terça-feira, 25 de julho de 2017

Review: Pressure And Time (Taz Taylor Band)

Pressure And Time (Taz Taylor Band)
(2017, Escape Music)
(6.0/6)

Taz Taylor já anda nestas andanças há muito tempo e sempre a surpreender. Depois de dois excelentes discos de hard rock lançados em 2006 e 2009 (respetivamente, Welcome To America e Straight Up), o músico dedicou-se a construir álbuns instrumentais. Portanto, há muito que se esperava o seu regresso às origens do hard rock vocalizado. Acontece com este Pressure And Time, curiosamente pela mesma editor que havia lançado os já citados dois primeiros discos. Um Pressure And Time onde Taz Taylor mantém a secção ritmica original mas vai buscar um verdadeiro talento para o microfone: Chandler Mogel (Outloud/Punky Meadows). A tendência instrumental não desapareceu por completo e por isso, Pressure And Time conta com duas peças  - o próprio tema-título e A Moment Of Clarity. Ambas soberbas peças onde Taz Taylor faz os seus habituais malabarismos técnicos na sua guitarra. Para além dos instrumentais, há também duas baladas -  Highway Song e Astral Child – onde os dedilhados acústicos mostram uma outra faceta do guitarrista e da sua banda, sendo que a primeira acaba por ter um desenvolvimento muito mais interessante em termos de reação. Depois, há uma pouco expectável versão do icónico Purple Rain de Prince. Pouco expectável, no sentido deste ser um tema fundamental na história da música e não ser fácil melhorar. Resultado? Não fugindo muito do original, a Taz Taylor Band assina uma versão magnífica. Depois há todo o resto de um álbum de verdadeiro hard rock, com um baixo cheio de swig a assumir sem receios o protagonismo em muitas fases – aliás, o facto de só haver uma guitarra e esta solar muitíssimo – acaba por ser o baixo a manter a coesão da estrutura. Secrets You Got Over Me foge um pouco ao estilo, pela sua componente bluesy, mas de resto, todos os outros temas colocam Taz Taylor e a sua banda ao nível de nomes como The Sweet, Van Halen ou Kiss. É de lá que vem a influência, mas é em Pressure And Time que está toda a inspiração de um coletivo em grande forma.

Tracklist:
1.     Something Is Ending
2.     Whispers In The Night
3.     Secrets You Got Over Me
4.     Kissed By Elvis
5.     Pressure And Time
6.     Highway Song
7.     Red Line Angel
8.     One Thing
9.     Ash And Bone
10. A Moment Of Clarity
11. Purple Rain
12. Astral Child

Line-up:
Taz Taylor – guitarras
Chandler Mogel – vocais
Barney Firks – baixo
Val Trainor – bateria

Internet:
Website   
Twitter   
Youtube   
Facebook   

Edição: Escape Music   

segunda-feira, 24 de julho de 2017

Entrevista: Alex Lopez

Passando de um trio para um quarteto, também a música de Alex Lopez se tornou menos crua e mais elaborada e polida. Pelo menos é assim que o compositor americano analisa para Via Nocturna o seu mais recente trabalho intitulado Slow Down. Embora estejam longe de abrandar, músico e banda que o acompanha, os Xpress, acabam por assinar o seu melhor registo.

Olá Alex, como estás? Obrigado pela tua disponibilidade. Podemos começar por apresentar os Xpress aos rockers portugueses?
Antes de mais, deixa-me dizer-te obrigado pela oportunidade de conhecer os amantes portugueses de música portuguesa. Os Xpress são a minha banda de tournée com quem gravei o álbum. São Gary Dowell nos teclados, Steve Pagano no baixo e Michael Maxim na bateria. Cada um deles é um músico incrível que traz experiência e injeta a sua personalidade na música.

Como foi o teu trajeto musical antes de Slow Down?
O meu trajeto é um pouco diferente. Comecei como a maioria dos jovens músicos a tocar em clubes locais tentando estabelecer um nome. Mas, depois, fiz uma pausa para a faculdade e para cuidar da família, apesar de nunca ter perdido a minha paixão pela música. Demorou este tempo para escrever este conjunto de músicas, mas regressei mais forte do que nunca. Nos últimos anos consegui lançar um par de álbuns, tocar regularmente e, finalmente, construir a Xpress como a minha banda.

Foquemo-nos em Slow Down. Quando começaste a trabalhar neste disco?
Eu escrevo música constantemente, mas comecei a conceber este novo álbum no outono de 2016. Foi quando comecei a juntar as músicas num pacote coeso.

Uma vez que Slow Down é já o teu terceiro álbum, de que forma se aproxima ou afasta,  em termos musicais, dos teus trabalhos anteriores?
Os meus dois primeiros álbuns foram propositadamente escritos e produzidos para uma banda de três elementos, que foi como comecei. Nesses primeiros álbuns, também adotei uma abordagem muito live e crua para a produção. Queria que eles soassem como um grande álbum e com um autêntico som bluesrock dos princípios. Com Slow Down, escrevi música que incluiu teclados e tive uma abordagem muito mais polida e sofisticada na gravação.

Como foi o processo de composição? Foi trabalho de equipa ou maioritariamente centrado em ti?
Normalmente escrevo apenas eu. Trago demos gravadas no meu estúdio caseiro e mostro à banda para que acrescentem a sua interpretação da música. Quando já trago as músicas prontas, eles adicionaram a sua personalidade que as faz tornarem-se grandes!

Trata-se de um álbum conceptual? O que é o tema principal?
O álbum tornou-se um álbum conceptual bastante orgânico. É uma história de luta e redenção de uma pessoa contra o vício, embora possa relacionar-se com qualquer tipo de luta. Penso no álbum como uma viagem desde o ponto mais baixo até à salvação.

A respeito das sessões de gravação, como foi a experiência de estúdio? Correu tudo como planeado?
Eu adoro trabalhar em estúdio. É um ambiente onde me sinto bastante confortável. Honestamente tudo correu tão bem no estúdio que acho que fomos afortunados. A surpresa que tive foram as grandes performances que aconteceram.

O álbum tem duas faixas bónus. Que temas são e com que objetivos foram incluídos no CD?
Quando estávamos a ensaiar o álbum com a banda, tocámos essas músicas. E o meu teclista disse: "Essas músicas são demasiado boas para deixar de fora. Uma delas poderia ser incluída”. Porém elas não se encaixavam no conceito, portanto, tive a ideia de as incluir como faixas bónus. O conceito termina com a reprise de Slow Down e as outras duas canções devem ser vistas como unidades individuais. Esperemos que os fãs as vejam como algo positivo.

Existem planos para levar Slow Down para a estrada?
Absolutamente, e estou esperançado de também poder visitar a Europa. Talvez nos vejamos em Portugal...

Obrigado, Alex! Queres acrescentar mais alguma coisa?
Mais uma vez obrigado e espero que a minha música se conecte de forma positiva com todos em Portugal.

domingo, 23 de julho de 2017

Flash-Review: ... Under A Silver Sky (Designer)

Álbum: Under A Silver Sky
Artista: Designer    
Edição: Independente
Ano: 2017
Origem: Inglaterra
Género:  Soft Rock, Modern Rock, Heavy Metal, Pop
Classificação: 4.6/6
Análise:
Este novo coletivo irlandês consegue desenhar, na sua estreia, uma intrigante mistura entre rock emocional e espiritual e eletrónica. Letras profundas, melodias agradáveis e texturas interessantes são dos elementos mais importantes nesta coleção de sete temas onde o pop e o rock caminham lado a lado.
Highlights: Under A Silver Sky, We Are One, The Answer
Para fãs de: Muse, Depeche Mode, Linking Park, Thirty Seconds To Mars, Pendulum

Tracklist:
1.      Under A Silver Sky
2.      We Are One
3.      The Answer
4.      End Of Everything
5.      Sublime
6.      Mask
7.      Falling

Line-up:
Jacob Durek – todos instrumentos
Greg Kudzia – todos instrumentos
Kevin Bayliss - vocais

Flash-Review: Hyperglaive (Megacolossus)

Álbum: Hyperglaive
Artista: Megacolossus    
Edição: Killer Metal Records    
Ano: 2017
Origem: EUA
Género:  Heavy Metal
Classificação: 5.3/6
Análise:
Para evitarem serem confundidos, os Colossus resolveram mudar o seu nome para MegaColossus e lançam, já com esta denominação, o seu novo álbum Hyperglaive. Originalmente nos Estados Unidos, já no ano passado, agora a edição europeia está a cargo da Killer Metal Records, como habitualmente. Neste novo conjunto de oito temas, sabem bem com o que contar: uma homenagem pura e sincera ao metal dos anos 80. Pode parecer redutor, mas os Colossus e agora os MegaColossus, navegam sempre na mesma água. Mas pouca criatividade não significa que o coletivo não consiga criar um conjunto de malhas clássicas de por qualquer metalhead a praticar air guitar ou headbanging. Porque acima de tudo, Hyperglaive é um disco do mais puro metal para verdadeiros fãs do som eterno.
Highlights: Sun Sword, Sea Of Stars, Gods And Demons, Star Wranglers
Para fãs de: Judas Priest, Saxon, Iron Maiden, Thin Lizzy, Riot

Tracklist:
1.      Sun Sword
2.      Sea Of Stars
3.      Gods And Demons
4.      The Judge
5.      Betta Master
6.      Behold The Worm
7.      You Denied
8.      Star Wranglers

Line-up:
Sean Buchanan – vocais
Bill Fischer – guitarras
Stephen Cline – guitarras
Ry Eshelman – baixo
Doza - bateria

sábado, 22 de julho de 2017

Notícias da semana

Os Moonspell e a Alma Mater Records orgulham-se de apresentar 1755, novo álbum dos Moonspell que irá incidir sobre o terramoto que devastou Lisboa no século XVIII. A ser editado a 3 de novembro, é o primeiro disco da banda totalmente cantado em português e tem o fadista Paulo Bragança como convidado no primeiro single a lançar em setembro In Tremor Dei. O novo disco será apresentado, pela primeira vez, ainda antes da sua edição e em sessão tripla da Tour 1755: dois concertos em Lisboa e um regresso muito aguardado ao Porto onde os Moonspell não tocam há mais de dois anos, no primeiro de novembro. 1755 será tocado na íntegra nestes concertos de apresentação em Lisboa e no Porto, que contam ainda com a presença do fadista Paulo Bragança em palco. O disco é uma reflexão poética, musical e filosófica da banda sobre o evento de 1 de novembro de 1755 em Lisboa e as suas repercussões no mundo civilizado. É um disco de raiz metal, com riffs vibrantes, orquestrações épicas e vozes e letras que testemunham a agonia daquele dia. A banda preocupou-se também em recriar a época, existindo uma fusão com elementos percussivos e melódicos que remete para os fins do século e para a atmosfera que se vivia na capital portuguesa na altura.


Mad Hatter’s Tea Party é o novo vídeo dos Cats In Space. Este tema faz parte do próximo trabalho dos britânicos, sucessor do excelente Too Many Gods, intitulado Scarecrow nas lojas a 25 de agosto. São dez novos temas de rock com muito humor.



O sensacional grupo sueco de hard rock Märvel, lançou o seu novo tema intitulado Goodluck Sandy. Esta faixa é o primeiro single retirado do seu próximo álbum At The Sunshine Factory.




Os Old James, banda canadiana de hard rock/metal associou-se à PureGrainAudio.com para a audição streaming da sua nova faixa Salutations. Este tema faz parte do álbum Speak Volumes a ser lançado a 25 de agosto.


Como já anunciamos há algumas semanas atrás, o aclamado segundo álbum dos Domadora, The Violent Mystical Sukuma, terá uma reedição nos formatos CD e digital pela editora germânica Kozmik Artifactz.



Do homem criador de hit singles como What I Like About You, Talking In Your Sleep e One In A Million, Michael Skill, antigo guitarrista e baixista dos The Romantics, chega uma nova canção, 67 Riot. Um tema barulhento, poderoso e evocativo de memórias de Link Wray, Jimi Hendrix, The MC 5.



O álbum Guerreiros do Metal dos Cruz de Ferro será reeditado em formato aumentado pela Ferro Records em agosto próximo. O tema de avanço chama-se Entre a Espada e a Parede. Em vídeo, Ricardo Pombo fala desta reedição.


A banda de metal progressivo e alternativo Auditory Armory lançou uma fantástica cover do clássico tema Love You To Death, original dos Type O Negative. Este tema surge no mais recente disco do coletivo Dark Matter, lançado ontem.


A banda Fall Has Come, que recentemente partilhou o palco com os Evanescence, em Bucareste, assinou com a Sliptrick Records. De momento, a banda encontra-se a trabalhar no seu novo álbum intitulado Nowhere que será lançado no outono. Os Fall Has Come são uma banda italiana de rock alternativo formada em 20014. Confiram os vídeos de Start To Be Free e I Will.

sexta-feira, 21 de julho de 2017

Entrevista: Damanek

Não é muito usual uma banda apenas com algumas demos e sem apoio de uma editora ser convidada para um grande festival. Aconteceu aos Damanek no festival Summer’s End. E ainda bem que assim foi porque o que o novo coletivo de Guy Manning tinha para mostrar era, de facto, de uma qualidade superior.  E foi o próprio Guy quem nos falou sobre o surgimento e o futuro destes Damanek.

