terça-feira, 31 de janeiro de 2017

Review: Theory Of Perception (Blame Zeus)

Theory Of Perception (Blame Zeus)
(2017, Independente)
(5.6/6)

Temos tido a sorte de acompanhar o percurso dos Blame Zeus, quase desde o início e somos testemunhas do processo evolutivo que a banda tem desenvolvido. O primeiro trimestre do novo ano traz um novo disco do coletivo gaiense que regista uma série de novidades. Do lineup original só já restam Sandra Oliveira e Ricardo Silveira e a edição, desta feita, é feita de forma independente. Porém, para além dessas alterações, a banda continua a seguir o seu trilho musical de um metal/rock em que o cuidado nos arranjos e nas composições é evidente. Por isso Theory Of Perception, assim como Identity já havia sido, não é um disco easy listening nem nada mainstream. Aconselham-se várias e atentas audições para se perceber o que os Blame Zeus colocam em cada canção. E acreditem que, com o tempo, começarão a analisar os temas de maneira diferente e a perceber a riqueza instrumental/vocal/de estruturas e arranjos que se criam. Theory Of Perception abre de forma forte, bem dentro de um metal coeso e de forte emotividade, mas em The Moth a banda começa a mostrar a sua multifacetada capacidade criativa: o peso abranda, os riffs dão lugar a algo mais aberto e a bastantes variações que se cruzam com pontuais explosões. More Or Less é um dos temas mais criativos do disco navegando em ondas atmosféricas, emocionais e melancólicas. E é a partir deste momento que Theory Of Perception se começa a desvendar em toda a sua plenitude. The Devil tem um sensacional trabalho de guitarra, Redemption abre a porta de um hard rock mais direto mas nem por isso menos interessante e Entertainment Clown é o momento mais experimental com toques jazzísticos. Os riffs pesados regressam em Miles bem antes de uma belíssima balada, de grande emotividade e sensualidade – Signs. Os dois temas finais são, também eles bem diferentes: Id com um ligeiro toque prog e uma tendência sulista e Roses, perfeitamente intimista e introspetiva. Há aqui muitos pontos de contacto com Identity. Diremos mesmo que é uma sequência lógica – uma versão revista e atualizada - mas com o quinteto a demonstrar a sua maior maturidade e maior capacidade inovadora.

Tracklist:
1.      Slaughter House
2.      All Inside Your Head
3.      Speechless
4.      The Moth
5.      More Or Less
6.      The Devil
7.      Redemption
8.      Entertainment Clown
9.      Miles
10.  Signs
11.  Id
12.  Rose

Line-up:
Sandra Oliveira - vocais
Ricardo Silveira - bateria
Paulo Silva - guitarras
Tiago Lascasas - guitarras
Celso Oliveira - baixo

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segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

Entrevista: Sunflowers

Estreiam-se com The Intergalactic Guide To Find The Red Cowboy (título que nem é assim tão grande, dizem eles) de forma crua, direta, selvagem e psicotrópica. Preparam uma tour nacional para apresentar essas descargas hipnóticas. Falamos dos Sunflowers, duo portuense, que nos responde de forma telegráfica. Mais diretos era impossível…

Viva! Quem são os Sunflowers? De que forma este projeto teve o seu início? O que vos motivou?
Olá. Os Sunflowers são uma banda de garage rock/psych punk do Porto. Começamos com vontade de tocar música crua e direta, sempre motivados pelo prazer de tocar.

Quais são as vossas principais influências?
Acho que apanhámos um bocado de tudo, não conseguimos destacar só uma ou duas.

Podem descrever como foi o trabalho que levou ao nascimento deste vosso primeiro álbum? Sei que houve alguns contratempos mas foram superados…
Há algum tempo que queríamos gravar um álbum e finalmente tivemos a oportunidade de entrar em estúdio e gravar tudo.

O trabalho foi sempre em duo? Há ideias de ampliar o número de elementos?
Sempre trabalhámos os dois e não temos qualquer intenção de acrescentar mais ninguém.

E ao vivo têm o auxílio de mais algum elemento?
Ocasionalmente, levámos um amigo para tocar umas músicas connosco.

Contam com alguns convidados neste álbum. Como se proporcionou essa participação?
Foi tudo espontâneo. Estávamos a gravar e estavam lá alguns amigos e decidimos experimentar pô-los a fazer alguma coisa.

