Review: Aletheia (WILDHUNT)

 

Aletheia (WILDHUNT)

Jawbreaker Records

Lançamento: 02/janeiro/2026

 

Dez anos após Descending, os austríacos Wildhunt regressam finalmente com Aletheia, um segundo álbum aguardado com legítima expectativa e que confirma uma banda mais madura e mais ambiciosa na forma como pensa e estrutura a sua música. Editado pela Jawbreaker Records, este novo trabalho aprofunda o caminho traçado na estreia na sua combinação de metal energético, minucioso e épico, mas leva-o claramente para territórios mais sofisticados e exigentes. Musicalmente, Aletheia apresenta-se como uma imaginativa síntese entre technical thrash e a escola clássica da NWOBHM, filtrada por uma sensibilidade moderna e detalhista. O disco vive de arranjos densos e majestosos, nos quais as guitarras assumem um papel absolutamente central: não apenas pela destreza técnica, mas também pela forma como constroem as estruturas dos temas, acrescentando harmonias, segundas vozes instrumentais e diálogos frequentes com as linhas vocais. Uma abordagem técnica sempre ao serviço da fluidez, da melodia e da capacidade de construir canções memoráveis. O tema introdutório, longo se visto como uma intro, funciona como um manifesto estético, deixando, desde logo, bem evidente a grandiosidade instrumental e a atenção ao detalhe que irão estar presentes ao longo do álbum. Os temas são extensos, mutáveis e permanentemente surpreendentes, recorrendo a fraseados complexos, solos elaborados e a uma escrita que não receia explorar arranjos de inspiração jazzística, sempre com sentido estrutural e propósito composicional. No meio deste turbilhão técnico, Kanashibari surge como um breve interlúdio de cariz mais experimental, funcionando como momento de suspensão, uma espécie de água na fervura, antes do álbum retomar a sua natureza endiabrada. Já Sole Voyage, que encerra o disco, afirma-se como um verdadeiro épico final, cruzando diversas nuances e surpreendendo inclusivamente com a introdução de ritmos caribenhos a meio do tema, num gesto arrojado que sintetiza bem o espírito aventureiro do álbum e a capacidade criativa da banda. Para este regresso, os Wildhunt apresentam uma formação rejuvenescida que aposta em letras sombrias e reflexivas e numa escrita claramente mais refinada. Por isso, Aletheia assume-se como um regresso em grande forma. No fim de contas, este é um álbum tecnicamente impressionante, sim, mas sobretudo um disco profundamente musical, feito por músicos que tocam muito, mas que, acima de tudo, sabem compor. É precisamente nesse equilíbrio raro entre complexidade e expressão que Aletheia encontra a sua verdade e justifica plenamente a longa espera por este regresso. [94%]

 

Highlights

The Holy Pale, Made Man, Aletheia, Sole Voyage

 

Tracklist

1. Touching The Ground

2. The Holy Pale

3. Made Man

4. Kanashibari 

5. In Frozen Dreams

6. Aletheia

7. Sole Voyage 

 

Line-up

Wolfgang Elwitschger – vocais, guitarras

Julian Malkmus – guitarras

Robbie Nöbauer – baixo, backing vocals

Lukas Lobnig – bateria, percussão

 

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Edição

Jawbreaker Records   

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