Entrevista: Heimdall

 


Foram dez anos em silêncio para uma das mais criativas bandas italianas de power metal. É certo que os últimos tempos foram difíceis, mas como dizem os Queen, num tema que a banda trabalhou à sua maneira: The Show Must Go On. Hephaestus é o nome desse tão aguardado regresso e apresenta-se com a mesma forma de forte personalidade e originalidade. Fomos conversar com o guitarrista Fábio Calluori, pouco tempo depois do lançamento deste novo registo.

 

Olá, Fabio, tudo bem? Hephaestus é o regresso dos Heimdall aos álbuns de estúdio, 10 anos depois de Aeneid. Como têm sido as reações até agora?

Olá, tudo bem! Em primeiro lugar, muito obrigado por esta entrevista. O álbum foi lançado no dia 25 de agosto, portanto ainda é cedo para ter uma imagem completa, mas as reações até agora são muito boas. Publicamos um lyricvideo da faixa-título e outro single King que estão a obter ótimas respostas e as primeiras críticas do álbum são muito boas. Também as pessoas que já ouviram o nosso álbum reagiram de maneira ótima.

 

Por que demoraram tanto tempo para lançar este álbum?

Foi um período complexo para a banda. Após o lançamento de Aeneid, iniciamos a composição das novas músicas e em 2017 fizemos um videoclipe de uma música inédita Knights Of Riverland. Depois disso tivemos alguns problemas de formação porque Daniele e Umberto deixaram a banda e decidimos dar um tempo. Considera que nos últimos 10 anos Gandolf foi pai duas vezes e eu tive um período complexo em termos de trabalho. Depois houve a pandemia que também nos atrasou. Entramos no meu estúdio de gravação Sonic Temple em 2020, mas, por causa da pandemia, processo foi muito lento. Por isso, decidimos adiar algumas gravações e a fase de mistura completa depois dela.

 

Por que decidiram chamar este álbum de Hephaestus? Afinal, Heimdall e Hefesto são de mitologias diferentes (nórdica e grega, respetivamente)...

Porque é um nome e título muito poderoso e achamos que se encaixa perfeitamente com as músicas e o estilo do álbum. Inicialmente, queríamos chamar o álbum de outra forma, mas quando terminámos todas as músicas, mudamos a nossa ideia… a música ficou ótima e o título Hephaestus era perfeito para o álbum. Além disso, vimos do sul da Itália, Salerno, e o nosso cantor é da Sicília, portanto esta letra pode ser vista como uma homenagem a esta bela terra onde Hefesto foi lançado do monte Olimpo na mitologia. Heimdall é o nome da banda e nosso primeiro álbum foi totalmente dedicado à mitologia nórdica, mas sempre nos consideramos 'livres' a respeito das nossas letras e músicas.

 

Como foi o processo de composição para este álbum? Mudaram alguma coisa em relação aos anteriores?

Sou o principal responsável pelas músicas da banda. Portanto, eu escrevo a música e depois combinamos para que todos possam colocar as suas próprias ideias. Por exemplo Carmelo fez um ótimo trabalho com os seus solos enriquecendo bastante as músicas. É o nosso método principal desde o início, embora nesse último caso tenhamos trabalhado mais em casa na etapa de arranjo, devido à pandemia. Hoje é fácil com o compartilhamento de arquivos via internet.

 

Na tua opinião, de que forma este álbum mostra a vossa evolução como banda?

O álbum mostra a banda hoje... Acho que cada música e álbum reflete a banda naquele período. Se ouvires todas as nossas obras, mantendo as nossas principais caraterísticas, percebes que são bastante diferentes umas das outras porque cada álbum representa uma parte da nossa vida e os gostos daquele momento. Não queremos fazer sempre o mesmo álbum. Hoje preferimos escrever canções mais ‘simples’ e mais diretas do que as dos primeiros trabalhos. Em Hephaestus, também temos menos partes corais. Provavelmente posso dizer que as novas músicas são mais ‘ao vivo’. Além disso, hoje não queremos tocar músicas muito longas, os nossos gostos mudam com o tempo e isso também influencia o nosso processo criativo.

 

Durante quanto tempo escreveram estas músicas?

Comecei a escrever as novas canções após a publicação de Aeneid, portanto a maioria delas foi escrita em 2-3 anos, exceto The Runes e Spellcaster que escrevi há alguns anos para outro projeto que não ganhou vida e decidimos incluí-las no álbum porque achamos que são músicas realmente ótimas.

 

Hephaestus é frequentemente associado ao fabrico de metais. Era essa ajuda divina que procuravas ao criar estas poderosas músicas de Heavy Metal?

Sim, claro! Acho que a figura de Hefesto é realmente metal e encaixa-se perfeitamente com a nossa música. Ele é um artista de metal (risos). Além disso, o nome é muito poderoso e gostaríamos de preservar esse poder e majestade nas nossas músicas. Além disso, se leres a sua história, verás que ele é um Deus realmente 'humano', portanto todos podem ver nele algo pessoal: as suas dificuldades, a sua vontade de fazer, a sua aspiração à perfeição, a sua ascensão, a sua compreensão de que provavelmente o que nós temos é melhor do que queremos e assim por diante.

 

A vossa carreira abordou sempre a mitologia e contos épicos, e Hephaestus não é exceção. Sobre o que falam exatamente neste sexto álbum?

Com Hephaestus as letras são diferentes umas das outras, falamos sobre deuses e mitologia como na música Hephaestus ou sobre 'temas de metal' como liberdade, a luta pelos nossos próprios ideais em músicas como We Are One ou King, mas também falamos sobre sentimentos, humores, relacionamentos entre pessoas, mesmo que muitas vezes demos a essas questões uma roupagem épica e mitológica. Em Masquerade, por exemplo, duas pessoas sentem que algo mudou no seu relacionamento e não sabem se podem confiar um no outro.

 

O último álbum, Aeneid, foi um álbum conceptual. Também existe algum conceito por trás de Hephaestus?

Não, Hephaestus não é um álbum conceptual. Como disse antes, cada música trata de temas diferentes e algumas delas foram escritas em períodos diferentes. Escrever um conceito é um pensamento complexo e também tens que seguir alguns passos na ordem das faixas do álbum, portanto, depois de Aeneid, queríamos fazer algo diferente e ser ‘livres’ para falar sobre coisas diferentes.

 

O álbum fecha com uma cover do clássico dos Queen, The Show Must Go On. De que maneira essa música se relaciona com a história recente dos Heimdall?

Sim, mas no nosso caso o título deveria ser The Show ‘Want to’ go on (risos). A vontade de voltar e lançar material novo foi muito grande depois de todos esses anos e, sim, essa música pode ser vista também dessa forma. No entanto, a principal razão pela qual a escolhemos é simplesmente porque é uma música ótima e poderosa com um ótimo clima emocional e achamos que pode se encaixar muito bem no nosso estilo.

 

Este é o primeiro álbum com Franco Amoroso. Como foi o processo de o receber na banda?

Franco entrou na banda em março deste ano, o baixo do álbum foi gravado por mim. O nosso baixista anterior, Daniele, deixou a banda por motivos pessoais por volta de 2018 e começamos a tocar com outro elemento, mas também nesse caso houve alguns problemas, portanto decidi gravar eu o baixo. Trazer o Franco para a banda foi algo natural porque ele é um baixista muito bom, somos amigos e já tocamos juntos noutro projeto de gothic rock, chamado Psycho Jungle.

 

Este também é o primeiro álbum para a Pride & Joy. Como começou esta parceria?

Sim, é o nosso primeiro álbum com eles e estamos muito felizes com este acordo porque sempre ouvi falar muito bem desta editora. Até agora os nossos álbuns foram publicados por editoras italianas e gostaríamos de tentar algo diferente e ter uma label alemã pode ser certamente uma grande coisa para a banda. No entanto, o processo foi simples. Assim que terminei a master, enviei para as melhores editoras de metal, tivemos algumas boas respostas, mas a Pride & Joy respondeu com a melhor oferta e mostrou um grande entusiasmo pelo regresso da banda, por isso foi era natural assinar com eles.

 

Quais são os vossos planos de tournée para este álbum? Portugal está incluído?

Em setembro faremos uma festa de lançamento em Salerno, a nossa cidade, e estamos a conversar sobre alguns festivais na Itália. Na verdade, não há planos para uma tournée, veremos no outono porque hoje não é uma coisa simples de organizar.

 

E a partir de agora? Quais são os planos para o futuro próximo dos Heimdall?

Queremos promover este álbum ao máximo, por isso estamos muito animados. Provavelmente no início de 2024 vamos começar a pensar em novas músicas, já tenho algumas ideias… vamos ver.

 

Muito obrigado, Fabio, foi uma honra. Queres enviar alguma mensagem aos vossos fãs portugueses?

Muito obrigado pelo seu amor e apoio, espero que gostem de Hephaestus porque realmente acreditamos nisso... esforçamo-nos muito. Podem ir ao Youtube conferir os nossos novos singles e se gostarem, apoiem a banda. Glória a todos vocês!



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