Reviews VN2000: THE DEAD DAISIES; PORTAL; VILEDÖG; V/A; PRIMAL WARFARE

 


Live Plues Five (THE DEAD DAISIES)

(2026, Steamhammer/OPEN)

Live Plus Five capta os The Dead Daisies no seu habitat natural: o palco. Gravado a partir de uma atuação arrebatadora no Stonedead Festival, no Reino Unido, o álbum funciona como um retrato cru e direto da energia sem filtros da banda, fiel a um hard rock musculado, clássico e despido de artifícios. Desde os primeiros acordes que se sente a intensidade de um concerto vivido ao limite, com John Corabi a liderar com carisma, enquanto Doug Aldrich e David Lowy cruzam riffs e solos incendiários. Para além do registo ao vivo, este lançamento ganha outra dimensão com a inclusão de cinco temas extra, captados em diferentes palcos europeus e norte-americanos. Essa expansão geográfica reforça a consistência da banda em contexto ao vivo, revelando uma máquina bem oleada que se alimenta da resposta do público. No seu todo, Live Plus Five afirma-se como um testemunho vibrante da vitalidade do rock tradicional, onde a entrega, a atitude e a comunhão com os fãs continuam a ser o verdadeiro combustível. [83%]



Old World Order (PORTAL)

(2026, Independente)

O projeto Portal, criado por Razar King (Raddar), encaixa naquele estilo de bandas que nascem como extensão de um estado de espírito. Old World Order (2026), editado de forma independente, mergulha num doom despido de artifícios, assente numa lógica de repetição e densidade que privilegia a atmosfera. É na faixa-título que o registo encontra maior equilíbrio, assentando num trabalho rítmico sólido, com riffs arrastados que respiram dentro da cadência doom, criando uma envolvência mais conseguida e coerente com a estética proposta. Aqui, como em todo o álbum, as ideias estão lá, mas a execução revela fragilidades: a voz raramente acompanha a profundidade instrumental, diluindo parte do impacto que o tema poderia alcançar. Ainda assim, percebe-se uma tentativa de construção emocional que vai além do imediato. Ou seja, no conjunto, o álbum move-se entre boas intenções e limitações evidentes. Falta-lhe consistência sobretudo ao nível vocal para que o peso emocional se imponha de forma plena. Ainda assim, há aqui matéria-prima interessante, num disco que sugere mais do que concretiza. [63%]



Appetites (VILEDÖG)

(2026, Mosher Records)

Com apenas quatro temas, Appetites apresenta os Viledög como uma das mais promissoras revelações nacionais dentro do thrash metal. Neste EP de estreia nota-se uma clara devoção ao legado clássico de Metallica, sobretudo na construção dos riffs, no trabalho rítmico ou na forma como Remains abre de modo mais contido antes de explodir. Mas os ecos crossover à Nuclear Assault também se fazem sentir, quer nos coros e naquela energia de rua gang chant, como no baixo pulsante que transforma cada refrão num convite imediato ao moshpit. O EP vive permanentemente em alta rotação, sem tempos mortos nem concessões, debitando riffs cortantes, andamento frenético e uma atitude que transpira essa irreverência old school. Aliás, a própria banda define-se como uma fusão entre heavy, groove e thrash metal, o que acaba por encaixar na perfeição perante a intensidade demonstrada. Mais importante: Appetites é uma estreia que revela personalidade, competência e uma fome enorme de conquistar terreno. Se isto é apenas o começo, então que o longa-duração chegue depressa, porque os Viledög parecem ter tudo para deixar marca séria no underground nacional. [90%]



Twenty And Three (V/A)

(2026, Ethereal Sound Works)

A Ethereal Sound Works assinala mais um capítulo da sua atividade editorial com Twenty And Three, uma compilação que funciona como retrospetiva e montra da diversidade artística que tem passado pela editora ao longo dos anos. Reunindo nomes ligados a diferentes fases do catálogo entre 2023 e 2025, o lançamento percorre um vasto leque estilístico que vai do dark ambient de Forsaken Art ao prog rock de Soundscapism Inc., passando pelo gothic rock de Drknss e Askashic & Friends, pelo doom metal de Malignea e Insaniae ou ainda pelo death metal de My Enchantment e Necro Algorithm. A coletânea integra temas retirados de álbuns, EPs e singles, como o caso dos Usoutros, refletindo a abrangência estética da editora e a sua aposta contínua em sonoridades alternativas e atmosféricas. Há também espaço para abordagens mais identitárias, como o fado metal de Paula Teles, reforçando a ideia de uma compilação pensada não apenas como arquivo, mas como documento representativo da identidade artística da Ethereal Sound Works. [84%]



After The Flames (PRIMAL WARFARE)

(2026, Firecum Records)

Oriundos da margem sul lisboeta e ativos desde 2020, os Primal Warfare apresentam-se sem medos com After The Flames, um EP de estreia que revela uma banda surpreendentemente madura, capaz de equilibrar o thrash clássico mais cortante com uma abordagem moderna, musculada e cheia de groove. Ao longo de cerca de vinte minutos sem concessões nem tréguas, o quinteto despeja riffs serrilhados, mudanças rítmicas explosivas e um espetacular trabalho rítmico que nunca sacrifica a clareza das composições. Há velocidade, agressividade e tensão, mas também uma forte aposta nas linhas melódicas, capazes de dar identidade própria a temas como Echoes From Hell ou Panic Attack. O resultado é um thrash muito bem desenhado, onde a precisão, agressividade e emoção se complementam. Mais importante ainda: estes cinco temas deixam água na boca. After The Flames soa como a confirmação de que os Primal Warfare têm argumentos para rapidamente subir de divisão no underground nacional. E, claro, ficamos à espera de algo mais substancial, porque After The Flames é demasiadamente curto… [87%]

Comentários

DISCO DA SEMANA VN2000 #20/2026: Vaketimen (EVIG NATT) (Wormholedeath Records)

GRUPO DO MÊS VN2000 #05/2026: BELA NOIA (Independente)

MÚSICA DA SEMANA VN2000 #21/2026: Safe And Sound (DYCREST) (Art Gates Records)