terça-feira, 30 de setembro de 2014

Review: A Reckoning Is Coming (SweetKiss Momma)

A Reckoning Is Coming (SweetKiss Momma)
(2014, Independente)
(5.5/6)

Depois do mega sucesso que foi o trabalho de estreia Revival Rock em 2010, os Sweetkiss Momma demoraram 4 anos, mas aí estão eles de novo com o seu segundo trabalho, A Reckoning Is Coming. Bom, diremos nós que também não será assim tão a sério! Este não é, definitivamente, nenhum acerto de contas! É, antes, uma lógica continuação de tudo o que de bom o quarteto já havia feito. O seu cruzamento de hard rock, rock ‘n’ roll e southern rock pincelado com blues, funk e soul traz o código genético dos grandes nomes do passado como The Allman Brothers Band, Lynyrd Skynyrd ou Creedence Clearwater Revival. Isso é inegável. A Reckoning Is Coming apresenta-nos 10 temas novos, que na prática são 9, considerando a versão acústica de Breathe Rebel. Pelo meio, surge o aspeto em que os Sweetkiss Momma se diferenciam de grande parte dos seus pares. E quando falamos em diferenciar, isso deve ser entendido tanto de forma positiva como negativa. Referimo-nos a temas como Same Old Stories e Laura Rose, onde a costela experimental está bem presente, levando a banda a sair da sua zona de conforto. Problema: esses temas criam algumas barreiras ao normal desenvolvimento do disco, nomeadamente quebrando o ritmo e, verdade seja dita, não se enquadram muito bem. O mesmo já não podemos dizer de Birthday Cake, outra extravagância do quarteto, mas como está colocada no final (mesmo antes da citada versão acústica) acaba por ter outro impacto. Até porque aquela melodia singela, com um órgão anos 60, quase em surf rock, acaba por ter bastante piada! Bom, e com isto deixamos de lado os pontos mais fortes desta rodela: a abertura rockeira forte e cheia de shake e com a harmónica a marcar presença; o tema título verdadeiramente brilhante na sua dupla camada melódica composta pela guitarra e pela voz; o funk/soul presente em Get Some Love; o delicioso trabalho de piano em For The Last Time; e essa grande malha que é Dirty Uncle Deezer – verdadeiramente orgânica, com apontamentos minimalistas, um sabor único ao som analógico do órgão, ao groove e ao gospel! De antologia! Como se vê, em A Reckoning Is Coming há de tudo. Entenda-se ou não. Aceite-se ou não. Goste-se ou não. Importante é que os Sweetkiss Momma fizeram um grande disco de rock, mesmo com alguns espinhos espetados.

Tracklist:
1.      Fix My Hair
2.      A Reckoning Is Coming
3.      Breathe Rebel
4.      Same Old Stories
5.      Get Some Love
6.      For The Last Time
7.      Laura Rose
8.      Dirty Uncle Deezer
9.      Birthday Cake
10.  Breathe Rebel (acoustic)

Line-up:
Aaron Arnold - guitarras
Jeff Hamel – vocais, guitarras
Jeremy Hamel - baixo
Jimmy Hughs - bateria

Internet:

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Notícias da semana



Os dinamarqueses Statement têm disponível o vídeo do tema Monsters, tema esse extraído do álbum de estreia com o mesmo nome.



Red Rose Motel é uma banda com influências rock, indie, funk e blues formada em 2009. Célia Ramos, Francisco de Macedo, João Loureiro e Rui Malvarez, compõem a formação que nasceu para criar de forma colaborativa, absorvendo um pouco de cada um. As letras contam histórias em inglês e português, e os ritmos mais melancólicos coabitam no repertório com melodias vivas, porque a identidade do seu trabalho não se encerra num só estilo. Depois de vários anos de concertos e crescimento enquanto grupo, os Red Rose Motel lançam em 2014 o seu primeiro álbum homónimo nas plataformas digitais. São 11 temas originais que expressam a sua dedicação à música, a criatividade na composição e, sobretudo, a vontade de partilhar esta arte única. Here We Stand é o single de apresentação.





Aí está a melhor proposta para uma festa de karaoke metálica: o novo lyric video dos Protokult, Get Me A Beer. O tema faz parte de No Beer In Heaven, novo trabalho da banda canadiana, lançado a 8 de agosto.




