sábado, 31 de maio de 2014

Review: King Of The World (Humbucker)

King Of The World (Humbucker)
(2014, Independente)
(5.6/6)

Os Humbucker parecem apostados, definitivamente, em recuperar o tempo perdido. Dois anos após a estreia com o sensacional R. O. C. K. S. aí está o regresso do mais poderoso e enérgico coletivo de hard rock da Noruega com a segunda proposta: King Of The World. A ambição de se tornarem os reis do mundo pode parecer elevada, mas acreditem que não deve haver na atualidade quem consiga transportar para os dias de hoje toda a essência do hard rock dos anos 70 e 80, mantendo vivo todo esse impressionante legado. E se com R. O. C. K. S. poderia ter havido alguma surpresa, tudo agora fica muito claro e bem confirmado: estes Humbucker são, definitivamente, um caso muito sério e King Of The World segue a excelência da estreia apresentando um conjunto de sensacionais temas curtos e diretos cujo principal objetivo é dispor bem e divertir o ouvinte. Mas divertir de uma forma criteriosa com temas bem construídos, que bebem nas melhores escolas do rock ‘n’ roll (aliás são notórias em alguns temas as bases dessemovimento) e do hard rock, bem apimentado por algum rock sulista e até blues. Um disco que bem pode ser já classificado de clássico, com excelentes temas (impossível destacar algum!) de rock interpretado por um talentoso conjunto de músicos. Lembram-se o que, na altura, escrevemos a respeito de R. O. C. K. S.? Que era um disco obrigatório na vossa discografia? Pois agora já são dois obrigatórios dos Humbucker. Juntem lá também este King Of The World!

Tracklist:
1.      Self-Made Son Of A B***h
2.      One Size Fits All
3.      King Of The World
4.      Gone Fishing
5.      Dirty Nelly
6.      Harder Being Me
7.      Lone Rider
8.      Lord Have Mercy
9.      Hey You!
10.  I Did It All (Thank You & Goodnight)
11.  Wine, Woman An’ Song
12.  Strongman

Line-up:
Jan Anders Boen – vocais
Lars Stian Havraas – baixo
John Petter Pershaug – guitarras
Geir Arne Dale – bateria
Vidar Svanheld – guitarras

Internet:

sexta-feira, 30 de maio de 2014

Entrevista: Erik Scott

Quando um baixista rock se aventura em sonoridades menos convencionais como o world music isso demonstra a capacidade que esse músico tem em inovar e derrubar barreiras. Vem isso a propósito de And The Earth Bleeds, segundo trabalho a solo de Erik Scott, baixista que chegou a trabalhar com Alice Cooper. Fomos descobrir as suas motivações…

Olá Erik! Obrigado pelo teu tempo para Via Nocturna. Podemos falar um pouco sobre o teu regresso com And The Earth Bleeds? Para começar, sendo tu um baixista de rock, o que te motivou a criar um trabalho tão diferente?
Recentemente quis explorar as diferentes possibilidades do baixo elétrico, tocar mais ideias melódicas que me ocorreram no baixo, e não simplesmente entregá-las às guitarras ou aos sopros. Tocar com diferentes efeitos e também quis experimentar combinações de instrumentos inesperados e ser tão criativo quanto me fosse possível.

Quando decidiste fazer algo como isto? Foi espontânea ou não?
Ambos os meus álbuns a solo foram gravados sem um plano. Gosto simplesmente de começar as coisas e deixar que a música me leve…

And The Earth Bleeds é um álbum cheio de surpresas. Pode descrever um pouco do que os ouvintes podem ouvir?
Bem, espero que o ouvinte goste de como o baixo toca linhas melódicas e dos duetos com o violino e outros instrumentos diferentes. Como os vocais mudam de um cantor a cantar em inglês e a sua namorada a cantar em espanhol... coisas assim.

Poderemos afirmar que este álbum é a continuação de Other Planets ou é diferente?
Acho que, de muitas maneiras, é uma continuação. Ambos são bastante atmosféricos. And The Earth Bleeds não é tão espacial como Other Planets. Mas tem períodos atmosféricos.

Há cinco músicas não instrumentais no álbum. Pelo que percebi, as letras vieram muito mais tarde no processo. Estava planeado ser apenas um álbum instrumental ou não? Porque decidiste incluir letras nessas músicas em particular?
Nesses casos, gostava da música como estava, mas as canções pareciam querer letras... Simplesmente não pareciam completas como instrumentais.

Como surgem as influências escocesas na tua música?
Vi um filme, In Search Of Neverland, sobre JM Barrie e a criação de Peter Pan e comecei a pensar em termos de Escócia. Por isso visitei a Escócia porque tenho alguma ascendência escocesa, o que acabou por ser uma influência, especialmente nas letras de Free.

E o tema The Battle For Neverland foi precisamente inspirado e dedicado a JM Barrie, o criador de Peter Pan. Por quê?
Porque posso relacionar as ideias de manutenção da juventude e sonhos, não deixando o processo de envelhecimento atrasá-lo e torná-lo chato.

Com influências escocesas e celtas e um título como And The Earth Bleeds, podemos considerar este álbum como um olhar sobre todos os problemas que estão a afetar o nosso planeta?
Provavelmente não como um todo. Mas, certamente, o título da canção é sobre tratar melhor da nossa casa.

Quem são os músicos que te acompanham neste disco?
Shira Kammen toca violino em três músicas, (na verdade, um violino medieval chamado veille), John Pirruccello toca steel guitar numa faixa e bandolim noutra e Phil Miller toca guitarra em três canções.

Já há algum vídeo disponível?
Sim. Há um vídeo de Free até agora e está acessível a partir do meu site http://erikscottbass.com Estou também a fazer um outro para Let’s Do Something Cool. E talvez venha a haver um outro para Gypsy Mother and the Royal Bastard.

Próximos projetos? O que está na tua mente?
Estou a começar a fazer um disco com guitarra, baixo e bateria, com um estilo excêntrico, mas vibração orientada para o groove. Talvez também com steel guitar

Bem, foi um prazer conversar contigo! Queres acrescentar mais alguma coisa para os nossos leitores ou para os teus fãs?
O prazer foi meu e espero que os teus ouvintes possam desfrutar. Saudações. 

quinta-feira, 29 de maio de 2014

Playlist 29 de maio de 2014


Review: Blue Horizon (Wishbone Ash)

Blue Horizon (Wishbone Ash)
(2014, Solid Rockhouse Records)
(5.4/6)

Os Wishbone Ash, uma das mais influentes bandas de rock, estão de regresso com mais um disco, Blue Horizon. Após 45 anos de carreira, mantendo apenas um elemento da formação original (o guitarrista e vocalista Andy Powell), os britânicos atacaram a composição deste novo álbum depois do seu anterior, Elegant Stealth ter sido considerado como o seu melhor trabalho. Acreditamos que com toda a experiência acumulada e já não tendo nada a provar, a palavra pressão nunca tenha existido para Blue Horizon. E assim sendo, este volta a ser um disco àWishbone Ash. Será este, sem dúvida, o melhor elogio que se pode fazer. Rock clássico com um pouco de blues e até de prog, num disco com ambos os pés no rock dos anos 60 (Pink Floyd, Yes, The Beatles moram por ali!) é o que aqui se apresenta. Os dois guitarristas continuam, como sempre, a brindar-nos como um delicioso trabalho quer quando estão solos, quer nas twin guitars (afinal, foram estes senhores que inventaram a técnica), nomeadamente em temas como a espetacular e hard rockeira Deep Blues (a lembrar o trabalho de ZZ Top) ou a bluesy Mary Jane. Dois temas de topo a liderar um conjunto de mais oito grandes canções de rock clássico, que vão crescendo em nós à medida que as vamos explorando. Assim, dado ao que nos é dado ouvir, só resta pedir aos Wishbone Ash que continuem, pelo menos mais 45 anos a espalhar o perfume e a magia do seu rock. Para já o horizonte é azul… e brilhante!

Tracklist:
1.      Take It Back
2.      Deep Blues
3.      Strange How Things Come Back Around
4.      Being One
5.      Way Down South
6.      Tally Ho!
7.      Mary Jane
8.      American Century
9.      Blue Horizon
10.  All There Is To Say

Line-up:
Andy Powel – guitarras, vocais
Muddy Manninen – guitarras
Bob Skeat – baixo
Joe Crabtree – bateria

Músicos adicionais:
Pat McManus – violino em #1 e #10; violin em #10
Lucy Underhill – backing vocals em #3 e #8
Richard Younr – percussões em #3
Tom Greenwood – órgão em #9

Internet:

Edição: Solid Rockhouse Records

quarta-feira, 28 de maio de 2014

Review: Red Moon Rising (Perfect View)

Red Moon Rising (Perfect View)
(2014, Avenue Of Allies Records)
(5.6/6)

Quase quatro anos depois os italianos Perfect View estão de regresso aos discos com mais um trabalho de belíssimo efeito: Red Moon Rising. É interessante ver como este quinteto de Modena consegue cruzar melodic rock, AOR e até algum progressivo, baseando o seu trabalho em fortes harmonias e melodias muito catchy conseguindo manter o espaço que os teclados costumam usufruir neste género. Mas o elemento fundamental, na nossa opinião, é o trabalho de guitarra muito bem conseguido a todos os níveis: ritmos, harmonias e solos, apresentando-se, por vezes, bem pesada. É, de facto, uma mais-valia para Red Moon Rising, um disco que, apesar disso, não perde a sua sensibilidade radiofónica. Room 14, a balada I Will Remember, Living In Disguise, Holdin’ On e a versão dos Toto, Home Of The Brave são os melhores momentos. In The Name Of The Father é o tema mais heavy do disco e Dead End Street o mais progressivo, chegando a aproximar-se de uns Dream Theater, essencialmente, devido ao timbre vocal de Max Ordine. Saúda-se, também, o regresso da editora germânica Avenue Of Allies às edições e logo com um disco de muito bom nível e que certamente agradará a todos os fãs deste género.

Tracklist:
 1) Where The Wind Blows
2) By My Side
3) Room 14
4) Slave To The Empire
5) I Will Remember
6) In The Name Of The Father
7) Living In Disguise
8) Dead End Street
9) Holdin’ On
10) In A Blink Of An Eye
11) Home Of The Brave

Line-up:
Max Ordine - vocais
Francesco Cataldo - guitarras
Pier Mazzini – teclados
Frank Paulis – baixo
Luca Ferraresi – bateria

Convidados:
Michele Luppi: backing vocals em By My Side
Giacomo Gigantelli –backing vocals em Slave To The Empire

Internet:

terça-feira, 27 de maio de 2014

Review: Feedback Revival (Feedback Revival)

Feedback Revival (Feedback Revival)
(2014, Independente)
(5.7/6)

Terceiro álbum para os Feedback Revival, mais uma banda oriunda da genial Nashville, TN, apesar de liderados pelo vocalista Dan Fenton de Nova Iorque. Depois de In The Woods (2010) e Hell & High Water (2012) este álbum homónimo vem comprovar todo o dinamismo, toda a alma e toda a qualidade em que assenta este quarteto. Claro que vindo de Nashville poderemos esperar um rock’n’roll orgânico, sulista, retro, rural, com as adequadas pinceladas de delta blues, soul e country. Mas o que difere um pouco os Feedback Revival dos seus pares é a maior agressividade vocal. Ainda assim, as principais referência serão sempre os The Delta Saints, The Black Keys, Led Zeppelin, White Stripes ou Rolling Stones. O baixo enche as músicas com groove e soul; os teclados são quentes; a bateria é poderosa, precisa e dinâmica; as guitarras respiram rock’n’roll em cada nota. Depois acrescentem, ainda, banjos, honky tonk, slide guitar e bandolim, ficam com uma ideia do festim que por aqui vai! Temas como Jesse James (verdadeiro monumento de rock’n’roll onde o banjo e o honky tonk se cruzam para fazer as delicias do mais exigente fã!), Ballad Of Loretta (espetacular incursão pelo country com a slide guitar e o piano em níveis de excelência), At Last (com a corrente desligada e apenas com banjo e slide guitar em ritmos de country, novamente), Salt Of The Earth (rockalhada com brutal trabalho de guitarra) e Home (novamente, com a corrente desligada, um blues acústico e com as lamentações de um sentido piano) são os maiores momentos de um disco todo ele vibrante e eletrizante. A fazer sentir o verdadeiro espirito rockeiro!  

Tracklist:
1.      Cadillac In Black
2.      Soul Feet
3.      Jesse James
4.      Beautiful Life
5.      Carry On
6.      Ballad Of Loretta
7.      Delta
8.      Josolyn
9.      At Last
10.  Salt Of The Earth
11.  Tennessee Rose
12.  Home

Line-up:
Dan Fenton – vocais e guitarras
Nathan McFarland – guitarras, banjo, dobro
Alex Horton – baixo, teclados, bandolim
Taylor Powel – bateria

Músicos adicionais:
Joe Logan – bateria
Matthew Page – slide guitar em #3 e #6
Brian Bandas – backing vocals em #1 e #3
Wilson Conroy – banjo em #4

Internet:

segunda-feira, 26 de maio de 2014

Entrevista: Heylel

Depois de muitos anos ligado ao blues, Narciso Monteiro achou por bem criar algo completamente novo e avançou para os Heylel. O primeiro resultado é surpreendente e intrigante e chama-se Nebulae. O disco (onde a música e a componente visual artística) atingem níveis pouco vistos entre nós) sai em junho, mas nós já o ouvimos e fomos falar com o principal mentor.

Olá Narciso! Obrigado pela tua disponibilidade. Para começar, quem são os Heylel?
Olá Pedro e desde já obrigado pelo convite. Os Heylel são um projeto musical que surge no final de 2012, como resultado de uma série de ideias que eu tinha e achei estar na altura de converter em algo sério. Tudo isto nasceu muito calmamente, fomos compondo e gravando sem qualquer pressão, simplesmente deixamos fluir e no final avaliamos se devíamos dar o passo seguinte, que era lançar esse trabalho para o mercado. Ficamos bastante satisfeitos com o resultado e decidimos avançar.

O que te motivou a criar um projeto como este? Que necessidades sentiste de criar algo assim?
Estive tantos anos ligado ao blues, que acabei por deixar na gaveta todas as ideias que tinha e que eram fruto da minha influência base, que é o progressivo. A dado ponto, decidi que tinha de deixar a criatividade fluir sem barreiras, desprendida de estilos e de sequências quase obrigatórias como acontece incontornavelmente no blues.

Poderemos considerar este essencialmente como um projeto pessoal? Como foi que descobriste os músicos que te acompanham?
É sobretudo um projeto de autor, é uma visão minha que está a ser partilhada por outros músicos. No entanto, gosto de assumir os Heylel como uma banda, até porque acho que com o evoluir do projeto e com o aumento de ensaios e concertos vamos solidificando a nossa colaboração e naturalmente acabamos por fazer mais criações conjuntas. Eu já tinha trabalhado com a Ana e o Filipe nos Gama GT e fiz-lhes o convite porque já tinha idealizado os temas também tendo em conta as características deles. O Sérgio aparece mais tarde, já o disco estava gravado e procurávamos alguém para executar o baixo.

Exatamente, no álbum tu assumes o baixo, mas parece que agora o Sérgio de Meneses que fez alguns backing vocals já é o baixista efetivo do coletivo. Confirma-se?
Sim, a partir do momento em que os Heylel se tornaram uma realidade e com o intuito de realizar espetáculos, sabia que precisava de um baixista permanente para conseguir executar este trabalho ao vivo. O Sérgio demonstrou todo o interesse em participar, ensaiamos algumas vezes e rapidamente saltou para o efetivo.

