quarta-feira, 23 de Abril de 2014

Entrevista: Miracle Master

Tudo estava bem com os germânicos Pump, de tal forma que até estavam a preparar o seu novo álbum. De repente, o vocalista saiu, e a procura por um novo front man levou os quatro Pump até à Dinamarca e a Oliver Weers. Dessa junção entre alemães e dinamarquês, o resultado musical foi alterado e os Miracle Master nasceram. Afinal, o que era para ser o quarto álbum dos Pump transformou-se de tal forma que acabou por ser o primeiro dos Miracle Master. Michael Vetter (baixista) com uma pequena ajuda de Axel “Aki” Weissmann (guitarrista) explicam tudo em volta deste milagre e falam de Tattoed Woman.

Viva Michael e obrigado pelo teu tempo! Para começar, podes desvendar quem é esta nova entidade Miracle Master?
Os Miracle Master foram formados em janeiro de 2013, logo após os Pump, antiga banda, ter perdido o seu vocalista. Portanto, basicamente, somos nós quatro que já tocávamos juntos há algum tempo e Oliver Weers que se juntou a nós.

Precisamente, Miracle Master tem 4 ex-Pump. Foi a partida do vocalista Markus Jurgens que causou o fim dos Pump?
Não é assim tão linear, é claro que a partida de Marcus foi o evento inicial que causou todas as mudanças, mas não decidimos sair dos Pump naquele momento. Originalmente ainda começamos a gravar o quarto álbum dos Pump, mas finalmente, surgiu uma nova banda, um novo som e, basicamente, uma nova vida musical para todos nós. Estava planeado que Tattooed Woman seria, como mencionei, o quarto álbum dos Pump. Mas depois do disco estar completamente terminado Marcus decidiu deixar a banda. Tínhamos as faixas instrumentais já gravadas e assim Oliver foi forçado a escrever letras e melodias na música já existente, o que ele nunca fez antes. Durante todo o processo ele acabou por reformular totalmente todas as canções. Oliver gravou todos os vocais em Copenhaga e nós faríamos o download dos arquivos para a mistura. Por isso, quando as canções foram concluídas por ele, foi uma surpresa total como a abertura de uma prenda de aniversário. A influência da Oliver no disco é enorme e estamos todos muito satisfeitos com o resultado. Depois de iniciar as gravações, percebemos que o estilo da música mudou dramaticamente e sentimos que era hora de seguir em frente e ter um novo começo. Ouvindo as primeiras gravações com a voz de Oliver foi um momento incrível para todos nós, e sabíamos que isso ia ser algo completamente diferente do passado. A música soava diferente, o espírito da banda é incrivelmente diferente. Então decidimos fazer este corte. Foi Miracle Master desde o primeiro momento, quando Oliver se juntou à banda.

Agora percebe-se porque simplesmente não continuaram apenas mudando de vocalista…
Sim, porque simplesmente não fazia sentido algum para nós. A música é muito diferente, o espírito da banda é incrivelmente diferente. Precisávamos de um corte com o passado para fazer desta uma nova banda com um novo disco. Já era Miracle Master desde o primeiro momento, quando Oliver se juntou à banda - mesmo antes de nós percebemos isso! Por isso, para mim, não é como prosseguir apenas com um novo vocalista, é uma nova banda completa. Mesmo a relação entre os membros que ficaram foi alterada e é muito melhor agora do que costumava ser.

E como descobriram o Oliver?
Um colaborador (callesrockcorner.dk) na Dinamarca é um grande fã dos Pump e também conhecia Oliver Weers. Ele escreveu a Oliver quando ouviu que os Pump estavam à procura de um novo vocalista. Como disse, tínhamos recentemente finalizado o nosso álbum quando o vocalista Marcus decidiu deixar a banda de repente. Nessa altura, Oliver estava cansado de ser um artista a solo com toda a pressão e responsabilidade sobre ele sozinho e estava à procura de uma banda. Nós telefonamos e contactamos via Skype e quando nos encontramos pela primeira vez nasceram os Miracle Master.

A respeito de Tattooed Woman, como descreverias este trabalho?
Acho que o principal ponto é o termos conseguido fazer um disco que é 100% honesto! As grandes habilidades de composição de Aki juntas com a voz única de Oliver são marcantes e fazem com que seja um álbum que ninguém deve perder no campo do metal melódico e rock.

Quais são os aspetos líricos em que mais se concentram neste álbum?
Esta é uma pergunta muito difícil de pedir a um baterista. Estou pouco envolvido na escrita de letras e riffs. A nossa antiga banda Pump foi uma banda de rock focada em diversão, raparigas, bebida e rock n roll. Fomos muitas vezes comparados a bandas de glam, mesmo que nós não nos revíssemos nesse conceito. Com Miracle Master temos letras e composições um pouco mais sérias. As letras de Oliver Weers estão cientes do que acontece no mundo e na sociedade e vão muito mais fundo. Why Religion, por exemplo questiona o ouvinte porque acreditar nas igrejas que tanta dor trouxeram à humanidade. Miracle Masters é sobre o que aconteceu em Wallstreet em 2008, quando apenas um par de empresários impiedosos desencadeou uma crise económica global. Mas de qualquer maneira... Apesar das letras sérias acho que conseguimos envolver essas mensagens em canções muito atraentes. Tattooed Woman, o tema título é a única música um pouco mais festiva. Infelizmente não consegui hoje entrar em contacto com Oliver, mas perguntei ao Aki para descrever as canções do álbum nas suas próprias palavras:
1. Come Alive: riffs pesados e ​​modernos, com uma poderosa voz de Oliver e um grande refrão melódico. Mais influenciada pelo metal atual.
2. Fly Away: mais old-school, dominada pela letra e pela parte de baixo e um refrão bem aberto.
3. Stay With Me: mais melódica, um pouco baseada no AOR. Refrão forte, mais influenciado pela cena de LA.
4. Forgive Yourself: intro com riffs típicos dos anos 80, grande gancho na linha vocal e um refrão wow.
5. Miracle Masters: a música mais rápida do álbum, também na escrita uma vez que foi escrita numa tarde em estúdio, apenas a tocar guitarra e a não pensar em nada.
6. Will To Survive: muito melódica, grande solo de introdução, grande refrão. Influenciado por algumas bandas como Danger Danger e Dokken.
7. Why Religion: uma música que é como uma homenagem a Alice in Chains, com um riff tipo grunge e canto espiritual, grande refrão aberto.
8. Tattooed Woman: um riff simples, com muita movimentação, também criada rápido em estúdio, quando toda a banda estava a improvisar. Oliver fez um ótimo trabalho com os vocais, tem um refrão cativante.
9. Highway To Heaven: Inicia-se com uma guitarra bluesy que se transforma num top ten hit a midtempo cheio de groove. O refrão vai direto para o cérebro.
10. Tear Down The Walls: a música mais lenta do álbum, influenciada um pouco mais por algumas bandas alternativas como Shinedown. Grande abertura no refrão.
11. We All Touch Evil: outro tema 80ies. Grande guitarra limpa e melódica e um forte coro na bridge e refrão.

Quais são as vossas principais influências?
Somos influenciados, principal e naturalmente, pela música com que crescemos. Bandas como Whitesnake, Dio, Skid Row, Kiss, Ozzy, Mötley Crüe e muitos outros. Mas também por artistas mais jovens. Todos os membros da banda ouvem diferentes tipos de música. Por exemplo Micha gosta de Lamb Of God e eu gosto de Johnny Cash. Acho que conseguimos muito bem encontrar o nosso próprio estilo e soar como Miracle Master. É uma das coisas mais importantes para mim, não soar como qualquer outra pessoa, mas simplesmente como Miracle Master!

As gravações foram feitas no Studio 22 na Alemanha e nos Medley Studios na Dinamarca. Como foi a experiência?
Graças à Internet, a distância já não é problema. Nós gravamos a música na Alemanha e enviamos os ficheiros para o Oliver que acrescentou os seus vocais em Copenhaga/Dinamarca. Ele enviou as faixas vocais de volta e as canções foram misturadas e masterizadas na Alemanha no Studio 22 por Axel Heckert que já trabalhou com bandas como Brainstorm e Symphorce. Usamos o skype para conversar quando decisões importantes tinham de ser tomadas. A banda está a ensaiar em Estugarda e Oliver com as faixas instrumentais na Dinamarca. A banda gravou todas as suas faixas em Estugarda, Alemanha, com Axel Heckert no Studio 22 onde as gravações instrumentais, mistura e masterização ocorreu. Axel ganhou uma boa reputação como engenheiro e produtor ao vivo e em estúdio. Recentemente, ele gravou com Brainstorm e Symphorce. Oliver gravou os vocais no Medley Studios em Copenhagen com Soren Andersen conhecido por seu trabalho com Mike Tramp dos White Lion. Soren também pode ser ouvido no álbum. Ele acrescentou algumas linhas no solo de guitarra introdutório em Will To Survive e fez alguns coros em Will To Survive e Come Alive.

Tattoed Woman foi o primeiro vídeo deste álbum. Como foi essa experiência? Há planos para mais algum?
Tivemos muita diversão, como podes ver se realmente viste bem… Filmamos o máximo que pudemos naquele dia e por isso Highway To Heaven é o segundo vídeo que já foi lançado. Talvez venha aí outro…

E projetos para os próximos tempos? Alguma coisa planeada? Uma tournée está nos vossos planos?
Estamos prestes a começar uma pequena tournée por Espanha neste verão e pela Europa no final deste ano. Mas é o nosso primeiro álbum e está prestes a ser lançado nos dias de hoje, em 7 de março e 23 de abril no Japão, pelo que as solicitações estão agora a começar. Mas, apesar disso, já começamos a escrever canções para o próximo álbum.

Bem, foi um prazer conversar contigo. Queres acrescentar mais alguma coisa para os nossos leitores ou para os vossos fãs?
Gostaria de te agradecer por esta entrevista e sugerir que todos dêem uma olhada em Miracle Master, principalmente se gostam de hard rock e heavy metal, com grandes melodias. Eu prometo-vos que depois de ouvir o álbum duas vezes será difícil tirar as melodias para fora da vossa mente novamente. Espero ver muitos de vocês em qualquer concerto de Miracle Master. Apareçam para tomar uma cerveja com a banda depois do espectáculo!

terça-feira, 22 de Abril de 2014

Review: Into The Maelstrom (Bigelf)

Into The Maelstrom (Bigelf)
(2014, InsideOut Music)
(4.9/6)

Quando uma banda tem o impacto que tem com um álbum, como aconteceu com os Bigelf e Cheat The Gallows em 2010, é inevitável que toda a gente coloque a fasquia bem alta para os momentos seguintes. Mas, depois desse marco histórico da banda de Los Angeles e do heavy metal apenas veio… silêncio. No entanto, algo está prestes a mudar: o novo trabalho dos Bigelf, comandados pelo excêntrico Damon Fox está aí com a assinatura da InsideOut. Chama-se Into The Maelstrom e está de regresso a superior capacidade de cruzar prog, melodic rock e doom, de uma forma viciantemente retro e descaradamente vintage. Depois dos problemas vividos no pós-Cheat The Gallows, Fox foi socorrido por Mike Portnoy, com quem os Bigelf andaram em tournée em 2010, ainda com o mago da bateria nos Dream Theater, mas também em pré-saída. Bem, com tantos problemas, Fox teve que fazer todo o trabalho de criação, por isso, este Into The Maelstrom pode ser considerado como o mais pessoal álbum do coletivo até á data. Com a necessidade de recrutar novos elementos (com exceção do resistente baixista Duffy Snowhill), ficou, desde cedo claro, que Portnoy também participaria. E acaba até por ser interessante ver como o baterista se adapta perfeitamente a tocar num álbum onde tem que ser menos pirotécnico e expansivo, tendo de colocar mais feeling e emotividade. Falando de Into The Maelstrom, sempre diremos que os anos 70 voltam a ser a marca dominante. Quer na sonoridade, quer na captação sonora, com os teclados analógicos a marcar a sua presença e muito psicadelismo. O som sujo, as guitarras Sabbathianas e o timbre vocal de Damon Fox também ajudam muito na criação desses cenários retro. O tema de abertura, o sensacional Incredible Time Machine resume tudo isso na perfeição. E embora ligeiramente diferente de Cheat The Gallows, mantém toda a energia característica do coletivo e, definitivamente, soa a Bigelf.

Tracklist:
01. Incredible Time Machine
02. Hypersleep
03. Already Gone
04. Alien Frequency
05. The Professor & The Madman
06. Mr. Harry McQuhae
07. Vertigod
08. Control Freak
09. High
10. Edge Of Oblivion
11. Theater Of Dreams
12. ITM
      I. Destination Unknown
      II. Harbinger Of Death  
      III. Memories 

Line-up:
Damon Fox: vocais, teclados, guitarras
Luis Maldonado: vocais, guitarras
Duffy Snowhill: baixo
Mike Portnoy: bateria

Internet:

Edição: InsideOut Music

segunda-feira, 21 de Abril de 2014

Entrevista: Leviathan

Os Leviathan são um dos nomes mais importantes do cenário prog do Colorado. Depois de alguns anos de ausência regressaram a partir dos Braver Since Then, coletivo que curiosamente haveria de estar na origem do título genérico deste novo trabalho. Um emotivo John Lutzow (guitarras, teclados) falou-nos de muita coisa: desde os erros do passado até à criatividade latente neste novo trabalho.

Olá John! Obrigado pela tua disponibilidade. Este é o vosso segundo álbum depois do regresso! Como está a química dentro da banda, atualmente?
A química dentro da banda é muito boa. Jeff, Deke e eu somos bons amigos. Nós representamos o núcleo do grupo. Temos trabalhado com muito poucos bateristas ultimamente, mas nada é permanente. Quando tocamos ao vivo e em tournée também levamos um outro guitarrista para nos ajudar a preencher o nosso som.

Beholden To Nothing, Braver Since Then. Porque um nome como este?
John e Deke tinham um projeto chamado Braver Since Then, pouco antes da nossa reunião... alguma coisa a ver? A primeira parte do nome tem um enorme significado para o tema do álbum. É uma linha inspirada do livro To Kill a Mockingbird. É uma passagem em que o livro fala do verdadeiro significado da coragem. Esse traço de caráter é muito importante na minha vida. Também combina muito bem com o nome Braver Since Then. O conceito geral do álbum era fundir as minhas duas saídas musicais. Não há sentido em manter a minha produção criativa dividida em vários grupos. Este álbum é o casamento de Leviathan e Braver Since Then.

Como descreverias este novo álbum?
Descrevê-lo-ia como Progressivo na sua essência. Na minha perceção, nós aventuramo-nos muito mais para outros estilos musicais e expressões criativas do que a maioria dos grupos progressivos ousa fazer. A parte difícil da liberdade criativa é quando chegas a esse lugar estás, inevitavelmente, sozinho. O que espero é que certos elementos do álbum atinjam todos os fãs de música e não apenas de metal ou estilos progressivos.

E a respeito das letras? Quais são os principais temas?
Os principais temas líricos neste álbum lidam com lutas básicas da sociedade moderna, questões como a disparidade de rendimentos, os criminosos corporativos, as liberdades pessoais, perda de entes queridos e, claro, religião. Cerca de metade das canções foram escritas há muitos anos atrás, quando eu estava na Universidade. O resto foi escrito no último ano. Portanto, há uma grande mistura de temas e emoção.

Há também uma série de partes narradas. Parece ser uma banda sonora de um filme. É isso? É um álbum conceptual?
Como disse antes, todo o álbum é um conceito muito próximo de mim e da minha vida musical. Aproximei-me desde o início como se fosse a minha contribuição final. Pensei que precisava para fazer uma declaração e de me redimir a mim e ao nome Leviathan. Queria fazer um álbum no qual pudesse sentir motivo de orgulho e saber que não deixava nada fora. A temática da religião poderia ser considerada um único conceito. Quanto aos diálogos, eles foram sempre o meu toque pessoal. Os filmes são o meu hobby. O uso de diálogos surgiu como uma solução para o meu dilema sempre presente de vocalista. Eu ia escrever um guião sobre o que eu queria dizer e passar incontáveis ​​horas a procurar diálogos em filmes e na televisão para falar por mim. Gostaria de os editar todos para criar um pensamento coeso. Os meus dois primeiros álbuns a solo com os Braver Since Then são todos instrumentais com diálogos a contar uma história. Foi aqui que se formou o meu reconhecimento artístico. Para quem é fã de Leviathan, essas peças instrumentais com diálogos tornaram-se na minha marca registada. Outras bandas usam diálogos, mas acho que ninguém a levou ao extremo e o fez de uma forma tão singular como nós.

Podes falar um pouco desse épico que é Religion: Superstition, Imposed Tradition &
Spiritual Crutch of Human Crux?
Fiquei profundamente intrigado com o conceito de religião e a necessidade humana de acreditar em algo. Estudei um pouco as religiões do mundo e quanto mais sabia, melhor me apercebi como as ideias e conceitos simples foram manipulados ao longo da existência humana.

Então e se o diabo não existisse?
Deus também não existiria. Este foi um conceito que me surgiu uma noite. Se pudesses de alguma forma refutar a existência do mal no seu estado espiritual, todos os outros aspetos do criador seriam nulos.

Vários convidados colaboraram convosco neste álbum. Como surgiram essas oportunidades?
Estou muito grato a todos os amigos que ajudaram neste álbum. Tenho imensa sorte em conhecer talentos incríveis através da Colorado Symphony. Eu namorava uma rapariga que era violinista. Ela trouxe muitos dos seus amigos para as partes orquestrais do álbum. Chris Lasegue veio para oferecer um novo elemento de trituração para o álbum. Conheci -o através de Jason Boudreau quando tocamos juntos nos Tyrant’s Reign no final dos anos 80. Jason também contribuiu com um solo para este álbum.

Depois de alguns problemas com editoras, vocês criaram o vosso selo, Stonefellowship Recordings. Foi o passo certo para vocês?
Para ser completamente honesto, acho que nenhuma das escolhas que os Leviathan fizeram ao longo dos anos no que diz respeito a editoras e imprensa foram tratadas adequadamente. Lamento as escolhas que fizemos, mais especificamente a impaciente e egoísta influência que nos empurrou para dentro. Eu gostaria de poder voltar no tempo e optar por ficar com algumas das editoras com que trabalhei. Gostaria também que Ron e eu não tivéssemos sido tão gananciosos ou exigentes quando recusamos algumas das ofertas de editoras. Na época, não sabíamos mais. Eramos mudos, miúdos arrogantes a tentar manter a nossa liberdade criativa. Leviathan sempre foi um grupo orgulhoso, nunca nos permitimos contentar com nada menos do que precisávamos para entregar a nossa música ao mais alto nível. Ao iniciar o nosso próprio selo achamos que não tínhamos nada a perder. Sempre fomos lixados por editoras portanto, sentimos que não tínhamos outra escolha a não ser começar a nossa própria marca. Qualquer miúdo com um computador pode gravar um álbum e formar a sua própria marca. A distribuição digital está acessível. Tudo que precisas são pessoas que comprem a tua música e está feito.

Deixa-me dar-te os parabéns pelo excelente artwork. Quem foi o responsável?
O artwork dos meus três últimos projetos foi feito pelo nosso amigo e colega de banda Martin Schroeder da Alemanha. Ele tanto é um membro da banda, como um barómetro criativo, gestor e financiador. Sem ele, eu teria desistido da música há muitos anos. Ele tem-me mantido numa luta para a frente. Ele nunca me deixa ficar pelo primeiro take

Têm algum vídeo para este álbum?
Sim, temos um baixo orçamento, mas temos algumas representações artísticas no nosso canal no Youtube. Quero tentar fazer um vídeo profissional para a canção Intrinsic Contentment.

Projetos para os próximos tempos? O que têm em mente?
O meu foco musical principal agora é um álbum acústico de fusão. Vai ser uma coleção de temas modernos de guitarra. A ideia surgiu ao visitar muitos clubes de jazz e restaurantes espanhóis no centro de Denver. Pela primeira vez na minha vida sinto que uma ideia minha tem potencial para ganhar o reconhecimento local e algum nível comercial de sucesso. Estou a trabalhar nesse projeto como um trio de guitarra com Jason Boudreau e Chris Lasegue. Temos todas as canções escritas e teremos o álbum concluído até o inverno de 2014. Este álbum conta com flamenco, clássico, jazz, folk, blues, world e forte influência progressiva. A nossa meta estilística é grupos do passado como Rodrigo Y Gabriella . Este grupo é muito popular em Denver.

Bem John, foi um prazer conversar contigo. Queres acrescentar mais alguma coisa para os nossos leitores ou para os vossos fãs?
Obrigado por me teres dado esta oportunidade de falar sobre a minha música. Realmente aprecio a tua ajuda. Se alguém aí fora sentir curiosidade, visite www.leviathanresurrected.com. Se gostarem da música, por favor, ajudem-nos através da compra de um álbum ou dois na nossa loja. Aqueles que estiverem em posição de nos ajudar, por favor, façam com que os Leviathan possam ser incluídos em festivais, tours ou club shows. Estamos prontos para tocar jogar em qualquer lugar.

domingo, 20 de Abril de 2014

Review: The Search Goes On (Kamchatka)

The Search Goes On (Kamchatka)
(2014, GMR Music)
(5.6/6)

Os Kamchatka são mais uma banda saída dos limites suecos carregando autenticidade, personalidade e com muita qualidade. Ativos desde 2001, o trio lançou em fevereiro o seu novo e quinto álbum, The Search Goes On que conta com dez faixas e é o sucessor de Bury Your Roots (2011). Os Kamchatka são um power trio altamente influenciado pelas bandas de Blues-rock dos anos 60’s e 70’s, (especialmente Bad Company e Free). A sua sonoridade combina o blues-rock, stoner-rock e o psychedelic-rock de forma brilhante em temas como por exemplo Coast To Coast, Son Of The Sea, Broken Man, Thank You For Your Time ou Dragons. Em The Search Goes On  a adição de Per Wiberg, ex-Opeth, músico reconhecido pelo enorme talento acrescentou muito ao som da banda, que agora se mostra mais solto, diversificado e rico. Sem nunca perder o sentido de melodia. O trio atinge, assim, a sua maioridade criativa, trabalhando cada pormenor de forma criteriosa. Por isso, The Search Goes On é um disco de excelente qualidade com apenas um destinatário: os fãs de boa música.

Tracklist:
1 Somedays
2 Tango Decadence
3 Coast To Coast
4 Son Of The Sea
5 Broken Man
6 Pressure
7 Cross The Distance
8 Thank You For Your Time
9 Dragons
10 The Search Goes On

Line-up:
Thomas "Juneor" Andersson – guitarras e vocais
Tobias Strandvik – bateria
Per Wiberg – baixo e vocais

Internet:

Edição: GMR Music 

Notícias da semana

A banda belga de female fronted heavy metal, Hell City, entrou nos The Noise Factory Studio para gravar o seu terceiro álbum que deverá sair em finais deste ano. Para dar um cheirinho deste novo disco está disponível o vídeo do primeiro single Ice Cold Rage.

Os Impaled Nazarene que estão de regresso com o seu 12º trabalho Vigorous And Liberating Death são o maior destaque da nova edição da revista Against. Nesta edição podem ainda ler entrevistas com Enthroned, Sargeist, Ordog, Pet Slimmers Of The Year, Pact, Ogre, Valley Of The Sun, Wormreich, Levania e Eths. Isto claro, para além das rubricas habituais como reviews, live reports, livros e cinema. Para ler online acedam aqui, para fazer o download em PDF aqui.

Na tradição dos grandes nomes do rock progressivo conceptuaI surge a estreia dos Sontaag já descrito como uma ópera de space rock como os Pink Floyd nunca escreveram. Sontaag é um cruzamento entre o space rock grand opera com música contemporânea e cinematográfica. Os Sontaag são Richard Sontaag (composição, conceito, todos instrumentos) e Ian Fortnam (história, letras, vocais e conceito). O disco tem edição agendada para 28 de abril via Esoteric Antenna. Podem adquirir o álbum aqui.

A banda internacional de metal melódico Eden’s Curse publicou o sexto capítulo dos seus diários de estúdio documentando a gravação do último trabalho Symphony Of Sin lançado em outubro de 2013 via AFM Records.

O aclamado guitarrista de blues Eli Cook lançará a 29 de abril via Cleopatra Records o seu novo trabalho Primitive Son. Para tornar este regresso ainda mais excitante, Primitive Son conta com a participação de Leslie West (Mountain), Pat Travers, Artimus Pyle (Lynyrd Skynyrd), Harvey Mandel, Eric Gales, Reese Wynans (Double Trouble), Vinny Appice (Black Sabbath, Ronnie James Dio), Tinsley Ellis, Rod Piazza e Jorgon Carlson (Gov't Mule). De acordo com Cook, este é um disco de old-school blues misturado com algo mais contemporâneo num formato de epic-bar rock. Eli Cook gravou os seus primeiros dois álbuns entre 2004 e 2007: o acústico Miss Blues’ Child via Sledgehammer Blues Label e o heavy blues-rock ElectricHolyFireWater.

A Monster Rock Booking anunciou o lançamento do álbum At La Brava, novo trabalho dos Souq. Os Souq são um dos mais incomuns nomes do rock nacional, um coletivo que consegue capturar o espírito do psicadelismo, blues, pop e jazz para construir um som que é sempre dinâmico e contundente, como se os Captain Beefheart estivessem a tocar músicas do Dave Brubeck com os Black Sabbath como banda suporte. At La Brava é o início de uma saga na cidade da terra vermelha, escondida no meio do deserto.

Formado em 2010, o trio aveirense The Underdogs – composto por Victor Hugo (guitarra e voz), Mano (baixo) e João Veludo (bateria) -, pratica um blues-rock que bebe as suas influências no eixo que vai de Nashville ao Delta do Mississippi e as funde com o rock tradicional, com um toque genuíno e muito próprio, que resulta num som envolvente e eletrizante a que ninguém fica indiferente. Após a estreia em abril de 2011, com o EP Silence, e uma série de concertos pelo país fora, a sua aura não passou despercebida ao radialista Henrique Amaro que os integra na coletânea Novos Talentos FNAC com o single She Is La, abrindo portas a um público mais abrangente e eclético, sendo este ano prolífico fechado com o convite para integrar o cartaz do palco principal da Festa do Avante. Pouco mais de um ano depois, sai o 1º longa-duração, Songs For The Few, que os confirma como um valor seguro, transportando-os para vários palcos nacionais – entre outros: Noites Ritual, Vodafone Mexefest, Sons de Vez, Festival Azure, PortoSounds – e os introduz ao grande público que os acarinha e acompanha. Acompanhado de um DVD bónus, gravado ao vivo – The Underdogs Extended Version -, foi alvo de críticas bastante positivas, onde se realçam as suas valências técnicas, assim como a capacidade de composição que os seus elementos desde cedo evidenciam. Chegados a 2014, a banda prepara-se para lançar o seu 2º álbum, intitulado Blame It All On Jazz, no dia 26 de abril, numa festa no Teatro Aveirense, explorando novos territórios mas mantendo o ADN vincado pelo qual cada vez mais pessoas se deixam envolver!

Depois do lançamento do aclamado This Is Rock ‘n’ Roll em 2012, recentemente recuperado pelo filme francês Oceane, os australianos Sticky Boys ganharam uma reputação única e que já se pode comparar a nomes como Electric Mary, Crucified Barbara ou Nashville Pussy. Como prova disso apresentam a gravação completa do seu concerto em 4 Ecluses, Dunkerque a 1 de fevereiro deste ano. Fica, ainda, a informação que a banda se encontra, em Paris, a terminar a masterização do seu próximo álbum.  

As lendas do prog rock holandês, Focus têm, desde o passado dia 14 de abril, um novo trabalho nas ruas. Trata-se de Golden Oldies que, como o próprio nome indica, apresenta regravações de clássicos temas da banda como Hocus Pocus, Sylvia, House Of The King. Depois, os Focus irão fazer uma tournée mundial de apoio a este novo trabalho. O trabalho pode ser adquirido aqui.


Depois da boa receção que o álbum In Extremis dos Days Between Stations teve o ano passado, o duo progressivo prepara uma surpresa para os seus fans. Trata-se da edição limitada desse álbum em vinil.

sábado, 19 de Abril de 2014

Review: Broken Hearts And Fallaparts (Supercharger)

Broken Hearts And Fallaparts (Supercharger)
(2014, Gain Music)
(5.1/6)

Depois de Hand Grande Blues (2009) e de That’s How We Roll (2011) os dinamarqueses Supercharger estão de regresso com Broken Hearts And Fallaparts, mantendo o seu género auto-denominado de swinging rock ‘n’ roll with a touch of metal. Esta expressão pode ser simplesmente traduzida por hard rock agressivo e sujo e com atitude glam. Um interessante cruzamento entre os D. A. D., os Mötley Crüe, os Cinderella e até Mustasch. Os vocais são bem ríspidos e existem algumas agradáveis nuances rítmicas. Mas o mais curioso é incursão por campos do country, com subtis apontamentos a surgirem primeiramente em Yeah Yeah Yeah, a mostrarem-se mais arrojados em Hung Over In Hamburg até terminar num puro country em Goodbye Copenhagen. O rock ‘n’ roll sujo marca a sua presença em Suzi The Uzi, espetacular tema com um belo desempenho do piano e em Get What You Deserve. Five Hours Of Nothing e The Crash são os temas mais melódicos e easy-listening. Falta referir os primeiros 4 temas que servem para estabelecer as regras de funcionamento de Broken Hearts And Fallaparts: rápido, pesado, enérgico e sujo. Regras que, na sua essência, estarão presentes durante todo o disco, sendo a elas que se irão associar as anteriormente referidas nuances.

Tracklist:
01. Like A Pit Bull  
02. Supercharged  
03. Blood Red Lips  
04. Hold On Buddy  
05. Five Hours Of Nothing  
06. Yeah Yeah Yeah 
07. Suzi The Uzi  
08. Hung Over In Hamburg  
09. Get What You Deserve 
10. The Crash  
11. From The Gutter  
12. Goodbye Copenhagen

Line-up:
Mikkel Neperus
Thomas Buchwald
Benjamin Funk
Lars Rygaard
Karsten Dines Johansen
Dennis Samaras

Internet:

Edição: Gain Music