quarta-feira, 27 de julho de 2016

Entrevista: Patinho Feio

Rock honesto e de entrega total. Por vezes cru, outras vezes mais rebuscado mas sempre em português. Assim se definem os Patinho Feio nas palavras de Filipe Pires, com quem conversámos a propósito do lançamento do disco Para Não Se Estar Calado.

Olá Filipe, tudo bem? Quem são os Patinho Feio?
O Patinho Feio somos todos… Nós, vocês… Há um Patinho feio em cada um… Pronto nós somos mais!

Quando e com que motivações nasce este coletivo?
A ideia de formar a banda surgiu do António Justiça, que entre o dia-a-dia de música clássica e as visitas ao tango com os Trio Porteño não consegue estar parado no que concerne às lides do rock, decidiu então desafiar alguns velhos amigos para fazer eclodir o Patinho Feio, a motivação é tocar fazer música… expressarmo-nos com isso…

Qual era o vosso background musical?
O Antonio e o André são músicos a tempo inteiro, os restantes elementos vieram completar os ingredientes de um bolo chamado rock que deve servir-se frio e com toques de irreverência.

Patinho Feio pode parecer um nome não muito adequado para uma banda de rock. De onde surgiu ele?
O imaginário proporcionado pelo conto de Anderson foi determinante na escolha do nome e o conto leva a isso mesmo e quantos de nós já se sentiram “patinhos feios” tristes, sós, desprezados? O Rock pode ser a libertação desse Patinho Feio, torná-lo um belo cisne.

Como descreverias a vossa sonoridade?
Digamos que é um rock honesto e de entrega total. Por vezes cru, outras vezes mais rebuscado mas sempre em português. Há um estilo próprio, um rock umas vezes melódico, outras mais depressivo e com algumas viagens psicadélicas.

Que nomes ou movimentos mais vos influenciam?
Há alguma variedade musical entre nós, se tivéssemos de referir influências há uma banda que nos marca bastante em Portugal, os Mão Morta, Mundo Cão… Por aí, pelo rock mais cru…

Para Não Se Estar Calado é o título do vosso primeiro álbum. Uma edição apenas em formato digital, certo? Quem a quiser adquirir onde a poderá encontrar?
O álbum começou a ser pensado no formato físico, o digital acabou por ser um acréscimo e visto para nos como um reconhecimento do nosso trabalho. Isso só foi possível com a ligação à Farol Música.  O disco físico com uma edição de autor, pode ser encomendado através da nossa pagina de facebook/patinhofeiorockandroll ou por mail para patinhofeiopf01@gmail.com . O digital está à venda em todas as plataformas digitais e ao alcance de um clic em qualquer parte do mundo.

Sempre em língua portuguesa?
Sempre! Isso foi algo que desde cedo definimos como certo, cantar na nossa língua. Há muitas bandas a cantar em inglês mas nunca quisemos que o Patinho Feio se chamasse “Ugly Duck” se bem que a título de brincadeira costumamos dizer que podíamos ter uma música chamada Bad Poetry ou um Porém que podia ser However.

E o que pretendem ainda fazer para não se manterem calados?
Vamos continuar a tocar e a tentar passar a mensagem do rock na nossa língua, que é tão bonita e tantas vezes desprezada.

Poesia Má é o single de estreia. Estão a pensar em lançar mais algum single?
Já estamos a trabalhar nisso, brevemente teremos mais novidades.

Projetos para o futuro. O que nos podem adiantar? Onde pensam poder chegar
Estamos otimistas com a saída do disco e encaramos o futuro com alguma expetativa, mas sem ilusões e com os pés no chão. O principal objetivo é continuar a tocar e a fazer música, até “para não se estar calado”. Entretanto no Outono estaremos já a preparar novo álbum, já começámos mas não digam a ninguém…

Muito obrigado, Filipe! Queres acrescentar mais alguma coisa?
Quack! Quack!

terça-feira, 26 de julho de 2016

Review: Transcendent (Rob Moratti)

Transcendente (Rob Moratti)
(2016, Escape Music)
(5.6/6)

Muito ativo nos últimos tempos, Rob Moratti ainda teve tempo para construir um novo álbum em nome próprio, o segundo, sucessor do excelente Victory de 2011. O homem que passou pela banda Moratti, pelos Final Frontier e que ainda gravou um álbum com os Saga, lançou o ano passado o seu tributo aos Journey e já gravou, este ano, todas as partes vocais do segundo disco de Rage Of Angels. Quanto a Transcendent, as expetativas eram altas, face à qualidade de Victory e quem gosta de AOR/rock clássico de fino recorte técnico não sairá defraudado com esta nova coleção de 12 temas. Bons temas, instrumentistas de qualidade e o talento incontestável e inegável dos vocais do canadiano, fazer deste disco um must para os fãs do género. O sentimento está lá, as melodias estão lá, a produção é de classe, os arranjos são inteligentes. Transcendent é por isso um disco elegante, nivelado por cima e mais uma demonstração que Rob Moratti é, atualmente, um dos melhores vocalistas dentro do seu género.

Tracklist:
1-                 Answer Of Life
2-                 Don’t Give Up
3-                 Edge Of Love
4-                 I’m Back
5-                 Lost And Lonely
6-                 I’m Flying High
7-                 Within Your Eyes
8-                 Midst Of June
9-                 There’s No Denying
10-             To Be An Honest Man
11-             Baby I'm Yours
12-             Euphoria

Line-Up:
Rob Moratti - vocais
Torben Enevoldsen – guitarras e teclados 
Fredrik Bergh – teclados
Tony Franklin - baixo 
Stu Reid – bateria
Christian Wolff – guitarras em # 2 e #5 
Ian Crichton – guitarra solo em #4

Internet:
Website    
Youtube   

Edição: Escape Music   

segunda-feira, 25 de julho de 2016

Entrevista: The Codfish Band

Devils Tongue é o registo de apresentação dos The Codfish Band e encontra-se disponível em formato digital numa edição da Farol. A banda nasceu em 2013 em Cascais e apresenta como principal curiosidade o facto de ter lançado este álbum de estreia sem nunca ter atuado. Fiquem com a história.

Olá pessoal, tudo bem? Quem são os The Codfish Band?
Os The Codfish são uma banda de Cascais, terra onde o rock continua a ter um papel importantíssimo. Na voz e guitarra temos o Luís Miguel Afonso, na outra guitarra está o Miguel Ros Rio, o Nuno Escabelado no baixo e na bateria e produção está o Pedro Kystos. O Miguel e o Pedro conhecem-se desde nascença, são irmãos o Nuno já era conhecido dos irmãos e o Luís era a peça que faltava para dar inicio ao projeto.

Gravar um álbum sem nunca terem atuado, não é muito comum. Como aconteceu isso?
A ideia surgiu durante um jantar, como já disse, já nos conhecíamos fazia tempo, há uns  anos atrás, deixamos umas músicas por gravar, mais concretamente o Miguel e o Nuno. E durante esse jantar decidimos gravá-las. Gravar um cd. Um cd para oferecer à família no Natal. Esta foi a ideia inicial. Claro,  convidamos o Luí para assumir as vozes o Pedro não teve escolha, mano mais novo foi “obrigado” a assegurar a bateria,  mal sabíamos, que estávamos a acordar algo adormecido dentro de nós. Dai para a frente foi queimar etapas, nada de concertos a prioridade era compor,  ensaiar e bora lá para estúdio gravar um cd de rock.

E depois do lançamento já atuaram? Como foi essa experiência e como foram as reações?
Ainda ponderamos não dar concertos, mas essa ideia desapareceu tão rapidamente como apareceu. Quando dizemos que nunca atuámos juntos, estamos a falar dos The Codfish Band. Porque já todos nós tínhamos atuado ao vivo.  Em formações diferentes, uns há mais tempo, outros há menos, mas já todos nós demos concertos, portanto não é nenhuma novidade, mas atenção, o facto de não ser novidade, não deixa de ser como se fosse o primeiro e o último.

De onde surge este nome The Codfish Band? Alguma ligação à gastronomia portuguesa?
O nome da banda foi escolhido com muita dificuldade… Tivemos a preocupação de escolher um nome, que sendo em Inglês tivesse ligações com Portugal. The Codfish Band não é a banda do bacalhau, é um cumprimento muito Português já fora de uso, “toma lá um bacalhau” entre músicos as guitarras são bacalhaus, e “bacalhau” além do dito peixe dá para muita coisa.

