Três décadas de silêncio discográfico poderiam facilmente ter
condenado qualquer banda ao estatuto de memória distante, mas os Tale Cue
decidiram desafiar o tempo e reabrir um capítulo que parecia encerrado desde Voices Beyond My Curtains (1992). O regresso materializa-se
agora em Eclipse Of The Midnight Sun, um trabalho que se projeta para
uma linguagem mais amadurecida e consciente das exigências atuais de produção e
composição. Nesta conversa com o coletivo, exploramos as motivações, os
processos e a visão de futuro por trás deste inesperado, mas plenamente
justificado, renascimento.
Olá,
pessoal, obrigado pela disponibilidade! Após mais de três décadas desde o vosso
último álbum (Voices Beyond My Curtains, 1992), o que
vos inspirou a reunir-vos e finalmente concluir Eclipse Of The Midnight Sun?
Já vínhamos
pensando nisso há muito tempo e já tínhamos tentado uma vez. Encontramo-nos por
acaso durante um espetáculo dos Iron Maiden e, pouco tempo depois,
decidimos que estava na altura de terminar o que havíamos começado há 30 anos.
A
abordagem de composição e criação musical para Eclipse
Of The Midnight Sun difere do vosso trabalho no final dos anos 80 e início
dos anos 90?
Voices nasceu na garagem, enquanto Eclipse foi produzido e arranjado por Silvio e
Giovanni antes de ser tocado e gravado, como os estúdios costumam fazer hoje em
dia.
Podem
explicar-nos o conceito por trás do título do álbum Eclipse
Of The Midnight Sun?
Representa o
nosso longo eclipse e a luz da nossa música que nunca deixou de brilhar para
nós.
Ao
compor o álbum, revisitaram ideias ou material que ficou inacabado no início
dos anos 90?
Claro, seis
faixas foram compostas logo após o lançamento de Voices. No entanto,
mudámos e reorganizámos bastante.
A
voz de Laura é central em todo o álbum, passando de momentos suaves e
introspetivos para expressões mais dramáticas. Como abordaram a interpretação
vocal e a entrega como parte do som geral do disco?
Temos sido muito
cuidadosos com as capacidades de Laura e trabalhado para que ela se expresse da
melhor forma possível. Em Voices, não fomos tão cuidadosos.
A
arte do álbum é impressionante e parece profundamente ligada aos vossos temas.
Qual foi o vosso envolvimento na sua criação e de que forma reflete a história
que vocês querem que os ouvintes experimentem?
A arte é
totalmente da autoria do Silvio. Cada música tem uma imagem ligada à letra, e a
capa inclui todos os temas que podem ser ouvidos no álbum.
A nona faixa do álbum é
intitulada We Will Be Back Once More. Isso
deve ser interpretado literalmente, ou seja, planeiam lançar um novo álbum
antes de mais 30 anos?
Vamos dar o
nosso melhor para voltar mais uma vez o mais rápido possível!
De
uma perspetiva pessoal, qual foi a parte mais gratificante de voltar aos Tale
Cue após uma ausência tão longa?
Todos nós sempre
tivemos em mente a ideia de que os Tales Cue ainda eram uma porta aberta para
atravessar.
Já
pensaram em apresentar este material ao vivo?
Estamos
atualmente a trabalhar para tornar isso possível, somos muito exigentes
connosco mesmos e muito cuidadosos ao planear os concertos da melhor forma
possível.
Após
este lançamento, para onde vêm os Tale Cue evoluir? Há territórios musicais que
desejem explorar ou histórias que desejem contar a seguir?
Com certeza
continuaremos a ser os Tale Cue que vocês conhecem, continuaremos no nosso
caminho.
Obrigado
pelo vosso tempo. Alguma mensagem de despedida que gostassem de partilhar com
os vossos fãs ou com os nossos leitores?
UP THE TALES!



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