domingo, 20 de Abril de 2014

Review: The Search Goes On (Kamchatka)

The Search Goes On (Kamchatka)
(2014, GMR Music)
(5.6/6)

Os Kamchatka são mais uma banda saída dos limites suecos carregando autenticidade, personalidade e com muita qualidade. Ativos desde 2001, o trio lançou em fevereiro o seu novo e quinto álbum, The Search Goes On que conta com dez faixas e é o sucessor de Bury Your Roots (2011). Os Kamchatka são um power trio altamente influenciado pelas bandas de Blues-rock dos anos 60’s e 70’s, (especialmente Bad Company e Free). A sua sonoridade combina o blues-rock, stoner-rock e o psychedelic-rock de forma brilhante em temas como por exemplo Coast To Coast, Son Of The Sea, Broken Man, Thank You For Your Time ou Dragons. Em The Search Goes On  a adição de Per Wiberg, ex-Opeth, músico reconhecido pelo enorme talento acrescentou muito ao som da banda, que agora se mostra mais solto, diversificado e rico. Sem nunca perder o sentido de melodia. O trio atinge, assim, a sua maioridade criativa, trabalhando cada pormenor de forma criteriosa. Por isso, The Search Goes On é um disco de excelente qualidade com apenas um destinatário: os fãs de boa música.

Tracklist:
1 Somedays
2 Tango Decadence
3 Coast To Coast
4 Son Of The Sea
5 Broken Man
6 Pressure
7 Cross The Distance
8 Thank You For Your Time
9 Dragons
10 The Search Goes On

Line-up:
Thomas "Juneor" Andersson – guitarras e vocais
Tobias Strandvik – bateria
Per Wiberg – baixo e vocais

Internet:

Edição: GMR Music 

Notícias da semana

A banda belga de female fronted heavy metal, Hell City, entrou nos The Noise Factory Studio para gravar o seu terceiro álbum que deverá sair em finais deste ano. Para dar um cheirinho deste novo disco está disponível o vídeo do primeiro single Ice Cold Rage.

Os Impaled Nazarene que estão de regresso com o seu 12º trabalho Vigorous And Liberating Death são o maior destaque da nova edição da revista Against. Nesta edição podem ainda ler entrevistas com Enthroned, Sargeist, Ordog, Pet Slimmers Of The Year, Pact, Ogre, Valley Of The Sun, Wormreich, Levania e Eths. Isto claro, para além das rubricas habituais como reviews, live reports, livros e cinema. Para ler online acedam aqui, para fazer o download em PDF aqui.

Na tradição dos grandes nomes do rock progressivo conceptuaI surge a estreia dos Sontaag já descrito como uma ópera de space rock como os Pink Floyd nunca escreveram. Sontaag é um cruzamento entre o space rock grand opera com música contemporânea e cinematográfica. Os Sontaag são Richard Sontaag (composição, conceito, todos instrumentos) e Ian Fortnam (história, letras, vocais e conceito). O disco tem edição agendada para 28 de abril via Esoteric Antenna. Podem adquirir o álbum aqui.

A banda internacional de metal melódico Eden’s Curse publicou o sexto capítulo dos seus diários de estúdio documentando a gravação do último trabalho Symphony Of Sin lançado em outubro de 2013 via AFM Records.

O aclamado guitarrista de blues Eli Cook lançará a 29 de abril via Cleopatra Records o seu novo trabalho Primitive Son. Para tornar este regresso ainda mais excitante, Primitive Son conta com a participação de Leslie West (Mountain), Pat Travers, Artimus Pyle (Lynyrd Skynyrd), Harvey Mandel, Eric Gales, Reese Wynans (Double Trouble), Vinny Appice (Black Sabbath, Ronnie James Dio), Tinsley Ellis, Rod Piazza e Jorgon Carlson (Gov't Mule). De acordo com Cook, este é um disco de old-school blues misturado com algo mais contemporâneo num formato de epic-bar rock. Eli Cook gravou os seus primeiros dois álbuns entre 2004 e 2007: o acústico Miss Blues’ Child via Sledgehammer Blues Label e o heavy blues-rock ElectricHolyFireWater.

