Review: Maestro (MAGIC PIE)

 

Maestro (MAGIC PIE)

Karisma Records

Lançamento: 16/maio/2025

 

Com Maestro, os noruegueses Magic Pie assinam um dos mais ambiciosos e arrebatadores registos de prog rock dos últimos tempos. A sua matriz progressiva é clara e assumida, mas é o seu carácter multifacetado que realmente o distingue. Desde as mais densas e intricadas progressões harmónicas até às passagens melódicas que roçam o épico, passando por riffs que não desdenhariam num álbum clássico de hard rock, há aqui um ecletismo que em mãos menos experientes poderia soar disperso. Não é o caso. Os Magic Pie demonstram, neste seu sexto trabalho de originais, um domínio absoluto da linguagem progressiva, sem nunca abdicar de uma identidade própria, feita de riscos e de requinte. O eixo conceptual e musical do álbum assenta nas duas partes de Opus Imperfectus, que de "imperfeita" só têm o título. Com orquestrações luxuriantes, progressões e sequências que ora crescem em tensão ora se desfazem em delicadeza, coros exuberantes, toques de jazz e soul, e dinâmicas cuidadosamente esculpidas entre crescendos e diminuendos, estas duas partes, que abrem e fecham o álbum, impõem-se como uma peça verdadeiramente monumental. Ao longo do álbum, os momentos de lirismo melódico revelam-se igualmente marcantes. Um dos exemplos mais notáveis pode ser encontrado em By The Smokers Pole, onde uma linha melódica poderosa se desenvolve com uma subtileza notável, culminando num solo de guitarra elétrica carregado de emoção, suportado por uma delicada base acústica. A fusão de força e sensibilidade é, aqui, absolutamente irrepreensível. Mas o disco não vive só de contemplação. Há espaço para o músculo, para a tensão elétrica, para o groove contagiante. Name It To Tame It, uma das faixas mais contundentes, evoca com naturalidade o espírito dos Deep Purple, graças a um fraseado hard rock vibrante, mas sempre alicerçado na matriz progressiva que carateriza toda a obra. E se Kiddo surge como um breve interlúdio, não é um mero intervalo: é uma ponte sensível e inteligente que prepara a transição para Someone Else’s Wannabe, um novo momento alto, pleno de jogos vocais, pulsar funky e um groove irresistível. Mas, há mais: em Everyday Hero, surge uma composição que pisca o olho às opera rock e aos Queen, com os seus arranjos corais teatrais e mudanças rítmicas imprevisíveis. É mais um testemunho da versatilidade e criatividade dos Magic Pie, que se recusam a repetir fórmulas ou seguir caminhos fáceis. Maestro é um álbum que honra a tradição do género sem nunca cair na mera imitação, e que simultaneamente se projeta para o futuro com uma paleta sonora rica e surpreendente. Grandioso é o adjetivo inevitável. Trata-se de um trabalho que brilha na complexidade das suas estruturas, na ousadia das suas escolhas estéticas e na coesão de uma narrativa musical que, mesmo multifacetada, nunca perde o rumo. [95%]

 

Highlights

Opus Imperfectus Pt.1 - The Missing Chord, Name It To Tame It, Someone Else’s Wannabe, By The Smokers Pole

 

Tracklist

1. Opus Imperfectus Pt.1 - The Missing Chord

2. By The Smokers Pole

3. Name It To Tame It

4. Kiddo...

5. Someone Else’s Wannabe

6. Everyday Hero

7. Opus Imperfectus Pt.2 - Maestro

 

Line-up

Eirikur Hauksson - vocais

Lars Petter Holstad – baixo, vocais

Martin Utby – bateria

Erling Henanger – teclados, vocais

Kim Stenberg – guitarras, vocais

 

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Edição

Karisma Records   

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