sábado, 30 de abril de 2016

Review: Am Ende War Der Mensch (Larrikins)

Am Ende War Der Mensch (Larrikins)
(2016, Rüngencore Records/Cargo Records)
(5.8/6)

Ao se ouvirem os dois primeiros temas de Am Ende War Der Mensch dos Larrikins estamos longe de pensar na evolução que este disco tem nestes 14 temas. Esses dois primeiros temas são heavy sujo com vocais rasgados, enérgicos e com atitude punk. Como um cruzamento entre Motorhead, Gluecifer e afins, mas com a língua alemã a funcionar como mais um elemento de agressividade. A primeira grande surpresa surge logo em Waeren Alle Menschen Gluecklich, tema de grande musicalidade com um piano a lembrar o trabalho dos InLegend. Mas outras e maiores surpresas estão ainda aguardadas, sempre alternadas com aquele estilo de riffs graves e sujos e vocais roucos. Depois de uma impressionante cavalgada metálica em Kopie, Wer Weiss Noch apresenta ritmos de reggae/ska com trompetes incluídos e Zeit é um tema de superior qualidade, beleza e de uma enorme criatividade. Esta secção é, de facto, brilhante, e se dúvidas havia quanto à capacidade dos Larrikins ficam aqui, definitivamente, enterradas. Depois há tempo para a força voltar em dois temas com devastadores e possantes com estruturas thrash (Wut e Rampenlicht), mas também há espaço para guitarras acústicas na brutal Glashaus e em So Wie Frueher, onde volta o trompete, acompanhado de vocais femininos num tema que nos leva para os Lacrimosa. Diversificado, cheio de emoção e com sucessivas surpresas, Am Ende War Der Mensch tem tudo que se procura num disco, conseguindo criar diferentes ambientes sempre de grande qualidade.

Tracklist:
1.      Nummer 3
2.      Die Schuld Daran
3.      Waeren Alle Menschen Gluecklich
4.      Alles Auf Anfang
5.      Scheisse War Schon Immer Braun
6.      Kopie
7.      Wer Weiss Noch
8.      Zeit
9.      Sternenlos
10.  Glashaus
11.  Wut
12.  Rampenlicht
13.  So Wie Frueher
14.  Aufs Leben

Line-Up:
Felix – vocais
Tino – guitarras
Icke – baixo
Christian – bateria

Internet:
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 Edição: Rüngencore Records/Cargo Records

Notícias da semana


Lord Of War, tema que conta com a participação de Fabio Lione nos vocais é o novo lyric video dos Derdian. Este tema faz parte do próximo trabalho dos italianos intitulado Revolution Era com data de lançamento agendada para 3 de junho. Neste momento os Derdian encontram-se em Milão a proceder às misturas e masterização do álbum.


Os Booze Abuser acabam de lançar o seu EP de estreia Noise For The Drunk através da Dog City Records. Neste primeiro lançamento os Booze Abuser brindam-nos com seis temas de puros riffs Thrash/Crossover sem rodriguinhos como manda a lei, tudo embrulhado num bonito artwork cortesia do artista Brasileiro Cléuber Toskko, e com produção do Tiago Steelbringer (Midnight Priest/Inquisitor). Em breve serão anunciadas as datas dos concertos de lançamento. Para já podem também ouvir os temas Noise For The Drunk e Booze Abuser.


Os Vaudeville Etiquette levam aos extremos os limites do folk e do psych rock, numa potente mistura de country-meets-classic rock. O seu novo álbum intitula-se Aura Vista Motel e sai a 6 de maio com distribuição digital a cargo da The Orchard (Sony) e física (na Europa) via Cargo Records. Dois vídeo estão disponíveis: Crosseyed Crazy e Damn Lovely.

Os Celestial Ruin, banda canadiana de metal sinfónico lança a 20 de maio o seu novo EP Pandora. Entretanto a banda juntou-se à New Noise Magazine para a estreia do segundo single Firestorm.
  


Apresentando um conjunto de composições cheias de mágica, misticismo e beleza, apenas ao piano, Janet Robbins lança o seu sexto álbum intitulado I Hear Crow, uma coleção de 16 temas que assim sucede a Song Of The Gypsy Tree, de 2011. Também já estão disponíveis os vídeos para os temas What Do They Hear e Somber Jacket Pie.



