Entrevista: Hourswill

 

Seis anos depois de Dawn Of The Same Flesh, os Hourswill regressam com Ensemble, um álbum que reflete bem a ambição e a liberdade criativa que sempre caraterizaram a banda. Às portas da apresentação ao vivo do álbum no RCA Club, em Lisboa, conversámos com José Bonito e Pedro Burt Costa sobre o longo caminho até este novo registo, os desafios da sua criação e o atual momento da banda.

 

Olá! É um prazer voltar à conversa com os Hourswill cerca de seis anos depois da nossa última entrevista. Desde então, muita coisa aconteceu, tanto no mundo como na própria evolução da banda. Como olham hoje para esse percurso e para aquilo que mudou desde essa última conversa até ao lançamento de Ensemble?

JOSÉ BONITO (JB): Viva, Pedro. Antes de mais, o nosso agradecimento pela entrevista e pelo interesse demonstrado ao longo dos anos no nosso trabalho. Sim... realmente passou todo esse tempo de que falas e muito mudou no mundo! No entanto, não creio que tenha existido grande evolução no mesmo e, se algo evoluiu, foi uma bizarra estupidificação coletiva em detrimento de algo básico como a racionalidade! Enquanto banda, creio que pouco se modificou, mas sei que alguns dos eventos que foram acontecendo na vida pessoal de cada um dos elementos que fazem parte dos Hourswill acabaram por ter um determinado impacto e uma certa relevância em algumas das decisões que foram sendo tomadas neste espaço temporal em relação aos destinos do projeto. Eu disse-te na altura que iria existir um capítulo diferente ou uma mudança de página no nosso percurso, pois aqui estamos nós agora a comprovar isso mesmo.

 

Ensemble surge como um trabalho bastante ambicioso e multifacetado. Como nasceu este álbum? Houve algum momento, conceito ou conjunto de ideias que tenha servido de ponto de partida para aquilo que acabou por se tornar o disco? 

JB: O objetivo inicial era fazer um documento musical ainda mais volumoso do que aquele que têm agora nas mãos. Foi gravada uma quantidade considerável de material com isso em mente, mas, por questões relacionadas com a realidade atual em que vivemos, não nos foi possível alcançar esse propósito. No entanto, acredito que se atingiu musicalmente aqui uma amplitude que muito me agrada e que poderá, eventualmente, satisfazer os apreciadores do género com apenas estes 8 temas que Ensemble contém. Foi escrito com naturalidade, inquietação, emotividade, determinação e um espírito de inconformismo que transparece ao longo da sua duração. Quando se entrou naquela 1ª fase de confinamento em 2020, já nós tínhamos 80 a 85% da música que está no álbum composta, um processo que se iniciou de uma forma absolutamente espontânea graças à existência de um tema que não chegou a ser gravado nas sessões do nosso disco anterior e que serviu de pavimento criativo para estas composições. O tema em causa foi totalmente desfeito e as partes que o compunham encontram-se espalhadas ao longo de quase todos os temas presentes neste novo álbum.

 

O último longa-duração da banda, Dawn Of The Same Flesh, foi lançado em 2019, pelo que passaram vários anos até chegarmos agora a Ensemble. O que explica este longo intervalo entre álbuns? 

JB: Aconteceu uma pandemia e também a vida pessoal, como já referi na primeira questão. Por entre problemas e sequelas provocados pela pandemia, divórcios, nascimento de filhos, matrimónios, mudanças de casa ou morte de familiares, existiram também situações relacionadas com agendamentos entre a própria banda, o produtor, o estúdio e a editora que acabaram por ir naturalmente relativizando toda essa questão do tempo entre discos. A dada altura neste processo, a única coisa importante e com a qual me fazia sentido preocupar era mesmo com a música e o resultado final do trabalho.

 

Os singles escolhidos para antecipar o álbum acabaram por revelar diferentes facetas sonoras e emocionais da banda. Como foi feita essa seleção?

JB: Isso foi da total responsabilidade da editora. Eles acharam que tanto a Unheilvoll como a Depressione Anaclitica representavam bem uma parte do conteúdo geral do álbum e decidiram apostar nesses temas. Por mim, tudo bem! Gosto de ambos. Musicalmente tens num tema um heavy metal direto e clássico e noutro uma textura mais hard rock com alguns apontamentos próximos do progrock, o que encaro ser um bom resumo do que se passa ao longo de todo o disco.

