quarta-feira, 2 de junho de 2010

Entrevista com InnerWish

Os Innerwish são um dos nomes mais importantes da cena grega e um dos poucos colectivos resistentes da desaparecida onda power metal. Como sempre acontece só os melhores sobrevivem e foi isso que aconteceu aos Innerwish, como prova No Turning Back, o seu mais recente e excelente trabalho discográfico. Via Nocturna contactou a banda helénica que por via do guitarrista Thimios Kriko shumildemente nos falou um pouco desta entidade.

Com um historial de 15 anos o nome Innerwish torna-se um dos mais respeitáveis da cena local. Sentem alguma responsabilidade no surgimento de novos valores gregos?
Não. Não podemos dizer isso. De facto, estar em cena durante tantos anos torna-nos uma das mais antigas bandas na Grécia, mas de qualquer forma nós não sentimos que somos responsáveis por nada nem sentimos que temos algum tipo de obrigação, a não ser, claro, para nós mesmos e para os nossos fãs que sempre nos apoiaram todos estes anos.

Os Innerwish lançaram dois álbuns pela gigante de power metal Limb Music. O que aconteceu para mudar a etiqueta?
Ambos os lados tiveram coisas incómodas durante a cooperação que originou a que seguíssemos caminhos diferentes. Reconhecemos que a Limb deu-nos a oportunidade de quebrar as fronteiras de nosso país e, claro, estar numa editora que tem tantas bandas de renome foi importante para nós. Mas, do nosso ponto de vista, consideramos que eles deveriam ter pensado um pouco mais nos Innerwish. Acabamos por nos separar de forma amigável. Agora estamos na Ulterium e sentimo-nos muito bem sobre a nossa escolha. Desde o início que eles tem mostrado que acreditam no que fazemos e têm-no provado todos os dias, pela maneira como nos tratam e trabalham para nós. Eles são como o sétimo elemento da banda e é assim que deve ser.

Que diferenças vêm entre No Turning Back e os seus antecessores?
Uma coisa é certa: depois de tantos anos de trabalho árduo estamos agora mais experientes para saber como tratar as nossas músicas e o que fazer em estúdio para obter o melhor resultado possível. A ideia não mudou muito. Continuamos a compor canções da mesma forma como o fizemos no passado: riffs pesados de guitarra, melodias cativantes, o uso de teclados etc.. Ou seja, elementos que se podem encontrar nos nossos trabalhos anteriores também. Só que agora temos um resultado final com um peso final extra. Trabalhamos com Fredrik Nordstrom e Henrik UDD para a mistura e Mika Jussila nos Finnvox Studios para a masterização. Trabalhando com esses grandes nomes há a garantia que o resultado final será óptimo. E é isso que o público recebe. Uma produção poderoso que mostra todas as potencialidades dos InnerWish.

Vocês são, frequentemente comparados a nomes como Helloween e Hammerfall. Certamente que se sentem orgulhosos disso. No entanto, acho que, Innerwish tem uma personalidade própria. Podem descrever o modo como conseguem criar músicas tão apelativas?
Nós não nos sentimos que possamos ser comparados a essas grandes bandas. Eles têm uma grande história, grandes álbuns e uma enorme base de fãs em todo o mundo. Existe uma grande distância entre nós. Mas é uma honra para nós mesmo estando atrás desses nomes. Eu já afirmei muitas vezes no passado que não tentamos ser como ninguém. Compomos as nossas músicas como elas vêm dos nossos corações. Eu e o Manolis [Manolis Tsigos, guitarrista] somos os principais compositores. Trabalhamos nas nossas músicas no meu estúdio em casa e quando sentimos que há algo bom, então vamos mostrar ao resto da banda. Depois, com a contribuição de todos fazemos os retoques finais

O chamado power metal enquanto sub-género está a atravessar uma fase menos boa em termos de popularidade. Todavia, considero que os Innerwish são um dos nomes importantes do género. Como é que vocês têm vivido essa situação?
Claro que o power metal não está na sua melhor fase. Em meados dos anos 90 houve bandas muito populares mas muitas que surgiram não tinham assim tanta qualidade. Passou-se o mesmo há alguns anos atrás com o black metal e com as bandas com vocalistas femininas. Ou seja, é o ciclo das coisas: quando um estilo se torna mais comercial aparecem muitas bandas a tentar a sua sorte. Provavelmente se nós, nos anos 90, estivéssemos na posição que estamos hoje, talvez fosse diferente para nós ou talvez não. Quem sabe? No final quem permanece nos períodos maus é que prova que é honesto. E nós ainda estamos aqui…

Consideram que o No Turning Back é o vosso melhor álbum de sempre? Por quê?
Eu não sei se é o melhor trabalho dos InnerWish. Apenas os nossos fãs poderão dizê-lo. Serão eles que nos julgarão. Agora, eu posso dizer que é nosso álbum mais completo. A produção é muito melhor do que os álbuns anteriores, mas o mais importante é que os nossos fãs gostem das canções. E é preciso tempo para se ter uma ideia mais completa do álbum.

Sobre as reacções de fãs e imprensa, sendo um pouco cedo, já têm algum feedback?
Até agora, temos tido um feedback muito bom sobre nosso trabalho. A maioria das pessoas que nos contactam, bem como as reviews que temos recebido falam que há algo especial neste álbum. Como disseste, ainda é cedo, mas parece que as coisas irão correr bem para os Innerwish.

E o que está em preparação para a apresentação ao vivo de No Turning Back?
Iremos fazer o máximo de espectáculos que pudermos. Existem planos para uma tournee em fins de Setembro, na Grécia e alguns espectáculos na Europa em meados de Novembro. Mas nada oficial de momento.

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