Dreadful Waters (CORONATUS)
Massacre Records
Lançamento: 23/janeiro/2026
No seu
regresso após Atmosphere, os alemães Coronatus deixam o elemento
ar e focam-se no elemento água. Em Deadfull Waters, aprofundam a sua
identidade fortemente enraizada no folk e no celta, cruzando esses
universos com uma matriz operática, coral, teatral e próxima do musical. É
precisamente nessa dimensão que o álbum encontra os seus melhores momentos,
sustentado por abundantes passagens orquestrais, coros expressivos e melodias
de inspiração clássica que evocam imagens do imaginário marítimo. Os pontos
fortes residem não só na riqueza dos arranjos, mas também na componente vocal,
absolutamente central para a identidade do disco. O diálogo entre vozes
femininas de cariz operático, registos limpos e vozes masculinas reforça a
dimensão teatral e coral de Deadfull Waters. Sempre que estas abordagens
vocais são enquadradas por orquestrações e elementos folk, o resultado
revela coerência, emoção e um claro sentido cénico. Os pontos fracos
manifestam-se sobretudo nos momentos em que a banda opta por metalizar
em excesso. Nesses trechos, as secções distorcidas revelam-se menos coesas e
por vezes pouco convincentes, criando alguma confusão interna que contrasta com
a clareza do restante discurso musical. Importa sublinhar, contudo, que a
diversidade estilística não é um problema em si. Pelo contrário, é um dos
trunfos do álbum, sendo a questão a forma como o metal, em certos
momentos, não se integra com a mesma elegância na estrutura global das canções.
Faixa a faixa, o disco evidencia bem essas oscilações. The Maelstrom começa
promissor, com elementos tradicionais e coros, evoluindo para vocais
operáticos; a vertente metálica surge algo confusa, mas o tema ganha novo
fôlego com a entrada do violino. Já To The Reef! assume plenamente a
vertente folk, com orquestrações, coros e um espírito assumidamente
próximo do musical. Um dos pontos altos surge com The Ship’s Cook, uma
sólida malha de symphonic metal enriquecida por uma aura folk
trazida pelo violino; Southern Cross é, porventura, o tema mais bonito e
equilibrado do alinhamento e The Siren mergulha em territórios mais
obscuros e pesados, tendência retomada em Dark Ice, que, apesar do peso,
oferece um refrão de belíssima melodia e forte componente clássica. No
conjunto, Deadfull Waters afirma-se como um álbum ambicioso que é mais
eficaz como obra conceptual do que como álbum de metal puro. [84%]
Highlights
Through The Brightest Blue, To The Reef!, The Ship’s Cook, Souther
Cross, Dark Ice
2.
Through The Brightest Blue
3.
To The Reef!
4.
The Ship’s Cook
5.
Southern Cross
6.
The Siren
7. A Seaman’s Yarn
8.
Dark Ice
9. Die Hexe und der Teufel
Line-up
Leni
Eitrich – mezzo soprano
Sabine
Prechtel – mezzo soprano
Nemesis – rock voice
Tine Jülich – violino
Harry Zeidler – guitarras
Simon Gutbrod – baixo
Mats Kurth – bateria
Internet
Edição

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