Porquê a escolha de Heylel? Este é um termo hebraico, não é? Qual o seu significado?
Eu quis escolher um nome que representasse a minha filosofia de vida, que conseguisse de uma forma fácil transmitir que sou inspirado e movido pela ideologia luciferiana, que assenta essencialmente no desenvolvimento e na busca constante pelo conhecimento, mas que  simultaneamente não fosse agressivo ou nos transportasse para uma imagem mais hardcore. Heylel vem do hebraico Hellel, e é referido inicialmente na bíblia cristã como alusão à queda do Rei da Babilónia (Isaías 14:12) e que mais tarde viria a ser incorretamente conotado com Lucifer. Nós pegamos em toda esta mitologia e achamos que Heylel conseguia reunir os requisitos que procurávamos para um nome.

Quais são as tuas principais influências?
O progressivo clássico é a mais pertinente, cresci a ouvir Pink Floyd, King Crimson, Genesis e por aí fora. Isto mistura-se depois com as minhas preferências mais pesadas e mais contemporâneas, sobretudo Anathema e The Gathering.

Nebulae é a tua estreia e acaba por ser um trabalho arriscado em termos de conceito. Concordas? Era essa a tua intenção?
Se por um lado é um risco ser um trabalho muito próprio e fora do vulgar, pelo outro também vejo isso como um benefício. Acho que estou a propor algo que é realmente novo e isso é perfeitamente intencional. O Ummagumma dos Pink Floyd é um dos meus discos de eleição, isto deverá dizer muito sobre o que considero ser uma obra fora do normal.

Face a esse risco assumido, se te pedisse para descreveres Nebulae, como o farias?
Nebulae, como bem o descreveste, não é um disco fácil. É a compilação ordenada da introspeção que tive sobre as fases da vida, convertida numa forma literário-musical. Eu penso que este disco traz duas possibilidades ao ouvinte: ouvir a música pela música, pelo puro prazer de audição, ou aprofundar todo o conceito e tentar compreender as ideias e mensagens que são transmitidas. É também um disco de conteúdo bastante abstrato, o que permite que cada ouvinte possa ter uma interpretação muito própria e pessoal.

O facto de teres sido aluno da Escola de Jazz do Porto de alguma forma influencia ou influenciou o teu trabalho criativo em Heylel?
Certamente, mas penso que no sentido em que qualquer instituição académica influencia, ou seja, ensina as técnicas que depois vão permitir que aquilo que vai na nossa cabeça seja transferido para um instrumento. No caso da Escola de Jazz, o ensino a que tive acesso era de elevadíssima qualidade e isso no mínimo tem grande influência na capacidade de execução das ideias. Aproveito para mandar um abraço ao Humberto, que foi lá meu professor.

Porque o desenvolvimento do álbum em 4 atos? Existe alguma componente teatral ou conceptual em Nebulae?
Existe. Nebulae percorre o ciclo de vida de uma estrela, foi a metáfora utilizada para representar uma introspeção sobre a vida e a morte, daí a separação dos temas em capítulos. Estamos a preparar intensamente o nosso espetáculo ao vivo e esse terá uma forte componente visual e teatral, precisamente para enquadrar a música em todo este imaginário.

E apresentas duas versões de temas dos King Crimson. Depreende-se que esta será uma banda importante para ti enquanto músico. De que forma estes temas surgem aqui enquadrados e que motivos te levaram a escolhe-los?
Permite-me só uma correção, uma das versões, apesar de também ser cantada pelo Greg Lake, é dos Emerson, Lake & Palmer. Eu sou um aficionado do progressivo da década de 70, e quer os ELP quer os Crimson fazem parte das minhas preferências. São dois temas que gosto imenso e sempre quis homenagear e acabei por conseguir encaixá-los na estrutura do disco. O conteúdo literário aplica-se perfeitamente ao conceito de Nebulae.

Penso que o álbum ainda não estará no mercado. Quais são as tuas expetativas?
Ainda não, sai no dia 30 de junho, físico e digital. Prever o mediatismo de um lançamento, sobretudo independente, é muito difícil. Da nossa parte, estamos a preparar tudo da forma mais profissional possível, com todo o planeamento e estrutura montados. Temos trabalhado muito nisto e da nossa parte tem todo o empenho, a projeção que poderá ter, ainda vamos descobrir.

Como funciona o processo de composição nos Heylel?
Como já deves ter percebido, Nebulae é inteiramente composto por mim. Eu escrevi os temas e defini os arranjos mas quando transmito o conceito à Ana e ao Filipe eles aplicam as influências deles e a sua própria personalidade, e isto acrescenta sempre valor às músicas, apresentam-me cenários que eu não tinha pensado.

Como decorreu o processo de gravação?
Nós saltamos da composição para o estúdio, sem passar pela casa partida e sem receber 2000 escudos. Quando referi aquela troca de ideias que tivemos, isto ocorreu já durante a gravação. Temos os nossos próprios estúdios, o que permitiu uma grande simultaneidade de composição e gravação.

Para além de uma forte aposta em termos criativos sonoros, verifica-se o mesmo em termos gráficos. A embalagem do CD está fantástica - parabéns por isso. Quem foi ou foram as mentes criativas responsáveis por esse excelente trabalho?
Obrigado. Eu sempre quis que este disco não fosse um trabalho apenas musical, queria juntar mais artes e incluir isso no conceito. Conheci muito recentemente uma artista chamada Mafalda Cruz, especializada sobretudo em filme e teatro, e lancei-lhe o desafio de representar graficamente Nebulae. Ela desenvolveu o artwork da caixa do disco e também todas as composições gráficas que decoram o nosso website e que também são fantásticas. Já o livro que vem dentro da caixa é da autoria do Filipe Braga, lá podem encontrar a sua visão fotográfica sobre cada fase do disco. Eu sou um grande apreciador do trabalho dele e até posso dizer que tenho uma versão gigante de uma dessas fotos a decorar uma parede de casa.

E é também aqui que se enquadra o vídeo para The Prophet? Porque a escolha deste tema? Há planos para mais algum vídeo?
Foi uma escolha muito difícil, queríamos uma música forte e que demonstrasse um pouco de cada vertente dos Heylel. Acabamos por fazer uma votação com os ouvintes mais próximos e essa foi a escolhida. O vídeo também é da autoria da Mafalda Cruz, vem exatamente no mesmo seguimento do conceito de unir várias vertentes artísticas. Além deste, temos também vídeos do Filipe Braga para o Deeper e o The Sage e vamos certamente continuar a fazer mais. O conceito inicial até era criar um DVD com um vídeo para cada música mas trabalhar vídeo demora muito tempo e requer meios muito dispendiosos, é uma ideia que poderá ser utilizada no futuro.

Projetos para os tempos mais próximos? O que têm em vista?
Com o lançamento do disco, vai ser intensificada toda a área promocional e de divulgação. O resultado disso vai acabar por definir um pouco os passos seguintes. À parte disso, estamos a finalizar a preparação dos espetáculos ao vivo e vamos saltar para os palcos brevemente.

Já agora: qual o ponto da situação dos The Gama GT Blues Project?
Os elementos base dos Gama GT fizeram um investimento pessoal muito grande e que não deu os resultados que procurávamos. Acabamos por nos cansar e até deixar de acreditar no projeto e isso causa uma desmotivação inevitável. Está totalmente suspenso mas não diria morto, com a oportunidade certa pode perfeitamente ressurgir. Curiosamente, ainda hoje imensas pessoas perguntam pela banda e pedem-nos espetáculos.

Obrigado. Queres acrescentar mais alguma coisa para os nossos leitores ou para os vossos fãs?
Agradeço mais uma vez o convite e felicito os responsáveis e seguidores do Via Nocturna. Como muito tenho referido, projetos emergentes precisam destas iniciativas de qualidade e esta é uma excelente via para qualquer um ter acesso ao que existe de novo.