 

Um dos momentos mais inesperados do álbum é a versão de O Que a Vida Me Deu, de Fausto Bordalo Dias. O que vos levou a escolher precisamente esse tema? Já existia uma ligação antiga à obra de Fausto ou foi uma descoberta mais recente que acabou por encaixar naturalmente no universo dos Hourswill? 

PEDRO BURT COSTA (PBC): Mais do que um nome incontornável, o Fausto é, provavelmente, o compositor mais importante da história da música portuguesa. O seu cancioneiro não é apenas uma coleção de excelente música, é também um notável arquivo histórico da cultura musical e instrumental portuguesa, que abarca o tradicional e o moderno na mesma passada. Nesse sentido, o Fausto está sempre muito presente na forma como olho a música. Numa das sessões noturnas de pré-produção do Ensemble, o Zé avançou a ideia de se fazer uma versão de O Que a Vida Me Deu. Fica o desafio de ser ele a explicar de onde veio, mas achei imediatamente uma ideia entusiasmante e, ao mesmo tempo, muito ambiciosa. Quando se mexe numa coisa destas, há um risco muito grande de estragar o que não precisava de ser mexido. Ao mesmo tempo, a oportunidade de editar a nossa reinterpretação daquele tema não me saiu da cabeça. Fui para casa fazer as primeiras experiências, perguntando-me se faria sequer sentido pôr baixos naquela composição - o original tem apenas uma guitarra e um piano e não precisa de mais nada. Vou tentar não aborrecer muito mais as pessoas com o resto do processo, mas acabou por resultar nesta versão que podem ouvir, em que a guitarra e o piano foram recriados por dois baixos, um elétrico e um eletroacústico. Depois de termos a base feita e a primeira pré-produção já com a voz do Leo a dar ao tema uma coloração menos siamesa da original e mais característica da sonoridade da banda, ocorreu-nos outra ideia. Por este tema ser retirado do Por Este Rio Acima, álbum de 1982 baseado nas viagens de Fernão Mendes Pinto ao Oriente, pensámos que seria interessante ter os arranjos feitos em sitar, para estabelecer uma ponte com os timbres e ambientes característicos dessa parte do globo. Convidámos o Luís Simões, que aceitou muito pronta e amavelmente colaborar nesta versão e que criou e executou os arranjos em sitar, tanpura, gongo e reverse guitar, que vieram contribuir largamente para a identidade do produto final. A meio deste processo, chegou a triste notícia da morte do Fausto, coisa que me entristeceu profundamente duas vezes. Primeiramente, pela gigantesca perda para o nosso património cultural vivo, que já é tão escasso, e, depois disso, porque este tema não pretendeu nunca ser uma homenagem póstuma e sim um tributo em vida. (Uso aqui tributo no sentido próprio e dicionarizado do termo, coisa que é bastante incomum, daí a ressalva.) Não sabemos se o Fausto chegaria, fosse ele vivo, a ouvir a nossa versão. Se acharia desnecessário, se gostaria, se detestaria ou se lhe seria indiferente. Em todo o caso, gostava muito que ele tivesse tido conhecimento da existência de um grupo de doidos varridos que teve o descaramento de se pôr a mexer no que não precisava de ser mexido.

JB: A minha relação com a música do Fausto e de outros cantautores da altura vem da minha infância. Nasci nos anos 70 e cresci nos anos 80 num meandro de gente operária onde existia o hábito de cantarolar esse tipo de canções da época durante a execução do trabalho. E isso são momentos que a memória guarda sem grande explicação (risos). Voltando novamente a Hourswill, estávamos já em fase de pré-produção do álbum quando senti a necessidade de ter um momento musical e lírico fora do nosso espectro sonoro, mas que de alguma forma consolidasse todo o ambiente de unificação que tinha em mente para o conceito do disco. Certa noite sentei-me com uma guitarra e um gravador para ver se conseguia passar para a realidade aquilo que estava a ouvir em pensamento, mas percebi de imediato que não seria aquele o caminho. Por alguma razão, olhei para o móvel dos discos e para a secção onde estão os álbuns de música portuguesa e fixei-me na lombada do Por Este Rio Acima. Larguei o que estava a tentar fazer e fui ouvir o disco, revisitar a sua música e ler novamente os seus textos. Após esta situação, saí de casa, fui beber um café, fiz uma caminhada, fumei uns cigarros e pensei: Man... Será??? Será mesmo aquilo??? Sempre fui de uma ativa relutância a quaisquer versões de temas que no meu entendimento não devem ser mexidos, sendo, curiosamente, esse tema de Fausto um deles. Só que a sua beleza, emoção e densidade eram exatamente o que andava à procura para integrar no disco e dar a tal coesão que mencionei ao todo do que já tínhamos. Como o Pedro escreveu, falei com ele sobre o assunto, partilhei com ele que no meu pensamento só faria sentido trazer isto para o nosso universo musical e com a nossa identidade se fosse o baixo a ter um papel predominante no tema. Afinal de contas, nos discos anteriores que gravou também por lá existiam temas instrumentais de baixo. E assim se fez acontecer! É um momento único! Fez um trabalho notável! O Leonel fez também uma ótima interpretação do tema. A participação do Luís Simões foi uma sugestão do Pedro pelos motivos que ele já em cima escreveu. Pessoalmente, a música do Simões fez parte da minha adolescência enquanto apreciador de música pesada. Aliás, continuo a ser ainda hoje apreciador da música que vai fazendo e editando com os seus projetos, por isso é particular motivo de contentamento ter o contributo dele nisto. Fez um excelente trabalho criativo num tema que, segundo as suas palavras, também lhe diz muito.

 

Os títulos de Ensemble atravessam várias línguas. Essa diversidade linguística está diretamente ligada ao conceito do álbum? Em continuidade, qual é o verdadeiro significado de Ensemble enquanto obra?

JB: Sim, completamente! A definição de Ensemble é universal em todas as línguas. Optou-se por um título que tivesse esses moldes e que pudesse ser compreendido rapidamente. Como as histórias e assuntos que neste disco se contam e abordam são deveras interessantes, achou-se que, em conjunto com a música, a única proposta viável seria a de tentar utopicamente unificar através da linguística um mundo complexo e cada vez mais corroído e separado pelas diferenças. Em jeito de conclusão, basicamente, o motivo principal de todo este conceito é que, apesar das diferenças e das distantes margens que possam existir entre todos, fazemos todos parte do mesmo! Iremos todos desaparecer qualquer dia e não existe razão para tamanha divisão. Procurou-se também que visualmente o artwork que acompanha este disco refletisse este mesmo imaginário e realidade.

 

Em termos de composição, como funcionou o processo criativo deste disco? Foi um trabalho mais coletivo e orgânico ou continuam a existir elementos centrais que depois são desenvolvidos por toda a banda?

JB: Aconteceu como sempre! Eu sentado com uma guitarra nas mãos em frente a um amplificador e gravando o que vai saindo para depois ir ouvir e tomar algumas decisões sobre o que foi feito. O passo seguinte é estar sentado novamente, mas desta vez com o Nuno (Peixoto, baterista) à minha frente a tocar e a estudar outros ou novos caminhos e possibilidades para o que se idealizou. O resto da malta contribui depois com o seu talento e ideias para melhorar o que se arranjou para tocar. Como podes verificar, não existe nada de interesse nisto. É um processo que, por vezes, pode demorar algum tempo ou, noutras vezes, nem por isso. O que importa aqui é um gajo conseguir retirar ainda alguma diversão disto, porque no dia em que deixar de ser assim, não fará qualquer sentido continuar a ter toda esta trabalheira.

PBC: Outras vezes, o tal tempo que o processo demora depende do tempo que eu fico a teimar com o Zé qual é a nota que devemos considerar dominante num daqueles acordes mais esquisitos que por lá aparecem e do meu sucesso ou insucesso em convencê-lo! E isso também é divertido.

 

Le Radeau de la Méduse acaba por ser um dos momentos centrais do álbum, não só pela carga conceptual do título, mas também pela sua duração de quase 23 minutos. Os Hourswill já tinham explorado temas longos anteriormente, chegando perto dos 12 minutos, mas nunca tinham ido tão longe. Em que momento perceberam que esta composição precisava realmente dessa dimensão quase épica para funcionar?

