Entrevista: Marco Garau's Magic Opera

 


Com os Derdian a trabalhar aceleradamente para o lançamento de um novo álbum, Marco Garau teve, ainda assim, tempo para preparar o segundo álbum do seu projeto em nome próprio, Magic Opera. E depois do espetacular The Golden Pentacle, Battle Of Ice continua a história de The Amtork Saga. Mantendo a aposta em lançamentos independentes e com duas caras novas no coletivo, o brilhante teclista italiano também promoveu algumas ligeiras mudanças na forma de trabalhar. Confiram tudo.

 

Olá, Marco. Como estás? Battle Of Ice será lançado a 27 de janeiro. O que podem os fãs esperar deste álbum?

Olá, Daniel, prazer em te encontrar aqui novamente! Estou bem, obrigado! O que posso dizer, o primeiro álbum teve uma resposta muito boa, por isso espero que eles também fiquem felizes com o segundo! Continuei um caminho semelhante também porque não sou um amante de mudança e especialmente na música quando tentas fazer algo diferente, facilmente se pode falhar. Por outro lado, o importante é conseguir escrever belas canções, claro tentando fazer com que cada uma delas tenha elementos diferentes para evitar o efeito clone.

 

A última vez que conversamos foi em 2021, quando a tua estreia com Magic Opera acabara de ser lançada. Naquela altura disseste que não tinhas a certeza se The Golden Pentacle teria uma continuação. O que te convenceu a lançar Battle Of Ice?

Infelizmente fazer um álbum a solo não é tão fácil porque enquanto nos Derdian todos os custos são suportados por 6 pessoas, neste caso o investimento é todo meu. Portanto, como eu não tinha certeza de que recuperaria o dinheiro dos custos de produção, não era uma conclusão precipitada, mas felizmente The Golden Pentacle também teve bastante sucesso em termos de vendas, por isso aqui estou eu novamente com um novo trabalho.

 

Em The Golden Pentacle foste o único compositor de todas as faixas e do conceito. E em Battle Of Ice? Desta vez tiveste a ajuda de algum dos teus colegas da banda?

Não, depois da grande resposta das pessoas decidi manter a mesma fórmula, pelo que o processo foi idêntico ao primeiro álbum. No entanto, quero destacar o grande trabalho de organização feito por todos os outros membros, sem o qual não teria sido possível alcançar um resultado tão bom.

 

Como foi o processo de composição para este álbum? Mudaste mudou alguma coisa em relação ao anterior?

Até o meu processo de composição foi o mesmo. Primeiro, escrevi a segunda parte da história e depois construí o conceito colocando todas as músicas por ordem cronológica, diferenciando-as de acordo com o conteúdo.

 

Battle Of Ice volta a ser um álbum conceitual que segue The Amtork Saga. Qual é a história por trás deste álbum?

Bem, neste segundo álbum Sir Dohron consegue escapar da prisão do castelo Amtork e prepara a vingança contra o Rei Leiber e Lord Kama. Mas mesmo neste caso, a sua tentativa de usurpar o trono falhará.

 

Houve duas mudanças de formação entre The Golden Pentacle e Battle Of Ice. O que aconteceu com Matt Krais e Gabriel Tuxen?

Os dois estavam muito ocupados com os seus próprios projetos para gravar um novo álbum, por isso decidiram deixar o projeto.

 

Luca Sellito e Olie Bernstein são os novos membros da Magic Opera. Como os descobriste?

Eu conhecia os dois, o Luca porque é um excelente músico que já fez outros trabalhos e que acompanho há algum tempo; Ollie porque tive o prazer de o conhecer na última tournée que fizemos com os Derdian no Japão. Aliás, o nosso baixista não pôde vir por problemas pessoais e Ollie substituiu-o de forma exemplar, aprendendo várias músicas em cerca de uma semana.

 

Os últimos álbuns que lançaste, tanto com Magic Opera quanto com Derdian, foram lançamentos independentes. Por que preferes trabalhar dessa forma?

Este é um assunto muito complexo e há lados positivos e negativos nessa escolha. Infelizmente, a maioria dos contratos com editoras, principalmente as de média/pequena dimensão, não traz nenhum tipo de comodidade para artistas como nós. Se tocas um género de nicho como power metal e assinas um contrato com uma editora, é muito fácil nunca veres dinheiro nenhum, mas isso não é tudo. Perderás os direitos de publicação para sempre e terás que acatar todas as decisões da editora. A única coisa positiva é que terás maior visibilidade. Acho um desrespeito com um artista que trabalha muito para conseguir um resultado e por isso prefiro ter menos visibilidade, mas mais satisfação por ter conseguido sozinho alguns resultados.

 

Desta vez decidiste produzir e masterizar o álbum sozinho, enquanto a mistura foi feita por Roland Grapow. Por que mudaste a equipa que trabalhou em The Golden Pentacle?

Não houve nenhuma razão em particular, mas como este segundo álbum foi no mesmo estilo do primeiro, pensei que talvez mudar um pouco o som e a produção pudesse entediar menos o ouvinte. Resumindo, também não queria acabar por criar aqui um clone do primeiro álbum... queria fazer o master porque acredito que se na mistura ainda tiver que seguir certas regras, o master é mais uma questão de gosto. Hoje em dia as produções são muito compactadas e eu quis tentar obter um som menos comprimido e mais brilhante e espero ter conseguido.

 

O artwork de Battle Of Ice é uma obra-prima. Podes dizer-nos quem foi o responsável por isso e que orientações lhe deste?

Concordo contigo que o artwork é uma obra-prima e foi criada por Ivan Zanchetta, que lida principalmente com capas de livros de fantasia. Quando o contactei e lhe pedi para abrir uma exceção, ele foi muito gentil em me ajudar a fazer a capa do álbum. É claro, ele quis ler todo o conceito, juntos consideramos as 3 melhores soluções e então escolhemos aquela com o dragão porque também é a que os fãs do género mais poderiam gostar. Na minha opinião ainda é uma das capas de power metal mais bonitas que já vi.

 

The Golden Pentacle foi lançado em fevereiro e agora Battle Of Ice é lançado em janeiro. Por que lanças sempre os teus álbuns no inicio do ano?

Esta resposta é muito fácil! Não sei porque, mas termino sempre a produção no outono e aproveito as férias de Natal e lanço o álbum.

 

Em setembro de 2021, os Derdian lançaram Black Typhon, uma música totalmente nova que se seguiu à The New Era Saga. No entanto, não houve nenhuma outra informação a respeito de um novo álbum da banda. O que nos podes revelar a esse respeito?

Em parte por causa da pandemia que causou um pouco de desmotivação e em parte porque estávamos todos ocupados com os nossos projetos paralelos, com os Derdian demoramos um pouco. Mas agora estamos num processo de gravação bastante avançado, portanto posso dizer que na próxima primavera passaremos para a mistura e depois para a data oficial de lançamento.

 

Voltando a Battle Of Ice, quais são os teus planos de tournée para este álbum?

Ok, antes de tudo Magic Opera nasceu como um projeto de estúdio, até porque os membros da banda sempre estiveram por todo o mundo. No entanto, nunca descartamos poder planear algo, mas honestamente é muito difícil porque haveria custos bastante altos a serem suportados. Outro problema é que somos autoproduzidos e sabes que sem o apoio de uma editora é muito difícil planear uma tournée. Mas há muita curiosidade em torno deste projeto, portanto vamos ver se alguma proposta surge mais cedo ou mais tarde.

 

Obrigado, Marco. Queres enviar alguma mensagem para os teus fãs portugueses?

É claro! Envio um grande olá a todos os leitores e a vocês da redação pelo espaço que me deram, sei que poderão apoiar Magic Opera, portanto muito obrigado. Vemo-nos em breve!


Comentários

DISCO DA SEMANA VN2000: Demonology (MELODIUS DEITE) (Art Gates Records)

MÚSICA DA SEMANA VN2000: As Above, So Below (HARTLIGHT) (Kvlt und Kaos Productions)

GRUPO DO MÊS VN2000: Alpha Warhead