Antes de Dark Dimension, os
Crimson Day já tinham deixado claro que não pretendiam ficar presos às
convenções do heavy metal melódico. Agora, três anos depois do álbum
homónimo, regressam com um trabalho que consideram o mais ambicioso da sua
carreira, assinalando também o início da colaboração com a Wormholedeath
Records e apresentando uma formação renovada com a entrada do baterista Janne
Ollikainen. A propósito de Dark Dimension, estivemos à conversa com a
banda finlandesa para descobrir o que mudou desde o último disco e perceber os
próximos passos de uma banda que continua determinada em expandir os seus
próprios horizontes.
Olá e bem-vindos ao Via
Nocturna 2000. Em primeiro lugar, obrigado por dedicarem o vosso tempo para
falar connosco. Para os leitores que possam estar a descobrir os Crimson Day
pela primeira vez, como apresentariam a banda e o que representa o lançamento
do vosso quarto álbum de estúdio, Dark Dimension, nesta fase da vossa
trajetória?
Os Crimson Day são uma banda de heavy metal
melódico da Finlândia e temos vindo a agitar os palcos desde 2013. A banda
começou com um heavy metal mais tradicional e, após algumas mudanças na
formação e com o passar do tempo, evoluiu para uma direção mais moderna e
melódica. Dark Dimension representa o capítulo mais dinâmico e ambicioso
da história da banda e estamos muito felizes com o resultado final deste álbum.
Em Dark Dimension podem ouvir coisas que nunca tinham sido ouvidas da
nossa parte antes.
Dark Dimension chega três anos depois
do vosso álbum homónimo. Olhando para trás, para esse período, quais foram os
desenvolvimentos mais importantes que moldaram este novo disco?
Passámos mesmo muito tempo juntos a arranjar as
canções para o novo álbum. Cada membro contribuiu mais para o som e a produção
do álbum, o que também fez com que as canções fossem mais diversificadas e nos
deu mais coragem para experimentar coisas novas. Além disso, o baterista mudou
para este álbum, e o Janne Ollikainen está a arrasar na bateria. Esforçámo-nos muito mais na produção do álbum
e achamos que se consegue realmente ouvir a diferença entre os álbuns Dark
Dimension e Crimson Day.
(Além disso, o nosso compositor principal, o Ari, trocou o Captain
Morgain pelo Bacardi!)
O álbum foi lançado
pela Wormholedeath Records. Como é que esta parceria surgiu e o que vos
convenceu de que a Wormholedeath era o lar certo para os Crimson Day nesta fase
da vossa carreira?
Contactámos várias editoras discográficas e recebemos
algumas propostas. Após uma reflexão profunda, a WormHoleDeath
pareceu-nos uma escolha realmente boa, uma vez que se concentra mais na
promoção e distribuição, já que nós já tínhamos o álbum concluído. Também
perguntámos por aí e ninguém tinha nada de negativo a dizer sobre eles. (Além
disso, o elenco da Nuclear Blast estava completo!)
Este álbum pode ser
descrito como o vosso trabalho mais ambicioso e envolvente até à data. De que
forma acham que a banda elevou a fasquia em comparação com o álbum anterior?
As composições deram um grande passo em frente. O
estilo de execução do novo baterista influenciou a forma como o nosso
compositor, Ari, conseguiu criar ritmos mais diversificados e complexos para as
canções. Além disso, investimos bastante na produção e contámos com um
engenheiro de masterização muito famoso, o Svante Forbäck, que já
masterizou álbuns, por exemplo, dos Rammstein. O vocalista (e outros)
também tiveram mais coragem para explorar novos sons e expandir ainda mais o
registo vocal.
Musicalmente, Dark Dimension
equilibra a acessibilidade melódica com momentos mais pesados e sombrios. Como
é que abordaram a manutenção desse equilíbrio?
Quando compomos, não pensamos muito nisso.
Simplesmente gostamos de experimentar coisas diferentes e, se uma melodia pop
e um blast beat se encaixarem, transformamos isso numa canção. Os Crimson
Day não se enquadram num género específico, mas temos a nossa estética
sombria à qual não renunciamos e gostamos de pensar que isso torna especial o
som da banda.
O álbum apresenta
refrões imponentes, um trabalho de guitarra intricado e uma atmosfera
cinematográfica. Houve alguma influência musical ou inspiração em particular
que tenha orientado o processo de composição desta vez?
O nosso principal compositor, o Ari, gosta de citar Zakk
Wylde, Gary Moore, Judas Priest e Megadeth como fontes
de inspiração. Todos os membros ouvem diferentes estilos de rock e metal
e acham que também conseguem perceber influências de Stratovarius, Amorphis
e até mesmo algum Nightwish, se prestarem atenção às partes orquestrais.
Têm vindo a trabalhar
com o Jussi Kulomaa há já vários anos, enquanto a masterização ficou a cargo do
renomado Svante Forsbäck. De que forma estas colaborações contribuíram para o
som final do álbum?
O Jussi Kulomaa é alguém em quem confiamos há
muito tempo no processo de gravação e mistura, e é sempre ótimo trabalhar com
ele. A nossa vocalista, Milka, gosta especialmente de gravar as vozes com ele,
uma vez que é um verdadeiro mago das harmonias vocais. Desta vez, adotámos uma
abordagem ainda mais moderna à mistura, em comparação com o álbum anterior.
Quanto à masterização, ouvimos comentários muito positivos sobre o Svante
Forsbäck e, assim que vimos o seu currículo, ficámos muito entusiasmados
por trabalhar com ele; o resultado é o nosso melhor álbum até à data.
Nos últimos anos,
surpreenderam os fãs com covers de canções dos Led Zeppelin, da
Bonnie Tyler e até da Shakira. Essas experiências encorajaram-vos a pensar de
forma diferente sobre os arranjos e as fronteiras entre géneros ao compor
material original?
Essa é uma pergunta mesmo boa! Achamos que isso não
influenciou as canções em si nem o processo de composição, mas sem dúvida
deu-nos a ideia de que podemos fazer qualquer coisa e que até conseguimos fazer
com que a Shakira soe como os Crimson Day, se quisermos!
Tendo dado mais de uma
centena de concertos pela Finlândia e pela Europa, como acham que a experiência
ao vivo moldou a química e a confiança da banda?
O Ari diz que um concerto equivale a dez ensaios. Por
isso, claro, quanto mais concertos ao vivo se fazem, melhor se toca em conjunto
e também se ganha alguma rotina nos concertos. Hoje em dia, os Crimson Day
são uma banda confiante ao vivo e achamos que isso se deve aos cem concertos
que fizemos. Além disso, estar em digressão mostra rapidamente quem está à
altura e quem não está, e, neste momento, temos os melhores músicos na banda.
Com o álbum já lançado,
há planos para concertos ou participações em festivais?
Vamos dar alguns concertos na Finlândia e estamos a
trabalhar para dar mais concertos também no estrangeiro. Ficamos felizes em
receber sugestões sobre onde as pessoas gostariam de nos ver tocar!
Muito obrigado pelo
vosso tempo e por partilharem estas reflexões connosco. Gostariam de deixar uma
mensagem final para os vossos fãs e para os leitores da Via Nocturna 2000?
Obrigado a todos por nos apoiarem, por ouvirem e
partilharem a nossa música! Continuem a ir aos concertos ao vivo e a apoiar a
vossa cena musical de metal local! Podem encontrar as últimas notícias
da banda nas nossas redes sociais; por isso, se gostam da nossa música,
sigam-nos! Stay heavy, pessoal!



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