Live Report: Toxikull/Toxik Attack/Yaatana

 

A noite cheirava a cravos e a liberdade quando a comunidade metal do Porto se começou a dirigir ao Woodstock 69 para fazer uma das muitas coisas que não era possível fazer em Portugal antes do 25 de abril de 1974: ir a concerto de rock/metal. No menu estava a segunda noite da Turbulence Over Europe Tour, a única com a companhia dos Toxik Attack e dos Yaatana. Casa cheia para celebrar 10 anos de Toxikull e apresentar o Turbulence, o quarto álbum de estúdio da banda lisboeta.

Os Yaatana foram os primeiros a subir, ao já quente palco do Woodstock 69 e não demoraram muito a estabelecer a sua lei. O thrash/death metal com uma clara atitude punk contagiou de imediato a multidão, que se deixou levar pela energia crua e irreverente da banda, transformando aquele início de tarde num verdadeiro manifesto sonoro de rebeldia e intensidade. Destaque ainda para a sua muy leal legião de jovens fãs que usufruíram do concerto desde a primeira fila. Mosh-pits e riffs cortantes encheram a sala e partiram definitivamente o termostato. Atitude, sangue e suor! O que se poderia pedir mais à jovem banda portuense?

De seguida, vieram os Toxik Attack, para a mais recente edição das Toxik Nights. A celebrarem a mais recente reedição em cassete do seu primeiro álbum Assassinos em Série, mostraram por que são uma das mais respeitadas bandas de speed metal da cena underground nacional. Desde Seita do Punhal até Thrash Maldição, passando por Assassinos em Série, os nortenhos não deram tréguas, desfilando a sua combinação única de aço cantado em português com uma precisão feroz e uma entrega visceral. Aos mosh-pits, juntaram-se os oh-oh-ohs e os gang vocals e a energia foi levada ao limite. E nem quando, já perto do final, uma das cordas da guitarra de Perigoso sucumbiu à combinação do calor da sala e da intensidade dos riffs, a energia esmoreceu. Foi, no fundo, uma atuação sem concessões, que deixou claro que a chama do speed metal nacional continua bem viva nas mãos dos Toxik Attack.

Por fim, era a vez dos Toxikull subirem ao palco do Woodstock 69. Porém, antes da grande atuação da noite, enquanto a banda preparava o palco e afinava os seus instrumentos, houve espaço para o grande José Afonso conduzir um concerto fantasma. Através das colunas, Zeca levou a plateia de metaleiros a cantar limpo e em uníssono Grândola Vila Morena. Foi um belo momento carregado de simbolismo onde ecoaram e se condensaram todas as mensagens de antifascismo que atravessaram a noite, numa comunhão entre memória, música e resistência.

A voz de Zeca Afonso deu então lugar à voz de um piloto de aviões para anunciar o início de uma viagem marcada por turbulência. Depois, o infecioso riff de Turbulence espalhou-se pela sala do Woodstock 69. Um início de concerto bastante diferente daquele que os Toxikull têm feito noutras tours, o que demonstra o crescimento que os lisboetas tiveram nestes últimos 10 anos e o desejo de voar outros voos. A Turbulence seguiu-se Strike Again naquele que foi o primeiro par de temas de apresentação do novo álbum. Entre improvisos e interações com o público, os clássicos alternaram com os temas mais recentes, numa dança entre mosh-pits e momentos sing-along que culminaria em Midnight Fire, a definição de um clássico instantâneo. Não é normal as músicas do mais recente álbum serem as mais cantadas nos concertos, mas foi precisamente isso que aconteceu com Dragon Magic e, especialmente, com Midnight Fire.  O concerto terminaria logo a seguir com uma versão de Stand Up And Shout onde Lex Thunder abandonou a guitarra e se dedicou exclusivamente à performance vocal.

Tecnicamente irrepreensíveis e emocionalmente carregados, os Toxikull mostraram mais uma vez por que são um dos maiores nomes do metal nacional, deixando no ar aquele desejo de que a noite tivesse durado bem mais. Para aqueles que não tiveram oportunidade de experienciar esta turbulência, a Turbulence Over Europe Tour continua Europa fora, nas datas abaixo. 

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