A Monster Rock Booking anunciou o lançamento do álbum At La Brava, novo trabalho dos Souq. Os Souq são um dos mais incomuns nomes do rock nacional, um coletivo que consegue capturar o espírito do psicadelismo, blues, pop e jazz para construir um som que é sempre dinâmico e contundente, como se os Captain Beefheart estivessem a tocar músicas do Dave Brubeck com os Black Sabbath como banda suporte. At La Brava é o início de uma saga na cidade da terra vermelha, escondida no meio do deserto.

Formado em 2010, o trio aveirense The Underdogs – composto por Victor Hugo (guitarra e voz), Mano (baixo) e João Veludo (bateria) -, pratica um blues-rock que bebe as suas influências no eixo que vai de Nashville ao Delta do Mississippi e as funde com o rock tradicional, com um toque genuíno e muito próprio, que resulta num som envolvente e eletrizante a que ninguém fica indiferente. Após a estreia em abril de 2011, com o EP Silence, e uma série de concertos pelo país fora, a sua aura não passou despercebida ao radialista Henrique Amaro que os integra na coletânea Novos Talentos FNAC com o single She Is La, abrindo portas a um público mais abrangente e eclético, sendo este ano prolífico fechado com o convite para integrar o cartaz do palco principal da Festa do Avante. Pouco mais de um ano depois, sai o 1º longa-duração, Songs For The Few, que os confirma como um valor seguro, transportando-os para vários palcos nacionais – entre outros: Noites Ritual, Vodafone Mexefest, Sons de Vez, Festival Azure, PortoSounds – e os introduz ao grande público que os acarinha e acompanha. Acompanhado de um DVD bónus, gravado ao vivo – The Underdogs Extended Version -, foi alvo de críticas bastante positivas, onde se realçam as suas valências técnicas, assim como a capacidade de composição que os seus elementos desde cedo evidenciam. Chegados a 2014, a banda prepara-se para lançar o seu 2º álbum, intitulado Blame It All On Jazz, no dia 26 de abril, numa festa no Teatro Aveirense, explorando novos territórios mas mantendo o ADN vincado pelo qual cada vez mais pessoas se deixam envolver!

Depois do lançamento do aclamado This Is Rock ‘n’ Roll em 2012, recentemente recuperado pelo filme francês Oceane, os australianos Sticky Boys ganharam uma reputação única e que já se pode comparar a nomes como Electric Mary, Crucified Barbara ou Nashville Pussy. Como prova disso apresentam a gravação completa do seu concerto em 4 Ecluses, Dunkerque a 1 de fevereiro deste ano. Fica, ainda, a informação que a banda se encontra, em Paris, a terminar a masterização do seu próximo álbum.  

As lendas do prog rock holandês, Focus têm, desde o passado dia 14 de abril, um novo trabalho nas ruas. Trata-se de Golden Oldies que, como o próprio nome indica, apresenta regravações de clássicos temas da banda como Hocus Pocus, Sylvia, House Of The King. Depois, os Focus irão fazer uma tournée mundial de apoio a este novo trabalho. O trabalho pode ser adquirido aqui.


Depois da boa receção que o álbum In Extremis dos Days Between Stations teve o ano passado, o duo progressivo prepara uma surpresa para os seus fans. Trata-se da edição limitada desse álbum em vinil.

sábado, 19 de Abril de 2014

Review: Broken Hearts And Fallaparts (Supercharger)

Broken Hearts And Fallaparts (Supercharger)
(2014, Gain Music)
(5.1/6)

