Escape Music

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sábado, 25 de Outubro de 2014

Review: Garbo (Garbo)

Garbo (Garbo)
(2014, Independente)
(5.9/6)

Já perdemos a conta a projetos nacionais, feitos por gente portuguesa, cá dentro ou não deste Portugal, cantado ou não em português que nos últimos anos têm espalhado qualidade. Os Garbo vêm de Coimbra e são outro coletivo de grande qualidade que merece crescer, desenvolver, ter oportunidades, aparecer. O seu EP homónimo, composto por cinco temas é um verdadeiro hino à forma como fazer excelente rock, cantado em português, onde tão bem se destaca a voz de Tânia Xisto a interpretar de forma brilhante, não menos brilhantes conjuntos de verdadeiros poemas. Sim, porque Garbo é forte no seu rock musculado, intenso e simultaneamente subtil; mas também é forte nas palavras e nos conteúdos. Um conjunto completo a quem ninguém deve ficar indiferente. Diz o press release que acompanha este curto mas intenso e belíssimo lançamento que aqui temos a alma lusitana do rock. Não poderíamos estar mais de acordo. Ficamos é ansiosamente à espera de mais!

Tracklist:
1. Armadilha
2. Passo a Passo
3. Príncipe
4. Domínio
5. P.S. (Falo da Saudade)  

Line-up:
Tânia Xisto - vocais
Jaime Santos - guitarras
Pedro Marques - baixo
Pedro Almeida - guitarras
José Monsanto - bateria

Internet:

sexta-feira, 24 de Outubro de 2014

Entrevista: The Call

Michael Been foi o mentor dos The Call, banda rock ativa durante os anos 80. O seu falecimento ocorreu quando trabalhava como engenheiro da banda do seu filho Robert, os Black Rebel Motorcycle Club. Na altura já os The Call estavam inativos. A grande homenagem a Michael, com a presença do seu filho no seu lugar, decorreu em dois espetáculos em S. Francisco e Los Angeles que foram gravados e agora disponibilizados. Numa entrevista cheia de sentimento com o teclista Jim Goodwin lembrámos um pouco da história dos The Call, embora nos tenhamos focado mais em detalhe neste sentido tributo.

Olá Jim! Obrigado por esta entrevista! Os The Call estão de regresso com uma homenagem ao seu falecido vocalista Michael Been. Quando esta ideia começou a ganhar vida?
Depois de Robert ter cantado You Run no memorial de Michael.

E quem foi o principal responsável?
Tom Ferrier perguntou-lhe se queria fazer uma performance maior com a antiga banda. Rob fez um ensaio em conjunto em Los Angeles e todos nós sentimos que poderia resultar. Foi necessária uma quantidade enorme de trabalho por parte do Rob, obviamente, mas todos nós apoiamos o seu esforço.

De regresso ao passado, o que aconteceu em 1990, para pararem repentinamente depois de sete álbuns bem recebidos?
Casei e quis ter filhos e queria estar em casa com eles, não na estrada com uma banda.

Ainda antes disso, as vossas primeiras demos foram todas rejeitadas por todas as grandes editoras. Como lidaram com essa situação na época?
Na altura ainda não estava na banda. Mas também eu fui rejeitado por bastantes editoras. É uma questão de manteres a fé e continuar a fazê-lo porque amas o que fazes, e não porque queres ser validado.

Todavia, em 1997, estavam de regresso com um novo álbum. Desde aí, nunca mais se juntaram de novo até 2013?
Michael tinha um álbum que precisava por cá fora, por isso voltamos apenas por esse álbum. É um álbum poderoso - To Heaven And Back. Vamos relança-lo no próximo mês pela Label Records.

Finalmente, em 2014, decidiram gravar um dos vossos espetáculos. Onde gravaram?
Filmamos um em San Francisco, no Slim’s e na noite seguinte em Los Angeles no The Troubadour.

Consegues descrever os primeiros espetáculos dos The Call sem o Michael, mas com o seu filho?
Isso é uma grande questão para ser respondida. Houve tantos sentimentos e nuances. Fiquei impressionado com a capacidade de Rob para tocar os licks de baixo e cantar todas as letras.

Acredito que estes espetáculos tenham sido bastante emotivos. Como lidaram vocês, em palco, com todas as memórias?
Senti uma saudade tão profunda, que pensei que estávamos novamente em 1986. Principalmente foi como um sonho, muito surreal. Havia tanta coisa que era familiar e, ao mesmo tempo, tanto que era novo. Ouvi as músicas de uma maneira completamente diferente por causa da minha idade e experiência de vida. Foi uma das mais maravilhosas semanas da minha vida.

E neste espetáculo que foi gravado esteve presente a irmã de Michael. Houve uma altura em que a apresentaram…
Linda. Foi muito emocionante para todos nós. Ela é um anjo.

Como foi a adaptação de Robert à banda e às músicas dos The Call?
Rob fez algo que poucas pessoas conseguiriam fazer. Aprendeu todos os licks de baixo, e não apenas as linhas de baixo. Depois, memorizou todas as letras, e são muitas. Ele parecia muito o seu pai em 1986, a pregar partidas nas nossas mentes. Todos nós pensamos que estávamos em 1986. A voz de Rob é diferente, mas ele encontrou o tom que nunca soube que tinha. Foi maravilhoso.

Como receberam os vossos fãs a notícia do vosso regresso com o filho de Michael?
Os fãs estavam muito bonitos! Especialmente em San Francisco. Pude sentir o amor da multidão derramado no palco como as ondas do oceano. A sua empatia com um filho que tinha perdido um pai, e a reverência que sentia pelo seu pai. Era como se eles quisessem mostrar a Rob quanto eles amavam o seu pai. Foi a energia mais espiritual que já senti. Os nossos espetáculos sempre tiveram algo assim, mas neste foi diferente. Foi muito poderoso.

Esta ideia é para parar após alguns espetáculos ou é para continuar? Há a hipótese, também, de um novo álbum de originais?
Não sabemos o que o futuro nos reserva. Não acho que façamos isso sem o Rob. E não sei se ele precisa de o fazer novamente. Foi um evento e foi perfeito.

Bem Jim, foi um prazer conversar contigo. Queres acrescentar mais alguma coisa?
Apenas "obrigado". Estamos muito gratos pelo apoio de todas as pessoas cujas vidas foram tocadas pela nossa música. Michael foi um dos maiores, um dos mais poéticos letristas como frontman de uma banda de rock de sempre. Todos tivemos a sorte de poder colaborar com ele. E nós estamos eternamente gratos a todos os fãs que vieram para ouvir e participar. Gostaria que houvesse mais escritores como Michael no Rock and Roll. Acredito que estejam por aí. Talvez a nossa música possa inspirar um a levantar a tocha. Deus abençoe!

quinta-feira, 23 de Outubro de 2014

Playlist 23 de outubro de 2014


Review: Ruins Of A Riot (Nicke Borg Homeland)

Ruins Of A Riot (Nicke Borg Homeland)
(2014, Gain Music)
(5.2/6)

O vocalista dos Backyard Babies, Nicke Borg, já vai no seu terceiro trabalho a solo, este produzido e coescrito por Mats Valentin (como já havia feito com Tony Harnell e os The Poodles). Na verdade, trata-se de um regresso às suas origens do hard rock clássico num disco curto e composto por temas também eles curtos. Curtos e diretos, crus e sem grandes aventuras nem explorações técnicas. Eventualmente ainda resquícios da suas experiência passadas em grupos punk como os Social Distortion ou Rancid. Por isso, também enérgico, ritmado e fragmentado com melodias orelhudas e bastante potencial radiofónico derivado à existência de uma ténue (ainda que sensível) linha pop que se intromete nesse punk/hard rock. Pode falar-se em liberdade criativa de Nicke Borg que neste projeto Homeland entra por caminhos diferentes ao que nos habituou. Certo. Mas isso não invalida que, apesar de tudo, não esperássemos mais, atendendo ao seu passado. Ruins Of A Riot acaba por ser um disco que vive de algumas belas melodias, um par de temas de excelência (Making Out With Chaos, End Of The Rainbow e Devil Angel Mother – único espaço deixado à emotividade) e de toda a energia nele colocada. Um disco que começa muito bem, acaba razoavelmente bem, mas que pelo meio poderia ser mais convincente.

Tracklist:
01. This Army
02. Makin Out With Chaos
03. Midsummer Mad
04. End Of The Rainbow
05. Borrowed Feathers
06. Out Of Line
07. Revolution
08. Heartless Hooligan
09. Ruins Of A Riot
10. Devil Angel Mother      
  
Line-up:
Martin Karlsson - bateria
Mattias Johansson e David Bukovinszky – violin e violoncelo
Nicke Borg e Mats Valentin – todos instrumentos

Internet:

Edição: Gain Music

quarta-feira, 22 de Outubro de 2014

Entrevista: The Joy Of Nature

The Joy Of Nature é o projeto musical do açoriano Luís Couto, criado em 2006. A música absorve elementos da folkambientindie e postrock, para criar as suas telas musicais através da experimentação. Conta no seu catálogo com diversos discos, entre CDs, singles em vinilo e CD-Rs, editados por etiquetas de países tão diferentes como Áustria, E.U.A., Polónia e Portugal. O projeto acabou de lançar Two Leaves Left, um miniálbum, editado numa edição limitada a 50 exemplares. Este foi o mote para uma conversa com Luís Couto.

Olá Luís! Obrigado pela tua disponibilidade. O teu projeto The Joy Of Nature já existe desde 2006. Podes fazer uma breve resenha histórica da sua evolução?
Em 1998 comecei a usar o computador como estúdio de música e criei dois projetos: um com sonoridade mais próxima do rock independente – Moving Coil – e outro que ia beber mais a fontes tradicionais (mesmo que de outros países) e ao dark ambient – The Joy of Nature and Discipline. Com este projecto apenas foram gravados, entre 1999 e 2003, dois temas para uma compilação e um álbum. Este (saído em cassete e CD-R, em edição limitada) acabou por se tornar, um pouco, objecto de culto. Em 2006, o projecto foi ressuscitado com o nome reduzido e com uma mudança de sonoridade: deixei de usar samples e o som baseava-se quase unicamente em instrumentos acústicos e recolhas sonoras de sons naturais. Com o passar do tempo, os instrumentos elétricos (como a guitarra e o baixo) foram ganhando um lugar na música. É mais difícil falar de uma evolução da sonoridade, pois foram mantidas paralelamente diversas orientações musicais: uma mais folk, outra mais experimental, outra mais indie. Uma delas predomina num trabalho, outra predomina noutro. A nível de edições, entre 2006 e 2010 foram editados 3 CDs, dois pela austríaca Anhstern e um pela editora da Polónia Rage In Eden; dois singles em vinilo, pela americana Little Somebody Records e pela portuguesa New Approach Records; e isto para não falar de compilações e edições de autor e em CD-R.

Como descreverias The Joy Of Nature?
Tenho muita dificuldade em descrever The Joy of Nature... É um projecto musical algo pessoal, mas sempre aberto a colaborações, cuja música se baseia essencialmente nos instrumentos e sons acústicos para criar paisagens musicais, tanto interiores como exteriores. É como pintar com música e sons.

O que motivou a criar um projeto com estas caraterísticas?
Simplesmente, a dada altura, surgiu o conceito e a ideia de fazer música essencialmente acústica, inspirada principalmente pela folk. Houve algumas experiências pessoais que contribuíram para isso, mas prefiro não falar nelas. Não foi algo pensado durante muito tempo, foi mais uma espécie de insight (risos).

Já tinhas experiência noutros coletivos e/ou noutros géneros musicais quando iniciaste TJON?
Sim. Entre os 19/20 anos fui vocalista de uma anda de punk rock, posteriormente criei outro projecto a solo – Moving Coil – mais virado para o rock independente e que marcou em presença em algumas compilações da extinta Bor Land e de novos talentos da FNAC. Mais tarde, o projeto continuou como duo, com a Mara Neves, e com o nome aquarelle. Moving Coil irá regressar em breve, mas com um nome ligeiramente alterado – Moving Trees - e será a forma de mais facilmente explorar sons mais rock, que já não cabem no universo de The Joy of Nature.

Este é um projeto essencialmente baseado em ti mas que se socorre de alguns convidados. O que procuras atingir quando se dá essa situação de convidares alguém?
É óptimo quando conseguimos contar com alguém que sabemos que poderá adicionar algo àquilo que criamos, que percebe a nossa linguagem musical, o que queremos transmitir. Mas não é fácil encontrar e aqueles que têm colaborado em The Joy of Nature também têm as suas próprias bandas e projectos, que lhes ocupa a maioria do seu tempo.

Ao longo destes anos tens mantido uma interessante sequência produtiva. De onde te vem a inspiração?
Muitas vezes da própria observação da natureza. No passado, houve uma forte influência de alguma literatura tradicional europeia e de recolhas etnográficas. Mas, de uma forma ou de outra, a música acaba por reflectir as minhas próprias vivências.

Recentemente lançaste Two Leaves Left. De que forma se aproxima e/ou afasta da tua produção anterior?
Cada trabalho é único. Este foi o trabalho que, até hoje, levou mais tempo a ser feito, depois de um afastamento da música que durou quase um ano. Foi sendo gravado lentamente ao longo de ano e meio. É mais focado que trabalhos anteriores como My Work Was Not Yet Done ou a Evasão das Fadas e foram utilizados menos instrumentos, havendo também menos camadas sonoras. Mas, em geral, não destoa da restante discografia de The Joy of Nature.

Dizes que este é um álbum baseado no isolamento. O facto de viveres nos Açores de alguma forma influencia ou não?
Os ilhéus são geralmente mais fechados e, por outro lado, viver numa ilha tem as suas limitações. De qualquer maneira, o isolamento de que fala o disco não está relacionado com questões geográficas. É o isolamento da vida moderna, com as redes sociais e o isolamento de uma forma de vida cada vez mais passada online.

Suponho, até pelo título e pela bela capa, que manténs uma forte influência da natureza. A tua componente ecológica tem-se mantido ao longo dos teus trabalhos, não é verdade?
O conceito de natureza que está no nome é um pouco mais alargado, digamos que é a “Natureza” da natureza. Mas obviamente que há uma componente ecológica, apesar de não se manifestar diretamente nas letras. Como podemos apreciar a natureza quando dela vivemos afastados?

Ainda não foste conotado com a Quercus ou qualquer outra associação ambientalista? (risos!!)
Não, estou à espera que alguma associação ambientalista me convide a colaborar!

Voltas a contar com alguns convidados neste teu trabalho? Qual o seu input?
O Gustavo, da Argentina, participou com alguns instrumentos exóticos, como as chak’chas ou o theremin. O Gustavo tem colaborado desde há algum tempo para cá em The Joy of Nature e nem preciso de lhe dizer nada. Sem dúvida que deu outras cores à canção em que colaborou.

Em termos de vídeos, já tens alguma coisa retirada de Two Leaves Left?
Foi feito um vídeo para the boy with the gun waiting by the sea e será feito outro para behind the window. O vídeo para este último tema já está pensado, mas falta tempo para o concretizar.

Estás a pensar levar Two Leaves Left para palco?
Há planos para levar The Joy of Nature de regresso aos palcos no próximo ano. Obviamente que um ou outro tema de Two Leaves Left será tocado, mas há muito por onde escolher entre o vasto repertório e, além disso, dá sempre algum gozo fazer uma ou outra cover ao vivo (quase de certeza que será feita uma de uma canção de Mark Lanegan).

Mais uma vez obrigado! Queres acrescentar mais alguma coisa ao que foi dito ou deixar alguma mensagem?
Obrigado por esta entrevista! As mensagens que há a deixar já foram deixadas através da música. Visitem o Bandcamp de The Joy of Nature e poderão ouvir todos os seus trabalhos.

terça-feira, 21 de Outubro de 2014

Review: A Tribute To Michael Been (The Call feat. Robert Levon Been of B. R. M. C.)

A Tribute To Michael Been (The Call feat. Robert Levon Been of B. R. M. C.)
(2014, Label Records/Lightyear Entertainment)
(5.1/6)

Os The Call nasceram em 1980 em Santa Cruz, Califórnia, e entre 1982 e 1990 lançaram sete álbuns aclamados pela crítica até porem um ponto final na carreira. Regressariam em 1997 para mais um álbum e terminariam, agora definitivamente. O principal mentor da banda, Michael Been, vocalista, guitarrista, baixista e teclista dedicou-se então a ser engenheiro de som na banda do seu filho Robert Levon Been – os Black Rebel Motorcycle Club. Nestas funções acabaria por encontrar a morte, devido a um ataque cardíaco, a 19 de agosto de 2010 nos bastidores do Pukkelpop Music Festival em Hasselt, Bélgica. Os The Call regressariam em 2013, precisamente com Robert Levon Been a substituir o seu pai e agora é editado, como forma de homenagem e tributo ao responsável máximo pelo nascimento da banda, esta caixa onde se apresenta o concerto que o quarteto proporcionou no The Troubador em LA, em CD áudio e DVD. São, no total, 14 temas, incluindo os hits Let The Day Begin e I Still Believe (Great Design), entre muitos outros temas emblemáticos da banda como I Don’t Wanna, a bluesy Turn A Blind Eye e as bem roqueiras Modern Romans e The Walls Come Dawn. Este álbum foi registado numa memorável noite com uma incrível prestação dos The Call e de Robert Levon Been e com um forte sentimento de emotividade, presente, por exemplo quando foi apresentada a irmã de Michael Been, vinda diretamente de Oklahoma, bem como nos temas Red Moon, You Run, num registo intimista (apenas voz e guitarra) e, principalmente, o fecho em jeito de oração com Uncovered. Para quem não conhece (ou pelo menos já nem se lembrava deles), fica a informação que se trata de uma banda de rock típico dos anos 80, navegando em ondas próximas de uns INXS, U2, Cock Robin ou Simple Minds (com quem chegaram a compartilhar o palco).

Tracklist:
1.      Everywhere I Go
2.      I Still Believe
3.      I Don’t Wanna
4.      Floating Back
5.      Into The Woods
6.      Turn A Blind Eye
7.      Oklahoma
8.      You Were There
9.      Red Moon
10.  Let The Day Begin
11.  Modern Romans
12.  You Run
13.  The Walls Come Down
14.  Uncovered
       
Line-up:
Jim Goodwin – teclados
Tom Ferrier – guitarras
Scott Musick – bateria
Robert Levon Been – baixo, guitarra acústica, vocais

Internet:

Edição: Label Records/Lightyear Entertainment 

segunda-feira, 20 de Outubro de 2014

Review: Back From The Edge (MindMaze)

Back From The Edge (MindMaze)
(2014, Inner Wound Recordings)
(5.6/6)

Uma capa de rara beleza, o nome do baixista dos Symphony X, Mike LePond, como músico de sessão, uma bela lista de convidados onde pontifica Jens Jonhansson (Stratovarius), pode afastar a atenção de um dos melhores discos de heavy metal deste ano. Os MindMaze são da Pennsilvânia e Back From The Edge é já o seu segundo trabalho, sucessor de Mask Of Lies de 2013. E se é certo que as female-fronted metal bands já conheceram melhores dias, não é menos verdade que Sarah Teets não pretende imitar nem seguir ninguém e é apenas ela própria. Associado, há um conjunto de músicos capazes de criar um heavy metal de caráter que tanto descai para o power metal como para o prog – sendo que no tema final até um pouco de folk/celta surge – mas mantendo sempre uma forte ênfase na componente melódica e harmónica. Nos momentos rápidos e cheios de power, Vandroya é a principal referência; nos momentos mais prog a coisa varia entre os Symphony X (bem patente em The Machine Stops, por exemplo) e os nossos Blame Zeus. Back From The Edge é um disco cheio de agradáveis surpresas e com um conjunto de temas realmente impressionantes: o tema título, o épico The Machine Stops, Consequence Of Choice e Onward (Destiny Calls II). Bases pesadas com guitarras bem conseguidas, solos de grande efeito, melodias cativantes, inteligente introdução de apontamentos acústicos, breakdows a preceito. Tudo junto num álbum que, como se percebe, se impõe por si próprio sem necessitar de puxar pelos galões dos convidados.  

Tracklist:
01. Back From The Edge
02. Through The Open Door
03. Moment Of Flight
04. Dreamwalker
05. The Machine Stops
06. Consequence Of Choice
07. End Of Eternity
08. Onward (Destiny Calls II)
       
Line-up:
Sarah Teets – vocais
Jeff Teets – guitarras
Kalin Schweizerhof – bateria
Mike LePond – baixo (músico de sessão)

Internet:

domingo, 19 de Outubro de 2014

Flash-Review: My Work Was Not Yet Done (The Joy Of Nature)


Álbum: My Work Was Not Yet Done
Editora: Ship Of Fools Records
Ano: 2012
Origem: Portugal
Género: Ambient/Indie/Folk/Experimental
Classificação: 3.9/6
Breve descrição: Trabalho de 2012 do açoriano Luís Couto marcado pela utilização de diversificados recursos estilísticos e musicais – predominantemente acústicos – para cruzar as vertentes natural e orgânica com a maquinal e experimental. Assim são criadas as mais díspares paisagens sónicas de cariz ambiental, étnico, intimista, minimalista, sacro, multicultural e multilinguístico.
Highlights: El Gran Dia Al Fin Llegó, Lavanda Leite e Mirra, Boneca De Olhos Verdadeiros, Ballarina
Para fãs de: Ataraxia, Arrowwood, Novemthree

Tracklist:
1.      November
2.      No Cambiaras Lo Que No Pudes Cambiar
3.      Song Of Quiet
4.      Interlude From The Garden Of Delights
5.      El Gran Dia Al Fin Llegó
6.      Beyond The Scenery
7.      Lavanda, Leite e Mirra
8.      Once The Dreamer Began To Dream Reality (Only A Glimpse)
9.      A Song To The Sun
10.  The Troubadour And His Lady In The Woods
11.  Boneca de Olhos Verdadeiros
12.  Dream Within A Dream
13.  Waltz From Erased Days
14.  Ballerina
15.  All The Pretty Little Horses
16.  The Flow

Line-up:
Luís Couto – todos os instrumentos
GrMateo – vocais
Mara Naves – vocais
Rui Almeida – guitarra
Helena Ferreira – vocais
Ricardo Farias – bateria