Olá, Guy, obrigado pela tua disponibilidade e parabéns por este grande álbum. Quando começaste esta nova banda?
A banda começou a tornar-se real há cerca de dois anos atrás. Após a tour promocional de United Progressive Fraternity de 2014, voltei ao Reino Unido para começar a escrever canções para um proposto álbum número 2 de UPF. Montei algumas peças que sabia poderem fazer parte desse álbum e que seriam uma boa progressão em relação ao que tínhamos feito no primeiro, que, em si, era muito remanescente de umas demos inacabadas. Quando Mark 'Truey' Trueack (da UPF) começou a querer mover-se noutra direção musical, trabalhando agora inteiramente com Steve Unruh em novo material, pensei que as minhas próprias peças ainda deveria ser gravadas (pensei que também eram muito boas) e tudo o que eu precisava então, era uma nova banda ou projeto para fazer tudo isso. Como Dan Mash e Marek Arnold (e eu) fez-se 'braço' europeu da UPF, pedindo-lhes para se juntarem a mim neste novo empreendimento. Sentamo-nos e selecionamos 8 músicas da minha grande pilha de demos para fazer o nosso primeiro álbum. Sean Timms juntou-se a nós há algumas semanas e depois disso o quarteto DAMANEK estava completo.

E o nome Damanek  resulta dos vossos nosmes, não é? Queres explicar?
Estava à procura de um bom nome para a banda, o que por vezes, é bastante difícil. Tinha que ser algo que nos definisse ou que desse uma pista sobre como seria a música (um pouco como os Yes). Criei o nome com a combinação de nossos nomes DAn Mash, Guy MANning e MarEK Arnold. Infelizmente, já tínhamos o nome definido antes de Sean chegar, o que foi chato!

O que é que os Damanek recuperam dos teus projetos anteriores?
Bem, só posso falar por mim mesmo e como compositor da música e das letras do álbum, acho que tenho que assumir a maioria da responsabilidade de como ele ficou. Os meus parceiros certamente ajudaram-me a moldar, organizar e produzir o produto final. Tenho sempre uma atenção especial para ter um bom conjunto de canções/ganchos e algo interessante para escrever numa forma poética com o meu próprio material a solo (15 álbuns). Com a UPF, o que trouxemos, desde o início para o projeto, foi o desejo de discutir abertamente as músicas. Essas questões sócio-económicas que nós, como raça humana, enfrentamos. Tivemos um objetivo comum. Eu ainda tenho muito que quero dizer através do meu material de Damanek e espero que brilhe. Coisas como as alterações climáticas, a nossa própria extinção, a qualidade do ar, a nossa ganância, belicismo, zelo religioso e a intolerância etc.

Além do núcleo duro da banda, vamos chamá-lo assim, existem alguns convidados. Como foi a interação com eles e que input tiveram no resultado final?
Bem, precisávamos de alguns componentes musicais chave para completar a tapeçaria musical. Especialmente bateria, guitarras e percussão. Portanto, começamos a perguntar por aqueles músicos/amigos que conhecíamos e que sabíamos que eram bons músicos e que pensamos que poderiam ajudar a manter a música viva. Gravamos todos os nossos bits em vários estúdios em redor do mundo, Reino Unido, Alemanha, Austrália, Los Angeles e depois montamos o modelo de trabalho/demos para as peças no meu próprio estúdio. Quando finalmente decidimos que tínhamos as performances suficientes para fazer o álbum, passamos o comando para o Sean para ser o nosso produtor formal (ele é muito melhor do que nós nisso) e ele começou a trabalhar, peneirar as músicas/performances e selecionar os bits que precisavam para fazer as misturas finais. Em termos de controle/inputs, na maior parte do tempo, tive ideias claras sobre o que eu, pessoalmente, queria dos músicos, mas eles tiveram liberdade para se expresser e fazer sugestões para as peças. Muitos deles fizeram-no. Por exemplo, na canção The Score Cosmic, trabalhei com Nick Magnus para produzir um novo arranjo, tendo fornecido quase todos os teclados com base na minha demo original!

Curiosamente, o primeiro concerto da banda foi no festival Summer’s End. Podemos afirmar que estas canções foram compostas para esse evento?
Bem, não propriamente. Estávamos perto de terminar as pré-misturas quando me pediram para tocar no Summers End. Realmente foi uma aposta para os organizadores uma vez que eles não conheciam a banda nem qualquer música, mas tiveram fé em nós – e ainda bem que tiveram. Já Marek ia estar lá com seus próprios Seven Steps To The Green Door, mas fiquei muito feliz quando Sean disse que iria lá ter e que Dan Machin convenceu Luke a se juntar a nós como guitarrista convidado em palco. Henry Rogers (Heather Findlay Band, Touchstone, DeeExpus etc.) completou o line-up ao vivo na bateria.

