sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Entrevista com Machinergy

Vêm de três datas com os brasileiros Uganga e estreiam-se em edições discográficas com o poderoso e dificilmente catalogável Rhythmotion. Falamos dos Machinergy, a simbiose perfeita entre maquinaria e energia. O baterista do trio, Hélder conta tudo.

Antes de mais, gostava que nos apresentassem os Machinergy.
Em primeiro lugar queremos agradecer ao blog Via Nocturna por esta oportunidade e pelo apoio. Somos uma banda oriunda de Arruda dos Vinhos, composta por três elementos: Ruy na voz e guitarra, Hélder na bateria e João no baixo. Thrash-metal é talvez a melhor definição para o nosso som mas temos também influências de death, industrial e até mesmo algum punk. Por isso preferimos dizer que somos uma banda de Metal.

Sendo Rhythmotion o vosso primeiro trabalho, que expectativas têm?
Em primeiro lugar, queremos dizer que o álbum é fruto de trabalho de dois amigos. Foram, mais ou menos, quatro anos de um árduo trabalho. As pessoas podem contar com honestidade, simplicidade desde a música até ao artwork. Queremos que as pessoas se concentrem objectivamente no poder da música As nossas expectativas são as de qualquer músico que acredita no seu trabalho, chegar ao maior número possível de pessoas, que gostem e que tenhamos um bom feedback quando tocamos ao vivo.

Referem que o processo de gravação foi longo. Algum motivo em particular?
Depois de compôr a base de todo o material, houve um processo de aprendizagem e de decisão do método de gravação. Queríamos fazer o melhor possível dentro das nossas possibilidades e sem complicar. Após a gravação da secção rítmica, tivemos um período de análise, onde tivemos oportunidade de desenvolver algumas ideias que por vezes só no estúdio são possíveis criar. Depois, os arranjos bem como a voz foram trabalhados com muita calma, basicamente porque tinhamos tempo e não tínhamos pressa.

O vosso line up é referido no vosso site como um trio, mas o disco foi apenas gravado pelo Ruy e Hélder, correcto? Porquê?
O terceiro elemento, o João, só entrou para o seio da banda quando a parte instrumental do álbum estava praticamente gravada, só faltando a voz na altura. Como durante a gravação não foi possível encontrar um baixista, apesar desse facto, nada nos impediu de começar a registar o nosso trabalho sendo o baixo assegurado pelo Ruy. Entretanto queríamos começar a tocar ao vivo e foi aí que surgiu o João que no futuro, com certeza, vai colaborar no próximo trabalho.

Gostaria agora que nos falassem dos convidados em Rhythmotion. Como surgiu a oportunidade de trabalharem com eles e que input trouxeram aos temas em termos criativos.
Foi muito agradável. À medida que estávamos a registar as vozes, tanto da Célia como do Hugo, sentíamos as músicas a transformarem-se em algo que tinhamos imaginado, mas só no resultado final é que temos mesmo a noção da coisa. Tiveram liberdade total, apenas enviámos a letra e a música e facilmente gravámos todas as ideias que elaboraram. Praticamente à primeira! Eles foram impecáveis, já eram amigos do Ruy e rapidamente surgiu a oportunidade de os convidar.

Acho curioso a vossa forma de jogar com as palavras: Rhythmotion, Innergy ou Beautyfall. Há alguma razão para tal suceder ou apenas mera coincidência?
Como o próprio nome da banda Machinergy, foi algo que foi surgindo e que achámos, de certa forma, como uma maneira de exprimir determinadas coisas só com uma palavra. Inicialmente, queríamos títulos para as músicas só com uma palavra, queriamos simplificar, então pegámos na fórmula do nome da banda e foi surgindo assim, tema a tema. Também acabámos por criar algumas palavras, como por ex. Blakus, que significa alguém que fala e fala só para se exibir mas o que diz não interessa nada.

E já agora, em termos líricos, que tópicos abordam os Machinergy?
As letras ficam a cargo do Ruy, como ele é que as canta é ele que procura a melhor maneira de as soltar cá para fora, até porque toca guitarra ao mesmo tempo. Claro que há sempre ideias dos restantes elementos mas é o Ruy que faz o acerto final. Os temas podem abordar de tudo um pouco, do abstracto ao real, questões directas ou indirectas. Quando tem que ser cru, é! Quando é para ferir, fere!

Entretanto têm um tema cantado em português com uma temática bem quente [risos]. Porque a escolha deste conceito em particular para vocalizar em português?
Surgiu! [risos]! O tema Incendiário é relacionado com Portugal, a maneira como somos administrados e como pode haver alguém que está a frente do país que não entenda em inglês... Soou-nos bem desde o início cantado em português, e e
ntão, porque não?! Tem tudo a ver.

Quanto ao clip de Rhythmotion, qual o ponto da situação?
Ainda está em fase pré-produção, também ainda faltam acertar alguns pormenores em relação à pequena história que se desenrolará em paralelo com a banda a tocar. Já escolhemos o sítio, temos o equipamento e as pessoas que vão trabalhar connosco a postos. Contamos gravar ainda durante o mês de Outubro. Depois da montagem, deve estar no ar talvez em Novembro ou Dezembro.

Em termos de espectáculo tiveram a oportunidade de apresentar, recentemente, Rhythmotion nos espectáculos com os brasileiros Uganga. Como decorreram esses espectáculos e como foi a reacção do público?
Fizemos três datas com os Uganga e para nós foi uma experiência única, muito bacana mesmo, aprendemos imenso. Acabámos por nos ver na pele deles, num futuro próximo, fazendo uma turné pela europa. Acreditamos e queremos que isso aconteça, estamos a trabalhar para isso. Temos tido um bom feedback por parte do público e nós temos curtido bué, sempre com muita coragem e energia.

E quanto a próximos espectáculos de promoção ao vosso trabalho já está algo definido?
No próximo dia 11 de Dezembro vamos realizar um espectáculo, no Side B em Benavente, onde vamos tocar as 10 músicas do álbum de estreia pela mesma ordem do disco. Este será o concerto oficial de apresentação de Rhythmotion. Contamos com a presença da Célia e do Hugo onde irão cantar nos temas Godus e Incendiário, respectivamente. Depois continuaremos pela estrada já com algumas datas marcadas e outras que vão surgir.

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