sábado, 31 de dezembro de 2016

Notícias da semana

Os Darkship lançaram um novo vídeo, para o tema II Hearts, como forma de apoio do seu álbum de estreia We Are Lost, lançado no inicio de 2016. Este disco é a primeira parte de uma trilogia conceptual baseada numa história ficcional entre duas pessoas apaixonadas que são controladas por uma força chamada Darkship. Antes de II Hearts, os brasileiros já havia disponibilizado o vídeo para Frozen Feelings.


Os Rückwater são um trio stoner rock oriundo de Tampere, Finlândia e depois de terem compartilhado o palco com Joey Balladonna e Karma To Burn, lançam o seu terceiro EP intitulado Bonehead, sucessor de What’s In The Box, de 2013. A edição está a cargo da Secret Entertainment a 24 de fevereiro de 2017.



Depois de Rememory e Tilikum, Alltribe é o terceiro vídeo retirado de Hegaiamas: A Sonf For Freedom dos progressivos Need. Este é o quarto álbum do coletivo grego e tem edição prevista para 17 de janeiro e marca a exploração de novos territórios numa viagem pela liberdade e exploração sonora.


O primeiro trabalho dos Sychopathia, banda old school death metal dos Açores intitula-se Death Will Rise, foi recentemente disponibilizado no bandcamp e todos os temas estão disponíveis em streaming e para compra.





A história dos NEGRA poderia ter sido escrita em qualquer outra década, em qualquer outra realidade e mesmo com nomes diferentes, mas aquilo que liga esta banda a todos esses pontos está também presente na origem daquilo que une os seus membros entre si. Com um passado e presente ligados à música pesada nas suas diferentes vertentes, com presenças em diversas outras bandas, juntando influências que vão desde o Punk-Rock ao Black-Metal, passando pelo Hardcore e com óbvias inclinações ao Crust e ao Thrash-Metal, os membros de NEGRA juntam-se em março de 2016 com a intenção de construir, desenvolver e mostrar aquilo que essas influências lhes transmitem e utilizando-as também como um veículo para verbalizar a sua própria visão do mundo e da sociedade atual. As palavras alimentadas pelo debitar de temas Crust/Metal/Punk são o motor desta banda e NEGRA é a mensagem a ser espalhada. Disponíveis já estão os vídeos de Sedition e Sleepwalker.


Os Gentle Savage são uma nova banda finlandesa que toca rock com um toque de modernidade, numa mistura de classic rock, blues e hard rock e com canções catchy e uma forte atitude. A sua estreia acontece na forma de um EP de três temas – Introduction – a lançar a 13 de janeiro de 2017 pela Inverse Records.



Os Elbrus (Ollie Bradley-Smith, vocais e órgão; Ringo Camilleri, guitarras; Tom Todorovic, bateria e Noah Martin, baixo) assinaram com a Kozmik Artifactz para o lançamento da sua estreia. Os Elbrus são uma poderosa banda de heavy psychadelic doom blues originária de Melbourne, Austrália.




The Commandments é o novo lyric-video dos brasileiros Aeon Prime e surge como forma de suporte à sua estreia Future Into Dust. Este disco teve a produção de Pedro Esteves (Liar Symphony) e conta com o apoio vocal de Leandro Caçoilo (Seventh Seal, Pit Passarell). A capa foi uma criação de Ed Anderson.



O quarteto francês Born Again tem a sua estreia agendada para 24 de fevereiro com o lançamento do álbum Strike With Power pela Massacre Records. Para já a banda apresentou o artwork criado por Stan W. Decker. O lyric-video do tema Betrayal já foi avançado.




Há poucas semanas atrás, os Aeternitas lançaram o vídeo da versão acústica do tema House Of Usher. Agora, o segundo e último vídeo retirado do novo álbum dos germânicos já está disponível e trata-se de uma nova versão acústica do tema Open Your Eyes. O vídeo conta com Janny Sanden que já havia atuado no vídeo ao vivo do álbum Rappacinis Tochter.

sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

Entrevista: Avi Rosenfeld


As novas tecnologias permitem coisas maravilhosas como esta: em Israel Avi Rosenfeld, um criativo de enorme capacidade, vai criando sucessivamente temas entre o hard rock e o rock clássico. Depois, fruto das suas parcerias, músicos de elevado talento espalhados por todo o mundo, executam, gravam e devolvem a Avi o seu resultado individual nesses temas. Por isso, só este ano já são três discos – um de hard rock e dois de classic rock. Sobre o primeiro – Very Heepy Very Purple V – já conversámos há uns tempos. Agora, focamo-nos em Shine e Dance Of Life And Death.

