A identidade
está assente no heavy/groove
metal. Mas não esperem repetições de fórmulas. Sempre em português, os
Sandmind estreiam-se em formato de longa duração com 13 Pragas Infernais,
um álbum conceptual inspirado na história e mitologia do Antigo Egito. Fomos
perceber juntamente com a banda de São Pedro do Sul o que trazem de novo…
Olá! Antes de mais, é
um prazer poder falar convosco numa fase tão importante da vossa carreira. Para
quem vos está agora a descobrir, como apresentariam os Sandmind e qual tem sido
o vosso percurso até este álbum de estreia?
Olá, o prazer é todo nosso. Antes de mais, queremos
agradecer a vossa simpatia. Bom, os Sandmind caraterizam-se como um novo
conceito ao estilo groove/heavy metal em Portugal. Para além de
compormos temas em português, com este álbum 13 pragas infernais abordamos
factos históricos e mitológicos do Antigo Egipto. O nosso percurso tem sido uma
constante aprendizagem desde os primórdios de covers até se
materializarem momentos de inspiração, algo que nos comprometeu com esta paixão
que é o heavy metal.
Sendo uma banda
relativamente recente, formada em 2022, como surgiu o projeto Sandmind e que
experiências ou que backgrounds musicais traz cada um dos membros para o som da
banda?
O nosso projeto tem um combustível que é comum a todos
nós, o gosto por história e mitologia. Temos influências musicais distintas uns
dos outros, nomeadamente Lamb Of God, Iron Maiden, Moonspell,
Avatar, entre outros. O que contribuiu para juntarmos vários estilos nas
nossas composições e liberdade total na criatividade musical. Todos nós já
tivemos projetos musicais antes de formarmos os Sandmind, todos com
experiências distintas, mas dentro do género rock/metal.
13 Pragas Infernais marca a vossa
estreia em formato de longa duração. Que objetivos tinham em mente quando
começaram a trabalhar neste disco e até que ponto sentem que esses objetivos
foram alcançados?
À medida que fomos progredindo no material original,
tentámos encaminhar o nosso som e visual para algo que fosse diferente e
atrativo, quer em sonoridade, quer no visual como um todo. Ainda temos vários e
cada vez mais. Um dos primeiros objetivos era poder mostrar a nossa música e
partilhar esta paixão com toda a gente.
O álbum apresenta uma
forte componente conceptual centrada no Antigo Egito. O que vos levou a
escolher esta temática e de que forma ela influenciou a composição musical e
lírica do disco?
O Stefano Garrido (vocalista) tem um amplo
conhecimento na matéria do Antigo Egito e, como tema do nosso primeiro
trabalho, achámos que seria um tema muito rico e desafiante!
Há uma clara aposta
numa narrativa histórica ao longo do alinhamento. Foi importante para vocês construírem
um fio condutor entre os temas, quase como um conceito contínuo, ou cada faixa
funciona como uma entidade autónoma dentro desse universo?
Neste trabalho, cada faixa funciona como uma
identidade autónoma dentro do tema do Antigo Egito, passando por factos e
figuras históricas, pragas das Escrituras, monumentos, deuses e até excertos de
rezas.
Musicalmente, o disco
cruza uma base de heavy/groove metal com uma abordagem mais
atmosférica e narrativa. Como foi o processo de definição da vossa identidade
sonora neste primeiro trabalho?
O fato de não nos guiarmos por nenhum estilo musical
em específico foi essencial para encontrarmos equilíbrio entre a mensagem das líricas,
o tema do álbum e o próprio ambiente sonoro de modo a “casar” com o que queríamos
transmitir.
Agora, expliquem uma
coisa. Os dois temas curtos, que aparentemente serviriam como intro e outro,
normalmente aparecem a abrir e a fechar. Aqui surgem após a abertura e
imediatamente antes do fecho. Tem algum significado?
Sim, esses dois temas curtos (Hom-Dai e Maldição)
são introduções às faixas seguintes (Múmia e Tutankamon
respetivamente). Inicialmente, as faixas tinham as intros. Ao terminarmos o
álbum, ficámos com 11 faixas e no Antigo Egito existiram as 10 pragas, o que
inspirou o título do álbum 13 Pragas Infernais. Portanto, tivemos a ideia de “separar” as
intros para termos as 13 faixas e fazer jus ao nome do álbum e à data de
lançamento. 13 faixas, 13 pragas, 13 de abril.
Sendo este o vosso
primeiro álbum, quais foram os maiores desafios que encontraram durante o
processo de composição, gravação e produção?
O maior desafio é encaixar as letras nos instrumentais
e vice-versa. A língua portuguesa tem uma métrica que é muito desafiante e não
é tão arredondada como no inglês. Para além de termos dinamismo entre uma
tendência vocal teatral e o gutural. Toda a captação dos instrumentos foi feita
conforme os recursos e ferramentas à nossa disposição, underground. O Ricardo
Merícias (baixista) fez um ótimo trabalho de laboratório entre captação,
composição e edição dos temas que posteriormente foram masterizados pelo Lex
Thunder (Toxikull), o que foi a cereja no topo do bolo e reflete-se
no nosso trabalho. Todas as artes conceptuais deste trabalho (CD, vinil, t-shirts)
e videoclipes (Astennu e Múmia) foram feitas pelo Filipe
Brandão, incansável, profissional e imensamente criativo, que se desafiou e surpreendeu todos com o seu
trabalho.
O álbum foi editado
pela Firecum Records. Como surgiu essa parceria e de que forma a editora
contribuiu para a concretização e divulgação deste lançamento?
A parceria surgiu em contexto de lazer após uma
atuação nossa num festival em que se abordaram temas desde carros clássicos até
editoras com o Pedro (vocalista de Booby Trap e um dos administradores
da Firecum). Desde esse dia criou-se uma ligação e quando estávamos em
fase de procura de editora, sem compromisso, o Pedro ouviu o nosso trabalho e
embarcou connosco nesta jornada. Entre produção, divulgação e apoio, o Pedro
tem sido incrível.
Sabe-se que já estão a
trabalhar em novo material, com um segundo álbum também conceptual, desta vez
inspirado na Era dos Descobrimentos. O que nos podem revelar sobre essa próxima
fase e de que forma poderá diferir deste primeiro capítulo?
Não conseguimos guardar segredo! Estamos empolgados
com o tema do segundo álbum e ansiosos para poder começar a trabalhar em novos
temas! No próximo projeto tencionamos adaptar o som, mais uma vez, ao tema, à
mensagem e ao ambiente de uma época que imortalizou o povo português.
Já tiveram oportunidade
de apresentar alguns temas ao vivo. Como tem sido a reação do público a este
universo conceptual e à vossa abordagem em palco?
Estamos de peito cheio com as boas críticas e boa
receção de todo o público em geral dentro do género e marcamos pela diferença
tanto no tema abordado como no som e visual apresentados ao vivo, o que, com a
presença em palco do nosso frontman, agarra o público e faz o público
cantar connosco.
Existe a intenção de
levar 13 Pragas Infernais para a estrada. Há planos concretos para
uma tour ou concertos de promoção do álbum nos próximos meses?
Claro que sim! Mas para já estamos a trabalhar num
concerto de apresentação do nosso álbum na nossa zona (São Pedro do Sul, Viseu)
em que vamos tocar todos os temas deste primeiro álbum, assim como temas que
nunca foram tocados ao vivo!!
Olhando para o futuro,
onde gostariam de ver os Sandmind nos próximos anos, tanto em termos de
evolução musical como de presença na cena nacional e internacional?
Acho que concordamos todos que a nossa evolução
musical é algo que é constante no grupo; aprendemos sempre mais e não só sobre música.
Em termos de presença no panorama internacional, é algo um pouco mais distante,
pois queremos ser como as nossas emoções, de dentro para fora, de Portugal para
o mundo!
Para terminar, querem
deixar uma mensagem aos leitores e ouvintes que estão agora a descobrir os
Sandmind através de 13 Pragas Infernais?
Primeiro estranha-se, depois entranha-se! Convidamos toda a gente amante do metal nacional e internacional a deixar-se levar pelo tema e pela sonoridade deste trabalho e a sentir um pouco da nossa paixão pela música.




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