Live Report: Stygian Bough + 40 Watt Sun

 




Bem-vindos à igreja – onde a tristeza habita

Esta terça-feira foi um dia muito especial para os amantes do doom. O Backstage By The Mill, em Paris, tem uma data muito especial, com duas bandas muito raras: 40 Watt Sun e Stygian Bough. Para a primeira, é até a sua primeira apresentação na França. Patrick Walker não é um artista que procure os holofotes. Surgiu com a sua guitarra para um set acústico de uma hora. Raramente vi um público tão respeitador, e ele partilhou algumas histórias entre as músicas. Adoraria vê-lo num local mais intimista. Deve ser realmente incrível. Durante o seu set, o público começou a encher um pouco mais o local e, embora não estivesse lotado, o Backstage começou a ficar bastante cheio. A mudança de palco foi muito rápida, e Stygian Bough começou a apresentar o seu funeral doom único. A banda é, na verdade, uma colaboração entre Bell Witch e Aerial Ruin. Para ser mais preciso, é Erik Moggridge (guitarra e vocais dos Aerial Ruin) e Dylan Desmond (baixo)/Jesse Shreibman (bateria) dos Bell Witch. A colaboração começou há alguns anos, com um primeiro álbum cujas raízes artísticas se encontravam em The Golden Bough, um livro de James Frazer que compara magia e religião. Este segundo álbum, lançado em novembro de 2025, manteve essa exploração viva, com uma relação mais simbiótica entre os músicos. O álbum é mais profundo, com mais tristeza do que atmosfera funeral. As composições são extremamente pesadas. Aqui, não há velocidade, nem batidas esmagadoras, apenas o ritmo lento e sombrio que é um convite a algum tipo de transe. O trio não interage muito com o público, tem uma espécie de introspeção na sua abordagem à música e é preciso estar verdadeiramente atento para captar a riqueza da banda: o baixo é aqui a chave para compreender o quão excecionais são as suas canções. Enquanto a voz de Erik Moggridge é etérea, os riffs de baixo de Dylan Desmond são profundos e complexos, conduzindo a melodia principal. Na última música, The Told And The Leadened, é preciso focar mais na bateria e apreciar a riqueza da performance de Jesse Shreibman. A banda trouxe uma atmosfera sombria, que faz com que todos se envolvam em autorreflexão, contemplação, exploração de cicatrizes e dores. Uma hora é muito curta, eles tocaram o Vol. 2 na íntegra, ou seja, quatro músicas. Para muitos metaleiros, o peso é velocidade e excesso de notas. Os Stygian Bough mostram que é muito mais complexo: pode ser lento, sem muitas notas, com um pontapé no final, contido e profundo. Saímos com uma sensação de alívio, após uma experiência catártica. Noite incrível.

Setlist:

•    Waves Became The Sky

•    King Of The Wood

•    From Dominion

•    The Told And The Leadened

Reportagem por: David Clabaut

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