quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Entrevista com Miss Lava


Não é muito normal nos dias de hoje uma banda estrear-se em vinil. Isso aconteceu com os Miss Lava e o seu trabalho homónimo que serve de apresentação para o álbum que deverá ver a luz do dia em 2009. Fomos conversar com a banda para saber as suas expectativas deste novo fogo posto pela lava de mais um vulcão nacional em plena actividade.

VIA NOCTURNA (VN): Miss Lava serve de aperitivo para o álbum que vem aí. O que poderemos esperar desse trabalho?
MISS LAVA (ML): Podemos esperar mais e melhor! Uma verdadeira explosão de rock n’roll. Estamos muito excitados com o álbum, que será misturado pelo sueco Jens Bogren (Katatonia e Opeth, entre outros). Para já, as gravações decorrem a bom ritmo e estão a ser supervisionadas por Ricardo Espinha, que misturou e masterizou o vinil. A gravação das baterias, já finalizada, decorreu nos Estúdios Vale de Lobos do Rui Veloso. Excelente. Tanto o estúdio como o J. Cuca a partir aquilo tudo!!! Agora, falta gravar guitarras, baixo e vozes e… levar para a Suécia todo o calor dos Miss Lava!



VN: Que objectivos pretendem atingir com a edição deste 12”?
ML: Queremos começar a construir uma base, uma referência, tanto em termos estéticos (sonoro e visual) como em termos de público. Acreditamos que o estamos a conseguir.



VN: Porque um lançamento em vinil?
ML: Porque queríamos marcar o início de uma forma diferente. Queríamos retribuir o apoio de todos os que nos têm acompanhado com uma oferta que marcasse, que ficasse para sempre. Daí a opção por um 12’’ em blood red vynil, com capa que acaba por homenagear todo o movimento rock poster art.

VN: As primeiras críticas têm sido extremamente positivas. Sentem alguma pressão extra na preparação do álbum?
ML: Nem por isso. A preparação do álbum tem vindo a ser um processo muito natural, temos dado um passo de cada vez e achamos que temos um produto mais consistente agora. O EP foi escrito com o Johnny [Nota: Mr. Johnny Lee, vocalista] ora do país, com todas aquelas limitações de quem não ensaia junto numa base regular e desde que ele voltou as coisas têm fluído e soado melhor. Claro que o facto de a recepção geral ser muito boa acaba por nos inspirar ou desafiar para voos mais altos. Neste momento sentimo-nos altamente motivados e achamos que estamos a fazer o disco das nossas vidas.

VN: Como descrevem vocês a vossa música?
ML: Um autêntico Rock n’Roll Disaster que faz uma mescla entre as sonoridades e ambiências stoner actuais e a atitude directa do rock ou punk-rock dos finais dos anos 70.

VN: Todos vocês têm um passado relevante no mundo do rock/metal nacional. De que forma esses passados se consignam nos Miss Lava?
ML: Em primeiro lugar, obrigado! É sempre bom saber que o nosso trabalho é reconhecido. Depois, as diferentes experiências com bandas acabam sempre por moldar quem somos e onde estamos, tanto musicalmente como em termos relacionais. Esses passados, todos eles de facto muito fortes, acabaram por contribuir de uma forma natural para a criação de uma identidade sonora própria dos Miss Lava. Ou seja, a banda acaba por ser a soma de cada um de nós. Não imagino Miss Lava sem o approach característico do baixo distorcido do D. Crow, o groove rítmico do J. Cuca, a linguagem baixística do K. Raffah na guitarra ou a distintividade tímbrica do J. Lee. O que sentimos é que cada um de nós acabou por chegar onde está, musicalmente, porque percorreu um passado extremamente rico.

VN: Miss Lava é um nome algo estranho. Tem algum significado especial?
ML: Tem o significado que cada um quiser dar. Muita gente considera uma mulher incandescente a coisa mais sexy do mundo e gosta naturalmente de brincar com o fogo, outros consideram como a coisa mais perigosa e destrutiva do mundo. É uma questão da perspectiva de cada um. Acreditamos que, a dada altura, todos nós fomos queimados ou eventualmente seremos por uma Miss Lava da vida. Fica a dúvida: quem foi a Miss Lava nas nossas vidas? Vale a pena ser lembrada ou é para esquecer? Nós escolhemos homenagear as nossas. [risos]

VN: Em termos líricos, qual a abordagem adoptada em Miss Lava?
ML: Bem... de um modo geral, falamos de atitude ou da falta dela, com o tema morte (sem nos assombrar); falamos do como se não houvesse amanhã. A vida é curta e só é uma, se a queres viver bem, tens que mudar hoje pois amanhã poderá ser muito tarde. Escrevemos também sobre os remorsos de uma relação chamuscada, amplificados na maioria das letras. Como dissemos há pouco, nós gostamos de brincar com o fogo e escolhemos lembrar-nos da nossa Miss Lava que anda por aí a espalhar o fogo! Burn Baby Burn!! [risos]

VN: Como tem decorrido a promoção do trabalho? Que acções têm sido priveligiadas?
ML: Temos nos promovido como podemos, com os poucos recursos e com o pouco tempo que temos disponível. Tentamos chegar a toda a gente através do myspace e claro, piscamos sempre o olho ao estrangeiro através de alguns contactos. Mas, acreditamos que a verdadeira promoção é feita cá, nos nossos concertos ao vivo, onde o trabalho acaba por ganhar vida e espontaneidade. É em cima do palco que uma banda de rock deve viver e é em cima do palco que nos sentimos em casa! Felizmente temos conhecido muita gente e a família Miss Lava não pára de crescer.

VN: Obrigado!!
ML: Cheers mate! Obrigado nós. Um grande abraço de todos para o Via Nocturna! Rock on!! Spread the fire!!

Sem comentários: