Ghost Town (AXEL RUDI PELL)
Steamhammer/OPEN
Lançamento: 20/março/2026
Axel Rudi
Pell é aquele
caso raro de absoluta previsibilidade que, para o seu público, funciona mais
como selo de garantia do que como defeito. Em Ghost Town, o seu novo
trabalho discográfico, o guitarrista alemão volta a fazer exatamente aquilo que
se espera dele: hard/heavy melódico, musculado, de andamento
maioritariamente médio e com aquele polimento clássico que há muito se tornou a
sua zona de conforto. A banda mantém-se fiel ao formato habitual sem surpresas
de fundo nem desvios de rota. E, no entanto, há um certo prazer nisto. De dois
em dois anos, qual relógio suíço, Axel Rudi Pell, regressa com mais um
capítulo de uma discografia que não inventa, não reinventa e também não pede
desculpa por isso. Ghost Town segue esse mesmo trilho com convicção. Os
temas são maioritariamente compassados, com refrões sólidos, solos melodiosos e
uma atmosfera criada pelo uso dos teclados que vai sendo decisiva para dar
corpo às canções. Mesmo quando há uma ou outra ligeira mudança de tom, a matriz
está lá, intacta. Sabe-se ao que se vem… e o disco faz questão de não trair
essa expectativa. Depois da tradicional intro, The Regicide, o
álbum começa verdadeiramente em alta com Guillotine Walk, um excelente
número assente no bass ‘n’ drum, com nervo e bom balanço, onde os
teclados ajudam a criar o ambiente certo. Este é um tipo de registo que voltará
a surgir em Holy Water e Sanity, culminando num dos mais bem
conseguidos conjuntos de temas. Pelo meio, Breaking Seals ganha
interesse extra pela participação de Udo Dirkschneider. Não é Accept,
claro, mas em certos momentos anda lá perto, ou pelo menos pisca o olho a esse
universo. A zona central do álbum reserva ainda a curiosidade de colocar lado a
lado a faixa mais lenta (e também uma das mais apelativas, refira-se), The
Enemy Within, e a mais rápida, Hurricane, sendo esta última o único
verdadeiro momento de maior aceleração em todo o disco. Já Towards The Shore
cumpre a quota obrigatória da balada, aqui numa onda que faz lembrar uns Guns
N’ Roses mais domesticados. No fim, Ghost Town vale menos pela
surpresa do que pela consistência. Axel Rudi Pell encontrou há muito o
seu lugar e continua, teimosamente, a habitá-lo. Para quem ainda embarca nesta
viagem, isso continua a bastar. [82%]
Highlights
Guillotine Walk, The Enemy Within, Higher Call, Hurricane, Sanity
1. The Regicide (Intro)
2. Guillotine Walk
3. Breaking Seals
4. Ghost Town
5. Holy Water
6. The Enemy Within
7. Hurricane
8. Sanity
9. Towards The Shore
10. Steps Of Stone
11. Higher Call
Line-up
Axel Rudi Pell - guitarras
Johnny Gioeli - vocais
Volker Krawczak - baixo
Ferdy Doernberg - teclados
Bobby
Rondinelli – bateria
Convidado
Udo
Dirkschneider – vocais (3)
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