Review: Mai$ uma Mo€dinha… Mai$ uma Voltinha! (ZURRAPA)

 


Mai$ uma Mo€dinha… Mai$ uma Voltinha! (ZURRAPA)

Independente

Lançamento: 26/setembro/2026

 

O carrossel dos Zurrapa está a girar cada vez melhor. Ao sétimo álbum, continuam sem qualquer intenção de serem bonitos, simpáticos ou socialmente recomendáveis, mas aprenderam a espetar o dedo na ferida com maior precisão. A provocação permanece; a brejeirice, sem desaparecer, deixou de ser o argumento principal. Mai$ Uma Mo€dinha… Mai$ Uma Voltinha! é, por isso, provavelmente um dos seus melhores trabalhos. Em cerca de 31 minutos, as letras mostram-se mais cuidadas e a música surpreendentemente mais rica. Os seis primeiros temas constituem uma sequência demolidora, facilmente enquadrável entre o melhor punk nacional recente, onde riffs simples e tremendamente eficazes encontram uma secção rítmica musculada e melodias feitas para sobreviver ao mosh. Encostado à Parede, Rosalina Metaleira, Vampiro Português ou Somos o Vosso Pior Pesadelo não irão pedir propriamente silêncio e estaticismo à plateia. Mas neste registo há mais do que aceleração e três acordes bem apontados. A abertura com Os Cães Pisteiros Detectaram Odor a Cadáver Humano é trabalhada com inesperado detalhe; Paulo Paulinha brinca com padrões rítmicos diferentes, e Ser Zurrapeiro, com um baixo particularmente presente, deixa até escapar qualquer coisa da música tradicional. A segunda voz em Beber Até Cair acrescenta outra pequena variação a uma fórmula que sabe manter-se simples sem se repetir. E ninguém está propriamente a salvo. Maddie, Martim Moniz, André Ventura, ministros e deputados ou mudanças de sexo entram numa sucessão de provocações, histórias e declarações de princípios onde Rosalina Metaleira, Somos o Vosso Pior Pesadelo e Ser Zurrapeiro ajudam também a definir aquilo que significa ser Zurrapa. Depois de tanta pancadaria, a banda despede-se com requinte: Ode Triunfal ao Bagaço em Dias de Sol (Fuga em Ré Bemol) promete uma epopeia e entrega uma simples nota de piano. Escassos segundos. Talvez a melhor piada de sempre para fechar um disco que chega pela primeira vez em quase dez anos de carreira, em vinil. E, como se percebe, a valer mesmo várias moedinhas! [89%]

 

Highlights

Encostados à Parede, Rosalina Metaleira, Vampiro Português, Somos o Vosso Pior Pesadelo, Paulo Paulinha, Ser Zurrapeiro, Beber Até Cair

 

Tracklist

1.      Os Cães Pisteiros Detectaram Odor a Cadáver Humano

2.      Encostado à Parede

3.      Rosalina Metaleira

4.      Vampiro Português

5.      Somos o Vosso Pior Pesadelo

6.      Paulo Paulinha

7.      Que Fiz Eu (P’ra Merecer Isto)

8.      Ser Zurrapeiro

9.      Hoje é P’ra Partir

10.  Beber Até Cair

11.  Eu Só Queria Ver a Assembleia a Arder

12.  Ode Triunfal Ao Bagaço Em Dias de Sol (Fuga em Ré Bemol)

 

Line-up

António Fonseca — vocais, guitarras

Nuno Mendonça — baixo

Pedro Sales — bateria

 

Convidados

Hugo “Mosgo” Rebelo – vocais (4)

Hugo Conin – guitarras (2)

Paulo “Seca Adegas” – piano (12)

 

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