quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Entrevista - Bob Wayne

Já ouviram punks a tocar country? Ou cowboys a tocar punk? Pois bem, Bob Wayne é o senhor que consegue juntar esses dois campos, aparentemente tão díspares. E Outlaw Carnie, o seu quarto álbum, primeiro para a People Like You Records, mostra como isso se faz. E da melhor forma, ou seja, juntando a atitude do punk com os melhores fora da lei do oeste selvagem. Bob Wayne, explica melhor.

Olá Bob, podes falar sobre Outlaw Carnie? Este é o teu quarto álbum até ao momento. Na tua opinião, o que mudou desta vez e como descreverias o teu novo trabalho?
Bem, acabámos por regravar algumas músicas que eu já havia gravado. Basicamente nas primeiras gravações que fizemos apenas tínhamos um microfone para gravar uma pista de cada vez. Gravámos todo o álbum pista a pista. Com este novo disco fomos capazes de gravar várias pistas ao mesmo tempo e tivemos aquela sensação ao vivo de ver como as músicas realmente são. Estou muito feliz com isso. Quanto ao álbum eu descrevê-lo-ia como country áspero com histórias obscuras..

Como vimos, escolheste algumas músicas antigas para este novo álbum. Houve mudanças ao nível das estruturas?
Bem, como eu disse antes, as principais alterações foram apenas no fato de gravar a bateria, baixo, guitarra etc .. tudo ao mesmo tempo para conseguir um sentimento live. Por outro lado, também apresentei estas canções ao vivo durante alguns anos, por isso o meu desempenho vocal é definitivamente melhor.

Qual é o line-up que te acompanha em Outlaw Carnie?
Há muitas pessoas diferentes que têm estado comigo e muito mais virão, tenho a certeza. O motivo é que eu ando em tournée entre 200 e 250 dias por ano e é difícil encontrar músicos que possam estar longe de casa durante tanto tempo. A respeito deste novo registo tenho alguns dos músicos que habitualmente gravam comigo: Andy Gibson e Donny Herron. Mas também tenho alguns rostos novos como Dave Row (o velho baixista de Johnny Cash) e Billy Contrarez (atual violinista de George Jones).

Este álbum marca a tua estreia na People Like You. Quais sai as tuas expectativas?
Na realidade, nunca tenho grandes expectativas… É por isso que durante anos os meus cd’s têm sido queimados. Se ninguém os compra não me preocupa que tenha sido um grande investimento. Eu só os faço à medida que preciso deles. Mas, ultimamente com tanto tempo de estrada, não tenho tido muito tempo para dar atenção a um novo registo. Mas considero que este álbum é muito bom e teve um pouco mais de trabalho. No fundo estou feliz porque sinto que a People Like You está a fazer um bom trabalho, ajudando a espalhar a palavra.

Como reages quando se diz que és o responsável por transportar a chama do tradicional country fora da lei cruzado com a raiva do punk moderno?
Penso que é uma analogia muito boa! É definitivamente um bom elogio.

Mas a tua música não é muito vulgar: country misturado com punk. Deves ser o único a fazê-lo. Como surgiu a ideia?
Eu acho que provavelmente vem do fato de eu gostar e ouvir muitos géneros diferentes de música desde metal até bluegrass. Também gostaria de dizer que não sou o primeiro em nada. Na realidade, nomes como Hank 3, Johnny Cash, David Allan Coe eram era muito punk.

E o teu público? São mais punks ou cowboys? (risos)
Boa pergunta! Eu vejo muitas pessoas diferentes nos nossos espetáculos. Desde rockabillys até metaleiros, punks, cowboys e até mesmo apenas pessoas normais! É isto a beleza da música , acho eu! Um monte de estilos diferentes apreciam-na e unem-se para se divertirem.

Agora, com uma distribuição mundial do teu álbum, achas que podes conquistar outros mercados, como o europeu?
Acredito que sim. Mesmo quem não fala Inglês acho que pode sentir a música. Eu testemunhei isso muitas vezes. Desde a Polónia até à Itália, países onde mal se fala o inglês, mas nas vezes que lá tocámos, eles dançaram, fizeram mosh e até mesmo crown surf! Esperamos fazer o mesmo em Portugal!


Texto escrito conforme o Acordo Ortográfico - convertido pelo Lince.

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