Depois dos sucessos de Serpents Kiss e Valley Of Shadows, Al Atkins (vocalista original dos Judas Priest) e Paul May (virtuoso guitarrista) estão de regresso com a terceira obra do seu projeto Atkins May Project. Empire Of Destruction é mais um pujante disco de hard rock e heavy metal, na senda daquilo que o duo já nos habituou. O disco estará disponível via Gonzo Multimedia a 29 de setembro e as primeiras 1000 cópias trazem como bónus um DVD.



O trabalho de estreia dos lendários Blood, Sweat & Tears, Child Is Father To Man será o alvo da próxima reedição em SACD através do selo da Audio Fidelity. O álbum foi, originalmente, lançado em 1968 e já demonstrava todo o ecletismo de Al Kooper e seus pares no seu cruzamento de rock, R & B, jazz e até influências clássicas.



Os rockers nacionais Dream Circus preparam o seu regresso com o sucessor de Land Of Make Believe, datado de 2012. As sessões de gravação deverão começar em janeiro nos Ultrasound Studios com o produtor Pedro Mendes. O álbum deverá sair na próxima primavera. De acordo com o vocalista James Powell, podem esperar um disco mais complexo, pesado e agressivo, ainda que sempre melódico.



Os Black Raven assinaram pela editora germânica Dream Records. A banda composta por Raven (vocais), Rize (guitarras), Manta (baixo) e Hammer (bateria) está atualmente em estúdio a preparar a sua estreia, ainda sem título, que deverá estar cá fora no início de 2015.



Os The Psycho Tramps acabam de lançar o seu primeiro álbum de originais I’Ve Met Satan através da Dog City Records e preparam-se para iniciar uma pequena digressão de lançamento do álbum. O CD apresenta 11 temas originais e pode ser adquirido através do email dogcityrecs@gmail.com ou na página de facebook dos The Psycho Tramps. Neste novo trabalho a banda mistura o punk rock de 70’s com o garage rock, passando pelo proto-punk, algures entre as ruas decrépitas de Detroit nos anos 60 e o eixo Nova Iorque/Londres nos anos 70. Disponíveis estão já os vídeos para Blue Kiss e para o título tema. A digressão de lançamento do álbum conta com as seguintes datas já confirmadas:
04 de outubro: Fantasma Lusitano, Cais do Sodré, Lisboa
18 de outubro: Bafo de Baco, Loulé
15 de novembro: Sociedade Harmonia Eborense, Évora.




A Ethereal Sound Works, editora independente portuguesa, tem o prazer de anunciar a assinatura do contrato de edição do álbum de estreia dos Hourswill intitulado Inevitable a lançar durante outubro do corrente ano. A edição terá os formatos CD e Digital.




Robert Jon & The Wreck é o novo nome associado à Teenage Head Music. E para começar da melhor forma, os vencedores do Orange County Music Awards têm já agendada uma visita à Europa onde irão espalhar o seu vibrante southern rock ‘n’ roll. Acontecerá apenas em março e abril do próximo ano, mas até lá podem ir-se preparando, assistindo aos vídeos de Rhythm Of The Road e Gypsy Love.




Após 97 espetáculos em 2013 por toda a Europa e EUA, os rockers psicadélicos holandeses Birth Of Joy têm-se destacado pela qualidade dos seus concertos ao vivo. Influenciados pela onda psicadélica, pelos blues e fumegando rock & roll este trio leva-nos de volta aos bons velhos tempos dos MC5, dos The Doors e até dos Pink Floyd. Simultaneamente dão-lhe um toque moderno com inspiração stoner, grunge e punk e assim criam a sua própria sonoridade. O novo trabalho, Prisoner, foi gravado e produzido em novembro de 2013 por Joris Wolff (ex. De Straat, Within Temptation e Mister and Mississipi) e masterizado por Brian Lucey (ex. The Black Keys, Artic Monkeys, David Lynch e Dr. John). Deste álbum já foram retirados três singles: Grow, Rock & Roll Show e Three Day Road, todos com vídeos da autoria de Tijmen Hobbel.




Numa forma de livre expressão que cruza jazz, metal, rock, funk, hip hop e alternativo, surge o novo projeto nacional Pãodemónio. A banda é composta por músicos formados pela Escola Superior de Música e Artes do Espectáculo do Porto e conta com o baterista Marcelo Aires conhecido pela sua participação nos grupos Colosso, Nebulous e Oblique Rain. O primeiro registo chama-se Pirraças Pueris e transporta o ouvinte numa viagem através de diferentes cores, dinâmicas, moods e grooves.



Os Ten têm agendado um novo álbum para 21 de novembro, Albion e como Gary Hughes sempre ponderou a hipótese de introduzir mais power no som Ten ao vivo, o lendário coletivo britânico acaba de recrutar mais dois guitarristas – Dann Rosingana e Steve Grocott.



Ben Craven, cantor associado ao rock progressivo cinematográfico está a lançar um novo single através de um inovador sistema de distribuição de música chamado TuneLeak. O single chama-se Critical Mass Part 2 e faz parte do próximo trabalho do australiano intitulado Last Chance To Hear.





Os Alice já deram provas que são a revelação do ano no rock português. Discórdia foi descrito como a lufada de ar fresco que o rock português precisava (Life In A Day) e detentor de uma criatividade fora de série que o torna um disco espetacular (Via Nocturna). O primeiro single, Gato Morto, ultrapassou as 18 mil visualizações e agora a banda lança o segundo single Diabo na Mão com direito a lyric video com imagens do concerto de estreia que esgotou o MusicBox, em Lisboa.



Os Cryptor Morbious Family estão, neste momento, a gravar o seu 3º álbum de originais, The Pit Of Infamy. O álbum será lançado ainda este ano e o single de apresentação será lançado já em outubro. Os CMF foram formados em 2005 e contam na sua discografia com os registos All Of Us Got A Killer Inside (2006), Hypnotic Way To Hurt (2209) e Saint Eyes Hide Revenge (2013 – b sides EP).




Depois de uma longa espera, os gregos Wild Rose têm novo álbum, o terceiro, na rua a 13 de outubro com o selo AOR Blvd. Records. Chama-se Hit ‘n’ Run e para já está disponível o vídeo do tema Through The Night.


domingo, 28 de setembro de 2014

Flash-Review: And The Earth Bleeds (Erik Scott)


Álbum: And The Earth Bleeds
Artista: Erik Scott 
Editora: Independente
Ano: 2014
Origem: EUA
Género: Ambient/Ethnic/World Music
Classificação: 4.1/6
Breve descrição: Agradável surpresa este trabalho do ex-baixista de Alice Cooper, num registo totalmente inesperado. Em nove temas cruza-se a subtileza dos violinos, os ambientes dos teclados, guitarras atmosféricas e ritmos eletrónicos e tribais sempre com um exemplar trabalho de baixo a liderar. Uma banda sonora composta por melodias celtas, ritmos ciganos e algumas surpresas.  
Highlights: Gypsy Mother And The Royal Bastard, Free, And The Earth Bleeds, The Battle For Neverland

Tracklist:
1.      Gypsy Mother And The Royal Bastard
2.      Free
3.      And The Earth Bleeds
4.      Weightless
5.      Loco Amour (I Could Be Crazy)
6.      The Battle For Neverland
7.      Let’s Do Something Cool
8.      Run
9.      The White Mouse

Line-up:
Erik Scott – vocais, baixo, guitarras, teclados, sintetizadores, piano, bateria, programação
Shira Kammen – violino (#1, #2, #6)
Ana Baria Botero – vocais (#2, #5)
Micahel Scott – vocais (#2)
Phil Miller – guitarras (#5, #6, #7)
John Mader – bateria (#2, #6) e shaker (#8)
Steven Eisen – violin inglês (#8)
Mari Mack – vocais (#1)
Chris Cameron – órgão (#6, #8)
John Pirruccello – steel guitar (#4), bandolim (#8)
Fred Payne – flautas (#6)
Eskimo Dobbs Choir – coros (#1, #5, #8)

Info: Get Into Real - novo vídeo de My Kind O' Lovin'

Depois de Happiness, o projeto My Kind O’ Lovin’ de Milen Vrabevski e que conta com a colaboração de John Lawton, Simon Phillips, Joseph Williams e um incrível ensemble de músicos búlgaros, apresentou o segundo vídeo retirado de Intelligent Music Project II. Trata-se do tema Get Into Real que Via Nocturna apresenta, em estreia para Portugal. 



sábado, 27 de setembro de 2014

Review: Presto (Rush)

Presto (Rush)
(2014, Audio Fidelity)
(5.6/6)

Ao longo da sua carreira, os Rush sempre foram vistos como uma banda capaz de derrubar barreiras no que ao rock diz respeito e, ao longo da sua discografia, há um conjunto de ambiciosos lançamentos que ajudaram a trazer o rock progressivo a uma maior audiência. Não é, todavia, o que acontece em Presto, 13º trabalho da banda, originalmente lançado em 1989. Este é um álbum de mudanças. A banda canadiana mudou-se para a Atlantic e deixou a Mercury e entrou também num período de transição na sua sonoridade, trocando o domínio dos sintetizadores por um esquema de rock mais tradicional. Isto, no entanto, sem nunca se aproximarem do hard rock dos inícios da sua carreira, até ao álbum Counterparts. Seja como for, esta reedição é uma verdadeira pérola para os fãs do grupo. Seja com mais sintetizadores, seja com mais guitarra, os Rush serão sempre exímios executantes, capazes de intricadas, complexas, brilhantes mas ainda assim percetíveis estruturas e arranjos. Sempre a viverem naquele frágil equilíbrio entre o hard rock, o prog rock e a pop. De tal forma que é neste álbum que se encontra Scars, aquele tema que bem podia ser de Michael Jackson! E seja em que altura aconteçam as reedições dos seus trabalhos, hão-de soar sempre evoluídos, maduros e, acima de tudo, perfeitamente atualizados. Esta, em particular, saiu da competente Audio Fidelity em formato SACD. E pouco mais há a dizer. Quem ainda não tinha esta pérola em CD tem agora essa oportunidade. Quem se quiser começar a embrenhar no mundo dos Rush, pode começar por aqui, se bem que pode ficar desde já com a ideia que o trio foi capaz de se reinventar diversas vezes.

Tracklist:
1.      Show Don’t Tell
2.      Chain Lightning
3.      The Pass
4.      War Paint
5.      Scars
6.      Presto
7.      Superconductor
8.      Anagram (For Mongo)
9.      Red Tide
10.  Hand Over Fist
11.  Available Light

Line-up:
Alex Lifeson – guitarras elétricas e acústicas
Neil Peart – bateria
Geddy Lee – baixo, vocais e sintetizadores

Internet:

Edição: Audio Fidelity

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

Review: Live At The Galaxy 1967 (Iron Butterfly)

Live At The Galaxy 1967 (Iron Butterfly)
(2014, Cleopatra Records)
(4.6/6)

Dos arquivos do rock psicadélico dos anos 60 chega esta gravação de uma das mais influentes bandas do seu género de sempre – Iron Butterfly. Gravado no histórico Galaxy Club, no coração da Sunset Strip, esta apresentação junta um line-up raro, o mesmo responsável pela gravação da importante e seminal estreia Heavy, de 1968, que aqui está representada com seis temas. Estamos a falar portanto dos primeiros passos de uma banda que haveria de mudar o cenário do hard rock e do heavy metal de cariz psicadélico. E toda a genialidade e ecletismo do coletivo já aqui estão bem patentes, independentemente da péssima captação sonora do concerto. Graves inexistentes e guitarras e teclados estridentes não permitem ter uma perceção adequada da qualidade dos temas. Ainda assim, é possível ir vislumbrando uma postura pouco interativa com o público, eventualmente fruto da sua inexperiência, embora com uma atitude totalmente endiabrada, pelo menos onde é mais percetível: nos solos! Tudo o que se possa dizer destes temas será redutor porque ao longo de todos estes anos já tudo foi dito. O que aqui importa realçar é este documento histórico de uma aparição ao vivo ainda antes do primeiro e marcante álbum de uma banda também histórica e marcante. Poderá ser, no entanto, questionável a sua relevância face às más condições sonoras. Seguramente haverá muitas outras edições onde estes temas aparecem de forma mais competente.

Tracklist:
1.      Real Fright
2.      Possession
3.      Filled With Fear
4.      Fields Of The Sun
5.      It’s Up To You
6.      Gloomy Day To Remember
7.      Evil Tempation
8.      So-Lo
9.      Gentle As It My Seem
10.  Lonely Boy
11.  Iron Butterfly Theme
12.  You Can’t Win

Line-up:
Doug Ingle – vocais, órgão
Danny Weiss – guitarras
Jerry Penrod – baixo
Darryl DeLoach – vocais, percussão
Ron Bushy – bateria

Internet: