quinta-feira, 17 de julho de 2008

Entrevista com Grankapo


Via Nocturna (VN): Falem-me um pouco do historial dos Grankapo.
Grankapo (GK):
A banda surgiu em meados de 2006, através de uma ideia antiga do Ivan, Lima e do Miguel, que me falaram da sua ideia e eu aceitei. Só mais tarde surge a ideia de colocar um segundo guitarrista, já com músicas compostas, para dar outro corpo às músicas, e também porque o Miguel teve que se ausentar do país por razões de estudo. Passados alguns meses entramos para estúdio para gravar o nosso trabalho de estreia, o ep Rollin’ Ya Headz A partir dai foi tocar um pouco por todo lado em Portugal, e por duas vezes em Espanha. Mais tarde, visto que já tínhamos novos temas, voltou a vontade de entrar em estúdio para gravar o nosso primeiro álbum, Confessions, que andamos agora a promover.

VN: Qual o significado de Grankapo?
GK: O nome Grankapo surgiu de uma ideia do Ivan. É uma fusão de duas palavras da língua italiana, significa grande chefe e é a nossa homenagem aos nossos avôs, os chefes da família.


VN: Sendo este já o vosso segundo trabalho, estão completamente satisfeitos com o resultado final ou, se fosse agora, faria algo diferente?
GK: Sim, estamos satisfeitos com o resultado final, mas é normal que depois de ouvir, possamos dizer “aqui ficava bem isto!”, “ali ficava bem aquilo!”. São reacções normais, e acho que devemos aproveitar esse impulso para as novas músicas, os próximos trabalhos.

VN: Em Confessions, voltaram a trabalhar nos Estúdios Crossover. Algum motivo em especial?
GK: Tivemos a oportunidade de ir gravar a Bélgica, mas com a banda ainda no inicio, não quisemos estar a investir tudo para já. Achamos que seria a melhor opção agora. Como gostamos bastante do trabalho feito no ep, não tínhamos razões de queixa para não voltar. Ainda por mais quando Sarrufo é um grande produtor, que conhecemos há bastante tempo e temos bastante confiança no seu trabalho.


VN: O press-release refere a existência de alguma surpresas no álbum. Refere-se exactamente a que?
GK: As surpresas do cd são as óbvias, que são as três participações que temos; a música com hip-hop, e a menos óbvia, que são as seis faixas de silêncio no início.


VN: O hip-hop de My Son, é, então, uma delas. Como surgiu a ideia de incluírem esse ritmo num tema vosso?
GK:
A ideia surgiu depois de uns contactos com o Xkzitu, para fazer uma intro para nós, mas ele estava mais interessado em cantar connosco. De início a ideia era estranha, apesar de todos gostarmos de hip-hop, mas como tínhamos acabado de fazer uma musica com uma ritmo mais calmo, era uma experiência a tentar. Fiz a minha parte da letra, ele a dele, que foi cantada e ouvida pela primeira vez no dia da gravação. Ficou perfeito.


VN: Para além desse tema, há ainda uma série de outros convidados a participar no álbum. Acham que, de facto, esses convidados acrescentaram algo de novo aos temas?
GK: Acho que sim. Acho que vieram trazer uma força e um sentimento diferente aos temas. O Ricardo, dos extintos Omited GR, tem uma maneira muito sua de interpretar as músicas que gosto imenso. O Ricardo dos For the Glory, tem um óptimo poder vocal. Para não esquecer que são duas pessoas impecáveis. Deixo aqui o meu agradecimentos aos três participantes do nosso cd.


VN: Em termos líricos, quais são as temáticas abordadas em Confessions?
GK: Este trabalho em termos líricos está bastante pessoal e recheado de emoções. O My Son é uma dedicatória ao filho do Ivan, mas qualquer pessoa com filhos poderá identificar-se com essa letra. O Back To Hell fala de demónios interiores. O It Lives In Me é um agradecimento por apoio para uma vida. Tens todo o tipo de emoções.


VN: Os vossos temas são muito curtos. Acontece naturalmente ou são vocês que limitam a duração dos temas?
GK: Isso é uma coisa que acontece naturalmente. Os riffs vão aparecendo, vão-se encaixando e quando notas a música soa-te bem assim. Mas nota-se uma evolução, em termos de duração de temas do ep para o cd, embora possa ser pequena. Depende do caminho que a música seguir.


VN: Porque razão Confessions começa na sétima canção, não existindo as primeiras seis?
GK:
Essa é a grande questão, mas de simples resposta. Como queríamos dar o aspecto de continuação do que foi feito no primeiro trabalho, queríamos colocar a primeira música como sendo a sétima, visto o ep ter seis temas. Sabemos que deixamos muita gente a pensar que tinham um cd estragado.


VN: Numa área em que a concorrência é tão forte o que consideram vocês que pode destacar os Grankapo das outras bandas semelhantes?
GK: Não sei bem dizer, mas acima de tudo um óptimo concerto e uma grande energia. O que tenho a certeza que podem esperar é sinceridade, alegria, diversão, e temas para pensar.

VN: Em termos de promoção do álbum, o que tem sido feito?
GK: Estamos com uma distribuidora nacional, a White Zone Records, a percorrer o pais, temos a Fragment Records em Espanha, e estamos em contactos com outros países nesse sentido. Já tivemos algumas entrevistas para rádios e fanzines. Temos também alguns concertos agendados e outros para confirmar. Andamos a tratar do possível para espalhar a nossa música.


VN: Há possibilidades de uma edição/distribuição no estrangeiro?
GK: Em termos de distribuição estamos no bom caminho, a edição é um assunto que temos andado agora a tentar abordar. Com paciência lá chegaremos.


VN: Quanto a concertos, o que se pode esperar de uma prestação dos Grankapo?
GK: Em palco acho que pode esperar um concerto energético e poderoso. Para mim, o palco é o sítio para libertar o stress, a raiva e as frustrações. Aí é onde te tornas tu mesmo, mostras o que vai dentro de ti. Como tal, sempre que puderem, assistam a um concerto de Grankapo e dêem a vossa opinião.


VN: Finalmente, ideias e/ou projectos para o futuro?
GK: Neste momentos só queremos tocar e mostrar o nosso trabalho ao maior numero de pessoas possível. Mas temos um split para lançar lá para finais do verão, talvez.

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