quarta-feira, 30 de abril de 2014

Review: Kings Never Sleep (Rory Kelly)

Kings Never Sleep (Rory Kelly)
(2014, Rusty Knuckes Music)
(5.5/6)

Sinceramente não tínhamos encontrado nada de substancialmente interessante no anterior disco de Rory Kelly, (Don’t Shake My) My Family Tree. No entanto, com esta nova proposta do trio oriundo das montanhas da Carolina do Norte, Kings Never Sleep, mudamos a nossa opinião. Este é, de facto, um bom disco de boogie hard rock sulista e bluesy. Com a curiosidade de o baterista do trio ser… pai do próprio Rory Kelly e ter alguma experiência em sonoridades mais extremas como foi o caso dos infames thrashers Old Bridge Militia, Kings Never Sleep traz onze novos temas um pouco menos revolucionários mas igualmente contundentes. Será mais adultos o termo correto? Claramente. Mas sem deixar de transpirar a bares e clubes enevoados. Mas Rory Kelly demonstra também capacidade de se reinventar. Por isso há um blues acústico e algo experimental (Black Widow), um blues rural a cheirar a country, também acústico (Wouldn´t Listen) e até um espetacular instrumental com sabor mexicano (Hasta La Muerta). O resto é muito rock’n’roll, muito sentimento sulista com alguns grandes momentos musicais como Menace To Society, Look Away ou 16 Tons. Agora sim, estamos convencidos!

Tracklist:
1.      Lay To Waste
2.      Kings Never Sleep
3.      Black Widow
4.      Walking Wounded
5.      Menace To Society
6.      Wouldn’t Listen
7.      Stood Your Ground
8.      Hittin The Bottom
9.      Look Away
10.  16 Tons
11.  Hasta La Muerta

Line-up:
Rory Kelly – guitarras e vocais
Mike Kelly – bateria
Billy Miller – baixo

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terça-feira, 29 de abril de 2014

Review: The Road To Redemption (Last Bastion)

The Road To Redemption (Last Bastion)
(2014, Independente)
(5.6/6)

Os Last Bastion são um quinteto oriundo de Seattle nascido em 2012 e que se estreiam nestas lides com The Road To Redemption. E que estreia! Imaginem a força do power metal norte-americano cruzado com a beleza e melodia do europeu. A isso adicionem apontamentos folk, medievais, épicos, thrash, prog, sinfónicos. Uma deliciosa amálgama de diferentes sonoridades condimentada por um conjunto de virtuosos nos seus instrumentos que a todo o momento nos surpreendem e deliciam com soberbos solos e brutais diálogos entre as guitarras e os teclados (com o baixo, por vezes, também a juntar-se). Assim, em jeito de comparação poderemos avançar os nomes de Iced Earth ou Blind Guardian, como os mais próximos. I Know When I’m Home, tema de abertura e escolhido para vídeo, situa perfeitamente o ouvinte numa vertente mais europeia. Neoclássica e rápida é uma das melhores faixas. As influência folk/medieval/épica faz-se notar com mais incidência nos dois temas seguintes (Ancient Lands e Plataea). Northern Kingdom investe em áreas pagãs com uma estonteante velocidade, enorme complexidade (uma verdadeira cacofonia inicial!) com uma drástica mudança a meio para sonoridades à… Iron Maiden. A alegria e o colorido europeu regressam em Angel’s Tyranny, outra faixa com fortes influências neoclássicas. Entre Road To Redemption e Liberation predomina a força da escola americana do power metal, sendo de destacar a marcha inicial e final do tema-título. À semelhança da abertura, também o fecho se faz de forma brilhante com Forevermore, uma grande malha com belos ganchos melódicos, algum folk, provavelmente o refrão mais catchy de todo o álbum e solos sensacionais. Fixem este nome, Last Bastion e este álbum The Road To Redemption! Arranjem-no! É indispensável na vossa coleção!

Tracklist:
1.      I Know When I’m Home
2.      Ancient Lands
3.      Plataea
4.      Northern Kingdom
5.      Angel’s Tyranny
6.      Road To Redemption
7.      The Way Of Kings Pt. I – Cursed By fate
8.      The Way Of Kings pt. II – Stormblessed
9.      Liberation
10.  Forevermore

Line-up:
Joe Lovatt – vocais e guitarras
Matt Lahr – guitarras
Larry Barnard – baixo
Matt Bethman – teclados
Matt Carter – bateria

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segunda-feira, 28 de abril de 2014

Entrevista: Gun Barrel

Dois anos depois aí estão os Gun Barrel de regresso com o segundo álbum para a Massacre. Depois de Brace For Impact surge Damage Dancer, um disco direto e sem rodeios, como o confirmou próprio Tomcat numa rápida, e também direta, troca de palavras connosco.

Olá Tomcat! Mais uma vez, agradeço a tua disponibilidade. Novo álbum, portanto, neste momento quais são os teus sentimentos e expectativas?
Estamos todos a sentirmo-nos muito bem com este álbum. Mais uma vez, parece ter sido um passo em frente. Para mim Damage Dancer soa mais maduro do que qualquer álbum anterior. Amadurecido num barril de carvalho. As minhas expectativas? Ficar rico e sexy. Isso seria o suficiente.

Como foi o vosso método de trabalho desta vez? Mudou alguma coisa? Desta vez parece ter sido tudo mais rápido...
Foi mais rápido, sim. Mas ainda poderíamos ter sido mais rápidos do que isso. Mas não mudamos nada. O nosso produtor, Yenz Leonhardt, está envolvido em vários projetos. Mais uma vez tivemos que esperar durante o processo de gravação, porque a sua agenda está completamente cheia. Por isso vês, nada mudou. No fim, está tudo bem. Temos um grande disco nas lojas e como tu próprio disseste, mais rápido do que o último.

Agora, com o novo vocalista mais integrado na banda deve ter sido mais fácil de trabalhar...
Trabalhar com Patrick foi muito fácil desde o início. Desde sempre que pareceu que ele era um de nós. E agora, ele é um de nós. Ele teve a oportunidade de dar a sua contribuição neste disco. Por exemplo, Heading For Disaster foi escrita por Patrick.


Já vimos que estão satisfeitos com este novo trabalho, por isso perguntava-te como descreves Damage Dancer?
Este é álbum é rockeiro puro. Não são muitas as linhas de coro. Guitarras puras. Banda rock pura. Direto ao teu rosto. Sem tretas, apenas música. Os Gun Barrel diretos.

Qual é o significado do título Damage Dancer e que estão a tentar transmitir com a capa?
Tens o dano (damage), o lado feio e tens a dançarina (dancer), o lado elegante, combinados numa figura. Os dois lados de uma história, de uma pessoa. Assim como nós, elementos dos Gun Barrel. Graciosos mas intimidando tudo no nosso caminho.

Os Gun Barrel são uma verdadeira instituição do hard rock/metal europeu. O que vos faz manter as motivações em alta?
Adoramos o que fazemos. Somos quatro amigos, um gang, a fazer o que queremos. Ninguém nos diz para mudar a nossa música ou que tipo de ideia deveria ser lançada. Criamos músicas para nós. E quando alguém aí fora gosta, ficamos muito felizes. Quando entro em palco e ouço os fãs cantar as minhas próprias músicas arrepio-me. Este foi o nosso sonho e nós temos o privilégio de o estar a viver. E essa a motivação: passar o tempo com bons amigos. O que pode ser melhor que isso?

Battle- Tested é hoje considerado uma peça de colecionador. Há projeções para um futuro relançamento?
É bom ouvir que é uma peça de colecionador. Sempre sonhei com isso. Parece a Limb Music não está interessada em relançar Battle-Tested por agora. Para todos os interessados​​: ainda temos um punhado de digibooks e alguns jewel cases em stock para vender. Para os colecionadores: escrevam para fire@gunbarrel.de e veremos o que podemos fazer.

Têm algum vídeo para este álbum?
Filmamos um vídeo para Damage Dancers, a faixa-título. Deverá estar concluído em junho. Será disponibilizado o mais rápido possível.

Bem, foi um prazer conversar contigo mais uma vez. Queres acrescentar mais alguma coisa para os nossos leitores e para os teus fãs?
Esperamos tocar num clube perto de vocês num futuro próximo. Até lá rockem e sejam Damage Dancer vocês mesmos. Vemo-nos na estrada.

domingo, 27 de abril de 2014

Review: Inward/Outward (Mire)

Inward/Outward (Mire)
(2014, Independente)
(4.2/6)

O Campeonato de bandas como Tool, A Perfect Circle e Porcupine Tree tem um novo candidato: os canadianos Mire. Depois de dois anos a trabalhar no seu álbum de estreia surge Inward/Outward, um disco que pode ser dividido em duas partes. A primeira, Inward, é composta pelas quatro primeiras faixas que constituem um bloco muito homogéneo, compacto e bastante agradável. A segunda parte, Outward, tem mais temas, uma intro, uma outro e um interlúdio. Apesar de aparentemente mais elaborado acaba por ser menos interessante muito por culpa dos temas curtos, mais experimentais mas que pouco acrescentam à qualidade geral. Inward/Outward é um disco progressivo e com agradáveis dinâmicas ao nível da bateria e das estruturas. Pode dizer-se que é um disco simultaneamente complexo e catchy, com os temas a desenvolverem-se quase sempre em crescendo. Começam calmos, com linhas de piano, guitarras limpas e vozes quase sussurradas e vão desembocar em autênticas explosões de distorção com vocais berrados. A sombra de Tool, como já se viu, paira muito sobre Inward/Outward, e quem gosta dos norte-americanos, gostará, seguramente, dos Mire. Principalmente depois de ouvir temas como Tyrannicide e as duas partes de Limitless.

Tracklist:
1.      Complex
2.      Tyrannicide
3.      Limitless (Part. 1)
4.      Limitless (Part. 2)
5.      Convolution
6.      Beast And The Machine
7.      Catalan Atlas
8.      Mantra Cymatic
9.      Open Circle
10.  Upheaval

Line-up:
Dave Massicote – Guitarras e Vocais
Stephane Boileau – Drums
J.P. Lachapelle – Lead Vocals
Bruno Chouinard – Guitarras e Teclados
Robbie O’Brien – Baixo

Internet:

Notícias da semana

Infinite Space Of A Man Without Character é o novo vídeo dos The Rising Sun Experience. Trata-se do segundo tema extraído do álbum Beyond The Oblivious Abyss com lançamento previsto em vinil e digipack para junho pela editora alemã de rock psicadélico e progressivo, World in Sound. Em Infinite Space Of A Man Without Character a banda apresenta uma música que consegue misturar o lado psicadélico/progressivo com a energia e atitude do punk do final dos anos 70.

2014 será o ano dos Amon Düül II para a editora californiana Cleopatra Records. Isto porque a partir de 29 de abril a editora irá reeditar um conjunto de edições limitadas em vinil com cinco álbuns clássicos da mais influente banda de rock experimental de sempre, os ícones alemães do krautrock Amon Düül II. As duas primeiras reedições serão a espetacular estreia de 1969, Phallus Dei e o influente clássico de 1972, Wolf City. Depois, em maio será a vez duplo trabalho de 1971 Dance Of The Lemmings para em junho terminar com outros dois álbuns: Vive La Trance (1973) e Yeti (1970). Mas, mais espetacular que estas reedições é a notícia do regresso dos Amon Düül II aos originais com o seu primeiro trabalho em mais de vinte anos, adequadamente intitulado de Düülirium!  Três dos membros originais (John Weinzierl - guitarrista, Chris Karrer – guitarrista/violinista, e o vocalista Renate Knaup) marcam presença neste novo álbum que terá edição em vinil e CD a 10 de junho. As solicitações para as reedições podem ser feitas aqui.

O coletivo multinacional de metal progressivo Blackwelder assinou com a GoldenCore Records/ZYX Music. De momento a banda encontra-se em fase de gravação, mistura e masterização do seu trabalho de estreia ainda sem título definido, mas que será lançado no final deste ano. Os Blackwelder juntam elementos de todos os pontos do globo como Ralf Scheepers (vocais; Primal Fear, ex-Gamma Ray), Andrew Szus (guitarras; Seven Seraphim), Bjorn Englen (baixo; Dio Disciples, ex-Yngwie Malmsteen) e Aquiles Priester (bateria; Hangar, ex-Angra).

O novo vídeo dos franceses Memories Of A Dead Man já está disponível para visualização. Trata-se de Melancholia, tema retirado do mais recente álbum Ashes Of Joy, lançado a 14 de abril via Send The Wood Music.




Aquele que é considerado um dos melhores álbuns de rock/blues de sempre, Journeyman de Eric Clapton será alvo de uma reedição em formato Hybrid SACD via Audio Fidelity. Em Journeyman, Clapton conta com as colaborações galáticas de Alan Clark, George Harrison, Chaka Khan, Daryl Hall, Robert Cray e Phil Collins, naquele que foi o primeiro disco do cantor a atingir a marca de dupla platina. Entre o alinhamento consta Bad Love, tema que garantiu a Eric Clapton o Grammy para Melhor Vocalista Rock Masculino no ano de 1990.

O premiado cantor, compositor e produtor dos Oak Ridge Boys, Duane Allen, acaba de testemunhar o reconhecimento da sua comunidade: uma ponte e uma estrada foram nomeadas com o seu nome em Cunningham Community, perto de Paris, TX.



A mítica banda alternativa dos anos 90, Everclear foi confirmada para o Summerland Tour, juntando-se assim aos Soul Asylum, Eve 6 e Spacehog. Esta tour tem passagem por 40 cidades nos Estados Unidos.




Os comediantes do rock Psychotick disponibilizaram uma divertida cover de um tema do programa infantil, Reading Rainbow. Segundo a banda, foi o seu contributo para incentivar a juventude do país para a leitura. Entretanto, os mestres do humorcore, como são conhecidos, iniciarão a 29 de maio a sua Merica F**K Yeah Tour em Amityville, NY, que durará até 27 de Junho, terminando em St. Louis, MO. Os Psychotick irão juntos com os Dog Fashion Disco e The Bunny The Bear.

Para entusiasmo dos fãs do punk rock de todo o mundo, a Gonzo Multimedia irá reeditar o fundo de catálogo dos britânicos The Deviants. Os The Social Deviants foram fundados em 1967 por Mick Farren, com Pete Munro no baixo, Clive Muldoon e Mike Robinson nas guitarras e Russel Hunter na bateria. Com a saída de Munro e Muldoon e consequente substituição por Cord Rees e Sid Bishop a banda encurtaria o seu nome para o definitivo The Deviants. O primeiro trabalho Ptooff! Foi financiado por um jovem multimilionário, Nigel Samuel, sendo um sucesso underground antes de ser lançado pela Decca Records. Os álbuns agora alvo de reedição (a 28 de abril) são Barbarian Princes Live In Japan 1999, Dr. Crow e The Deviants HaveLeft The Planet.


O disco chama-se The Sky Over Brooklyn e marca a estreia em disco de João Martins, um pianista e percussionista oriundo de Coimbra a viver em Nova Iorque. Em Nova Iorque, depois  de uma passagem por Salvador da Bahia, no Brasil, onde estudou a música tradicional daquela região. Em Portugal, antes de seguir para o Berklee College of Music, em Boston, João Martins estudou ainda com o pianista Filipe Melo. The Sky Over Brooklyn é o resultado de tudo isto, uma primeira ideia artística onde o músico se vai recriando, misturando um pouco de tudo o que foi vivendo e aprendendo. Muito jazz americano com umas boas pitadas de uma percussão abrasileirada.

sábado, 26 de abril de 2014

Review: I Am God (Exorcism)

I Am God (Exorcism)
(2014, GoldenCore Records/ZYX Music)
(4.6/6)

Os Exorcism são aquilo a que se pode chamar de super-grupo. Reúne elementos dos Estados Unidos, Espanha, Itália e França que têm um passado de relevância no setor metalizado. A nova aposta – I Am God - é apontada como a resposta para o atual heavy metal. E bem pode ser porque as referências são as melhores – heavy doom metal escorrendo como lava incandescente. Letras e melodias obscuras acentuam mais esse espírito doom, se bem que a costela do puro e clássico heavy metal, com o saudoso Dio à cabeça, esteja muito presente. Ora, então juntando Dio, Black Sabbath e Trouble fica-se mais ou menos com uma ideia do que estes senhores fazem em I Am God. Destaca-se o trabalho vocal de Csaba Zvekan, sempre alto e nos limites e o desempenho de Joe „Shredlord“ Stump, sempre sensacional quer nos solos, quer nas bases, harmonias e acompanhamentos. Em termos musicais, I Am God vai em crescendo, aumentando de interesse à medida que vai avançando. Por isso, quanto a nós, os melhores momentos situam-se precisamente em Stay In Hell, Fade The Day e Zero G. Três temas finais que encerram da melhor forma um disco interessante, capaz de criar bons momentos de heavy metal pincelado de doom e que recupera de forma competente e séria um importante legado deixado por alguns dos monstros sagrados do passado.

Tracklist:
01. End Of Days   
02. I Am God    
03. Voodoo Jesus    
04. Last Rock'N Roll  
05. Master Of Evil    
06. Exorcism    
07. Higher    
08. Stay In Hell    
09. Fade The Day    
10. Zero G    

Line-up:
Csaba Zvekan – vocais
Joe „Shredlord“ Stump – guitarras
Lucio Manca – baixo
Garry King – bateria

Internet: