terça-feira, 26 de outubro de 2010

Entrevista com Star One

Arjen Lucassen é um dos músicos mais criativos do panorama metálico internacional fazendo com que os seus projectos apresentem sempre um elevado nível de qualidade. Oito anos depois de Space Metal, o holandês resolveu voltar aos Star One, num trabalho pesado, como forma de contrabalançar o seu trabalho mais atmosférico de 2009 através de Guilt Machine. Em discurso directo, Arjen Anthony Lucassen, acedeu a contar os seus sentimentos sobre todos os seus projectos, transformando esta entrevista num dos momentos mais altos da existência de Via Nocturna

Nos últimos anos tens estado envolvido principalmente no projecto Ayreon. Sentiste necessidade de ressuscitar os Star One?
O meu último álbum foi o Guilt Machine, que foi um trabalho atmosférico. Como sempre, cada álbum que faço é uma reacção ao disco anterior. O que eu realmente queria fazer era um álbum de metal, novamente, o que automaticamente me direccionou para o Star One.

Quando começas a trabalhar, já está pré-estabelecido para que projecto é, ou decides após a percepção da direcção que as canções estão a tomar?
É diferente para cada projecto. Geralmente deixo apenas a minha inspiração guiar-me a ver onde ele me leva. Mas desta vez eu sabia desde o início que ia ser um álbum de Star One.

É fácil gerir tantos projectos em simultâneo?
Nunca são simultâneos! Só me concentro num projecto de cada vez. A escrita, gravação e mistura de um álbum leva-me cerca de um ano, e num álbum de Ayreon talvez um pouco mais.

Falando sobre outros projectos teus, existem algumas possibilidades para um novo álbum de Ambeon?
Infelizmente não! Astrid não está disponível. E não seria correcto fazê-lo com outra cantora.

E o que se passou com Stream of Passion. Criaste o projecto e depois abandonaste-o. Algum motivo em especial?
Eu configurei a banda para Marcela, porque ela fez um óptimo trabalho no Human Equation. Eu nunca planeei ser um membro da banda, só ajudei no inicio. Felizmente eles estão a fazer um bom trabalho e tudo está a funcionar perfeitamente!

E sobre o teu novo projecto Guilt Machine, com um álbum lançado no ano passado. Podes descrevê-lo melhor?
É um álbum muito pessoal, as letras são muito profundas a lidar com as depressões que eu e Lori passámos. Tem apenas uma vocalista e longas canções atmosféricas. Estou muito orgulhoso do álbum, mas infelizmente ele não vendeu tão bem como os meus outros projectos.

Oito anos se passaram desde Space Metal. O que mudou no conceito Star One?
O novo álbum é mais obscuro, mais pesado e mais terra-a-terra. Mas ainda tem aquele sentimento Star One como os teclados analógicos antigos, como o Hammond e Minimoog.

Realmente, parece-me que esta nova proposta está mais centrado nas guitarras e muito mais pesado. Foi a tua pretensão desde o início, suponho?
Ah, sim, eu senti que eu poderia melhorar o som das guitarras do primeiro álbum Star One. Por isso, passei semanas a tentar conseguir o som perfeito, porque isso iria ser a base das músicas.

Em Victims Of The Modern Age trabalhas novamente com vários vocalistas, mas não existe a ideia de uma ópera metal. No entanto é um álbum conceitual, certo?
Sim, de facto, o conceito é que todas as músicas são baseadas em filmes distópicos e pós-apocalípticos.

Como é o processo de criação nos teus projectos? Os vocalistas/músicos convidados desempenham algum na composição?
Em cada projecto é diferente. Em Star One a maioria das músicas são baseadas em riffs de guitarra; em Ayreon, eu começo com algumas melodias, sons ou sequências de acordes. Quanto à escrita, fui eu quem escreveu todas as músicas e letras.

Victims Of The Modern Age aparece em duas edições, sendo que a especial inclui um CD bónus com quatro músicas novas e uma cover dos ELP. Algum motivo especial para escolherem um tema deste grupo e porque não incluíste as outras quatro canções na edição regular?
Eu tinha 13 músicas no total e que não caberiam apenas num único CD. Eu escolhi as oito canções mais pesadas que parecem encaixar-se muito bem no primeiro CD. As outras canções do CD2 tem uma sensação um pouco diferente, mas eu gosto delas tanto quanto as faixas do CD1. A cover de ELP, Knife Edge, foi gravada para o CD de uma revista britânica chamada Classic Rock presents Prog, mas esse CD nunca foi lançado porque eles não detinham os direitos autorais de todas as versões dos ELP que as diversas bandas enviaram

Após Space Metal foste em tournee com os teus músicos. Achas que o mesmo é possível com Victims Of The Modern Age?
Será muito difícil, demorado e caro para conseguir todos os 10 músicos em conjunto para os ensaios e uma tournée, também, porque todos eles têm suas próprias bandas e projectos. Mas, em princípio, poderia contar com todos, por isso é uma opção. Só ainda não há planos definidos.

1 comentário:

Black disse...

Se tivesse que escolher uma banda para ouvir toda a vida, seria esta, junto com todos os projetos dete mago :)

Parabens pela entrevista!