PBC: Creio que cada tema tem a duração que precisa ter. Não é um assunto que roube muito tempo da minha atenção. Le Radeau de la Méduse, em particular, relata o episódio histórico do naufrágio da fragata francesa Méduse, nos inícios do séc. XIX, com especial foco nos consecutivos infortúnios e tragédias que se foram abatendo sobre o grupo de quase 150 pessoas que, não tendo lugar nos botes salva-vidas, foram rebocados numa balsa improvisada de 20 metros, até o cabo que os rebocava se ter soltado e os ter deixado à deriva, perdidos e sem mantimentos. Para quem não esteja totalmente familiarizado com a história, deixo de fora os restantes e mais sórdidos acontecimentos, bem como o seu desfecho, para dar oportunidade à curiosidade daqueles que se sintam compelidos a procurar ou a consultar a história integral, na literatura que acompanha a letra do tema no formato físico de Ensemble. Tudo isto para dizer que um acontecimento desta magnitude precisa do seu tempo para ser relatado e para ser emocionalmente transposto para a banda sonora que acompanha esse relato. Le Radeau de la Méduse é efetivamente o tema de maior duração que já apresentamos, mas é-o por exclusiva necessidade do próprio tema. Cada secção, tal como a história que é narrada, tem a sua sucessão natural, a sua progressão segue um fluxo, cada momento tem um encaixe perfeito na secção anterior e na seguinte e aí por diante. É certo que é um tema longo, quando comparado com, se quisermos, a “norma”, mas pessoalmente fiquei muito satisfeito com a naturalidade com que esse tempo flui ao longo do tema.

 

O próprio título Le Radeau de la Méduse remete inevitavelmente para a célebre pintura de Théodore Géricault. Até que ponto a obra visual, a carga histórica e o simbolismo associado ao quadro influenciaram a construção musical e emocional do tema?

JB: Numa fase inicial de construção digo-te que em nada influenciou o processo de composição. Como já escrevi aí numa resposta anterior, tudo isto surgiu de uma forma muito natural e espontânea. Quando editámos o Dawn Of The Same Flesh fiquei com a estranha sensação de que poderíamos ter arriscado um pouco mais em termos de aventura musical e ido mais longe em certas partes. Desta vez, não existiu qualquer constrangimento ou limite nesse sentido. O tema quase que se escreveu a ele por si só. A história chegaria pouco tempo depois. Mostrei o tema ao Leonel numa das nossas reuniões gastronómicas e ele visionou de imediato sobre o que é que iria escrever. A partir daqui até ao resultado final existiram apenas alguns detalhes que se tiveram que adaptar ou modificar, mas nada que interferisse com a estrutura do que já estava delineado musicalmente. Contámos também com a participação especial do Nuno Cruz nas vozes neste tema porque a letra que o Leonel escreveu para isto exigia um outro tipo de textura e interpretação naquelas que são das partes mais pesadas do tema.

 

Musicalmente, Ensemble equilibra peso, atmosfera, progressão e uma dimensão cinematográfica. Sentem que este álbum representa a síntese definitiva da identidade dos Hourswill ou antes uma nova etapa rumo a territórios ainda mais experimentais? 

PBC: A resposta curta, para mim, é “não sabemos”. Há dias, dizia em tom de brincadeira que quando, no futuro, olharmos para a obra dos Hourswill em retrospetiva, vamos poder ver a discografia completa e também o Ensemble. Acho que, para já, podemos dizer que esta é uma peça diferente das outras. Não sabemos ainda se este vai ser o lugar para onde vamos, se vai ser um sítio por onde passámos.

JB: Este é, sem dúvida, o disco de Hourswill que musicalmente mais se aproximou daquilo que são alguns dos meus gostos pessoais enquanto normal consumidor de música. Felizmente, não se corre o risco de descaracterizar completamente aquilo que é a essência do projeto, pois nunca tivemos quaisquer tipo de regras em relação ao que nos propusemos a fazer enquanto entidade musical. Enquanto for divertido continuar a desafiar uma certa lógica instituída das coisas, ótimo. O perigo é se deixar de o ser, e aí, será a altura de parar. Para já, estamos a viver muito bem com o que se conseguiu alcançar criativamente neste disco.

 

Depois de tantos anos de percurso e várias mudanças na indústria musical, como veem atualmente o espaço para bandas como os Hourswill dentro da cena progressiva/experimental? Sentem que hoje existe mais abertura para trabalhos longos e conceptuais como Ensemble?

PBC: Sinto que não existe espaço para a cena progressiva de um modo geral, quanto mais para nós dentro dela. Não quero ser um pessimista profissional, mas aquilo que observo é que cada vez existe, talvez não menos espaço, mas menos interesse global em tudo o que seja uma proposta cultural. As pessoas estão a perder progressiva e galopantemente a capacidade de foco em qualquer coisa que requeira mais de 15 ou 30 segundos da sua atenção e há uma preguiça muito grande para tudo o que exija algum esforço mental para compreender. Não falo de nós, falo de todo o tipo de produção artística e cultural. É claro que isto é uma generalização grosseira, não quero ser injusto para com as pessoas que ainda consomem, apreciam e apoiam toda e qualquer forma de expressão artística. Mas, infelizmente para o destino da humanidade, parecem-me ser uma minoria. Dito isto, nenhuma destas evidências nos pode alguma vez demover de fazer aquilo que sentimos que temos de fazer. É nesse contexto que é feito o Ensemble. Isto que aqui está é aquilo que nós tínhamos para vos dizer. A quem quiser ter a amabilidade de escutar, estaremos sempre gratos. Quem não tiver essa disponibilidade, tudo bem na mesma. Nesse aspeto, sofremos da vantagem de não sermos profissionais – no sentido em que não vivemos desta atividade – o que nos dá toda a liberdade para fazermos o que queremos. Se estivermos a compor um tema e esse tema nos informar que vai precisar de vinte e tal minutos para fazer sentido, não temos de nos preocupar se as pessoas vão querer comprar um disco com um tema de vinte e tal minutos (porque, em princípio, já não iam querer na mesma).

JB: Corro o risco de ser um pouco drástico com o que vou escrever a seguir, mas acho um simplista reflexo da atualidade e da realidade. Os Hourswill podiam acabar amanhã que ninguém se importaria muito com isso. Tirando alguma tristeza que isso pudesse provocar a umas quantas pessoas que seguem e apreciam o nosso trabalho, a cena ou este mundo em geral não sentiria falta nenhuma do que propomos musicalmente. Existe muito a acontecer e quando coisas como algoritmos, conteúdos, empatia ou streamings são mais importantes que música, estamos conversados!

 

Com um álbum desta dimensão e riqueza conceptual, imagino que a experiência ao vivo possa ganhar outra profundidade. Existem planos para concertos ou mesmo uma tour dedicada a Ensemble?

JB: Temos um evento agendado para dia 27 de junho em Lisboa no RCA Club onde serão apresentados alguns dos temas que fazem parte do álbum. Em relação à tal profundidade, só te tenho a dizer que será algo o mais intenso, rude e rock'n' roll possível. Não temos nada a provar, queremos apenas que seja um momento porreiro para nós e também para o pessoal que for ver e que, acima de tudo, consigamos sobreviver à noite (risos). Quanto a concertos ou uma tour, enfim, vamos ver o que acontece. Não temos planos, se surgir algo, entretanto, com certeza será anunciado.

 

E, sendo assim, acham possível transportar temas tão extensos e detalhados para o palco sem perder intensidade?

PBC: Como já dei respostas muito longas e também não é minha intenção estar aqui a aporrinhar as pessoas, serei mais breve nesta. Creio que sim. O maior desafio à intensidade dos concertos deverá ser mais ao nível das articulações, que já fomos gente mais nova. Mas mais a sério, penso que sim, é possível apresentar esses temas em palco com uma boa dinâmica e intensidade. Nos ensaios tem-me soado fluido e estou satisfeito com a performance.

 

Para terminar, depois deste regresso com um álbum tão ambicioso como Ensemble, quais são as maiores expectativas ou desejos da banda para esta nova fase dos Hourswill? E que mensagem gostariam de deixar a quem vos acompanha desde os primeiros tempos,  incluindo aqueles que vos reencontram agora, vários anos depois?

PBC: Em termos de desejos e expectativas não sou muito exigente. No tempo presente, as coisas acontecem todas muito depressa, todas ao mesmo tempo, chegam muito rápido e partem muito depressa. É fácil passar despercebido no meio desse turbilhão, especialmente quando o produto que se constrói é, já de si, uma subcultura praticamente de nicho. Mas se houver um grupo, por pequeno que seja, de pessoas que parou para apreciar este álbum e de lá retirou alguma coisa para si, dou-me por muito satisfeito. Para finalizar, gostava de agradecer à Via Nocturna e a ti, Pedro, pela atenção dispensada, pelas excelentes questões e pela disponibilidade para falarmos um pouco sobre todo este processo. Obrigado. Um grande obrigado também às pessoas que têm seguido o nosso trabalho ao longo dos anos. Espero que gostem deste. Eu gostei.

JB: Faço minhas as palavras do Pedro! O meu agradecimento à Via Nocturna por tudo e também a todos aqueles que nos ouvem e seguem. Saúde e um forte abraço.

Comentários

DISCO DA SEMANA VN2000 #24/2026: Ex Tenebris Lvx (ANIFERNYEN) (Ethereal Sound Works)

GRUPO DO MÊS VN2000 #06/2026: HOURSWILL (Ethereal Sound Works)

MÚSICA DA SEMANA VN2000 #24/2026: Helldamned (NORTHBORN) (Art Gates Records)