Entrevista: Toxikull

 

Com um percurso cada vez mais sólido dentro do heavy metal nacional, os Toxikull regressam com Turbulence, um álbum que reforça a identidade da banda e evidencia uma abordagem mais madura, intensa e ambiciosa. E marcando, desta forma, mais um passo importante na afirmação do grupo português. Voltamos a conversar com Lex Thunder, agora sobre este novo registo, não esquecendo a evolução da banda ao longo dos anos e os desafios deste novo ciclo.

 

Olá, Lex, mais uma vez, obrigado pela tua disponibilidade! Para quem possa ainda não estar totalmente familiarizado com os Toxikull, como apresentarias a banda neste momento da vossa carreira, à luz do lançamento de Turbulence?

Somos uma banda de heavy metal clássico com ambição de arenas, com muito rock ’n’ roll e atitude. Sempre tivemos essa base, mas agora está mais focada e mais clara. Turbulence mostra bem onde estamos. Uma banda mais forte, mais confiante e com vontade de ir mais longe.

 

Turbulence surge após um percurso consistente e cada vez mais afirmado. Sentem que este é o álbum que melhor define a identidade dos Toxikull até agora?

Acho que é o disco que melhor mostra aquilo que somos neste momento. Um culminar de vários anos de experiência, crescimento e sintonia uns entre uns outros, tanto a nível musical como de atitude.

 

Há uma clara sensação de evolução contínua no vosso som, sem nunca perder a raiz no heavy/speed metal clássico. Como descrevem esse processo de crescimento ao longo dos álbuns?

Não pensamos muito nisso. Nunca houve um plano de “vamos evoluir assim ou assado”. As coisas vão acontecendo e vamos fazendo a música que simplesmente nos faz sentido e que acima de tudo gostamos. A base está lá desde o início heavy e speed metal e isso não muda. O que muda é a forma como sentimos e escrevemos a música. Com o tempo vais percebendo melhor o que queres fazer e como queres soar.

 

O novo álbum demonstra uma maturidade evidente na composição. Essa evolução foi algo consciente durante o processo criativo ou surgiu de forma natural?

Foi natural. Acho que tem a ver com o tempo que já levamos a fazer isto e com a ligação que eu e o Michael temos a compor juntos. Já nos entendemos muito bem nesse processo. As músicas acabam por sair mais sólidas, mais diretas, sem grandes complicações.

 

O disco apresenta uma forte componente conceptual. Podes aprofundar os temas centrais de Turbulence e a narrativa que o atravessa?

Não diria que é um disco conceptual. São músicas diferentes, mas que acabam por estar ligadas por um certo estado de espírito. Muito disso vem de experiências pessoais que prefiro não explicar diretamente, mas que acabam por sair na música de forma mais disfarçada. Turbulence é isso: momentos em que sentes que não tens controlo, em que as coisas começam a apertar. Há tensão, há claustrofobia, há instabilidade… mas também há resistência e aceitação. Creio que a sonoridade do disco conseguiu captar isso.

 

Ainda dentro desse universo conceptual, recentemente partilharam nas redes sociais o conceito de Dragon Magic. Que papel desempenha essa ideia no imaginário da banda e na construção deste ciclo?

Dragon Magic vem da imagem da bandeira da antiga Lusitânia. Mas mais do que isso, é uma metáfora. A ideia de um “sangue de dragão” a correr nas veias, algo instintivo, indomável. Uma força que está lá, mesmo quando parece adormecida, e que aparece quando tens de te impor ou reagir. Tem muito a ver com resistência, com cair e voltar a levantar.

 

Musicalmente, nota-se uma abordagem talvez mais “americanizada”. Foi uma intenção deliberada ou uma consequência das vossas influências?

Não concordo, como fã e ouvinte de US metal, creio que, por exemplo, o Cursed And Punished tem muito mais abordagens americanizadas. Na minha opinião, este disco até mais muito mais de melodia europeia, agora claro, isto é tudo muito subjetivo do universo em que a pessoa se move e ouve, já tivemos fãs a dizer que somos uma banda de power metal (risos).

 

A entrada do novo baixista Infernando marca uma nova fase na banda. O que trouxe ele de diferente à dinâmica interna e ao processo criativo?

Trouxe estabilidade e profissionalismo. É um grande músico e percebe bem o que queremos para a banda. Encaixou logo e isso ajudou a equilibrar muito as coisas.

 

A produção de Jamie Gomez Arellano trouxe um corte mais incisivo e poderoso ao som. Como foi trabalhar com alguém com um currículo tão vasto dentro do metal?

Foi uma grande experiência em que aprendemos muito. O Jaime é muito detalhado, pensa em tudo ao pormenor. Ao mesmo tempo, tivemos só uma semana para gravar o disco, o que trouxe uma pressão grande, que se acabou por tornar num grande disco de rock'n' roll, posso dizer que a voz e as guitarras foram quase tudo ao primeiro take. Acabou por ser uma mistura entre controlo e instinto, e acho que isso se sente no som.

 

O álbum parece ter sido pensado com uma energia muito arena-ready. Quando compõem, já imaginam essas músicas a serem vividas em contexto ao vivo?

Não é algo que pensemos diretamente, mas está sempre lá, tem a ver com o nosso ADN. Somos uma banda muito virada para o ao vivo, por isso quando uma música tem impacto, sabemos logo que vai funcionar em palco.

 

E com a reputação que têm vindo a construir ao vivo, há planos para uma tour de apresentação? Podemos esperar ver-vos em força dentro e fora de Portugal?

Sim, vamos fazer concertos de apresentação em Portugal e depois seguir para uma tour europeia que já foi há muito anunciada. É isso que queremos, tocar o máximo possível e levar o disco às pessoas.

 

Olhando para o percurso desde 2016, sentem que os Toxikull estão hoje mais próximos de forjar o futuro do heavy metal tradicional, como sugerem neste lançamento?

Estamos mais próximos de fazer aquilo que queremos, isso de certeza. Se vamos forjar o futuro, não sei, porque há mesmo muitas bandas a tocar este género, talvez forjar o futuro do tradicional em Portugal, sim, do resto somos apenas uma gota de água no meio de um oceano. O importante é continuarmos a tocar músicas de que gostamos e se isso ajuda a manter o heavy metal vivo e a levá-lo mais longe, melhor ainda. Mas o foco é mesmo continuar a crescer e a chegar a mais gente.

 

Para terminar, que mensagem gostariam de deixar a quem vai agora mergulhar em Turbulence pela primeira vez?

Que ouçam o disco como ele é. Tudo vem de sítios reais, mesmo que não esteja tudo explicado de forma direta. Tudo tem um significado, ouçam e identifiquem-se. E venham ver-nos ao vivo porque é aí que isto faz mesmo sentido. 

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