiting For Surrender, um tema do álbum Indoor/Outdoor. Ela sabia a letra toda! E ainda não era nascida quando este álbum saiu em 1987! São momentos como este que me fazem orgulhoso do legado The Furys.

Ainda manténs o line up original?
Após termos terminado, cada um seguiu outros interesses. Um trabalha com seguros, outro é professor, outro é fotógrafo e um é enfermeiro. Nenhum deles decidiu continuar na música a sério. Agora uso novos membros. A banda soa incrível.

Este retorno é feito com um EP de 4 temas. Podemos falar um pouco dele? Antes de mais há duas novas músicas. São mesmo completamente novas ou trata-se de material que vocês nunca tinham lançado antes?
Wicked White foi escrita em 1977. Gravamo-la em 1978, mas nunca a lançamos. A versão do EP é uma nova gravação. Tear It Down foi escrita em 1987, mas nunca foi gravada. Ambas as faixas foram gravadas este ano.

E também duas músicas antigas - dois antigos sucessos, podemos afirmar! São novas gravações ou as versões originais?
The Girl Is Not At Home foi gravada nos estúdios da EMI em Hollywood em 1987 para o mini-álbum Indoor/Outdoor. Say Goodbye To The Black Sheep é uma gravação original de 1978, que nunca foi lançada digitalmente até agora.

Para além deste EP há previsões para uma caixa que inclui um DVD ao vivo e um documentário. Já está disponível?
Esperamos ter a caixa disponível no final deste ano... Bem a tempo para o Natal!

Quando começaram em 1977, foram dos pioneiros do movimento DIY. Como vês a situação agora, cada vez mais recorrente, passados tantos anos?
Espanta-me o quão longe o movimento indie tenha chegado desde 1977. Nunca pensamos que poderíamos obter um contrato de gravação com o estado da música popular na altura, portanto fiz alguma pesquisa e encontrei uma fábrica de prensagem que fabricava pequenas quantidades de discos. Fizemos a impressão do nosso primeiro single Hey Ma/Jim Stark Dark. E fui para lojas de discos, feiras de trocas, em qualquer lugar onde senti que poderia vender os meus discos. E cheguei a vendê-los no porta-bagagens do meu carro! Vendemos a primeira prensagem de 500 cópias numa semana! Fiquei espantado! Em seguida, fizemos uma nova prensagem de mil cópias e também os vendemos. Ainda tivemos algum airplay e presença em revistas de imprensa... Os The Furys estavam no caminho! Lançamos Say Goodbye To The Black Sheep, em fevereiro de 1978. O novo fenómeno indie e das rádios das faculdades, pegou nele e ele começou a ter airplay em todo o mundo. WOW! E aí estávamos nós a fazer shows em todo o lado e com grandes bandas.

Podemos ler no press release que os The Furys nasceram como uma reação ao barulho terrível que, na altura, passava na rádio. Que tipo de barulho terrível era esse?
Recentemente encontrei uma 30 top list de 1977, que te enviei via Billy James e que apresenta o single Hey Ma/Jim Stark Dark como "single da semana" numa cadeia de lojas de discos do sul da Califórnia chamada Licorice Pizza. Alguns dos nomes dessa lista são Fleetwood Mac, KC e The Sunshine Band, Shaun Cassidy, Andrew Gold, Andy Gibb, Barry Manilow, The Eagles e Supertramp. Estes são alguns exemplos do "ruído terrível" que falamos.

E passados tantos anos concordas que atualmente ainda existe muito barulho terrível?
A música popular atual é horrível. Embora as bandas punk tenham tido impacto e possamos agora ouvir as músicas dos Ramones em bandas sonoras e em comerciais de televisão, por exemplo, foi principalmente um efeito underground. Apesar do movimento ter sido muito influente, não se traduziu em grande sucesso com exceção de um par de bandas - Blondie e The Clash, por exemplo. Muitos das bandas realmente grandes ficaram para trás. Nas bandas indie/underground de hoje pode ouvir-se o quanto os The Furys e outros grupos influenciaram as bandas jovens. Graças à internet e youtube, os miúdos podem agora olhar para trás e ir buscar influências de alguns desses grandes nomes; no meu tempo isso nunca teria acontecido, ou pelo menos teria sido muito, muito difícil.

Está pronto para regressar ao palco? Tens alguma coisa planeada?
Já fizemos uns 6 ou 7 shows ao vivo até agora. Temos o International Pop Overthrow Festival a 1 de agosto em Los Angeles. Adoraríamos ir à Europa e Japão para algumas datas; na verdade, estamos em conversações com um agente a este respeito.

E planos para o pós-EP?
Estou a conversar com algumas agências de colocação de música assim esperamos poder ouvir algumas das músicas dos The Furys na televisão e em filmes muito em breve. Tenho muitas boas novas canções bem como muitas canções antigas não gravadas para gravar e compartilhar com os fãs dos The Furys.

Bem, foi um prazer conversar contigo. Queres acrescentar mais alguma coisa para os nossos leitores ou para os teus fãs?
Foi bom conversar contigo também. É claro que vou enviar os meus melhores votos a todos os fãs dos The Furys em Portugal. É uma coisa incrível e maravilhoso estar a cantar estas grandes canções novamente depois de todos esses anos!

Muito obrigado!!
Obrigado, também, Pedro!

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