Depois de Hand Grande Blues (2009) e de That’s How We Roll (2011) os dinamarqueses Supercharger estão de regresso com Broken Hearts And Fallaparts, mantendo o seu género auto-denominado de swinging rock ‘n’ roll with a touch of metal. Esta expressão pode ser simplesmente traduzida por hard rock agressivo e sujo e com atitude glam. Um interessante cruzamento entre os D. A. D., os Mötley Crüe, os Cinderella e até Mustasch. Os vocais são bem ríspidos e existem algumas agradáveis nuances rítmicas. Mas o mais curioso é incursão por campos do country, com subtis apontamentos a surgirem primeiramente em Yeah Yeah Yeah, a mostrarem-se mais arrojados em Hung Over In Hamburg até terminar num puro country em Goodbye Copenhagen. O rock ‘n’ roll sujo marca a sua presença em Suzi The Uzi, espetacular tema com um belo desempenho do piano e em Get What You Deserve. Five Hours Of Nothing e The Crash são os temas mais melódicos e easy-listening. Falta referir os primeiros 4 temas que servem para estabelecer as regras de funcionamento de Broken Hearts And Fallaparts: rápido, pesado, enérgico e sujo. Regras que, na sua essência, estarão presentes durante todo o disco, sendo a elas que se irão associar as anteriormente referidas nuances.

Tracklist:
01. Like A Pit Bull  
02. Supercharged  
03. Blood Red Lips  
04. Hold On Buddy  
05. Five Hours Of Nothing  
06. Yeah Yeah Yeah 
07. Suzi The Uzi  
08. Hung Over In Hamburg  
09. Get What You Deserve 
10. The Crash  
11. From The Gutter  
12. Goodbye Copenhagen

Line-up:
Mikkel Neperus
Thomas Buchwald
Benjamin Funk
Lars Rygaard
Karsten Dines Johansen
Dennis Samaras

Internet:

Edição: Gain Music

sexta-feira, 18 de Abril de 2014

Entrevista: Alice

O rock português, feito em Portugal e cantado na nossa língua tem conhecido um desenvolvimento assaz relevante. Têm sido diversos os projetos de grande qualidade que têm surgido. A última criação tem o enigmático (e continua enigmático após esta entrevista) nome de Alice. O primeiro trabalho, Discórdia está aí pronto a por toda a gente de acordo: é uma sensacional estreia, pelo que quisemos conhecer mais um pouco deste original e promissor sexteto. Por isso a banda reuniu-se para responder às nossas questões.

Antes de mais obrigado pela vossa disponibilidade. Quem são os Alice e o que vos motivou a erguerem este projeto?
Os Alice são uma banda de Rock de Lisboa constituída por 6 membros; Afonso Alves e Bernardo Neves (vozes), Guilherme Baptista e Diogo Borges (guitarras), António Santos e Vítor Martins (Baixo & Bateria). A motivação para erguer a banda parte de uma vontade da nossa parte de exaltar o gosto e o apreço pela língua portuguesa, assim como parte de um gosto incondicional pelo Rock e pela música no geral.

Porquê um nome como Alice?
O nome Alice é um assunto sobre o qual apenas nos debruçaremos quando sentirmos que o momento é o indicado.

Quais eram as vossas experiências anteriores a Alice?
Já todos tivemos experiências musicais no passado, uns mais que outros. Três dos membros da banda já tinham estado em bandas e já tinham tocado ao vivo várias vezes. Os restantes tinham menos experiência mas não começaram do zero.

Que nomes ou movimentos mais vos influenciam?
Como qualquer outra banda, cada elemento tem as suas influências pessoais, o seu gosto pessoal e os seus artistas preferidos. Enquanto banda não podemos dizer que existam nomes ou movimentos que nos influenciem. Almejamos poder contribuir para um crescente gosto e valorização pela nossa língua e pela nossa cultura. Em poucas palavras e com pouca profundidade, podemos dizer que é esse o nosso movimento.

Discórdia é o nome do vosso disco de estreia. Como analisam o trabalho desenvolvido aqui?
Estamos bastante satisfeitos com o álbum. Pela nossa parte, acabou por ser o que precisava de ser, as músicas que o constituem são músicas que tinham de ser escritas. Acreditamos que este álbum é apenas uma introdução ao que os Alice podem ser, fazer e escrever, mas não deixamos de estar satisfeitos com ele. Sentimos que serve o seu propósito da melhor forma possível!

