Reviews VN2000: PINK PUSSYCATS FROM HELL; CLIVE NOLAN; PILEDRIVER; SWEET

 



Hellectricless (PINK PUSSYCATS FROM HELL)

(Raging Planet)

[19/outubro/2026]

Em Hellectricless, os lisboetas Pink Pussycats From Hell revisitam o seu repertório em formato acústico, trocando a descarga elétrica por outras formas de alimentar a fogueira. O garage rock e o rock’n’roll continuam lá, agora com vestimentas que, em diversos momentos, os aproximam de um dark country. A mudança permite descobrir outras possibilidades nas canções, com a voz rouca a ganhar relevo num contexto mais despido. Hellpless, Hell e Hellectrolyte estão entre os exemplos mais conseguidos desta transformação, preservando o caráter das composições ao mesmo tempo que lhes alteram o ambiente. De tal forma que Hellena deixa escapar um certo travo a romantismo. Mas esse romantismo acaba contaminado, pois o álbum fecha com uma versão de Tainted Love, tema celebrizado pelos Soft Cell. O interesse do disco reside precisamente nessa oportunidade de ouvir o duo sob outra luz, embora a proposta nem sempre mantenha o mesmo poder de atração. Há momentos em que a nova roupagem intriga mais do que entusiasma. Ainda assim, esta visita acústica ao catálogo, editada pela Raging Planet, tem personalidade suficiente para justificar a entrada. Mesmo com a eletricidade cortada. [76%]





Song Of The Winter Throne – The Saga Of Håkon Håkonsson (CLIVE NOLAN)

(Crime Records/We Låve Records/Oskar Records)

[02/outubro/2026]

Há tronos que pesam mais quando se chega a eles depois de uma obra-prima. Poucos meses após o genial The Mortal Light, Clive Nolan regressa com outra viagem histórica, desta vez à Noruega medieval, acompanhando a vida de Håkon Håkonsson, desde a infância clandestina até à conquista do poder e aos seus últimos dias. Mas o palco mudou. A opera rock dá lugar a uma epopeia musical, onde desaparecem os diálogos e as interações dramáticas, entregando-se a um narrador a responsabilidade de conduzir a história. Entre intervenções narrativas, coros e orquestrações, sucedem-se catorze composições que confirmam o extraordinário talento melódico do britânico. Flight Of The Birkebeiners, The Sword And The Fire ou Frost Upon The Longships ajudam a construir uma narrativa rica em ambientes e emoções. As vozes são magníficas, os arranjos cuidados e a componente sinfónica mantém a habitual elegância. Então, o que falta? Talvez nada. Ou talvez aquela dimensão teatral arrebatadora que transformou The Mortal Light numa experiência tão especial. É uma comparação injusta, reconhecemos, mas inevitável. Afinal, Nolan continua a construir magníficos castelos musicais. Desta vez, porém, o trono parece maior do que o próprio reino. [85%]





Piledriver (PILEDRIVER)

(BobMedia/Rockwall Records)

[17/agosto/2026]

Os Status Quo fizeram escola. Na Alemanha, os Piledriver apareceram com a lição tão bem estudada que depressa começaram a escrever os próprios exercícios. Editado originalmente em 1997, dois anos após a formação da banda, este álbum de estreia, agora reeditado, documenta esse primeiro encontro entre a homenagem e a vontade de criar. Ainda assumidamente um projeto de tributo, o grupo reúne nove versões dos britânicos e três originais num alinhamento que convida a procurar as diferenças. E elas nem sempre são evidentes. Hard Rock Café, Homebound Train e Top Of The Bill convivem com Down Down, Whatever You Want ou Caroline sem precisarem de tratamento de favor. Partilham o balanço, a eficácia e aquela capacidade de pôr um pé a marcar o compasso antes de o cérebro dar autorização. A fidelidade ao som cru dos Quo dos anos 70 orienta o disco, com o entusiasmo da interpretação a alimentar o boogie. A margem para uma identidade autónoma ainda é curta, mas a qualidade dos originais já aponta um caminho. Os mestres ensinaram bem; os pupilos tinham mais para oferecer do que apenas uma boa memória. [90%]





Hi! (PILEDRIVER)

(BobMedia/Fastball Music)

[17/agosto/2026]

Editado originalmente em 2000, Hi! foi o segundo registo dos Piledriver, nascidos como banda de tributo aos Status Quo. Agora recuperado pela Bob Media/Rockwall Records, é a segunda das três reedições que abordaremos e carrega cinco temas de boogie rock’n’roll a 100%, com uma vontade de festa que continua contagiante. A escola dos mestres britânicos sente-se na forma como a repetição alimenta o balanço e as guitarras puxam pelo corpo. Mas os três originais mostram uma banda capaz de transformar essa aprendizagem em canções próprias, com entusiasmo e eficácia suficientes para justificar sucessivas audições. De preferência, bem alto. Blue Eyed Lady, de Hello! (1973), e Wild Side Of Life, lançada pelos Quo como single em 1976, completam o reencontro familiar. Curiosamente, os originais Hi!, Joint Forces e Good Times seriam recuperados em Piles Of Rock. Breve, certeiro e irresistível, vinte e seis anos depois, ainda custa ouvi-lo sentado. E não se esqueçam de o ouvir bem alto. Os vizinhos que aproveitem, pois também lhes faz bem um pouco de boogie. [93%]





Live 2025 (SWEET)

(Metalville Records/Flying Dolphin Entertainment)

[23/outubro/2026]

Mais de meio século depois, os Sweet continuam em grande forma! Em Live 25, Andy Scott e companhia revisitam o seu catálogo com a exuberância de quem sabe que uma melodia pegadiça pode ser tão explosiva como um riff. Captado na digressão de Full Circle no concerto de 5 de abril de 2025 no O2 Shepherd’s Bush Empire, em Londres, o disco encontra no palco o habitat ideal para juntar o brilho do glam, o músculo do hard rock e as habituais e brilhantes harmonias vocais. O alinhamento não se limita a um desfile de êxitos. As incursões pelo recente Full Circle e a recuperação de peças menos habituais, como Lost Angels e Windy City, dão espessura à seleção e evidenciam o lado mais pesado da banda. Claro que temas icónicos como Set Me Free, Fox On The Run e Ballroom Blitz trazem o rastilho pronto a acender, mas é essa convivência entre festa imediata e ambição instrumental que torna interessante esta proposta. Existe a nostalgia que garante o reconhecimento, mas deve ser salientada a substância conferida pela variedade de um repertório que recorda que, por baixo das lantejoulas, os Sweet sempre rockaram a sério. E, 50 anos depois, continuam a fazê-lo com os amplificadores no máximo e sem ideias de reforma! [85%]

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