segunda-feira, 12 de abril de 2010

Entrevista com Aspera

Editar o primeiro registo profissional com apenas 20 anos de idade não será muito vulgar. Editar esse mesmo registo por uma das maiores editoras mundiais do género é ainda mais notável. Aconteceu aos noruegueses Aspera e à sua sensacional estreia Ripples. Para nos descrever este sentimento, o quinteto juntou-se e explicou tudo a Via Nocturna!

Os Illusion nasceram em 2005. Podem ser considerados como o embrião dos Aspera?
Joachim
: Sim, sem dúvida que os Illusion foram o início dos Aspera. Eram os mesmos membros e basicamente a mesma música.

Porquê a mudança de nome? Terá ocorrido, também em simultâneo, uma mudança de orientação musical?
Joachim
: A mudança de nome tornou-se necessária uma vez que considerámos que o nome Illusion não reflectia a nossa música. Poderia ser qualquer coisa, qualquer estilo. Para além disso, achámos que já deveria haver algumas bandas com o mesmo nome. Portanto queríamos encontrar um termo especial que representasse melhor o colectivo e as suas ideias musicais. E Aspera pareceu-nos perfeito. Não alterámos a nossa direcção musical, mas, de certo modo, evoluímos.

Ainda como Illusion, editaram três demos. Como foi a sua aceitação na altura?
Joachim
: As demos foram muito bem aceites a nível local, mas não as promovemos muito. Permitiu-nos fazer algumas aparições ao vivo tendo algo para oferecer às pessoas. Na altura também estávamos à procura de uma editora. Podemos dizer que essas demos foram mais para nós próprios e como forma de praticarmos os processos de gravação no nosso estúdio caseiro.

De que forma é que o trabalho realizado pelos Illusion acabou por afectar a actual sonoridade Aspera?
Robin
: Nós não consideramos Illusion e Aspera como duas bandas distintas. Illusion foi um estado embrionário de Aspera, como já referimos anteriormente. Na altura em que formámos os Illusion estávamos ainda a procurar definir a nossa sonoridade e estilo, por isso, penso que os Aspera surgem do desenvolvimento natural que tivemos a partir de Illusion.

Qual é, realmente, o significado de Aspera?
Robin
: Aspera significa espinhos ou chão rugoso, em latim, o que eu acho que é uma boa maneira de descrever a complexidade da nossa música.

Vocês são extremamente jovens, criaram um trabalho com uma enorme qualidade que é lançado pela gigante InsideOut. Como estão a viver este momento?
Rein
: Bem, parece que primeiro impressionámos a InsideOut e agora estamos impressionados com a forma de trabalhar deles. Sentimos que estamos em boas mãos com este parceiro respeitável e bem conhecido e que nos tem apoiado em todos os sentidos. É como se um sonho se tornasse realidade ter a oportunidade de lançar a nossa estreia por este gigante, a melhor editora de prog actualmente no mercado. Mas, apesar de tudo, sabemos que isto é apenas o início de um árduo trabalho, não o fim. E estamos conscientes que, para a próxima teremos que trabalhar ainda mais para nos superarmos.

Sentem algum tipo de pressão ou responsabilidade pelo facto de Ripples ter sido tão bem aceite?
Rein
: Antes de mais, devo dizer que estamos bastantes satisfeitos com as críticas e todo o feedback que tem chegado de todo o mundo. Claro que estávamos confiantes que Ripples era um bom disco, mas agora sentimo-nos realmente orgulhosos uma vez que as nossas expectativas foram ultrapassadas. Mentiria se dissesse que não sentimos qualquer tipo de pressão quando começámos a compor novo material. Mas, como sempre, iremos superar-nos e, aí sim, haverá alguma pressão. De resto, estamos calmos a esse respeito.

Se vos perguntasse quais as vossas principais influências, que responderiam?
Nickolas
: Essa é uma das coisas interessantes em Aspera. Nós, realmente, não temos muitas influências. Ouvimos muita música de várias artistas e géneros e criamos a nossa própria música sem copiar outros. Cada membro tem o seu gosto pessoal e a magia surge na mistura de coisas que nos soem bem.

Entretanto foram já confirmados como um dos nomes do ProgPower Europe. Como se sentem?
Nickolas
: Numa simples palavra: WOW! Estamos muito entusiasmados em tocar no ProgPower Europe, o nosso primeiro grande festival fora da Noruega. Especialmente porque o festival se realiza na Holanda e tivemos um feedback muito positivo de lá. E claro, este festival, pode catapultar a nossa carreira.

Em Ripples recuperaram um tema, Catatonic Coma, de 2007. Algum motivo em especial?
Atle
: Escolhemos essa canção para ser usada em Ripples porque pensamos que é uma boa canção. Tem bons coros e bom instrumental. Fizemos algumas alterações na parte introdutória e utilizámo-la simplesmente porque achámos que era demasiado boa para ser deixada de fora.

Com este brilhante inicio de carreira, as exigências serão, seguramente maiores para o futuro. De que forma planeiam um segundo álbum?
Atle:
Nós já começámos a escrever o segundo álbum e claro que sentimos alguma pressão, atendendo às excelentes reviews que obtivemos para Ripples. Mas tentamos não desperdiçar demasiado tempo a pensar nisso, concentrando-nos nas nossas ideias e criatividade, tentando, desta forma, escrever as melhores canções que conseguirmos nesta fase. E à medida que ficamos mais velhos, o nosso estilo e capacidades vão-se acentuando, por isso estamos confiantes que faremos outro grande álbum para podermos provar que não somos uma banda de apenas um hit. Portanto, esperem pelo nosso segundo álbum! Já não demora muito!

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