Como descreveriam este vosso disco?
É um álbum que representa exatamente o que o seu título acusa, discórdia. O nome é tudo menos aleatório. Tentámos criar uma rutura com aquilo que existe no panorama nacional. Não somos nem pretendemos ser pioneiros de nada, apenas tentamos fugir do status quo do Rock Português. O que está para trás, está para trás, ainda há muita música por escrever e o nome Discórdia parte um pouco dessa filosofia. Se é de facto uma rutura ou não, parte da opinião de cada um.

Há por aqui muita qualidade, na minha opinião. Sentem que o merecido reconhecimento tem chegado ou não?
Muito obrigado. Em Portugal são raros os fenómenos “virais” - especialmente no género de música que fazemos. Não somos de todo, pelo menos por enquanto, um desses fenómenos nem pretendemos ser. Pessoalmente sempre acreditei que a base de apoio mais fiel é quase sempre a que leva mais tempo a ser forjada. Estamos a trabalhar arduamente na promoção do nosso primeiro disco, e já conseguimos chegar a mais gente do que esperávamos num espaço de tempo tão curto. No entanto, em Portugal e na música Rock o reconhecimento vem com o tempo, poucas vezes é imediato. Os “imediatismos” são normalmente fenómenos do Youtube e da Pop, e dificilmente acontecem num mercado como o nosso. Para responder à questão de forma mais direta, sim estamos muito felizes com o reconhecimento que temos tido. Mas claro, pretendemos sempre superar-nos a nós mesmos diariamente, em todos os aspetos.

É interessante a forma como transportam melodias e versos entre os temas. Significa isso que Discórdia tem algo de conceptual?
É uma questão extremamente pertinente. Na sua raiz, Discórdia nada tinha de conceptual. Era um mero aglutinar de músicas escritas em diferentes momentos e circunstâncias. No entanto, à medida que as nossas relações interpessoais se tornaram mais fortes, também a música se tornou mais forte. O álbum ganhou forma e perdeu a sua aleatoriedade. As interligações entre as várias músicas são propositadas, pensadas e estrategicamente colocadas, embora apenas um ouvido atento consiga perceber com clareza as nossas intenções, dada a sua natureza subtil.

Já há um vídeo para Gato Morto. Foi uma escolha difícil? Têm em vista a realização de mais algum vídeo?
Foi uma escolha complicada pois tivemos propostas de realizadores que apontavam por um caminho diferente. No entanto não chegámos a termos de concordância com nenhum desses realizadores e o nosso caminho levou-nos ao nosso amigo Ronnie Fortes, que nos apoiou na escolha deste tema, que para nós sempre foi o indicado.

Ultimamente têm surgido diversos projetos nacionais muito interessantes. Sentem, de alguma forma, que haja um renascimento do rock português? 
Sim, sem dúvida. Enquanto músicos de Rock e portugueses sentimos quase uma obrigação moral em fazer parte desse renascimento. Há muito boa música em Portugal e em português, agora é preciso convencer as pessoas disso mesmo para que possamos finalmente ter bandas portuguesas como cabeças de cartaz dos nossos festivais de verão. É da maior importância que o público comece a valorizar os seus artistas.

Em termos de concertos como têm sido a vossa agenda? E para os próximos tempos, o que há agendado?
Anunciaremos o primeiro concerto dos Alice no nosso Facebook durante o decorrer dos próximos dias. A agenda para o período de verão ainda está a ser pensada, sendo que não está nada finalizado.

E projetos para o futuro? Com uma estreia com este nível de qualidade, até onde podem chegar os Alice?
Em primeiro lugar, agradecemos os elogios. Já começámos a escrever o segundo álbum e podemos garantir que será um trabalho de uma maturidade superior. Está a anos-luz de estar terminado e é algo com que não estamos preocupados neste momento. Estamos neste momento entregues à divulgação do Discórdia - mas temos a certeza que o segundo álbum será um trabalho mais maturo e consciente - para não dizer simplesmente melhor, pois a avaliação qualitativa caberá aos ouvintes.

Obrigado. Querem acrescentar mais alguma coisa que não tenha sido abordado nesta entrevista ou deixar alguma mensagem para os vossos fãs?
Queremos apenas agradecer todo o apoio que temos tido nas redes sociais e fora delas. Obrigado a todos, pela nossa parte é apenas de salientar que não vamos deixar de trabalhar para ter conteúdo para aqueles que nos seguem, e apelamos a que ajudem as bandas que ouvem e de que gostam. Comprar um disco ou ir a um concerto é um gesto que pode afetar seriamente a carreira de uma banda.

quinta-feira, 17 de Abril de 2014

Playlist 17 de abril de 2014


Review: Ultima Ratio Regis (Metal Inquisitor)

Ultima Ratio Regis (Metal Inquisitor)
(2014, Massacre Records)
(5.7/6)

Ao quarto álbum os Metal Inquisitor chegam à sua conterrânea Massacre Records e apresentam, provavelmente, o seu melhor trabalho de sempre. Ultima Ratio Regis é um disco brilhante que recupera toda a áurea do heavy metal clássico dos anos 80. Sim, a NWOBHM very old school está aqui presente de uma forma brilhante. Heavy Metal de uns Iron Maiden cruzado com o épico de uns Manilla Road, pelo menos ao nível vocal, com memoráveis cavalgadas, sensacionais duelos de guitarra e muita garra. Ultima Ratio Regis não nos traz nada de novo. Mas quem precisa de inovação quando o que se faz está bem feito e, ainda por cima, recupera para os tempos atuais, um dos melhores momentos vividos pelo heavy metal? O disco é todo ele de grande nível, mantendo uma bitola alta de qualidade. Os temas sucedem-se a grande ritmo e conseguem criar no ouvinte não só uma sensação de saudosismo, como também uma agradável sensação de bem-estar e diversão. Bem-estar por sabermos que o som eterno continua em boas mãos; diversão porque é esse o espirito que os Metal Inquisitor nos passam. Ultima Ratio Regis é pois um disco que mantém os germânicos na rota da memória dos heroicos antepassados do metal, relembrando às gerações atuais as virtude de outrora.

Tracklist:
1. Confession Saves Blood
2. Burn Them All
3. Call The Banners
4. Black Dessert Demon
5. Bounded Surface
6. Death On Demand
7. Self-Denial
8. Servant Of State
9. The Pale Messengers
10. Second Peace Of Thorn

Line-up:
El Rojo - vocais
Blumi – guitarra solo
T.P. – guitarra ritmo
Cliff Bubenheim - baixo
Havoc – bateria

Internet:

Edição: Massacre Records

quarta-feira, 16 de Abril de 2014

Entrevista: Indica

Depois de terem atingido o estrelato no seu país natal, a Finlândia, as Indica chegaram à Nuclear Blast, começaram a cantar em inglês e conquistaram o mundo com o seu rock melódico e com apontamentos sinfónicos. Shine, como o nome indica, volta a fazer brilhar as cinco beldades nórdicas. A vocalista, violinista, guitarrista e principal compositora Jonsu falou a Via Nocturna.

Olá Jonsu! Obrigado pela tua disponibilidade! Novo álbum, quatro anos após a vossa estreia para a Nuclear Blast. Por que esse hiato?
Houve algumas razões para isso. 1) Problemas contratuais – o álbum já estava pronto há um ano; 2) Algumas dificuldades com a planificação porque o nosso produtor vive na Alemanha e a banda na Finlândia; 3) Eu queria tentar trabalhar sem quaisquer prazos limite. Não é comigo. Torno-me a criatura mais lenta na terra.

Chegaste a afirmar que o "nascimento" de Shine foi uma das situações mais difíceis que tiveste. Porquê?
Disse isso? O nascimento foi fácil, tive um sonho para a primeira música Mountain Made Of Stone e quando acordei a canção foi feita. Mas foi difícil por este álbum cá fora. Os maiores problemas começaram depois da composição estar terminada.

Desde que entraram na família Nuclear Blast começaram a cantar em Inglês. Foi/é uma tentativa de conquistar novos mercados?
Sim. Tivemos a oportunidade de viajar para o estrangeiro e conhecer novos ouvintes e nós dissemos sim a essa oferta imediatamente. Também quisemos permanecer fiéis aos nossos velhos ouvintes e fazer algum material em finlandês.