Porque a escolha de um título tão grande para o disco e qual o seu significado?
O nome não é grande, as pessoas é que estão mal habituadas. Há um álbum dos T. Rex chamado My People Were Fair and Had Sky in Their Hair... But Now They're Content to Wear Stars on Their Brows e ninguém se queixa. E nem é o mais longo da história da música!

Como descreveriam The Intergalactic Guide To Find The Red Cowboy para quem não vos conhece?
37 minutos de rock selvagem, punk flamejante e surf psicotrópico.

Já que falamos atrás de atuar ao vivo, sei que estão prestes a começar uma tour. O que está a ser preparado?
Estamos a planear uma tour de norte a sul de Portugal e mais lá para maio, vamos andar pela Europa.

Obrigado! Querem acrescentar mais alguma coisa?
Por nós está tudo, obrigado!

domingo, 29 de janeiro de 2017

Flash-Review: Revangels (Akoma)

Álbum: Revangels
Artista:  Akoma    
Editora: Massacre Records    
Ano: 2017
Origem: Dinamarca
Género: Symphonic Metal, Female Fronted Metal
Classificação: 4.8/6
Breve descrição: Peças atmosféricas, belos vocais em registo soprano, hinos épicos e riffs de metal fortes e coesos são os ingredientes principais da estreia dos Akoma, a principal banda dinamarquesa dentro deste género e com uma carreira de mais de 10 anos. Revangels conta com a participação de Liv Kristine e apresenta um metal sinfónico feito como mandam as boas regras do género, embora sem nunca se tornar verdadeiramente deslumbrante.
Highlights: Enticing Desire, Revangels, Change Of Propensity, Mesopotamia, Heartless Deceiver
Para fãs de: Nightwish, Xandria, Within Temptation

Tracklist:
1. Enticing Desire
2. Revangels (Feat. Liv Kristine)
3. Change Of Propensity
4. Mesopotamia
5. Hands Of Greed
6. Vira
7. Humanity
8. Heartless Deceiver
9. Bittersweet Memories (Bonus Track)

Line-up:
Tanya Bell - vocais
Morten H. Bell - guitarras
Stefan Nielsen - baixo
Andreas Pedersen - guitarras
Rune Frisch - bateria

Review: Talisman (Rust On The Rails)

Talisman (Rust On The Rails)
(2017, Independente)
(5.1/6)

Cody Beebe traz o sentiment roots Americano; Blake Noble o australiano. Juntos fundam o projeto Rust On The Rails, juntamente com mais dois músicos – Eric Miller e Chris Lucier (curiosamente, cada um deles oriundo dos mesmos projetos dos mentores) e Talisman é o disco de estreia. Apresentações feitas, concentremo-nos nesta rodela de 11 temas que variam do rock ao delta blues, de ritmos fortes e tribais a melodias introspetivas e melancólicas. Secrets e o tema final Foolish Pride (num delirante ritmo funk) são os dois momentos mais altos de um disco certinho e perfeitamente esclarecedor quanto às ideias baseadas nas origens musicais dos dois países. Mas que, no entanto, peca por alguma falta de clarividência em alguns momentos, com temas alguns furos abaixo do que estes músicos já fizeram nas suas bandas originais. O didgeridoo, cortesia Blake Noble, confere, efetivamente, um toque exótico e os momentos verdadeiramente roots são minimamente interessantes. Mas as derivações para alguns momentos de rock mais tradicional não se mostram tão bem conseguidos, principalmente porque a banda entra em estagnação e não explode, não dá o salto, mantendo-se, diríamos, em lume brando. Salientando este abraço entre músicos tão afastados geograficamente, Talisman fica a saber a pouco dado o histórico dos músicos envolvidos.

Tracklist:
1.      Every Little Thing
2.      Trip
3.      Abbott And Costello
4.      Secrets
5.      Lost And Found
6.      Far Cry
7.      Crutch
8.      Play The Fool
9.      Love And Lace
10.  Can You Feel It?
11.  Foolish Pride

Line-up:
Cody Beebe – vocais, guitarras
Blake Noble – guitarras, didgeridoo
Eric Miller - baixo
Chris Lucier - bateria

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sábado, 28 de janeiro de 2017

Review: Ways Of Perseverance (Easy Trigger)

Ways Of Perseverance (Easy Trigger)
(2016, Street Symphonies Records)
(5.4/6)

Parece que a criação deste Ways Of Perseverance, sucessor de Bullshit, dos Easy Trigger se revelou um caminho algo difícil e complicado. Ainda assim, os italianos chegam ao seu segundo disco, quatro anos depois da estreia. Um disco que bebe muito na cena thrash metal da Bay Area e a cruza com influências da NWOBHM, sempre com os anos 80 como pano de fundo, portanto. Ways Of Perseverance é um disco que é um verdadeiro terramoto musical de energia e atitude. Um baixo coeso segura o coletivo sempre no limite, com as guitarras densas e bem puxadas e vocais bem altos, muito direto, perfeitamente in your face. Sempre no máximo, sempre no limite… e um verdadeiro caldeirão de influência em total ebulição, pronto a explodir que ainda passa, para além das referências citadas, por algum punk, por stoner, pelo hardcore, pelo glam rock versão LA anos 80 e até blues. Aqui e ali surgem algumas brechas nessa intensa parede sónica (Blind e Tell Me A Story), mostrando que os Easy Trigger também conseguem ser algo mais que barulhentos e intensos.

Tracklist:
1.      My Darkness
2.      Land Of Light
3.      The Watchmaker
4.      God Is Dead
5.      Turn To Stone
6.      One Way Out
7.      Blind
8.      Tell Me A Story
9.      Sold Out
10.  The Sand

Line-up:
Nico – vocais
Caste – guitaras
Vale – baixo
Pane – bateria

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Reverbnation    

Edição: Street Symphonies Records   

Notícias da semana

Menos de um ano depois do lançamento do álbum de estreia, Safe Haven, os insch preparam-se para voltar a estúdio já em março, desta feita com Henrik Udd, um dos produtores europeus mais respeitados da cena rock. Com dezenas de álbuns no seu palmarés e trabalhos recentes com bandas como Bring Me The Horizon e Architects, o sueco conta com presenças regulares no top 10 das tabelas dos Estados Unidos, UK, Alemanha e Austrália, entre muitos outros países. Depois de Bring Me Back e Whenever You Call My Name, os insch lançam no início de Fevereiro o videoclip de Home, mais recente single do álbum de estreia.


São de Lagos e tocam Thrash old-school como se não houvesse amanhã! Face Of The Unknown é o novo e terceiro álbum dos Prayers of Sanity e será editado no território europeu pela Rastilho Metal Records dia 21 de abril de 2017. O tema título pode ser ouvido aqui.  



Os Primal Attack são uma das novas bandas do catálogo mais pesado da Rastilho Records e Heartless Oppressor é o segundo e novo álbum que será apresentado dia 10 e 17 de fevereiro´2017 (respetivamente em Lisboa e Porto). Halfborn é o single/vídeo de apresentação e pode ser visto aqui. Heartless Opressor surge três anos após a aclamada estreia Humans.



Os Aeternitas que, recentemente, lançaram House Of Usher pela Massacre Records anunciaram que a sua vocalista Alma irá deixar a banda depois de 8 anos para se dedicar mais à sua família. A banda alemã publicou um vídeo onde agradece a Alma pelo tempo que estiveram juntos.



The Blues Experience é o resultado da parceria inusitada entre aquela que é considerada a melhor banda de Blues nacional, Budda Power Blues e a diva do JazzMaria João. Falamos de um disco de Blues, mas desengane-se quem possa pensar que se trata de um exercício de estilo. Trata-se de Blues do século XXI, amplamente influenciado por todas as sonoridades que fazem parte do quotidiano de Maria João, Budda Guedes, Nico Guedes os intervenientes deste disco. Composto por 10 canções que versam sobre assuntos muito pessoais e frequentemente autobiográficos, The Blues Experience é um disco que percorre várias linguagens do blues.


Depois do anúncio da tour europeia em parceria com os Temperance, a banda de power metal italiana Overtures está em fase de lançamento de alguns vídeos gravados ao vivo durante a tour italiana realizada no verão, onde atuaram em festivais como Gods Of Metal (com Rammstein, Korn, Megadeth), Spazio Rock Festival (como babda suporte dos Stratovarius e Powerwolf), bem como a abertura para os Saxon na sua tournée italiana. Unshared Worlds é o primeiro single do álbum Artifacts lançado em 2016 pela Sleaszy Rider Records e está agora disponível na sua versão live capturado no espetáculo de Bolonha.


A editora Suspiria Records irá lançar a 1 de fevereiro o álbum Irruption, novo trabalho dos espanhóis Norunda. O álbum de puro metal de alta qualidade está já em pré-venda. Rubén Cuerdo (ex-Blast Off) juntou-se a Pedro Mendes e Marcelo Aires para criar uma obra de dez temas assente nos trâmites do metal dos anos 90.




Elevando o prog metal a um nível superior, os virtuosos Omnisight lançam Power Of One, uma intensa viagem musical conceptual contra a opressão e as deceções das classes reguladoras. Power Of One está disponível para audição streaming no Bandcamp da banda canadiana e o vídeo do tema título também já foi lançado.
  



Os Skeletoon preparam um novo álbum que trará como título genérico Ticking Clock. Este será o seu segundo disco de originais e verá a luz do dia a 3 de março via Revalve Records. Trata-se de um álbum conceptual que conta com alguns convidados de peso: Jonne  Järvelä (Korpiklaani) no papel de Nightmare; Piet Sielck (Iron Savior) como The Father; Jens Ludwig (Edguy) como The Time; Tomika Fulida (Lunamantis) a representar The Last Shinning Star e Guido Benedetti (Trick Or Treat) como compositor e guitarrista. O líder Tomi Foller apresenta a história aqui.


Na sequência da bem-sucedida tour Americana, Terry Bozzio irá lançar em formato digital através do seu site, algum material raro ou nunca publicado. Terry Bozio, baterista, vencedor de um Grammy, considerado pela conceituada Rolling Stone um dos cinco melhores bateristas de sempre, tocou com Frank Zappa, Jeff Beck, Korn, UK, Missing Persons, Mick Jagger, Robbie Robertson, Allan Holdsworth, Tony Levin, Steve Vai, Quincy Jones, bem como com os compositores de bandas sonoras com Basil Poledouris, Mark Isham e  Patrick O'Hearn. O primeiro conjunto de temas chamar-se-á Simple Moments Series.


O primeiro disco dos Angus Black, banda de heavy psychedelic fuzz rock oriunda de Helsínquia, chama-se Live From Cellar e mais não é que a gravação de um ensaio no seu espaço. A gravação foi realizada no passado dia 29 de outubro, com a produção e mistura a cargo de Timo Kenttä. As faixas foram masterizadas por Audiosiege. A banda decidiu fazer este tipo de gravação como uma forma de apresentação do coletivo composto por AK (guitarras e vocais), JM (baixo) e SO (bateria).


O novo disco da União das Tribos é a página que separa dois capítulos. Apresentando um novo vocalista – Mauro Carmo – e com meses de pleno prazer, acompanhado pela guitarra, foi assim que António Côrte-Real, o principal impulsionador do grupo, foi imaginando as canções de Amanhã – o segundo disco da carreira do grupo. Amanhã inclui 9 temas originais e duas versões, uma das quais da Canção do Engate, com interpretação de Miguel Ângelo. Esta e as outras canções, que ao vivo, revelam toda a garra, resistência e puro rock que as alimentam, contam igualmente, com a participação de um leque de convidados, neste novo disco. Tim, António Manuel Ribeiro, Carlão, Anjos e Mafalda Arnauth são os nomes que dão voz aos temas de autoria de António Côrte-Real e David Arroz. O primeiro single, Amanhã, já está disponível.


Os gregos Diviner lançaram o vídeo para Riders From The East, tema que faz parte do seu álbum de estreia Fallen Empires lançado pela Ulterium Records. Fallen Empires é um disco de heavy metal forte que mantém em alta o legado do género e se adequa a fãs de grupos como Accept, Judas Priest ou Iced Earth. A materização esteve a cargo de Peter In de Betou (Arch Enemy, Opeth, Amon Amarth).


Fleeting Deep é o nome do vídeo que os prog rockers suecos Carptree lançarão em fevereiro. Este tema fará parte no seu novo álbum Emerger a lançar pela Reingold Records a 7 de abril. Os Carptree são um duo de symphonic prog rock composto por Carl Westholm (teclados) e Nicklas Flinck (vocais), sendo frequentemente acompanhado pela No Future Orchestra (NFO). A NFO é um grupo de músicos de coletivos suecos (uns mais conhecidos, outros menos) que adicionam o seu toque pessoal. Estas são as bases para a Other Important People (OIP) que são parte integrante do processo criativo dos Carptree. Um vídeo promocional já está disponível, bem como o vídeo do tema Between Extremes.


Oito anos depois do lançamento de Dust, os This Void Inside regressam com um novo disco, ainda sem título, mas que contará com a presença de George Downloved, dos gregos Saddols como convidado especial. Para já promovem o seu single de avanço Losing My Angel. Os This Void Inside são um coletivo italiano de electro/gothic/rock, composto por Dave Shadow (vocais, teclados e programações), Saji Connor (baixo), e os guitarristas Frank Marrelli e Alberto Sempreboni.