Os Heavenwood estão de regresso à alemã Massacre Records, editora pela qual lançaram os muito aclamados e bem-sucedidos álbuns Diva (1996) e Swallow (1998), e com quem assinam agora um novo contrato discográfico para a edição mundial a 24 de junho próximo  de The Tarot Of The Bohemians - Part 1, o seu mais recente álbum de originais. O novo álbum da banda Portuguesa é inspirado e dedicado ao ocultista Francês Papus e aos seus estudos relacionados com o Tarot e irá contar com as presenças de Daniel Cardoso (Anathema), Franky Costanza (Dagoba), Sandra Oliveira (Blame Zeus) e Fadi Al Shami (Aramaic) como convidados especiais.


O caráter bastante descontraído e seriamente catchy dos Los Waves tem cativado todo o tipo de público e idades, e contribuído para que os seus temas sejam usados em séries internacionais como Mentes Criminosas, Awkward, Gossip Girl e até na recente novela portuguesa Coração D'ouro. Num registo que passa pelo indie, pop, rock e electrónica, aliam a multiplicidade de estilos à energia e à boa disposição, e juntam assim os ingredientes para pôr a dançar mesmo aqueles com o pézinho mais pesado. Depois do último álbum This Is Los Waves So What, a banda apresenta um single novo e vem, inevitavelmente, com cheiro a verão. Chama-se Don't Wanna Be In Love, e inspira-se na cultura e na música dos anos 50 , 60 e 70, no Surf Rock e nos primeiros discos de artistas tão improváveis como o mítico Roberto Carlos, ou os The Shadows.


O coletivo italiano de rock progressivo Armonite, onde pontificam o compositor Paolo Fosso e o violinista Jacopo Bigi lançaram o seu aguardado novo álbum. Chama-se The Sun Is New Each Day e foi gravado nos prestigiosos Abbey Road Studios em Londres com Paul Reeve (primeiro produtor dos Muse) e masterizado por Geoff Pesche. A banda já tem disponíveis vídeos para os temas Suitcase War, Le Temps Qui Fait Ta Rose, Die Grauen Herren e Insert Coin.


Os gregos Diviner acabam de lançar o vídeo do tema Evilizer, faixa retirada da sua estreia Fallen Empires. O disco foi publicado pela Ulterium Records em novembro de 2015.


Os Bluesness são uma nova banda de Blues e acabam de lançar o seu EP de estreia, The Last Valley Of Jupiter. Este disco abraça uma estética moderna do Blues, com influências de Pop Rock mas sem nunca esquecer o Blues tradicional. O projecto é composto por Sara Oliveira, Ricardo Marques, Vasco Pereira e Rúben Fernandes, todos com formação musical e contando já com quase uma década de experiência ao vivo e em estúdio. The Last Valley Of Jupiter encontra-se disponível para escuta online no Bandcamp e Youtube.


Liane Silva é uma cantora/compositora portuguesa que acaba de se estrear com o álbum Colibri que pode ser ouvido no Bandcamp da artista. Simultaneamente podem visualizar os vídeos já disponíveis: Cartase (vídeo acústico oficial), Colibri (vídeo oficial), Fogo-Fátuo (vídeo oficial), No Meio do Pó (lyric video oficial) e Seis Sigma (lyric video oficial).

sexta-feira, 29 de abril de 2016

Entrevista: DJ A Boy Named Sue

Tiago André, aka Dj A Boy Named Sue é provavelmente o mais icónico e versátil dj do mundo do rock'n'roll em Portugal. Os seus sets caraterizam-se por uma forte vertente rock’n’roll, nos quais visita sonoridades Rhythm & Blues, Soul, Surf, 60’s, Latin Grooves, Exotica, Psych, Garage ou Punk Rock, uma espécie de máquina do tempo, que cria laços entre os grandes clássicos e as novas vertentes da música contemporânea, onde playlists ou sets pré-definidos não têm espaço. Em plena tournée nacional fomos conhecer este verdadeiro mestre-de-cerimónias.

Olá Tiago, tudo bem? Um DJ de rock ‘n’ roll… Como surgiu isto na tua vida? O que motivou a começar?
Olá, tudo bem. Foi por volta de 2001 em Coimbra. Por um lado, não me identificava com o panorama da oferta musical na cidade e sentia que havia mais como eu. Por isso decidi tentar criar um ‘espaço’, noites, festas, que fossem uma alternativa ao que havia e onde as pessoas se pudessem divertir a ouvir outros tipos de música. Por outro, desde cedo tive vontade de partilhar com os outros as coisas e as músicas que ia descobrindo.

Há quanto tempo andas nestas andanças?
Há cerca de 15 anos, creio que a primeira noite que passei música foi no Verão de 2001.

E como surge esse nome artístico?
Surge duma música do Johnny Cash da qual eu gosto muito. É uma música que fala da história dum rapaz, o qual o pai baptizou com o nome de Sue (nome de mulher), e que depois abandonou. Fala do difícil que foi para ele crescer e viver com esse nome, e do seu ódio pelo pai. Mas no final da música pai e filho encontram-se e o pai explica-lhe que lhe deu esse nome porque sabia que não ia estar ao lado dele para o ajudar, e que foi esse nome que fez dele um homem forte e capaz de enfrentar as dificuldades e vicissitudes da vida.

Exatamente qual é o teu papel? Atuas sozinho, depois dos concertos… como é o teu modus operandi?
Já passei música nos mais variados tipos de eventos e nas mais diversas combinações. Posso fazer uma noite completamente sozinho, posso passar música antes e/ou depois dum concerto (em modo warm up e/ou after party) ou posso fazer uma noite com mais um ou dois djs (normalmente neste caso tratam-se de noites e festas específicas e temáticas). Depende sempre das particularidades de cada evento.

Pistas de dança, eventos, festivais é o teu mundo. Mas tens alguma preferência?
Acho que gosto de tudo, num festival, obviamente consegue-se chegar a mais gente. Num clube tem a parte boa de se estar cara a cara com as pessoas, há uma proximidade e uma interação maior. Também gosto muito de passar música ambiente mais calma, mas decididamente não há sensação melhor que ver uma multidão de pessoas a dançar, a divertir-se e a delirar ao som das músicas que passo.

Portanto sets predefinidos para ti não existem…
Sim, os meus sets são sempre diferentes. Por um lado é preciso muito trabalho de casa, todos os fins-de-semana tenho de re-arrumar os discos consoante o sítio onde vou e é preciso conhecer muito bem os discos que levo. Por outro é preciso adequar-me às pessoas que estão no local. Nunca tenho nada predefinido. Quase sempre escolho a música ou construo uma sequência exatamente no momento. É preciso ‘ler’ as pessoas e as suas reações e perceber que músicas passar e que direções e dinâmicas tomar ao longo da noite. Tem que haver uma sintonia entre público e dj.

Estás agora a meio de uma tour nacional. Serão várias datas, essencialmente no sul. Há alguma razão para o Norte ficar limitado a duas datas e mais duas no centro do país?
Não, quer dizer, vivendo em Lisboa é natural que me seja mais fácil passar música nesta zona. Mas neste momento estou a ir a Braga e ao Porto praticamente uma vez por mês, já tenho ido a Santo Tirso, Ovar.. . e tenho contactos para ir a mais sítios. Comparado com o Algarve, Alentejo ou interior até creio que o Norte está muito bem. É algo que não depende apenas de mim.

E estás a preparar algum set específico para cada uma dessas noites ou irás atuar ao sabor da inspiração do momento?
Como disse antes, faço sempre uma pré-escolha com base no que sei dos locais ou eventos onde vou, mas levo sempre imensos discos. Mas cada noite é uma noite diferente e é sempre no momento que decido que músicas vou passar e como as vou passar.

Há algum tema (ou temas) que obrigatoriamente tenham que ser incluídos no teu set? Porquê?
Não, há músicas que passo muitas vezes, mas não há nenhuma obrigatória, às vezes termino com uma certa música, mas mesmo essa vai variando.

A lista de bandas para quem já fizeste after partys é imensa e nem poderíamos estar aqui a falar de todas. Pergunto-te apenas uma ou duas que te tenham marcado fortemente.
Uma que me marcou bastante foi quando fiz a after party do concerto dos The Sonics e do Dick Dale no Plano B, no Porto. Era uma data única no país, por isso estava gente de todos os cantos de Portugal que eu já conhecia. Ver essas pessoas todas juntas na mesma sala e fazê-las dançar durante umas 4 horas foi algo inesquecível. Outra foi no Bafo de Baco em Loulé, depois dum concerto dos Heavy Trash (banda do Jon Spencer) que acabou comigo a passar música com ele. Ainda outra, se me permites, foi no extinto Le Son, em Coimbra, depois dos Dead Kennedys. Estava esgotado com cerca de 600 pessoas, o concerto foi muito bom e todo o ambiente era arrepiante.

E em termos de festivais, qual ou quais foram mais marcantes para ti?
Uma das experiências mais marcantes foi passar música numa festa do Festival de Cinema de Cannes, numa praia. Outro, completamente oposto foram os 2 últimos anos no Festival Reverence Valada, onde passei música à tarde e à noite. Todo o ambiente do festival é incrível.

Como surge a tua ligação aos The Legendary Tigerman? Qual é a tua função neste projecto?
Eu e o Paulo Furtado conhecemo-nos antes, ainda durante os Tédio Boys, para os quais trabalhei como técnico de luz. Tornámo-nos rapidamente grandes amigos e curiosamente o The Legendary Tigerman (assim como os Wraygunn) nasceram na minha garagem. Comecei como técnico de luz, mas desde essa altura já fiz um pouco de tudo, técnico de vídeo, road manager, roadie... Neste momento faço o trabalho de roadie e de técnico de vídeo.

E tem sido uma longa ligação. Lembras-te de alguma história, assim mais estranha ou bizarra ou engraçada que te tenha acontecido?
Muitas... mas lembro-me duma, logo no início, creio que foi num dos primeiros concertos de Natal, na noite de 24 dezembro (talvez 2000 ou 2001?) no antigo Hard Club, em Gaia, íamos os dois no carro antigo dele (um Karmann Ghia dos anos 60/70) com o material e rebentou o motor a 3 km da área de serviço da Antuã (chamas e fumo incluído). Empurrámos o carro até à área de serviço e ficámos à espera duns amigos que iam ver o concerto para nos darem boleia.

Muito obrigado Tiago! Queres acrescentar mais alguma coisa que não tenha sido abordada?
Acho que não, espero que as pessoas venham dançar e divertir-se ao som da música que passo nos mais variados sítios e que haja cada vez mais oportunidades para se ver e ouvir rock um pouco por todo o lado.

quinta-feira, 28 de abril de 2016

Playlist Via Nocturna 28 de abril de 2016


Review: Prophecy (Inner Blast)

Prophecy (Inner Blast)
(2016, Nordavind Records)
(5.2/6)

O primeiro aspeto a saltar à vista é a beleza da capa. Depois ouve-se o que este coletivo lisboeta tem para mostrar e aprecia-se. Prophecy é um disco de melodias cativantes criadas pela doçura da voz de Liliana, mas, ao mesmo tempo é um disco maduro na forma de abordagem do processo criativo. Há elementos góticos que pairam em todas as ambiências, principalmente as criadas pelo uso de teclados atmosféricos e até sinistros e por linhas de piano hipnotizantes. Mas também o reverso da medalha, o contraponto, com momentos bem pesados, com vocais agressivos, densas guitarras e contundente trabalho de bateria. E é sempre nesta dicotomia que Prophecy vai evoluindo ao longo dos seus 47 minutos de duração, sem nunca se tornar entediante, sucedendo-se os momentos suaves e abruptos, sensuais e violentos. Num mundo em que coletivos deste género se multiplicam exponencialmente, estes Inner Blast apresentam argumentos que os podem diferenciar, com este refrescante Prophecy.

Tracklist:
1. Private Nation
2. Insane
3. Darkest Hour
4. Feel The Storm
5. Tears
6. Legacy
7. Inner Fire
8. Time Machine
9. Wings of Freedom

Line-Up:
Aquiles - guitarras
Liliana - vocais
Luís - baixo
Mónica - teclados
Sabu - bateria

Internet:
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Edição: Nordavind Records    

quarta-feira, 27 de abril de 2016

Entrevista: Esfera

Os Esfera (ex-Emma) são uma banda de rock progressivo de Setúbal, tendo começado em meados de 2013 e com alguma experiência de outras bandas por parte dos seus membros. Esfera é, também, uma viajante do tempo, que traz com ela a sonoridade e legado do rock progressivo. O álbum de estreia intitula-se de All The Colours of Madness, e é uma viagem de 7 faixas pelas cores das diferentes emoções, da perspetiva de um cego. Vamos perceber melhor essa viagem nas palavras de Nuno Aleluia.

Olá Nuno, tudo bem? Podes explicar-nos em que consiste esta Esfera?
Está tudo bem, e convosco? Bem, é muito simples: esta Esfera é uma amalgamação de dois guitarristas (Diogo Marrafa e Pedro Dinis), um baixista (João Completo), um baterista (Vasco Rydin) e um vocalista (Nuno Aleluia), que de vez em quando tenta rolar de um lado para o outro a ver se redefine o conceito de Rock Progressivo.

Já foram Emma, não é verdade? O que motivou a mudança?
De facto! Não podemos dizer que a mudança tenha vindo de bom grado, já que foi uma causa maior que nos levou a mudar de nome: como estamos à procura de algum espaço no mercado musical nacional tivemos de alterar o nome da banda para agradar todos os trémitos legais do processo de nos tornarmos profissionais.

E como tem sido a existência dos Esfera nestes últimos tempos?
Tem sido bem mais gratificante que a de Emma, (risos). O lançamento do álbum em versão digital e gratuita na internet foi a melhor coisa que podíamos ter feito porque nos está a trazer alguma da visibilidade que procurávamos. Temos passado os últimos tempos a dar concertos de apresentação do disco e a preparar o próximo projeto, por isso, entre ensaios e viagens podemos dizer que tem sido uma existência ocupada; mas que poderia ser ainda mais.

Sei que têm acumulado alguma experiência de palco com diversos outros coletivos nacionais. De que forma essa experiência se repercute neste trabalho?
A experiência de palco é provavelmente a mais importante a adquirir neste ramo e não há melhor forma de o fazer do que partilhar um espetáculo com outras bandas que, como nós, se movam nos seus círculos próprios e procurem um espaço no coração das pessoas. Claro que o afinar da estética e o melhorar da técnica também são importantes passos no desenvolvimento do processo artístico, mas a experiência das atuações ao vivo dá lugar a uma melhor compreensão dos limites: uma atitude realista em relação às capacidades e uma conexão emocional entre a obra e o público que nos faz perceber o que é necessário para melhorar.

E quanto ao álbum All The Colours Of Madness, um disco conceptual, segundo me apercebo. Qual é o fio condutor desta história?
A ideia era poder partilhar uma opinião sobre as definições de sanidade e de normalidade onde simultaneamente encontrássemos espaço para nos explorar a nós próprios enquanto artistas. Por isso, decidimos criar um sujeito poético cego que tivesse como objetivo tentar explicar o que era cada cor para ele (atribuindo-lhes, assim, sentimentos) e demonstrar de que forma cada um desses sentimentos pode levar alguém à loucura (quando sentidos nos extremos).

E musicalmente, como o descreveriam?
Musicalmente é mais ou menos como a amalgamação que referimos ali em cima! Como o All The Colours of Madness requeria um espaço musical muito grande, com a tentativa de fazer de cada música uma cor e de cada cor um sentimento, acabou por se tornar uma espécie de sopa a onde cada um adicionou um ingrediente. Se generalizarmos, é um álbum de Rock Progressivo imensamente orientado para as vocais, que varia entre secções rítmicas electrizantes e secções expressionais melódicas. Mas qualquer ouvinte tirará melhores conclusões do nosso trabalho se o ouvir ele próprio, (risos)! 

É curioso verificar que definem algumas dessas cores da loucura, com cinco dos oito temas a terem como título as cores. Há uma correspondência entre cada cor e o respeito estado de espírito?
Sim, com certeza! As cores são um elemento muito abstrato para se definir e como tal esforçamo-nos ao máximo para lhes construir sonoridades plausíveis. A Green é o mote emocional do álbum e é a Esperança, a Blue é a Liberdade, a Red é o Amor, a White é a Paz e a Black é o Caos. Em cada uma delas tentamos traçar o perfil de cada extremo do espectro; ou seja, há duas interpretações antagónicas para cada sentimento (por exemplo, amar demais ou não amar que chegue). O objetivo desta tarefa era levar o ouvinte a concluir que a Loucura está nos extremos do sentir, e que se pode encontrar um balanço para a vida na moderação.

Como foi todo o processo de criação e gravação deste álbum?
Foi demorado e trabalhoso mas divertidamente memorável! A ideia por detrás do álbum já vinha do Nuno, que nos trouxe o esqueleto de metade das musicas para trabalharmos juntos; então passamos imensos dias a tocar quase 10 horas de seguida e a comer McDonalds (o que se calhar nos aproximou da loucura que era preciso)! Depois falamos com os nossos talentosos amigos do The Shape of Tone to Come Studios e gravamos o trabalho ao mesmo tempo que lhe alisamos as arestas! Achamos que todo o processo deixou um bichinho para repetir!

Projetos para os próximos tempos – o que tens em mente? Estrada está nos vossos planos?
Estrada não faltará porque, como referimos acima, é importante manter contacto com o público! A internet é um veículo espetacular para a divulgação do álbum mas é igualmente importante estar presente para dar as pessoas uma perceção de nós: de onde vimos e para onde queremos ir. Fora os concertos, estamos no processo de lançar um novo videoclip e andamos a ensaiar regularmente para preparar o próximo trabalho!

Muito obrigado, e parabéns pelo excelente álbum! Queres acrescentar mais alguma coisa?
Nós é que agradecemos, pela paciência para nos lerem e pela força que nos estão a dar! Não se esqueçam de ouvir o nosso álbum gratuitamente na maior parte das plataformas online, aparecerem num concerto ou outro e seguirem as novidades que postamos no Facebook! Esperemos que tenham gostado desta Esfera e deixamos-vos com um "Até à próxima"! 

terça-feira, 26 de abril de 2016

Review: 4 (Wild Rose)

4 (Wild Rose)
(2016, Lions Pride Music)
(5.2/6)

Andy Rock está de regresso aos discos com o quarto álbum dos seus Wild Rose, dois anos, duas alterações de line-up e uma mudança de editora depois de Hit ‘n’ Run. Longe vai o tempo em que este género tinha muito airplay nas rádios, mas isso parece não preocupar estes gregos (e ainda bem!) que continuam fiéis a si próprios criando uma coleção de dez canções melódicas, com belas harmonias vocais e guitarras suaves num AOR/rock melódico em constante piscar de olhos às ondas radiofónicas. 4 é um disco certinho, sem fillers, é verdade, mas também sem grandes explosões de criatividade, de tal forma que o tema que mais fica marcado no final das audições é uma balada: Save The Night. Os Wild Rose preferem, claramente, jogar pelo seguro e pouco arriscam neste disco que acaba por ser uma continuação lógica do que o coletivo tem vindo a fazer. Os fãs sabem o que esperar e certamente gostarão. Os fãs de grupos como Survivor ou Foreigner ou Journey que não conheçam os Wild Rose também podem descobrir o coletivo que não sairão defraudados.

Tracklist:
1. Desperate Heart
2. Love Can Change You
3. Summer Girl
4. Time After Time
5. Love Games
6. Hot Wired
7. Save The Night
8. Broken Hearted
9. Waiting For You
10. Don't Let Me Down

Line-Up:
Andy Rock – guitarra ritmo, teclados
Dirty Haris – teclados
Panos Barkoutsos - baixo
John Bitzios – guitar solo e ritmo
Dimos Thomaidis – bateria
George Bitzios – vocais

Convidado:
Chris Silomma – backing vocals e coros

Internet:
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Edição: Lions Pride Music