sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Entrevista: Domadora

O rock psicadélico francês está, definitivamente, bem entregue. Um dos melhores exemplos são os Domadora banda que apresentou o ano passado o extraordinário Tibetan Monk e que já prepara, por estas alturas, novo material. A curiosidade aumenta pelo facto da banda possuir, agora… dois bateristas. Enquanto o novo material não chega contactámos Belwil que nos falou detalhadamente deste interessantíssimo projeto.

Olá Belwil! Obrigado por esta entrevista! Podes apresentar os Domadora aos roqueiros e metaleiros portugueses?
Somos uma banda de jam psicadélico da França. A banda é composta por quatro membros, Belwil (guitarra/vocais), Gui Omm (baixo), Karim e Alex (bateristas).

Como começou este projeto? Podes contar-nos um pouco da vossa história até agora?
Gui Omm e eu conhecemo-nos durante uma jam com alguns amigos. Rapidamente nos ligamos a um nível de música, por isso fomos para estúdio e aí percebi que particularmente gostamos de viajar de forma aleatória em longas improvisações na músicas rock. Percebemos que essas improvisações poderiam dar à luz canções. Foi um processo de criação muito natural.


Tibetan Monk é realmente um grande álbum! Parabéns! Para quem não conhece esse álbum, como o descreverias?
Obrigado, fico feliz que tenhas gostado. Fazemos a nossa música e vivemos as nossas vidas como percursos em estradas desconhecidas; este álbum é o resultado desse modo de vida. É rock porque as nossas influências vêm principalmente do rock. E é psicadélico porque tentamos deixar as nossas inconsciências guiarem-nos ao máximo. É doce, violento, longe da perfeição. De facto, é verdadeiro para a vida, acho eu. Ouvir estas músicas no meio da noite, na escuridão total pode ser uma experiência realmente incrível e bizarra.

E os comentários têm sido ótimos! Sinceramente, esperavam isso?
Para nós, tem sido muito divertido ler esses comentários. É muito bom ler todas as comparações, as frases, e perceber como os críticos sentem e interpretam a nossa música. Na realidade, não poderíamos esperar melhor.

Quais são as vossas principais influências?
Há muitas influências, muitos artistas diferentes; cada membro da banda tem o seu próprio. Eu acho que o principal será o rock clássico dos anos 70, mas não só.

Sei que gravaram algumas músicas novas recentemente. O que podemos esperar? Mantêm a mesma musicalidade?
Sim, estivemos a gravar num prestigiado lugar de Paris, durante 3 dias, um local que temos que manter em segredo, porque não podemos usar o seu nome na nossa promoção. De qualquer forma, os improvisos no segundo álbum serão mais duradouros, mais violentos e maciços. Colocamos um pouco mais da nossa personalidade, na verdade, fomos um pouco mais longe.

Será, mais uma vez, principalmente instrumental?
Irás ver… basta ter paciência. Mas neste tipo de música, os instrumentos expressam mais coisas do que as palavras, pelo menos é assim que pensamos.

Têm um novo membro. Um novo baterista. Como foi a sua adaptação à banda e aos temas?
Sim, recrutamos o Alex há alguns meses atrás. Ele é verdadeiramente um bom baterista, pelo que a sua adaptação foi muito fácil. Aprendeu os temas e foi capaz de ir para palco num período muito curto de tempo.

Mas ele substituiu o Karim ou foi apenas para alguns concertos?
Não, Karim ainda é nosso baterista. Às vezes, tocamos com um, outras com outro. As suas diferentes sensibilidades enriquecem a nossa música.

Com os Domadora e os Mars Red Sky, por exemplo, podemos visualizar o nascimento de uma nova geração de rock psicadélico francês? Para além dos citados, existem outros nomes na senda?
A França está longe de ser líder no rock psicadélico, mas as coisas estão a mexer. Há um renascimento do género e uma rede de pessoas em França que trabalha duro para organizar bons concertos. Esperamos que se desenvolva mais ao longo do tempo. Neste caso, não seria apenas um estilo de música, mas isso significaria que a França tinha acordado e encontrado ousadia e que as pessoas estavam finalmente abertas a outras formas de vida. Estou obviamente a falar de uma maioria que está trancada na sua rotina. Mas precisaria de muito tempo para desenvolver este assunto...

Chased And Caught é o primeiro vídeo extraído de Tibetan Monk. Porque escolheram esse tema?
Matthias Couquet, um estudante graduado de ESRA (escola de cinema francês) veio ter connosco e ofereceu-se para produzir esse vídeo. Estamos-lhe agradecidos já que tivemos um grande feedback a este respeito. Neste momento estamos à procura de alguém para produzir vídeos em temas mais longos, como Ziggy Jam ou The Oldest Man On The Left.

E espetáculos? Têm alguma coisa agendada?
Não, nada previsto para um futuro próximo. Estamos concentrados em misturar a nossa nova demo para ter um bom material para entrarmos em contato com as editoras. Mas informar-te-emos se surgir alguma coisa.

Obrigado Belwil por esta entrevista. Queres acrescentar mais alguma coisa para os nossos leitores ou para os vossos fãs?
Sim, juntem-se a nós nesta viagem musical, sem destino. O caminho é o mais importante, conhecer novas pessoas, fazer novos amigos e, claro, a liberdade. Esperamos que em breve esta viagem nos leve a Portugal! Obrigado Pedro! 

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