Olá Avi! Cá estamos nós novamente! Depois de um álbum de influência hard rock, lanças mais dois umligeiramente diferentes. Importas-te de descrever Shine e Dance Of Life And Death?
Os álbuns de Hard Rock são muito divertidos de fazer, mas também adoro escrever e gravar álbuns de Classic Rock. Quer Shine quer Dance Of Life And Death são mais no estilo Rock clássico. Ambos têm uma abordagem muito melódica, misturando diferentes estilos musicais com o rock e tem muitos grandes músicos, como Dean Wuksta, Tommaso Monopoli e Anton Wannemakers que tocam em algumas músicas, bem como muitos outros grandes talentos de todo o mundo.

Apesar de lançados separadamente, consigo notar uma continuação entre os dois. De alguma forma há uma ligação entre eles?
Sim, ambos os álbuns têm o núcleo principal no Rock Clássico, embora, claro, tenham caraterísticas diferentes que os fazem aguentar-se por conta própria. Essas diferenças podem ser em estilos diferentes que são incorporados na música, ou também porque parte dos músicos é diferente proporcionando outros sabores à música. Ambos os álbuns têm uma abordagem lírica mais pessoal e romântica em oposição aos álbuns de Hard Rock que têm letras fantásticas ao estilo de Dio.

Mas, também algumas pequenas diferenças são visíveis. Por exemplo, a riqueza instrumental é mais visível em Shine, acho eu. Foi uma "divisão temática" consciente?
Os diferentes instrumentos na música têm um papel, às vezes de voz de melodia, outras vezes para enfatizar um ritmo específico ou groove. Quanto mais instrumentos, melhor. Não acho que tenha planeado dividir as músicas tematicamente. Simplesmente tentei que encaixassem bem contando histórias sobre a vida.

Importante essa riqueza estilista. Como fazes para misturar todos esses estilos? Os teus convidados têm alguma palavra a dizer nesse aspeto?
O mundo é rico em música e as diferentes culturas do mundo têm muito a oferecer musicalmente. Acho isso muito fixe e inspiro-me aí. Geralmente gosto de os misturar na minha música que tem uma base principal, que é o rock. Também tenho mente aberta para ouvir outras ideias sugeridas pelos músicos no projeto. Houve algumas canções no passado que mudaram todo o seu estilo e groove depois do músico me ter enviado a sua ideia.Por exemplo, uma canção que supostamente era para ser um folk lento acabou por ter um estilo latino rápido.

Sempre com bases acústicas muito presentes em ambos os álbuns...
A guitarra acústica é o meu principal instrumento para escrever música. Até mesmo as músicas de Hard Rock são inicialmente escritas e às vezes até gravadas com guitarra acústica para a ideia inicial. Acho que o som acústico faz a música soar mais íntima e pessoal, como se o ouvinte estivesse sentado na mesma sala com a banda. Por exemplo, uma música como The Bird Eats The Worm pode parecer fixe com aquela parede de guitarras pesadas, mas acho que o estilo folk acústico foi o som mais correto para ela.

De qualquer forma, ambos os álbuns foram gravados há dois anos. Por que é que só agora foram lançados?
Porque há dois anos lancei álbuns que foram gravados há quatro anos atrás! Faço isso passo a passo. Uma boa música será também boa amanhã.

Penso que nunca deves parar de criar música. Qual será o teu próximo lançamento?
Sim, estou a trabalhar em mais músicas tanto no estilo Classic Rock quanto no estilo Hard Rock. Very Heepy Very Purple VI está em preparação. E posso dizer que o próximo álbum de Rock Clássico terá canções com novas influências musicais e aventuras, canções sobre amor e guerra, um macaco mafioso, uma história sobre o bobo Joe e Crazy Jane e muitos mais.

Em apenas um ano três lançamentos com diferenças significativas. Onde te sentes mais confortável a trabalhar – na cena do hard rock ou do rock clássico?
É mais confortável no Rock Clássico, é mais difícil de gravar um álbum Hard Rock. Ambos têm os seus momentos especiais.

E mais uma vez trabalhas com músicos de todo o mundo. Também colaboras com eles?
O processo de trabalho é o mesmo. É um álbum de colaboração mundial. Cada músico grava no seu próprio estúdio. Eles gravam as suas partes da forma que as sentem. Não nos sentamos juntos no mesmo estúdio como num processo normal. Genericamente podemos falar sobre feeling e groove, mas deixo os músicos expressar o seu talento. É isso que torna este processo divertido.

Desta vez cantas duas canções na tua língua nativa. Acredito que não tenha sido a primeira vez que aconteceu... dá mais cor à tua música, não concordas?
Concordo que acrescenta algo diferente ao álbum, mas nessas canções específicas, ambas tiveram as letras primeiro, e depois foi escrita a música. É assim que costumo fazer, mantive a ideia da música inicial e decidi não traduzi-la. Acho que as ideias iniciais têm a direção certa para uma música. A sensação correta.

Podes falar-nos um pouco das capas dos dois álbuns?
A capa de Shine é uma foto real que foi tirada na área do Mar Morto em Israel. Foi tirada pelo talentoso fotógrafo Haim Rosenfeld e foi feita em 262 frames, 30 segundos cada, costurados numa foto final. Imagem muito fixe! O artwok para Dance Of Life And Death foi feito pelo artista de fantasia Elsbro, que já fez algumas ótimas obras de arte fantásticas para outros álbuns meus anteriores.

Bem, Avi, mais uma vez, muito obrigado! Queres acrescentar mais alguma coisa?
Obrigado Pedro! Tenho certeza de que falaremos em breve. Até lá, viva o Rock'n'Roll!

quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

Playlist Via Nocturna 28 de dezembro de 2016


Melhores 2016: Melhores temas


Review: Darskapens Monotoni (Kaipa Da Capo)

Darskapens Monotoni (Kaipa Da Capo)
(2016, Foxtrot Records)
(5.4/6)

Em meados dos anos 70 os Kaipa Da Capo eram um dos nomes mais relevantes do cenário prog rock sueco e entre 1974 e 1978 gravaram três álbuns e andaram em tournée de forma regular. Três membros do quarteto original resolveram agora voltar a reunir-se e apresentar um novo álbum juntamente com dois novos elementos. De todos os remanescentes nomes, Roine Stolt deve ser o mais mediático pela sua contribuição nos The Flower Kings e Transatlantic. Quanto a este Darskapens Monotoni, composto pelo primeiro material original em mais de 35 anos, traz-nos um rock a variar entre o clássico e o progressivo de grande sensibilidade melódica e estética. Ao contrário do que é vulgar acontecer no prog, os devaneios individuais ficam um pouco relegados para segundo plano, deixando sobressair a melodia e os arranjos de belo efeito. A capacidade técnica individual também está presente, é verdade, embora mais concentrada nos solos. Em termos globais a sonoridade desta coleção de sete canções traz muitas referências aos anos 70 no som analógico e orgânico, deixando ainda espaço para alguma experimentação (När Jag Var En Pojk), para incursões orientais (Det Tysta Guldet) e até algum mood bluesy (Spär Av Vär Tid). Um bom regresso, que se saúda, num disco elegante e bem conseguido.

Tracklist:
1.      Darskapens Monotoni
2.      När Jag Var En Pojk
3.      Vi Lever Här
4.      Det Tysta Guldet
5.      Spär Av Vär Tid
6.      Tonerna
7.      Monoliten

Line-up:
Ingemar Bergman – bateria e percussões
Tomas Eriksson – baixo
Roine Stolt – guitarras, vocais e teclados
Michael Stolt – vocais, guitarras e teclados
Max Lorentz – hammond, mellotron, moog, sitar

Convidados:
Merit Hemmingsson – vocais em #4
Ludde Lorentz – saxofone em #6
Peter Lindberg – steel guitar em # 3 e #7
Otto Aberg – vocais em # 6

Internet:
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Edição: Foxtrot Records    

quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

Melhores 2016: Melhores baladas


Entrevista: Aeternitas

Rappacins Tochter foi um marco na carreira dos Aeternitas e até do metal em geral. No entanto os germânicos procuraram não se repetir e conseguiram encontrar uma outra história interessante para abordar com o seu metal sinfónico. Demorou sete anos até House Of Usher estar cá fora, e esse foi um dos pontos da nossa conversa com Alexander Hunzinger (compositor, guitarrista).

Viva Alexander! Obrigado pela disponibilidade. Sete anos depois, eis o regresso dos Aeternitas! Como se sentem atualmente?
Aliviados e muito felizes por finalmente termos conseguido depois deste longo período de trabalho duro.

O que aconteceu durante este longo período de sete anos?
Depois do lançamento do nosso muito especial último álbum em 2009 - o musical gothic-rock Rappacinis Tochter – andamos em tournée-teatro pela Alemanha durante cerca de anos. Esta tour exigiu muito tempo e esforço, porque realizamos um verdadeiro espetáculo de teatro. Tivemos muita diversão, mas deixou-nos menos tempo para ser criativos e escrever novas músicas. E no final dessa longa tournée percebemos que não poderíamos fazer um projeto como aquele uma segunda vez. Por isso, tivemos que decidir qual caminho a seguir para o álbum seguinte em termos de estilo musical e conceito. O resultado foi o álbum atual House Of Usher.

E em House Of Usher – álbum e conceito – é algo em que já estão a trabalhar desde 2012. Podes falar-nos a respeito desse conceito?
Depois de terminar o período de teatro tivemos algumas discussões sobre o nosso novo estilo, o que demorou algum tempo. No final chegamos à conclusão de manter o conceito de um álbum baseado num conto, mas não numa forma apertada de um musical de palco, mas sim com canções de metal sinfónico moderno na tradição do nosso segundo álbum La Danse Macabre.

As letras são baseadas na história com o mesmo nome de E. A. Poe. Quando surgiu essa ideia de transformar esta história em música?
Eu já andava a estudar as histórias de Poe há muito tempo, durante as pré-produções para o nosso último álbum, que foi baseado numa curta história do autor americano Nathaniel Hawthorne, um companheiro de E.A. Poe. Portanto, para além de todas as mudanças musicais, queríamos manter neste novo álbum o tema do romance gótico e chegamos ao extraordinário conto The Fall Of The House Of Usher, que se encaixa perfeitamente no nosso novo conceito musical.

Esta é também a vossa estreia para a Massacre Records. Quando começou esta ligação?
Após a conclusão da produção do álbum, começamos a procurar um selo para lançar este nosso novo álbum e Massacre Records mostrou-se interessada. Ficamos muito felizes em fazer parte da família Massacre, porque algumas das suas antigas bandas de sucesso como os Theatre Of Tragedy tiveram uma enorme influência nos nossos primeiros anos de banda.

Como decorreram os processos de escrita e gravação?
Para este álbum House Of Usher escrevi todas as músicas e fiz os arranjos básicos e orquestrações. Numa segunda fase, trabalhamos juntos nas músicas nas nossas sessões de ensaio, tentando várias ideias e melhorando as músicas. Finalmente fizemos a gravação, apoiada pelo nosso produtor vocal Henning Basse (Firewind) e pelo engenheiro da mistura e masterização Götz Kretschmann dos Wonderlandstudio.

E o que têm feito desde o lançamento do álbum?
O lançamento foi apenas há um mês… Claro que tivemos uma festa de lançamento muito agradável e também algumas ações de marketing. Os ensaios para os espetáculos também já começaram.

Próximos projetos a serem realizados? Está planeada alguma tour pela Europa?
Já começamos a trabalhar em novas músicas para que o tempo para o próximo lançamento seja mais curto do que nesta vez. Também planeamos fazer alguns espetáculos e alguns festivais no próximo ano e talvez também possamos agendar alguns espetáculos europeus.

Muito obrigado, Alexander! Desejas acrescentar mais alguma coisa?
Desfrutem da nossa música e desfrutem de toda a boa música e deem à música o valor que merece.

terça-feira, 27 de dezembro de 2016

Melhores 2016: Melhores versões


Review: Rock Wolves (Rock Wolves)

Rock Wolves (Rock Wolves)
(2016, Steamhammer/SPV)
(5.5/6)

Ora aqui se reúnem três nomes ilustres, três décadas e três carreiras artísticas num único nome: Rock Wolves. Um trio all-star, com membros com provas dadas e que se limitam a fazer bem o que sempre fizeram… bem: rock clássico, cheio de ganchos melódicos, uma atitude direta e atual. O melhor exemplo é o primeiro single Rock For The Nations, sendo que este trabalho homónimo acaba por passar por diversos outros cenários. O groove de Surrounded By Fools, a rapidez de Out Of Time e The Lion Is Loose, o rock que lembra AC/DC de I Need Your Love, o country de Riding Shotgun, as baladas Nothing Gonna Bring Me Down e Lay With Me (esta com todos os contornos 80’s) e a excelente cover desse tema incontornável do rock que é What About Love das Heart. Fica por saber se este trio irá continuar ou se foi uma aventura passageira e uma forma de ir ocupando o tempo livre. Seja como for, o resultado aí está numa rodela cheia de bom rock que se recomenda.

Tracklist:
1. Rock For The Nations
2. Surrounded By Fools
3. Out Of Time
4. What About Love
5. The Blame Game
6. Riding Shotgun
7. Nothings Gonna Bring Me Down
8. The Lion Is Loose
9. I Need Your Love
10. Lay With Me

Line-up:
Michael Voss – guitarras, vocais
Herman Rarebell - bateria
Stephan “Gudze” Hinze – baixo

Internet:
Website   

Edição: Steamhammer/SPV   

segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

Melhores 2016 - melhores temas instrumentais


Entrevista: Deep Sun

Embora não em grande escala, a Suiça costuma surpreender com alguns nomes de grande qualidade, apesar de que o symphonic metal ainda não tenha tido assim nenhum nome de impacto na cena europeia. Mas isso pode estar prestes a mudar porque os Deep Sun mostram estar, claramente, num patamar muito superior à maioria das bandas do género que hoje evoluem por esse mundo fora. E foi o seu segundo disco Race Against Time que definitivamente os colocou na rota certa. Motivos para ir conhecer melhor o coletivo através das palavras de Pascal Töngi.

Viva Pascal! Tudo bem? Quem são os Deep Sun? Podes apresentar a banda aos metalheads portugueses?
Viva! Sim, estamos bem e obrigado por nos incluíres na tua publicação. Os Deep Sun são uma banda Suíça, de metal sinfónico com vocalista feminina. Formados em 2005, a banda passou por várias mudanças de formação até que uma formação estável pode finalmente ser estabelecida em 2011. Desde então, construímos uma reputação na cena do metal suíço e com o lançamento do nosso segundo álbum Race Against Time esperamos expandir a nossa base de fãs para outros países. Tocamos metal sinfónico clássico com várias influências adicionais. O elaborado background musical dos membros da banda leva a uma grande diversidade na música. No nosso novo álbum podes encontrar powermetal rápido e pesado, bem como momentos muito calmos e reconfortantes e tudo o que estiver no meio. O som é destacado pelo fabuloso trabalho vocal da nossa vocalista Debora com a sua distinta voz de soprano.

Em que aspetos Race Against Time é diferente da vossa estreia Flight Of The Phoenix?
Bem, antes de mais, avançamos um patamar em tudo. Flight Of The Phoenix foi a nossa primeira produção e produzimos esse disco com um orçamento modesto e trabalhamos com pessoas dentro do nosso círculo de amigos. Para alguns de nós, esta foi também a primeira vez que entramos num estúdio de gravação, por isso não sabíamos realmente o que poderíamos esperar e aprendemos bastante durante o processo de produção. Com o nosso segundo álbum, quisemos dar um passo à frente e gravar o melhor álbum que pudéssemos. Foi tudo feito a um nível profissional, reservamos um estúdio com uma grande reputação dentro do nosso género musical e também as fotografia e artwork foram feitas por Stefan Heilemann, um fotógrafo de renome. Além disso, a nossa composição melhorou muito, e com certeza, estávamos melhor preparados para as gravações e tínhamos uma visão muito mais clara de como deveria ser o produto final.

E também com um produtor de renome como Markus Teske. Qual foi a sua contribuição para o resultado final?
Sim, queríamos trabalhar com alguém que realmente conhecesse o género e nos pudesse ajudar a fazer um álbum em grande. Ligamos-lhe e ele fez um trabalho tremendo. Ele conhece o material e também fez muitas e boas sugestões. Não para que rearranjássemos grandes partes das músicas, mas pequenos detalhes e coisas que ajudaram a melhorar o som geral. Por exemplo, adicionou coros de apoio em alguns dos coros. No entanto, esteve sempre concentrado em capturar o espírito e a essência do que são os Deep Sun. Foi um grande prazer ter trabalhado com ele e estamos muito agradecidos por todo o trabalho e esforço que ele colocou neste disco. É, em grande parte, mérito seu, pelo facto do álbum soar tão bom como soa.

Como descreverias a vossa música para quem não vos conhecem?
A primeira comparação que as pessoas costumam fazer é Nightwish nos seus primórdios e é compreensível, uma vez que somos obviamente um pouco influenciados por essa banda em particular. No entanto, certamente não somos um clone e pensamos que Deep Sun tem o seu próprio estilo original. Se olhares para todos os géneros de female fronted symphonic metal bands, diria que não somos muito típicos no sentido de que a maioria das bandas sinfónicas atuais usa grandes partes orquestrais para obter um som grandioso e épico. Pelo contrário, nós temos nas nossas canções uma vibe mais metal/rock que, na sua maior parte, são bastante melancólicas ou algo próximo do emo. Também nos orgulhamos de tocar tudo ao vivo em palco sem qualquer faixa de apoio gravada. Eu diria que qualquer pessoa que goste de vozes femininas de soprano, combinada com as vibrações de metal/rock e grande diversidade musical, deve, definitivamente, dar uma escutadela a Race Against Time que não irão arrepender.

Na minha descrição referi a existência de uma vocalista muito qualificada. A Debora tem algum tipo de formação clássica?
Sim, a Debora teve muitos anos de treino clássico. Ela também canta em alguns outros projetos aqui e ali e faz casamentos com bastante frequência. Somos muito afortunados por ter uma cantora tão hábil e ambiciosa no nosso grupo. Além disso, Debora tem uma fantástica presença em palco.

Como referiste, existe bastante diversidade e algumas músicas complexas no vosso metal sinfónico. Este álbum foi criado numa fase muito inspirada...
As variações vêm do facto de termos vários membros da banda que contribuem para o departamento de composição. Cada um traz seu background musical distinto, por isso cada música tem o seu próprio sabor. As músicas do álbum foram escritas durante um longo período de tempo. Algumas das músicas já foram tocadas quando a banda começou a tocar ao vivo em 2011. Já teriam estado no primeiro disco se tivéssemos um orçamento maior na altura. As outras canções foram escritas e arranjadas nos últimos 3-4 anos e todas já foram tocadas ao vivo antes das gravações, exceto uma faixa. É a nossa abordagem para dar tempo suficiente a cada música e não apressar as coisas. Acho que podes ouvir neste disco que muito pensamento foi colocado em cada canção individualmente.

Como decorreu o processo de gravação? Como foi trabalhar com tanta diversidade musical e variações nos arranjo?
Quando entramos em estúdio conhecíamos muito bem as músicas porque já as tínhamos tocado ao vivo. Portanto, sabíamos exatamente o que queríamos e apenas foram feitas pequenas mudanças no estúdio. A gravação correu muito bem. Trabalhar com Markus Teske foi muito bom, como já disse. Passamos cerca de 3 semanas na gravação, se bem me lembro.

Vocês começam a tornar-se um nome com mais presença no vosso país. O que está previsto para continuar a promover Race Against Time?
Bem, somos 100% autogeridos, por isso não há nenhuma editora envolvida. Mas é nosso objetivo dar um salto com este registo e, portanto, também tentamos o nosso melhor para promover e distribuir o disco. Já aparecemos em algumas revistas e numa compilação. Também recebemos um bom número de reviews e entrevistas até agora. Atualmente estamos a trabalhar para montar uma pequena tournée pela Suíça e talvez algumas datas na França para o próximo ano. Seremos acompanhados por duas bandas da parte francesa da Suíça e será um ótimo pacote para qualquer fã de metal sinfónico.

E fora da Suíça? O que têm em vista?
Ainda não há nada fixo, mas estamos a procurar tocar no estrangeiro pela primeira vez no próximo ano, se possível. Temos estudado uma grande lista de festivais em toda a Europa, e bem, espero ter a oportunidade de tocar para algumas grandes multidões. O Female Metal Voices Fest na Bélgica, por exemplo, seria um momento alto na nossa lista de desejos...

Muito obrigado! Gostarias de acrescentar mais alguma coisa?
Muito obrigado, agradecemos o teu apoio e ficamos muito satisfeitos com a tua agradável review ao nosso álbum. Fiquem atentos porque em breve teremos novo vídeo a circular