Entrevista: Northborn

 




Antes de entrarem em cena com o álbum de estreia homónimo, os Northborn já tinham uma ideia muito clara da identidade que pretendiam construir, partindo das raízes do death metal melódico escandinavo, com especial inspiração na vaga finlandesa do início dos anos 2000. Com a curiosidade de utilizar composições que não encaixavam nos Havamal, o resultado é uma estreia que combina peso, ambição narrativa e uma vontade assumida de criar um imaginário próprio, assente em histórias ancestrais. Nesta conversa, percebeu-se que o coletivo sueco encara este primeiro álbum como o ponto de partida para uma jornada de longo alcance.

 

Antes de mais, sejam bem-vindos a Via Nocturna. Para os leitores que estão a descobrir os Northborn pela primeira vez, como apresentariam a banda e a visão musical por detrás dela?

Obrigado por terem dedicado o vosso tempo para esta entrevista! Diríamos que os Northborn são uma viagem musical pelo death metal melódico, metal escandinavo e temas mitológicos globais, mas essa não seria toda a verdade. A banda mistura géneros para criar uma imersão em cada música, dependendo do tema abordado. Vai desde melodias clássicas e gélidas do death metal melódico finlandês dos anos 2000 até histórias de fantasmas japonesas, passando por hinos folclóricos celtas. O conceito é escrever sobre contos mitológicos de todo o mundo, mantendo a nossa herança e a cena sueca como essência.

 

Northborn é o álbum de estreia da banda. Olhando para trás, para o percurso da banda até ao momento, quais foram os maiores desafios e aprendizagens que vos levaram a este importante marco?

Foi uma viagem, mas não podemos dizer que tenha sido assim tão difícil. O mais difícil foi encontrar um baterista adequado, mas acertámos em cheio com o Felix. Considerando as nossas experiências, diríamos que o processo de criação de um álbum é basicamente todo feito por nós próprios. Um trabalho enorme nos bastidores, onde todos os pequenos detalhes contam.

 

Podem falar-nos sobre as origens dos Northborn? Quando é que as primeiras ideias para este álbum começaram a ganhar forma e qual foi a faísca que levou à sua criação?

Björn teve a ideia dos Northborn quando estava num momento de inspiração para compor para a sua outra banda, os Havamal. Muitas ideias não se encaixavam na banda, mas soavam muito bem mesmo numa fase inicial de demo, por isso procurou músicos na sua jornada para criar um projeto de paixão que mais tarde se tornaria os Northborn. E que talento encontrou em todos eles!

 

Os Northborn contam com músicos de diferentes origens e experiências. De que forma a química entre os membros contribuiu para moldar o som e a identidade da banda?

Essa é a beleza da coisa. A diferença é o que dá o som característico dos Northborn e o ajuda a destacar-se. Björn compõe as ideias centrais, mas todos os membros dos Northborn são necessários para criar o produto final em toda a sua glória épica e sombria. E ajuda o facto de os membros terem uma sintonia natural entre si. Não há quezílias ou disputas por prestígio, apenas amigos que querem criar o melhor death metal melódico possível.

 

Como vimos, o vosso som combina as tradições do death metal melódico do início da cena finlandesa com uma abordagem mais moderna e sinfónica. O que vos atraiu neste equilíbrio específico entre agressividade, melodia e atmosfera?

Inicialmente, quando Björn começou os Northborn, a sua experiência levou-o aos sons de hoje. Bandas como Children Of Bodom, Norther, Ensiferum, Kalmah e Wintersun foram grandes inspirações para o desenvolvimento do equilíbrio musical que perpassa as músicas. Com tudo isto como base, os Northborn estão prontos para esculpir um som único nos corredores da história do death metal melódico.

 

Como funciona o processo de composição nos Northborn? As músicas começam geralmente com riffs de guitarra, arranjos de teclado ou conceitos líricos, ou cada faixa nasce de forma diferente?

Isso depende do mood e do processo criativo. Geralmente começa com uma ideia melódica ou um tema mitológico, e este orienta todo o processo. Por vezes podemos voltar atrás e ver se ideias diferentes se encaixam melhor do que a inicial, claro. A música só está pronta quando está pronta. Esforçamo-nos sempre para criar a melhor música finalizada possível a partir de uma ideia central.

 

A mitologia, as lendas e as narrativas desempenham um papel central na música dos Northborn. O que mais vos fascina nestes temas? Qual a sua importância na definição da identidade artística da banda?

As mitologias de todo o mundo são ricas, variadas e muitas vezes épicas. Dão vida ao desconhecido e ao impossível. E como diferentes culturas têm diferentes heranças musicais, as histórias também se encaixam para criar um todo avassalador que capta a imaginação dos ouvintes. A mitologia é variada, tem raízes profundas e encaixa-se perfeitamente para criar música.

 

Embora os temas nórdicos estejam naturalmente presentes em todo o álbum, canções como Yokai Of The Lake inspiram-se no folclore muito para além da Escandinávia. O que vos motivou a explorar histórias e tradições de diferentes partes do mundo?

Estamos bem cientes da nossa própria herança mitológica e de nossas histórias, mas o mais interessante sobre a mitologia é que o mundo tem uma infinidade de histórias para contar e explorar. O folclore sueco é apenas uma das milhares de bibliotecas de conhecimento a explorar, e muitas são incrivelmente detalhadas e complexas. Quanto ao folclore japonês, sempre houve um fascínio por parte de Björn em explorar a paisagem sombria e rica que moldou os mitos japoneses. Mas, como referido, não nos estamos a limitar ao Japão. Mais mitologias serão envolvidas no futuro.

 

Vêem os Northborn como uma banda que funciona como um veículo para explorar a mitologia e o folclore a uma escala mais global?

Sim, com certeza. Como referido na questão anterior, queremos explorar o máximo possível de mitologias de todo o mundo. Uma vez que a cultura musical caminha lado a lado com as mitologias culturais, parece natural entrelaçar os dois elementos com o nosso toque Northborniano.

 

O título do álbum traz simplesmente o nome da banda. Porque é que decidiram que o álbum de estreia seria homónimo? Foi uma declaração definitiva de quem são os Northborn neste momento?

Escolhemos o nome do álbum porque representa o nascimento da banda. É o nosso álbum de estreia, por isso, naturalmente, nascemos. Planeamos dar nomes aos álbuns futuros, claro, mas este foi tanto uma representação do nosso nascimento como banda como uma declaração de quem somos.

 

Com o álbum já lançado, há planos para levar estas músicas para o palco? Como imaginam traduzir os elementos sinfónicos e atmosféricos dos Northborn num concerto ao vivo?

Já fizemos alguns espetáculos com críticas estrondosas do público e dos donos das salas de espetáculo, por isso sabemos que o conceito funciona. Planeamos expandir a experiência ao vivo e a coreografia no futuro, à medida que os palcos e o orçamento aumentarem, mas por enquanto temos um espetáculo ao vivo sólido, igualmente divertido e épico. A experiência do público significa tudo para nós, e queremos dar-lhe a mesma sensação de vida que temos ao criar as intenções centrais da nossa música.

 

Finalmente, obrigado pelo vosso tempo. Há mais alguma coisa que gostassem de partilhar com os nossos leitores? E quais são as ambições dos Northborn para os próximos meses e anos?

Obrigado, mais uma vez, por nos receberem e por terem dedicado o vosso tempo a esta entrevista. Motherfrosters! Nos próximos meses, a nossa escuridão musical vai espalhar-se pelos palcos da Suécia, por isso preparem-se para a tempestade que se avizinha. E, a seu tempo, o resto do mundo conhecerá a malevolência gélida que são os Northborn. Mantenham-se gelados!

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