Daí a existência de uma versão de Shine na vossa língua nativa, certo? Foi uma tarefa fácil criar duas versões em dois idiomas?
Sim. Foi fácil. Estive um ano com o processo de escrita, portanto tinha pelo menos 365 novas histórias para contar.

Mas War Child não foi traduzida. Alguma razão especial?
Foi traduzida, mas de alguma forma, a versão finlandesa não funcionou como eu queria que funcionasse quando a cantei em estúdio, por isso ficou de fora.

Alteraste alguma coisa nos teus métodos de trabalho nos últimos quatro anos?
Não. O meu processo de escrita é o mesmo de sempre. Eu toco uma nota e sigo para onde quero ir e vou assim até que a música esteja terminada. Sinto que estou a ouvir mais do que a escrever quando componho.

De que forma Shine é diferente de A Way Away?
Mais brilhante e menor. A Way Away é dramático e melancólico e Shine é mais íntimo e mais feliz.

Têm algum convidado neste álbum?
Sim, tivemos alguns músicos convidados neste álbum. Podem conferir toda a lista na capa do álbum.

Shine foi gravado na Alemanha. Como foi todo o processo e a experiência? Foi a primeira vez que gravaram fora do vosso país?
Nós gravamos as orquestras de A Way Away em Londres e fizemos as edições de um par de singles para o álbum também na Alemanha. Gostei. Gosto de sair de minha casa quando é para gravar um álbum. Dessa forma posso concentrar-me melhor e as tarefas normais não me perturbam.

Foi por isso que surgiu uma música como Goodbye To Berlin?
Hmhh... Talvez. Deixando um lugar amas é o principal.

Já têm dois vídeos para este álbum…
Sim. Nós fizemos dois vídeos para a versão finlandesa do álbum Akvaario, Suunta On Vain Ylöspäin e Älä Kanna Pelkoa.

Têm alguma tour planeada para os próximos tempos?
Nesta altura estamos a fazer espetáculos na Finlândia.

Bem Jonsu, foi um prazer conversar contigo. Queres acrescentar mais alguma coisa para os nossos leitores ou para os vossos fãs?
O prazer foi meu. Obrigada pela agradável entrevista! Sim, espero que todos vocês tenham um verão maravilhoso e espero que tenhamos a oportunidade de passar o próximo inverno em Portugal porque a Finlândia é muito escura para mim no inverno.

terça-feira, 15 de Abril de 2014

Review: Tattoed Woman (Miracle Master)

Tattooed Woman (Miracle Master)
(2014, GoldenCore Records/ZYX Music)
(5.0/6)

Nascidos das cinzas dos Pump surgem os Miracle Master cheios de vontade de espalhar o seu heavy metal/hard rock ‘n’ roll cheio de guitarras incendiárias, ritmos intensos e grandes solos. Sim, é disto que falamos em Tattooed Woman. Enormes descargas de atitude na forma de música com músculo e vozes ríspidas, onde as variações rítmicas também têm o seu espaço. E embora nada tendo contra o vocalista, a verdade é que Tattooed Woman melhora quando o destaque é dado às guitarras e secção rítmica. Parece que é nessas altura que a banda se solta para outros voos. O disco tem suficiente versatilidade para manter o ouvinte atento. Hard rock, heavy metal, eighties thrash metal, algo de stoner/doom e até alguns tons de country. Tudo envolvido numa sonoridade suficientemente suja e descaradamente in your face. Tudo embrulhado em 11 temas competentes e sólidos, orgânicos e potentes. E, principalmente, assinando uma linha de hard rock/heavy metal cheia de qualidade.

Tracklist:
01.  Come Alive
02.  Fly Away
03.  Stay With Me
04.  Forgive Yourself
05.  Miracle Master
06.  Will To Survive
07.  Why Religion
08.  Tattooed Woman
09.  Highway To Heaven
10.  Tear Down The Walls
11.  We All Touch Evil

Line-up:
Oliver Weers – vocais
Marcel 'Selly' Bernhardt – guitarras
Michael Vetter – baixo
Axel 'Aki' Reissmann – guitarras 
Andreas Minich – bateria

Internet: