quinta-feira, 18 de outubro de 2007

Review: Gambling With The Devil (Helloween)



Markus Grosskopf e Michael Weikath são os únicos dois sobreviventes da lendária banda que lançou míticos álbuns como Walls Of Jericho ou as duas partes de Keeper Of The Seven Keys em finais dos anos 80 do século passado. Longe vão, pois, os tempos áureos de uma das bandas mais importantes do speed/power metal. As sucessivas alterações de formação terão estado na origem dos altos e baixos que a carreira dos Helloween tem sofrido ao longo do tempo. Neste seu regresso em 2007, as abóboras parecem querer recuperar o seu estatuto e a sua sonoridade. A tentativa falhada de Keeper Of The Seven Keys-The Legacy ou álbuns pouco convicentes como The Dark Ride ou Pink Bubbles Go Ape ou Master Of The Rings fazem com que os Helloween sejam... o Belenenses da música! E, de facto, um dos grandes mas graças à sua história. Todavia, não parece ainda ser em Gambling With The Devil que os germânicos criam um álbum à altura das exigências dos fãs. Claro que não se pode estar à espera que os Helloween fiquem toda a vida a fazer álbuns como os citados no início da crónica. Já lá vão cerca de 20 anos e muita coisa mudou na música, nos fãs e, obviamente, na própria banda. Mas é precisamente neste ponto que começa por falhar a proposta (ou as últimas propostas) do colectivo: o compromisso entra a velha forma de ser Helloween e a tentativa de introduzir novos elementos não tem resultado. E volta a não resultar, apesar da evidente melhoria em relação ao seu antecessor. Dos onze temas (exclui-se a introdução) de Gambling With The Devil nem metade é digna do legado Helloween. E o álbum nem começa mal: Kill It é um tema forte, gritado, utilizando, pontualmente, vocais sujos criando a ilusão de umas abóboras mais fortes que nunca; de seguida, The Saints poderia perfeitamente estar em Helloween ou Walls Of Jericho pela combinação de velocidade supersónica, longos e técnicos solos e melodia fantástica. Mas, a partir daí surge-nos um rol de banalidades, de temas não mais que interessantes, com excepção de algumas malhas à lá Helloween como Final Fortune, Dreambound ou Heavens Tells No Lies e por solos (aqui sim!) de grande qualidade. De realçar, também, que a qualidade do trabalho é prejudicada por uma produção deficitária onde os vocais estão muito baixo em relação aos restantes instrumentos, perdendo-se alguma compreensão das linhas melódicas vocais. Por outro lado, existe muito ruído impedindo uma boa percepção de todo o trabalho instrumental.


Nota VN: 15,67 (49º)

Sem comentários: