Depois de uma longa década de silêncio discográfico, os austríacos Wildhunt regressam finalmente com Aletheia, um trabalho que retoma a identidade sonora apresentada em Descending, mas que revela uma banda mais coesa, madura e confiante na sua visão artística. Entre mudanças de formação, evolução criativa e uma renovada estabilidade interna, o grupo aproveitou o tempo para lapidar a sua música e construir um álbum intenso, atmosférico e cheio de nuances. Nesta conversa com Julian Malkmus e Wolfgang Elwitschger, mergulhamos no processo por detrás de Aletheia.
Olá, Julian, obrigado
pela disponibilidade! Em primeiro lugar, bem-vindos de volta. Depois de um
silêncio tão longo, é ótimo ver os Wildhunt regressar com Aletheia. Como é que
se sentem por finalmente revelarem este álbum ao mundo?
JULIAN MALKMUS (JM): É ótimo finalmente partilhar o álbum
com o mundo. Trabalhámos nele durante bastante tempo, por isso a expectativa
era enorme. A resposta ao álbum tem sido muito positiva, e isso significa muito
para nós.
Aletheia chega dez anos depois do
vosso álbum de estreia, Descending. Quais foram as principais razões por
trás deste longo intervalo? Como é que esse período de distância moldou a banda
criativa e pessoalmente?
JM: Provavelmente, isso deveu-se principalmente às mudanças na formação que
passámos durante esse tempo. Com Robbie Nöbauer no baixo e Lukas
Lobnig na bateria, finalmente temos uma formação estável que também é muito
profissional e musicalmente forte. Acho que o tempo realmente nos ajudou como
banda e também ao álbum como um todo, porque nos deu espaço e foco para moldar
tudo exatamente da maneira que queríamos.
O álbum dá continuidade
ao caminho musical de Descending, ao mesmo tempo que soa mais
refinado e maduro. De que forma achas que os Wildhunt evoluíram desde o vosso
álbum de estreia, tanto em termos de composição como de musicalidade?
JM: Entrei para a banda depois de Descending, em 2017. O que
realmente me atraiu aos Wildhunt foi o forte foco na composição e a
forma como a banda aborda a música, o que se encaixava muito bem no caminho que
eu estava a seguir na altura. Ao longo dos anos, aprendi muito e ganhei uma
nova perspetiva sobre a música e também consegui desenvolver o meu próprio
estilo pessoal e trazê-lo para a banda.
WOLFGANG ELWITSCHGER (WE): Acho que, com o novo álbum,
conseguimos manter-nos fiéis à nossa visão original, ao mesmo tempo que abrimos
novos caminhos de várias maneiras. Descending já criou uma ampla gama de
possibilidades musicais para nós, portanto, pudemos desfrutar de muita
liberdade artística durante o processo de composição e gravação de Aletheia,
o que é ótimo. Julian, e mais tarde Robbie e Lukas, trouxeram muita habilidade,
ideias e energia renovada para a banda, o que acho que podes ouvir e sentir muito
bem no novo álbum.
A faixa Kanashibari destaca-se
imediatamente, tanto pelo título quanto pela posição no álbum. Qual é o papel
dessa música na narrativa e no fluxo emocional de Aletheia?
JM: O Wolfgang escreve as nossas letras e, na minha opinião, teve a
excelente ideia de nomear o álbum Aletheia. É o tema central que dá a
todas as músicas uma estrutura concepual abrangente. Cada faixa aborda esse
tema de uma perspetiva completamente diferente.
WE: Embora o álbum não seja um álbum conceptual, muitas das letras tratam
de temas como o engano e o perigo de ser enganado pelos próprios pensamentos ou
crenças. Há também muita ambiguidade nas letras, e o que parece ser o tema de
uma música à primeira audição pode não ser tudo o que há nela. Acho que, em
combinação com a música, isso cria uma atmosfera mística em todo o álbum, que
também foi muito bem capturada visualmente pela nossa artista de capa, Lena
Richter. O título Kanashibari foi originalmente pensado para ser o
início de In Frozen Dreams, mas achámos que seria melhor dividir as duas
canções. Kanashibari é o termo japonês para paralisia do sono, que
também serviu de inspiração para a letra de In Frozen Dreams. É
certamente uma das canções mais estranhas que fizemos até agora, mas também uma
das mais divertidas de gravar. Ela lembra-me os interlúdios dos primeiros
álbuns dos Sabbath, que sempre adorei e que acho que realmente
contribuíram para o clima geral e a dinâmica de um álbum.
O álbum é uma
montanha-russa de emoções, com letras sombrias e instigantes que nunca perdem o
impacto. Quão importantes são a tensão emocional e o contraste no vosso
processo de composição?
JM: Acho que o contraste é extremamente importante, tanto em relação a
outras músicas quanto dentro de uma única composição. Neste álbum, escolhemos
uma abordagem ligeiramente diferente em relação à tensão e à emoção do que as
pessoas conhecem e esperam da música. Isso pode fazer com que soe incomum no
início e exija uma audição atenta, mas também dá ao álbum mais profundidade,
mais surpresas e mais coisas para descobrir com o tempo.
Com referências
frequentes a bandas como Metallica, Heathen, King Diamond e Megadeth, até que
ponto essas influências entram conscientemente no processo de composição e onde
acham que os Wildhunt claramente assumem a sua própria identidade?
JM: Acredito que a formação estável que tivemos nos últimos anos
desempenhou um papel importante no álbum. Foi, definitivamente, uma base
necessária para a sua conclusão e trouxe-nos muito valor musical agregado.
Também achamos difícil citar referências claras para o álbum. Fazer comparações
diretas não é fácil porque muitas facetas distintas se juntam, e o mesmo vale
para as influências, que não podem ser realmente atribuídas a bandas
específicas. No final, só se pode citar as bandas que mais se ama e que provavelmente
se ouviu mais.
O artwork, criado por
Lena Richter, complementa visualmente a música de forma bastante forte. Qual
foi o envolvimento da banda na definição do conceito visual de Aletheia?
JM: Partilhámos as nossas ideias com ela e estivemos em constante troca,
mas, no final, a Lena acrescentou muito por conta própria e deu ao álbum uma
estrutura visual perfeita que capta exatamente a atmosfera que a música
expressa.
WE: Trabalhar com a Lena foi realmente ótimo para nós, e espero que ela
sinta o mesmo (risos). Tínhamos uma ideia bastante clara de como queríamos que
a capa fosse. Claro, é sempre difícil entrar na cabeça de outra pessoa,
portanto, a Lena desenhou uma arte para a capa que ficou fantástica, mas não
correspondia exatamente à nossa visão. E ela concordou em pintar uma nova capa,
que acabou por ser usada como capa final do álbum.
Com o álbum agora
lançado pela Jawbreaker Records, como é que essa colaboração apoiou a banda
durante o processo de lançamento, especialmente após uma ausência tão longa?
JM: Estamos muito felizes por trabalhar com a Jawbreaker. Recebemos
muito apoio, tivemos uma excelente comunicação e conseguimos implementar as
nossas ideias. É realmente ótimo para uma banda como a nossa ter uma editora
que nos apoia tão bem.
WE: No que diz respeito à Jawbreaker, não poderia concordar mais com
o Julian, um tipo fantástico e uma editora incrível!
Está prevista alguma digressão,
concertos ao vivo ou participações em festivais para promover o Aletheia num futuro
próximo?
JM: Esse é definitivamente o plano. Neste momento, podemos anunciar o nosso
concerto de lançamento a 13 de fevereiro de 2026, na Arena Wien, com Küenring
e Diamond Falcon. Será a primeira vez que tocaremos o álbum completo. Em
agosto, tocaremos no Trveheim Festival, na Alemanha, e estamos
atualmente a planear vários outros concertos.
Obrigado, pessoal.
Alguma mensagem de despedida que gostassem de partilhar com os vossos fãs ou
com os nossos leitores?
JM: Obrigado pelo apoio incrível. Esperamos que gostem do nosso novo álbum e esperamos vê-los ao vivo ainda este ano. Muito obrigado pela entrevista!
WE: Amén!




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