Como descreveriam a vossa sonoridade?
Rock que sabe a Rock.

Que nomes ou movimentos mais vos influenciam?
AC/DC, Buckcherry, U2, The Cult, Queens Of The Stone Age, Alice In Chains, Soundgarden, Jeff Buckley, The Killers, Joy Division, Jimi Hendrix, Herbie Hancock, Dave Mattews Band, Radiohead, Stone Temple Pilots, Beatles, Faith No More, Pantera, The Cult, Xutos, G’n’R, Rival Sons, Airbourne, Seasick entre outros 

Como foi a criação e gravação deste disco?
Foi nascendo à medida que os dias em estúdio passavam. A ideia era gravar uns temas existentes que nunca tinham visto a luz do dia, com o passar dos dias temas novos iam surgindo e ao mesmo tempo íamos abandonando os temas que deram ideia à gravação deste cd. Mas ainda ficaram alguns. Ao nível da composição de temas novos deixou-se entregue ao Miguel. Hoje olhamos para trás e damos conta da maluqueira que fizemos, ainda por cima tínhamos o tempo de gravação em estúdio contado, “lembro era um cd para oferecer”, dispusemos de 8 horas cada para gravar 12 temas, não é fácil, nem o ideal, mas demos o nosso melhor e saiu quanto a nós um belo cd de rock.

Que mensagem pretendem transmitir com Devil’s Tongue?
Para ser sincero não existiu a preocupação de transmitir mensagens na composição dos temas. Foram abordados temas do nosso dia-a-dia, da nossa vivência, um ou dois temas um pouco mais políticos casos do Mud e do 1000 Lies  mais do que transmitir uma mensagem é a nossa perspetiva da sociedade. Mas no final e como já o dissemos anteriormente, para nós o que este disco realmente transmite é o seguinte; nunca é tarde demais para transformares  o teu sonho em realidade, nunca.

Projetos para o futuro. O que nos podem adiantar? Onde pensam poder chegar
Podemos adiantar que o sucessor de Devil´s Tongue está a caminho e mais não dizemos.

Muito obrigado! Querem acrescentar mais alguma coisa?
Queremos desde já  agradecer à Via Nocturna, por todo o apoio dado à música Portuguesa e neste caso em particular aos The Codfish Band. Beijos e abraços . Um grande Codfish para todos.

domingo, 24 de julho de 2016

Entrevista: Space Elevator

Com um impressionante álbum de estreia homónimo, os Space Elevator ameaçam tornar-se um caso sério. O álbum está a ser muito bem recebido, a tournée britânica foi um sucesso e agora vem ai a Out Of This World Tour com os não menos impressionantes Cats In Space. O renascer do rock clássico passa obrigatoriamente por este quarteto britânico liderado pela enigmática The Duchess com quem conversamos a propósito de Space Elevator.

Olá The Duchess, obrigado pelo teu tempo! Quem são os Space Elevator? Podes apresentar a banda e falar um pouco do vosso historial até agora?
Olá, o prazer é nosso! Somos o guitarrista David Young, o baterista Brian Greene, o baixista Chas Maguire e eu, a vocalista The Duchess. O nosso álbum de estreia homónimo acaba de ser lançado na Europa e andamos em tournée pelo Reino Unido com o nosso espetáculo.

Como todos os membros têm carreiras brilhantes em nome individual, o que vos motivou a juntar esta banda?
David e eu já escrevemos há alguns anos para outras pessoas e decidimos gravar um álbum que foi completamente honesto e verdadeiro para nós mesmos. Foi completamente auto-indulgente! Nenhum pedido de desculpas, nenhuma tentativa para ser contemporâneo ou relevante, apenas o tipo de música que desejávamos ouvir e criar.

Como surge o nome Space Elevator?
Queríamos algo massivo que soasse como Led Zeppelin! Na altura não sabíamos o que era um elevador espacial, mas, na realidade, encontramos o nome, no site Doctor Who! Agora estamos a colaborar com a empresa que está a construir o primeiro elevador espacial do mundo, portanto quem sabe? Podemos acabar por fazer um espetáculo lá!

Falando de nomes... misterioso o teu: The Duchess! Algum significado em particular?
(Risos)! Bem, andei num colégio interno e os meus amigos chamavam-me isso quando regressava a casa, já que vinha de uma escola particular elegante. Tinha uma bolsa de estudos estatal mas foi um apelido engraçado e pegou! Também é a minha música favorita dos Genesis...

Recentemente lançaram o vosso primeiro álbum. Um grande álbum, de facto! Devem sentir-se  orgulhosos...
Obrigado! Estamos muito orgulhosos, mas também bastante espantados com o que conseguimos fazer, desde a conceção à produção, estando a ser tão bem recebido em todo o mundo, é verdadeiramente um sonho tornado realidade! Trabalhamos muito em todos os detalhes e um grande agradecimento vai para o nosso incrível produtor Adam Vanryne que é como o nosso George Martin!

De onde vem toda essa criatividade para conseguirem criar canções tão geniais?
Sonhos… Conversas ouvidas de forma aleatória, uma melodia que entra na tua cabeça e não te deixa, amores perdidos, pessoas que já nos chatearam, filmes que vimos, a inspiração está em toda a parte! Quanto mais mergulhas nela, mais inspirado ficas.

É verdade que optaram apenas por lançar o álbum nos formatos CD e vinil? Como tem sido a resposta a essa opção?
Sim, é verdade. Queríamos que as pessoas vissem o nosso álbum da mesma forma que era habitualmente. Ouvindo tudo de uma vez, lendo as notas, o lado A e B… Estávamos tão resolutos nisto que só depois percebemos que estávamos a perder todo um potencial público que apenas faz downloads. Agora também já está no iTunes, porque as pessoas pediram, mas o vinil tem sido uma escolha extremamente popular para os compradores mais exigentes!

O line-up que gravou o álbum foi um pouco diferente do atual, certo? Que mudanças aconteceram?
Tivemos o incrível Neil Murray (Whitesnake, Gary Moore, Black Sabbath) no nosso álbum, o que foi fantástico para nós. Infelizmente Neil é uma pessoa muito requisitada e não pode comprometer-se connosco para a atividade ao vivo, principalmente devido à ocupação com a sua banda Snakecharmer. Chas entrou em cena para os espetáculo, o que junto com Brian nos ajudou a criar um som ao vivo que é muito mais pesado e que se tornou parte integrante da banda. Um músico brilhante e que que permite grandes backing vocals. Agora não o deixaremos sair. Elliot Ware fez um belíssimo trabalho nos teclados no álbum e elevou as nossas músicas a um nível superior. Também ele é um músico muito ocupado já que trabalha com Ray Davis no musical Sunny Afternoon. Esperamos que possa estar de volta no próximo álbum, já que é um génio!

Estão atualmente em tournée. Como estão a decorrer as coisas?
Impressionante. Adoramos o olhar no rosto das pessoas quando nos vêem pela primeira vez! Na realidade entramos na nossa própria vida e damos às pessoas um espetáculo que não irão esquecer tão depressa! É ótimo poder viajar pelo país a tocar música e fazer novos amigos. O que poderia ser melhor?

E em breve, outra com os Cats In Space. Quais são as vossas expetativas?
Eles são uma banda incrível! Também trabalharam com Adam no seu álbum de estreia Too Many Gods. Eles têm um grande som clássico com melodias incrivelmente cativantes e estão a conseguir uma enorme base de fãs. Mal podemos esperar para colaborar com eles. Os nossos nomes espaciais também combinam bem! É o chamado Out Of This World Tour!