Quando foi que a GEP se cruzou com o vosso caminho?
Quando tocamos no Summer’s End, não tínhamos editora e apenas tínhamos algumas demos decentes mas nada terminado. Dan contactou a InsideOut, eu contactei algumas editoras menores e Sean contactou a GEP (os Southern Empire fazem parte do seu catálogo). A GEP mostrou algum interesse inicial, mas como os IQ também foram tocar no Summers End, sabia que Mike Holmes estaria lá e por isso tivemos a oportunidade de discutir tudo e eu acho/tenho esperança de que o nosso espetáculo de estreia no festival, ajudou a cimentar a nossa relação com a editora. Estamos orgulhosos de fazer parte do seu catálogo.

As referências a África e Ásia são bem notórias na vossa sonoridade. Estão relacionadas com o background musical de alguns dos elementos ou com os temas abordados nas letras?
Como digo, para mim é importante escrever sobre algo real. E tento fazer isso num tipo de narrativa de contar histórias (sempre tive). Coloquei os personagens centrais na música para que o ouvinte pudesse se identificar e, de forma mais fácil, receber a mensagem. Obviamente, eu defini as músicas onde eles precisam de ocorrer... África para Long Time, Shadow Falls, Kuwait para Oil Over Arabia... mas outras músicas são universalmente globais e podem ocorrer em qualquer lugar do mundo. Eu perdi um grande final de 25 minutos, mas espero que surja mais tarde. Aquele (big oriental) contrasta com os estilos de vida dos agricultores pobres no Oriente (Nepal etc.) e dos seus mais privilegiados orientais (Nova Iorque). A paisagem sonora/sabor de uma música, a atmosfera de uma canção tem de apoiar as letras... A menos que vás para um complete contraste satírico, como fiz com The Big Parade.

Este é um projecto para continuar? Terão mais álbuns ou foi uma experiência isolada?
Sim, espero que sim. Devemos sentar-nos em outubro deste ano para olhar para frente. Mas é claro que não há nenhuma garantia de que seja exatamente o mesmo line-up que irá produzir um próximo álbum... Tudo depende de disponibilidade e compromisso com o projeto. Certamente, pretendo fazer outro e isto é tudo o que posso dizer com certeza neste momento.

Muito obrigado Guy! Queres acrescentar mais alguma coisa?
Bem, apenas um grande obrigado pelo teu interesse neste projeto. A maioria das palavras gentis publicados na net, foram todas com muita cortesia e isso encoraja-me! Penso que poderemos ter alguma coisa aqui. Tenho muito material pronto para o próximo álbum, ou seja, vamos ver onde isso nos leva. Confiram o nosso novo vídeo promocional de Long Time, Shadow Falls. Adoro! Foi criado pelo nosso bom amigo Ted Ollikkala.

quinta-feira, 20 de julho de 2017

Playlist Via Nocturna 20 de julho de 2017


Review: Erosion (Cydemind)

Erosion (Cydemind)
(2017, Socan)
(6.0/6)

Do Canadá chega-nos a nova vaga do metal progressivo. Erosion, álbum de estreia dos Cydemind é uma das mais excitantes experiências dentro deste género nos últimos anos. Afinal, o que apresentam de novo os Cydemind? O violino que acaba por substituir, na íntegra, as vozes. Um violino que é a imagem de marca do coletivo, mas também o garante da magia de Erosion. Um violino que tanto se mostra rockeiro, como jazzístico, como clássico. E isso torna as seis músicas de Erosion também elas com diferentes elans. Globalmente, há virtuosismo em todos os elementos e as estruturas trazem a matriz típica do prog metal de uns Dream Theater. A diferença surge, pois, na introdução do violino, na ausência da voz e na conjugação das diferentes estruturas que enquadram uma sequencialidade de perfeição. Dois temas longos – um com 13 minutos e outro com quase meia hora, respetivamente Derecho e o tema-título – deixam bem claro que a capacidade de criação da banda supera muito do que faz atualmente no prog. Os temas são longos (muito longo, até no caso de Erosion), mas em momento algum, há saturação ou enfado. O álbum, em si, traz complexidade, mas em momento algum se torna confuso ou impercetível. Por isso, é um disco de enorme qualidade, que eleva o prog a um nível único de beleza, criatividade, intensidade e inovação.

Tracklist:
1.      What Remains
2.      Tree Of Tales
3.      Derecho
4.      Red Tides
5.      Stream Capture
6.      Erosion

Line-up:
Olivier Allard – violino
Alexandre Dagenais – bateria
Camille Delage – piano e teclados
Nico Damoulianos – baixo
Kevin Paquet – guitarras

Internet:
Bandcamp   
Facebook   
Website   

Edição: Socan