terça-feira, 29 de junho de 2010

Entrevista com Angelus Apatrida

Diz o povo na sua sabedoria que de Espanha nem bom vento nem bom casamento. Se isso é verdade ou não nunca foi possível confirmar, agora que os ventos sonoros que sopram dos nossos vizinhos são de classe, isso ninguém tem dúvidas quando se escuta Clockwork, o mais recente trabalho dos Angelus Apatrida, banda de Albacete que, surpreendentemente conseguiram captar as atenções de uma das maiores labels da actualidade, a Century Media. E é mais um trabalho com a chancela de qualidade de Daniel Cardoso e dos UltraSound Studios.
Fala-nos um pouco da história dos Angelus Apatrida.
A banda nasceu na cidade espanhola de Albacete, em 2000, a partir de duas bandas que partilhavam a mesma sala de ensaios. Um dia nós tocámos algumas músicas juntos e decidimos fazer uma nova banda. Nesses primeiros anos nós tocávamos algo como power ou speed metal ou mesmo heavy metal clássico, mas em meados de 2002 o vocalista e baterista deixou a banda e fomos endurecendo a nossa música e atitude e, gradualmente, tornamo-nos numa banda de thrash metal. Depois de dois lançamentos independentes a Century Media assinou connosco e agora temos o nosso novo álbum, intitulado Clockwork.

Vocês assinaram com a gigante Century Media e são apontados como uma das suas esperanças. Como se sente actualmente?
Vocês podem imaginar! É algo como um sonho, estar numa das melhores editoras de metal do mundo, gostarem da nossa música e querem apresentar o nosso álbum como a nova esperança internacional do thrash metal! Sentimo-nos cada vez mais fortes e ansiosos para ver como os metaleiros do mundo irão receber o novo álbum da banda e os nossos espectáculos. Por nós, estamos prontos para aderirmos a esta nova vaga de thrash metal!

Como é que uma banda de uma cidade pequena como Albacete consegue atingir um estatuto tão alto?
Bem, tem sido um longo caminho. Temos trabalhado arduamente É extremamente difícil ganhar uma posição na cena metal espanhola onde as bandas normalmente vêm de grandes cidades ou cidades mais conhecidas. Mas nós estávamos a conquistar cada vez mais audiências com os nossos lançamentos e tournées por toda a Espanha, incluindo alguns dos mais importantes festivais. Por isso penso que não importa de onde se vem. O importante é estar no momento certo e no lugar certo e fazer o melhor possível, ir melhorando e apostar tudo em palco, pois pode ser a última vez!

As vossas principais influências são da cena thrash da Bay Area, certo? Que nomes são mais importantes no crescimento de Angelus Apatrida?
Sim, juntamente com a NWOBHM e outros, a Bay Area é uma das nossas maiores influências! Nós somos mais influenciados pelas épocas e estilos que por bandas, mas se tiver que falar de algumas delas, diria, Megadeth, Metallica, Sepultura, Testament, Overkill ... e, claro, Iron Maiden!

A gravação teve lugar em Braga, com Daniel Cardoso. Alguma razão especial?
Os nossos amigos Killem de Espanha falaram-nos do Daniel e do seu estúdio. Ele enviou-nos um link da página do myspace e nós simplesmente amamos o que ele tinha gravado! Já estivemos em Portugal algumas vezes tocando ao vivo e gostamos muito do vosso país, muito semelhante a Espanha (e muito perto, também!). A cerveja e comida são muito baratas; por isso, por que não gravar aí? Estava tudo bem para nós e para a editora e passámos um tempo fantástico aí!
E como foi esse processo de gravação?
Fantástico! O Daniel é um monstro da produção e Pete é muito bom como engenheiro logo tudo correu sobre rodas. Ficamos cerca de duas semanas aí e posso dizer que foram as sessões de gravação mais profissionais em que já estivemos. Costumávamos terminar as sessões de gravação à meia-noite e depois íamos beber umas cervejas com Daniel e Pete e divertirmo-nos. Foi muito engraçado trabalhar com eles!

Agora que já olharam e escutaram Clockwork, quais são as vossas sensações?
Nós pensamos que acabámos de gravar o nosso melhor álbum de sempre! Sim, é uma resposta típica de bandas que acabam de lançar o seu novo álbum, mas nós estamos mesmo muito felizes com o resultado final. Nós pensamos que é perfeito para pessoas que apenas agora começaram a ouvir a banda e os meios de comunicação europeus estão fazendo excelentes reviews! Estamos muito felizes e orgulhosos com o Clockwork e estamos ansiosos para poder tocá-lo vivo na nossa próxima tournée europeia!

Vocês escolheram o tema Be Quick or Be Dead dos Iron Maiden para fazer uma cover. Por quê?
Nós todos crescemos a ouvir Iron Maiden e eles são minha banda favorita desde que eu era criança. Quando a Century Media nos deu a possibilidade de introduzir uma faixa bónus quisemos gravar um tema dos Maiden como forma de tributo uma vez que eles são uma das nossas maiores influências. Escolhemos este tema porque achamos que ele iria encaixar perfeitamente no estilo da banda por causa de sua velocidade, mas não é a nossa canção favorita [risos] nem Fear Of The Dark o nosso álbum favorito. Queríamos que as pessoas entendessem como os Iron Maiden nos influenciaram ao nível dos solos de guitarra e das estruturas de tal forma que esta versão poderia ter sido perfeitamente uma canção dos Angelus Apatrida. Pelo menos assim que nós a vemos!

E projectos futuros? Alguma coisa em vista?
Neste verão estaremos presentes em alguns importantes festivais e vamos iniciar uma forte campanha ao vivo pela Europa, em Agosto/Setembro com os nossos companheiros de editora Warbringer e os fantásticos Skeletonwitch. Serão cerca de 20 datas e estamos ansiosos para começar esta tournee! Depois, voltaremos a Espanha e talvez Portugal para apresentar este novo álbum numa outra tournée. Mas o melhor é irem verificando as datas!

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