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Entrevista - Turisas

Ao seu terceiro album, os finlandeses Turisas atingem um patamar de classe mundial só ao alcance de predestinados. Stand Up And Fight é um trabalho fabuloso, que seguramente marcará o ano de 2011. Para falar de todas as ideias já postas em prática e as que ainda virão em álbuns posteriores, Mathias Warlord Nygard (vocalista) e Olli Vänskä (violinista) responderam às questões de Via Nocturna.

Stand Up And Fight é o vosso terceiro álbum e eu considero que é o melhor até à data. Concordas?
Bem, é certamente aquele onde nós gastamos mais tempo! Foi uma grande produção, morosa e ambiciosa e onde podes verificar muitas camadas complexas (diferentes estilos vocais, corais, orquestra, etc) que exigiram muito trabalho. A cada álbum em que se trabalha ficamos mais experientes, seja como produtores, músicos, compositores, ou o que for, por isso, obviamente, que achamos sempre que o álbum mais recente é o melhor! É claro que é bom quando as outras pessoas tenham a mesma opinião, mas sim, estamos muito felizes com ele.

Têm grandes expectativas para este álbum, certo?
Claro! Como disse, é a melhor coisa que fizemos até agora, e esperamos que ele seja recebido como tal.

Stand Up And Fight acaba por se a continuação da história de The Varangian Way, mas agora sem um único conceito. Podem descrever a temática principal deste álbum?
Sim, inicialmente, estava previsto ser a continuação da história de The Varangian Way, mas ao longo do processo acabámos por alterar. Em vez de ser uma continuação da mesma história, este acaba por ser um álbum mais independente, descrevendo a história após The Varangian Way em instantâneos. A história agora é mais uma corrente. Ele está lá, mas as canções funcionam na mesma se forem ouvidas isoladas. Há canções como The Great Escape, em que as letras são quase como um diálogo a contar um conto muito simples; há músicas como End of An Empire que lidam com os temas a um nível muito mais geral, às vezes até comentado a partir de uma perspetiva moderna. O álbum como um todo foi muito influenciado pela história, especialmente a formação e a vida dos grandes impérios, mas também tem muitos elementos dos filmes de aventura clássicos dos anos 50 e 60 como Ben-Hur.

Desta vez notam-se algumas diferenças. A mais importante, é que vocês usaram um ensemble de cordas e sopros verdadeiro. De que forma isso influenciou a vossa música?
Parte do plano era fazer soar o álbum como um filme e a orquestração teve um grande papel nisso. Tivemos a participação de alguns dos melhores elementos da música clássica finlandesa na sua interpretação. Eles são supertalentosos e vieram de orquestras sinfónicas, como a Academia Sibelius, e outras do género. Foi muito bom trabalhar com porque nos deram o impulso extra que precisávamos para realmente termos aquele sentimento o épico que atingimos. Não se consegue ter este tipo de som usando apenas samples; tem que ser real!

Por outro lado, parece-me que os vocais estão menos agressivos. Foi uma escolha consciente?
Tem mais a ver com o que funciona melhor com a atual abordagem musical. Há um sentimento mais bombástico, progressivo neste álbum e até mesmo alguns elementos de stadium rock, penso eu, e os típicos vocais agressivos do metal não se encaixam muito bem. Felizmente Nygard tem uma fantástica capacidade de abordar vários registos!

Exatamente, apesar de as peças sinfónicas e os corais serem fantásticos, Nygard revela-se como um super tenor. Até onde podem ir os Turisas neste campo?
Obrigado! O objetivo é tentar seguir em frente. Ainda assim, sinto que apesar dos progressos realizados em cada álbum, ainda é difícil de obter os sons que estão na nossa cabeça. Para já, o que nos impede acabam por ser as restrições em questões de tempo e orçamento. De resto, definitivamente, podemos ir mais além e obter um som ainda maior e mais épico no próximo álbum.

Tendo vocês criado o estilo Battle Metal, acham que ainda é uma boa definição para os Turisas atuais?
Essa expressão nunca deveria ter sido usada para definir a banda, mas acabou por ser uma marca que ficou. É claro, até certo ponto, está mais ou menos adequada, especialmente devido aos trajes antigos e à decoração do palco, mas como podem reparar estamos em permanente evolução. Na realidade, nós não nos consideramos uma típica banda folk metal ou battle metal- nós apenas fazemos o que fazemos! Tentamos manter-nos originais, excitantes e refrescantes e isso é muito mais importante do que qualquer definição.

Pegando nas tuas palavras, apesar de o folk ainda estar presente em algumas das vossas músicas, vocês sentem que não jogam nesse campeonato, certo? No entanto, como vêm a cena folk metal no vosso país?
Sim, como eu disse antes, o fato de usarmos violinos e acordeões, não significa necessariamente que façamos folk metal! Mas, sim, há um monte de bandas finlandesas a praticar esse género. Algumas são muito boas no que fazem e outras… nem tanto! Mas não deixa de ser um pouco estranho ver que há grandes packs de tours sob esta denominação. Por isso, vai ser interessante ver como isso acaba para eles. Mas, se atrai mais atenção para a música finlandesa em geral, não pode ser tão mau assim.

Agora vem aí mais um longo período em tournée. Quais são as expectativas para a tournée americana com o Cradle Of Filth, Nachtmystium e Daniel Lioneye e a europeia com Die Apokalyptischen Reiter?


Sim, há uma tournée bem pesada a ser alinhada já para o resto de 2011 e em 2012! A nossa última tournée no verdadeiro sentido do termo foi na primavera de 2009. Depois disso estivemos muito ocupados com a escrita e gravação pelo que apenas fizemos alguns concertos na Austrália e na Ásia (que foram fantásticos, diga-se) e alguns festivais. É ótimo estar novamente na estrada com um novo álbum. Já estivemos em tournée com os Cradle Of Filth antes e foi muito bom. Agora juntarmo-nos na América parece uma boa ideia. Haverá uma forte presença finlandesa nessa tournée, já que vamos compartilhar o palco com Daniel Lioneye que é um projeto paralelo de alguns dos dos elementos dos HIM. Quanto aos DAR, fizemos a nossa primeira grande tournée juntos em 2005 e desde então ambas as bandas tiveram grandes saltos. Portanto vai ser divertido voltar a ver essa malta de novo fazermos uma longa tournée na sua região!

Texto escrito conforme o Acordo Ortográfico - convertido pelo Lince.

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