E que se prevê proximamente para os Space Elevator?
Em seguida, em setembro, vamos filmar um vídeo no Canadá com a empresa que está a desenvolver a tecnologia para o primeiro elevador. Vejam esse espaço sobre o que vão fazer que será de cair de queixo! Também uma nossa principal prioridade é o próximo álbum. Temos uma campanha a decorrer para que os nossos fãs possam entrar a bordo e acompanhar o progresso durante todo o tempo, talvez até tornarem-se parte do álbum!
http://www.pledgemusic.com/projects/space-elevator

Bem, The Dutchess, muito obrigado, mais uma vez! Queres acrescentar mais alguma coisa?
Obrigado a todos que ouvem a nossa música. Maciçamente apreciamos o vosso apoio, venham-nos ver num espetáculo um dia e dizer olá!

sábado, 23 de julho de 2016

Review: The Heathen Dawn (Lonewolf)

The Heathen Dawn (Lonewolf)
(2016, Massacre Records)
(5.6/6)

Novo álbum para os líderes do true heavy metal francês Lonewolf intitulado The Heathen Down e a principal novidade é a entrada de um novo guitarrista solo Michael Hellström. E podemos começar precisamente por aí, porque solos incríveis de beleza, técnica e velocidade não faltam nesta rodela. Há, também, muitas harmonias, melodias épicas, cavalgadas impressionantes. Tudo isto são caraterísticas do heavy metal e marca, também, dos Lonewolf. Mas o elemento que se destaca neste novo álbum é mesmo a qualidade dos solos. A parte vocal continua a ser a mais esforçada, embora até nos comecemos a adaptar ao registo pouco amplo de Jens Börner, pelo menos quando a qualidade envolvente acaba por fazer esquecer essas limitações. E, pelo menos a primeira metade do disco, é de uma qualidade impressionante, com um heavy metal de classe mundial. Depois, The Heathen Down abranda um pouco mas mantém sempre uma bitola elevada. Um disco para os verdadeiros e intemporais fãs de metal verdadeiro e intemporal.

Tracklist:
  1. A Call To Wolves
  2. Wolfsblut
  3. Demon's Fire
  4. Keeper Of The Underworld
  5. When The Angels Fall
  6. Until The End
  7. Rise To Victory
  8. Heathen Dawn
  9. Into The Blizzard
10. The Birth Of A Nation
11. Song For The Fallen
12. I Choose The Dark (Digipak Bonus)
13. Mother Faith (Digipak Bonus)

Line-Up:
Jens Börner – vocais, guitarra ritmo
Michael Hellström – guitarra solo
Rikki Mannhard - baixo
Bubu Brunner – bateria

Internet:
Website     
Facebook   
Twitter  

Edição: Massacre Records     

Notícias da semana

Os On Dolphin têm disponível desde ontem o seu álbum de estreia intitulado Layers. Liderados pela Melissa Lyn a música da banda tem sido descrita como indie rock para pessoas esperançadas e curiosas. Como curiosidade fica o facto do álbum ser lançado apenas em vinil.



O primeiro tema do novo álbum dos symphonic epic metallers Ivory chama-se Vanitas Vanitatum e já pode ser ouvido aqui. Southern Cross é o nome do novo álbum do coletivo com lançamento efetuado a 22 de julho via Rockshot Records.




Directions é o nome do EP de três temas do prog duo Middlesong. Joe Schneider (vocais, guitarras e teclados) e Phil Tomczak (teclados e guitarras) praticam uma heavy prog influenciado pelo classic rock com toques de folk, pop e Americana. Presença notada neste Directions é a de Billy Sherwood (Yes) que toca todos os instrumentos e produz o disco.


O guitarrista Fraser Edwards, mais conhecido pelo seu trabalho nos Ascension e na banda rock infantil Sharky Sharky, revelou o vídeo de Mentalist Brigade, o primeiro avanço do seu álbum de estreia I Am God. Neste projeto batizado com o nome do próprio guitarrista pontifica a sensação do Youtube Per Fredrik “Pellek” Asly nos vocais.



Wangari é um novo projeto nacional de World, Indie Rock, Afrobeat, Sampling, sendo que o primeiro álbum Elephants, já foi lançado. Os vídeos dos temas Animals, African Power, Yimanya e Homeland já estão disponíveis. Quem pretender ouvir o álbum completo, pode fazê-lo aqui.


Luís Guilherme, de Vila Real, é o mentor de Horns, projeto que acaba de lançar o seu primeiro trabalho totalmente criado por ele. O titulo é The Things That Makes You Live e são cinco temas numa cena de onemanband (o Luís gravou o baixo, a guitarra, a bateria, as vozes limpas e screaming, fez o artwork para a capa e a mistura das músicas), num projeto próximo do Hardcore Folk, Screamo Punk. O single intitula-se Scratching Activity.


Os Focus, verdadeiras lendas holandesas do prog rock estão de regresso com um novo álbum de originais intitulado Focus 8.5/Beyond The Horizon. As sessões de gravação deste álbum decorreram entre a tour sul-americana, pelo que é possível ouvir neste novo trabalho um conjunto de músicos brasileiros de grande qualidade como Arthur Maia, Mário Seve e Márcio Bahia.



Filmado durante a última digressão dos Fingertips por Los Angeles, surge agora o vídeo para o tema Kiss Me, um verdadeiro hino à paixão adornado pelo sol dourado da Califórnia.




Há alguns anos atrás, Thieves Of The Sun mostrou os Elmsfire ao mundo. Alguns problemas de line-up atrasaram o novo disco dos germânicos que agora surge sob o título Hour Of The Wolf, numa edição RecordJet. O vídeo Dance With The Dead já foi disponibilizado.

sexta-feira, 22 de julho de 2016

Entrevista: I UGO I

IUGOI é, a todos os títulos, um projeto notável. Hugo Pinto foi desenvolvendo esta entidade ao longo dos últimos anos que culmina com a participação de muita gente num disco memorável Leap Of Faith. Uma das provas mais consistentes da vitalidade que o rock português nos forneceu nos últimos anos. De forma clara e apaixonada, é o próprio mentor Hugo Pinto quem nos apresenta todo o desenvolvimento deste projeto.

Olá Hugo, tudo bem? Parabéns por este álbum extraordinário! Não deve ter sido nada fácil de concretizar este projeto. Mas deves estar absolutamente satisfeito?
Olá Via Nocturna. E obrigado pelo interesse no projeto |UGO| e pelas simpáticas palavras. Fazer este álbum foi uma jornada em si. Um processo longo, muito trabalhoso mas onde a dedicação dos 17 músicos envolvidos foi máxima. Portanto chegar até aqui e poder olhar para trás para contemplar tudo o que foi atingido, é algo que me deixa muito contente e orgulhoso. A isso junto o facto da aceitação deste álbum estar a ser também muito positiva. Quer em termos de reviews por sites especializados, quer em termos de resposta do meu público, penso que há uma geral satisfação com |UGO| e é um trabalho apreciado por quem o ouve.

Durante quanto tempo trabalhaste neste conjunto de temas?
Foram necessários alguns anos para terminar este álbum. Em meados de 2009, comecei a sentir a necessidade de em termos musicais fazer algo diferente do que tinha feito até então. No início do processo, falei com o meu amigo André Sousa (que é o produtor do álbum) que logo ficou interessado e me incentivou a não abandonar a ideia. Começámos então a trocar ideias em 2010 mas as gravações só começaram a acontecer no final de 2011 e foram dadas por terminadas a meio de 2015. Entretanto, meteram-se outros projetos musicais pelo meio que, por um lado, podem ter atrasado o processo criativo de |UGO| mas que, por outro lado, também enriqueceram o que estávamos a construir com este projeto único. Acredito no entanto que a principal causa que levou a que este disco demorasse cerca de 4 anos a ser terminado, tenha sido a grande quantidade de convidados. Por vezes, era difícil fazer coincidir as várias agendas para que os músicos pudessem dar o seu contributo às músicas. Alguns deles nem sequer estavam em Portugal e portanto foi algo que exigiu uma grande flexibilidade por parte de todos os envolvidos.

E como foi o processo de seleção dos músicos que aqui te acompanham? São 15, não é verdade?
Eu já conhecia bem em termos pessoais e/ou musicais as pessoas que decidi convidar para fazerem parte deste disco. Tinha uma ideia concreta daquilo que cada um deles poderia oferecer às músicas pois já tínhamos colaborado noutras andanças musicais. Desta forma, limitei-me a estudar qual seria a pessoa indicada para cada música e fui falando com os músicos em particular. Sabia que não iria ficar desapontado pois todos eles são excelentes no que fazem. Depois foi só esperar que eles gostassem da ideia e das músicas mas, felizmente, todos eles ficaram muito satisfeitos com o material que lhes fui mostrando quando estava a começar a montar o projeto. Só nas vozes o processo não foi tão simples. Sei que a voz pode salvar ou estragar uma música e portanto fui muito meticuloso nesta escolha. Já conhecia bem o Miguel Bugalho com quem tenho outros projetos musicais mas não conhecia os outros três vocalistas – Débora Contente, João Rodrigues e Roberto Araújo. Coloquei um anúncio na internet explicando aquilo que pretendia. Recebi muitos contactos de vocalistas interessados mas nem todos tinham aquilo que eu procurava para as vozes. Até que encontrei as pessoas certas. Trocámos muitos e-mails no início do processo para que eu lhes conseguisse explicar o que era o projeto e o que pretendia deles enquanto vocalistas. Felizmente… foi um triplo casting fabuloso pois todos eles são cantores espetaculares e super generosos que deram o máximo de si pelo projeto |UGO|. E ainda acabámos por ficar amigos depois desta aventura musical. No final, todos os vocalistas tiveram uma grande responsabilidade para que o disco soasse tão bem e para que as músicas tenham conseguido atingir a qualidade e a diversidade que eu desejava desde o início.

O André Sousa também foi uma peça indispensável?
Sim e a todos os níveis. Posso dizer sem rodeios que, sem ele, |UGO| não existiria. Não só ele foi providencial na parte mais técnica do projeto (a nível de gravação, mistura e masterização), como também tocou imensos instrumentos ao longo do disco. Há também vários temas onde me ajudou na composição da música. Eu não precisava da parceria dele neste projeto para saber que tínhamos uma forte amizade para toda a vida… mas estou certo que tê-lo “no barco” comigo, me ajudou a ter ainda mais certezas disso. Além do mais, ele também fez bastante força para que eu levasse este projeto avante. Sei que foi ele a primeira pessoa que acreditou neste meu projeto. Talvez até antes de mim.

Mas, de volta ao início, o que te motivou a criar esta obra grandiosa?
A coisa que mais gosto na música… é de fazê-la. Desde muito pequeno que me lembro de ficar fascinado com as pessoas que faziam música. Não tanto com os que a tocavam ou cantavam mas sim… com os que a compunham. E desejava criar um projeto que me permitisse ser dono e senhor das minhas criações musicais. Foi um motivo primeiramente pessoal. Mas claro que a obra foi evoluindo mais e mais… e deixou de ser apenas minha. Cada um dos outros 16 músicos que aparece no álbum… deu algo de si às músicas fazendo com que |UGO| fosse bem mais do que o projeto individual duma pessoa. Pode ter sido começado por mim… mas cresceu para algo muito maior entretanto.

Tendo tido experiência como baterista de diferentes grupos, como te sentiste nesta viagem?
Bem, a parte da bateria não foi uma coisa muito complexa onde me tenha dedicado muito em |UGO|, pois pensei mais as músicas enquanto compositor do que enquanto performer. Tocar bateria e os outros instrumentos que toco neste disco foram mais um meio para atingir um fim, que era o de ter as músicas finalizadas. Em termos de bateria, preocupei-me em seguir padrões simples que beneficiassem a música em detrimento da técnica. Penso que a experiência que tive noutras bandas me ajudou a delinear facilmente que tipo de abordagem pretendia para as secções rítmicas da música.

E depois do sucesso desta experiência chamada Leap Of Faith, haverá hipóteses de voltar a tocar com algumas dessas bandas onde já atuaste?
Sim, estão pensadas novidades para os próximos tempos. Neste momento estou a começar as gravações dum disco com uma banda chamada “Comitiva Charlie”. Também a banda “Alves Baby”, com um EP lançado em 2012, pode estar num hiato por agora mas não está extinta e é meu desejo que lancemos material novo durante este ano. Vamos ver o que o futuro nos traz.

Para além de um longo álbum com 15 temas, já há vídeos para sete deles. Tem sido uma forte aposta tua neste setor?
|UGO| é uma coisa bem diferente duma banda comum. Não está tão vocacionado para as apresentações ao vivo, por razões óbvias, uma vez que ao todo somos 17 músicos que compomos o projeto. Por outro lado, não deixa de ser verdade que quero que as músicas cheguem às pessoas e que o projeto acabe por ter vida própria de uma forma especial. E porque gosto de videoclips… tem sido uma aposta natural e continuará a ser. Talvez até venha a ser o disco com mais videoclips da história! Porque não? (Risos). Não há qualquer constrangimento criativo neste projeto. Tenho feito aquilo que quero. Acrescento ainda que não gosto muito de pensar as músicas enquanto singles e fillers. Para mim… todas as músicas do meu disco têm potencial para merecerem um videoclip. Portanto, vamos ver quantos novos videoclips aparecerão num futuro próximo.

E como surgiu a ideia de fazer vídeos com personagens do universo lego? Não deve ter sido um trabalho nada fácil...
Gosto muito de animação. Sou um apaixonado por filmes de animação em geral e em stop motion, especialmente. E também gosto do universo lego. Contactei os rapazes do estúdio C656 que é um estúdio chinês com bastante experiência em vídeos em stop motion e perguntei-lhes se poderiam disponibilizar-me algum footage para um videoclip. Eles adoraram a ideia e gostaram muito da minha música. Disseram logo que sim. Sei que para recolherem as imagens para este vídeo foram necessárias mais de 2500 imagens e cerca de um mês de trabalho. Algo muito trabalhoso mas que acabou por ficar muito especial e original.

E quanto aos outros vídeos, como tem sido o processo de trabalho?
Tal como em termos musicais cada tema é uma história diferente… também em termos de videoclips… todos os vídeos são diferentes e têm temas e linguagens diferentes. Já tivemos vídeos com um cariz social, lyricvideos, de animação, com desportistas de parkour a correr com câmaras GoPro na cabeça… enfim, coisas bem díspares entre si. E tenho mais algumas surpresas na manga para novos videoclips. Gosto de fazer coisas diferentes que vão de encontro ao que a música pede.

E ainda há mais para vir?
Sim, aparecerão mais videoclips num futuro próximo. Como bónus vou partilhar em primeira mão com os leitores do Via Nocturna que o próximo videoclip será o da música Noite das Facas Longas. Fiquem atentos.

Deixando os vídeos e entrando na música, este disco é de facto bastante eclético. Conseguiste expressar todos os teus sentimentos de diferentes formas?
Julgo que sim. Desde o início que disse a mim próprio que |UGO| deveria ser uma folha em branco, uma tela por estrear… para que eu pudesse fazer o que me apetecesse em termos musicais e artísticos. Não houve entraves criativos. Como eu próprio tenho gostos ecléticos na música e gosto até das bandas que são capazes de arriscar e oferecer-nos vários tipos de sonoridade num só álbum… tentei fazer o mesmo. Mas não foi algo forçado. Não me impus isso. Apenas segui os caminhos para onde a minha criação me levou. Como num salto de fé, mesmo quando tive dúvidas, receios ou incertezas… decidi arriscar sempre.

Como tem sido a promoção a este trabalho?
A promoção tem sido através das redes sociais, com o lançamento de novos videoclips e com alguns artigos que quer na televisão, quer na rádio ou nos sites especializados, têm dado algum destaque a este projeto. Por vezes não parece haver real interesse por parte dos grandes meios mais mainstream (as rádios, as revistas, a televisão) em apostar em nova música mas isso é algo que tem que ir sendo combatido pelos músicos independentes – e porque não pelo próprio público? -, passo a passo. De resto, o disco está disponível em todas as plataformas digitais (iTunes, Google Play, Spotify, Deezer, Amazon, Tidal, Groove, etc.), nas lojas especializadas de música de Lisboa e Porto e através da loja online de |UGO| no site oficial. (www.ugooficial.com).

E que projetos tens já em vista para os próximos tempos?
Estão previstos novos videoclips para |UGO|, para já. Entre o ano de 2016 e 2017 espero também conseguir lançar mais material quer pela banda Alves Baby, quer pelos Comitiva Charlie.

Muito obrigado, Hugo! Queres acrescentar mais alguma coisa?
Eu é que agradeço pela oportunidade e espero que o Via Nocturna continue a fazer um bom trabalho na promoção da música portuguesa. Um abraço.