Cookie Doe (CHRIZ DOE)
(2025, Fastball Music)
Os Chriz Doe
são uma contradição em si mesmos e o seu álbum de estreia, Cookie Doe, é
a prova definitiva disso. Uma mistura selvagem, colorida e totalmente
despreocupada de convenções, com visuais extravagantes e personalidades
irreverentes. Um trabalho que recusa rótulos fáceis e transforma cada
faixa numa explosão de energia, humor e atitude. Um mundo caótico e inclusivo,
uma festa sem regras nem compromissos que cruza metal moderno, hard
rock e elementos eletrónicos, navegando por águas pouco exploradas por
bandas de metal mais tradicionais. Mas não se deixem enganar pela leveza
da atitude: em Cookie Doe, a festa convive com letras incisivas que
olham de frente para temas sociais, conflitos internos e reflexões
existenciais. Chriz Doe não se levam demasiado a sério, e isso é uma das
suas maiores virtudes. E a verdade é que nós também não os devemos levar! [70%]
Desencanto (PAULA TELES)
(2025, Ethereal Sound
Works)
O álbum Desencanto,
estreia a solo de Paula Teles, conhece finalmente a sua primeira edição
em formato físico, agora lançada em CD pela editora portuguesa Ethereal
Sound Works. Este lançamento representa um momento simbólico e muito
aguardado, tanto para a artista como para os ouvintes que acompanham o seu
percurso desde o início. Originalmente editado de forma totalmente independente
em abril de 2024, Desencanto foi disponibilizado exclusivamente em
formato digital, afirmando-se desde logo como uma obra singular no panorama da
música pesada portuguesa. O disco destacou-se pela fusão ousada entre metal
progressivo, metal atmosférico e elementos da música tradicional
portuguesa, com especial destaque para a utilização expressiva da guitarra
portuguesa, o que desde logo lhe valeu o epíteto de fado metal. Desde o
seu lançamento inicial, Desencanto tem sido amplamente elogiado pela
crítica nacional e internacional, sublinhando a forma orgânica como o álbum
incorpora a melancolia, a saudade e a introspeção associadas ao fado num
universo musical pesado e contemporâneo. Um dos momentos mais marcantes do
álbum é Jogo do Silêncio, faixa que conta com a participação especial de
Björn Strid (Soilwork, The Night Flight Orchestra), num
dueto cantado em português. A edição física em CD, recentemente lançada, não só
materializa um desejo antigo dos fãs e colecionadores, como acrescenta valor
artístico ao álbum. Esta versão inclui uma faixa bónus exclusiva: uma
interpretação ao vivo do já referido Jogo do Silêncio com Björn Strid,
capturando de forma crua e intensa a força emocional do tema num contexto
diferente do estúdio. Este lançamento surge na sequência da renovação do
contrato de Paula Teles com a Ethereal Sound Works, reforçando a
ligação entre a artista e a editora, que tem vindo a apoiar o seu percurso mais
recente. A passagem de Desencanto de um lançamento digital independente
para uma edição física com selo editorial representa um reconhecimento claro da
importância e do impacto duradouro do álbum. [94%]
Echoes From The Winter Silence (TEZZA F)
(2025, Elevate
Records)
Tezza F é
um projecto one-man-band oriundo de Verona, idealizado e conduzido por Filippo
Tezza (Silence Oath, Chronosfear, Soul Guardian),
músico e compositor que assume integralmente todos os instrumentos, vocais,
programação de bateria, composição e produção. O projeto nasce da vontade de
Tezza de expressar uma visão artística sem os limites tradicionais de uma
banda, mantendo, ao mesmo tempo, uma forte ligação às tradições do power
metal melódico e sinfónico europeu. Assim, combina melodias épicas,
harmonizações elaboradas e arranjos que evocam influências de nomes como Blind
Guardian, Helloween, Stratovarius ou Gamma Ray. Em
2025, o projeto regressa com o seu quarto álbum, Echoes From The Winter
Silence, um álbum que representa um passo evolutivo no percurso do músico
veronês. O disco desenvolve a clássica sonoridade de Tezza F, mas com
uma tendência marcadamente mais densa e melancólica, sem abdicar de toda a
potência e dos ganchos melódicos que os fãs esperam do género. Echoes
From The Winter Silence alterna entre momentos de alta velocidade e energia
contagiante, como as faixas iniciais For A New Hope e The Shining Path e
passagens mais introspetivas ou atmosféricas, com Darkness ou a balada This
Journey Begins. Destaque ainda para a longa suite final Winter Of Souls,
com mais de 14 minutos divididos em quatro movimentos, onde se condensam várias
das forças criativas do disco: dinâmicas variadas, construção temática coerente
e ambição composicional. No balanço geral, Echoes From The Winter Silence é
um trabalho sólido e convincente, fiel aos cânones do power metal,
embora com poucos elementos identitários. [81%]
Disciplines (STAINLESS MADNESS)
(2025, Art Gates
Records)
Formados em 2022, em
Madrid, os Stainless Madness estreiam-se com Disciples, um álbum
que evidencia um claro domínio da gramática do thrash metal, aqui
assumida como eixo central de um discurso agressivo, contemporâneo e
tecnicamente sólido. Sem perder a matriz clássica, a banda integra de forma
criteriosa influências do death metal e do metalcore, reforçando
a intensidade e a atualidade do seu som. O álbum avança com uma energia
constante, sustentada por velocidades frenéticas, riffs cortantes e breakdowns
esmagadores, criando paisagens sem concessões. Essa intensidade, porém, não
exclui inteligência composicional nem variação interna, algo que se manifesta
com particular clareza em temas como Ashes Of Silence, Dragged By The
Hours, Into Oblivion, Normative Corruption e no tema-título.
Aqui, seja pelo trabalho rítmico preciso, seja pelo equilíbrio entre melodia e
agressividade, os espanhóis revelam ambição estrutural e um sólido domínio
instrumental. Sem reinventar o género, Disciples afirma-se como um
convincente cartão de visita que coloca os Stainless Madness como um
nome a acompanhar de perto. [81%]
Warren Of Necrosis (BLACK RABBIT)
(2025, Independente)
Reeditado vários anos
depois da sua primeira edição e analisado à luz do percurso entretanto traçado
pelos Black Rabbit, nomeadamente o aprofundamento conceptual visível em Hypnosomnia
(2023) e Chronolysis (2025), Warren Of Necrosis ganha uma nova
densidade simbólica, assumindo-se claramente como o prólogo mítico de todo o
universo narrativo da banda. Musicalmente, a reedição confirma aquilo que já
era apontado aquando do lançamento original: um death metal feroz,
enraizado no cruzamento entre death e thrash, com apontamentos blackened,
riffs cortantes e uma agressividade direta, mas longe de ser
unidimensional. A escrita revela já uma preocupação com dinâmica e tensão,
alternando investidas brutais com momentos mais cadenciados e atmosféricos. Esta
reedição beneficia ainda de uma leitura retroativa: aquilo que em 2020 soava a
promessa, hoje confirma-se. Warren Of Necrosis foi o início cronológico
da discografia dos Black Rabbit e o núcleo ideológico de tudo o que se
lhe seguiu. Um registo cru, violento e conceptual, no qual já se adivinha a
ambição de criar um universo próprio no death metal contemporâneo. [76%]






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