quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Review: The Final Frontier (Iron Maiden)

The Final Frontier (Iron Maiden)
(2010,EMI)

Quem já escreveu o seu nome em letras de ouro na história do metal com álbuns como The Number Of The Beast, Powerslave, Piece Of Mind, Seventh Son Of A Seventh Son ou Somewhere In Time não devia já estar a gozar o merecido repouso de uma folgada reforma? Os seis britânicos não julgam isso e, sistematicamente, vão colocando no mercado álbum atrás de álbum. Vantagem: os inúmeros fãs espalhados pelo mundo vão agradecendo e vão tendo mais oportunidades de os verem e reverem ao vivo; problema: os Iron Maiden já não conseguem surpreender ninguém, nem mesmo cativar alguém. Honestidade acima de tudo, neste The Final Frontier até a voz de Bruce Dickinson parece cansada e saturada. Musicalmente temos sempre as mesmas estruturas, os mesmos ritmos, as mesmas melodias, os mesmos inícios calmos com o baixo de Steve Harris onde a única dúvida é saber quando ocorre a inevitável reacção/cavalgada. The Final Frontier acaba por ser mais álbum igual aos últimos, longo (diríamos demasiadamente longo para o seu próprio bem) e que não acrescenta nada de novo. Mas atenção porque o inicio do disco até promete: ritmos tribais com uma dose de electrónica e até algum psicadelismo levam-nos a pensar que os Maiden irão arriscar e criar algo mais contemporâneo. Nada de mais errado. Ao quarto minuto e meio já estamos no mesmo cenário. Mas nem tudo é mau (ou melhor regular, porque dos britânicos nunca nada será mau!). Coming Home é uma fantástica balada, das melhores que o sexteto já escreveu e The Alchemist apresenta um espírito retro que, curiosamente, parece querer recuperar alguma da mística dos álbuns citados no inicio da crónica. Coincidência ou não, falamos dos temas mais curtos do disco. Mas o álbum tem ainda outros bons momentos perdidos nos temas mais longos mas que fazem valer a pena perder algum tempo na sua audição: a secção retro, ao nível de uns Astra, no interior de Isle Of Avalon, os riffs quase Black Sabbath perdidos na longa Starblind ou mesmo o lead melódico da típica cavalgada em The Talisman, neste caso, tipicamente maideniana, é certo, mas dos mais belos leads escritos pela banda. Para o final ficam duas peças que tem tanto de compridas como de enfadonhas. Resumindo, este é apenas mais um disco dos Iron Maiden que, não acrescentando nada de novo, consegue apresentar alguns momentos interessantes. Por isso, enquanto álbum completo esqueçam; mas não percam esses pormenores isolados.

Tracklist:
1. Satellite 15… The Final Frontier
2. El Dorado
3. Mother Of Mercy
4. Coming Home
5. The Alchemist
6. Isle Of Avalon
7. Starblind
8. The Talisman
9. The Man Who Would Be King
10. When The Wild Wind Blows

Line up:
Bruce Dickinson – vocais
Dave Murray – guitarras
Adrian Smith – guitarras
Janick Gers – guitarras
Steve Harris – baixo
Nicko MacBrain – bateria

Internet:






Edição: EMI

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