Godslave (GODSLAVE)
Metalville Records/Flying Dolphin Entertainment
Lançamento: 11/setembro/2026
Chamar Godslave
ao sétimo álbum de uma banda não é propriamente uma decisão que se tome por
falta de ideias para um título. É uma afirmação de autonomia, de autenticidade
e de maturidade. Depois de mais de quinze anos de carreira, de seis discos e de
uma história que chegou a estar perto do fim, os alemães Godslave
parecem ter chegado ao momento em que já não precisam de procurar um nome para
aquilo que fazem. Cinco anos depois de Positive Aggressive, o regresso
ganha assim uma dimensão nova. E Reset, Rebuild, Reclaim dificilmente
poderia ser mais adequado para o abrir: três verbos, três etapas, um manifesto
comprimido numa faixa forte, rápida e concisa, onde a maquinaria thrash
não impede as guitarras de introduzirem desde logo a sua componente melódica. A
partir daí, os Godslave recusam-se a ficar quietos. O thrash
continua a ser a casa, mas já não são obrigados a permanecer dentro dela. Como,
aliás, nunca foram! E é justamente quando saem dessas paredes que as guitarras
mostram até onde podem levar a banda. Há uma riqueza melódica sistematicamente
presente nas composições e solos limpos, envolventes, capazes de suspender por
momentos a brutalidade. E há torrentes de técnica a infiltrar-se através das
progressões rítmicas. The Road Not Taken até pode piscar o olho a
territórios que os Metallica já exploraram, mas a guitarra que permanece
em segundo plano acrescenta uma segunda voz que lhe dá outra espessura. The
Sum Of All Wounds confirma, em versão instrumental, que nada aqui está
colocado por acaso. E Repaid In Kind, com o seu misterioso sample
inicial, encontra um equilíbrio particularmente feliz entre groove,
poder, harmonia e melodia. Também há velocidade, muita velocidade, mas também
novas direções: Square One aproxima-se do groove metal através de
riffs mais modernos, enquanto Let The Fire Come ergue paredes de
som de sabor death metal sem abdicar das harmonias das duas guitarras. Finalmente,
quando chega The Fire That Calls Me, com mais de sete minutos, guitarra
acústica a abrir e fechar e a convidada Laura Guldemond a emprestar uma prestação
vocal de excelência, o álbum já passou pelo thrash, pelo groove e
pelo death metal e ainda encontra espaço para flirtar com o power
metal. E percebe-se até onde os Godslave estão dispostos a levar a
sua identidade, mostrando-se uma banda suficientemente segura para experimentar
e criar a sua própria assinatura. [88%]
Highlights
A Future In Motion, The Sum Of All Wounds, The Road Not Taken, The Fire
That Calls Me, Repaid In Kind
1. Reset, Rebuild, Reclaim
2. A Future In Motion
3. Repaid In Kind
4. Part Of The Pack
5. Square One
6. The Road Not Taken
7. And Yet I Stand
8. Let The Fire Come
9. The Sum Of All Wounds
10. The Fire That Calls Me
Line-up
Thommy – vocais
Bernie
– guitarras
Manni
– guitarras
Mika
– baixo
Tobi
– bateria
Convidada
Laura
Guldemond – vocais (10)
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