segunda-feira, 28 de março de 2011

Entrevista - Clandestine

Ser apelidado de Best Female Fronted Band deixa antever qualquer coisa. Essa qualquer coisa não fica por mãos alheias e os Clandestine provam, com The Invalid, que são mais que mais uma banda com uma senhora a cantar. Esta nova proposta vinda do lado de lá do Atlântico acaba por se confirmar como uma lufada de ar fresco na linha progressiva do metal. June Park e Dan Durakovitch contam-nos como tudo se processa no seio dos Clandestine.


Viva, para começar o que podes dizer a respeito dos Clandestine?
June Park (JP): Clandestine significa segredo e o tema geral da banda é a complexidade de nossa mente, dinâmica e pensamentos ocultos que mantemos no nosso íntimo. O rock/metal progressivo é naturalmente um excelente meio para expressar este tema. Fizemos a experiência sem pensar "Será que isso vai ser um sucesso?" ou "Será que isso vai ser suficiente metal?” Desde 2006 que temos vindo, com a nossa paixão e desejo, a criar algo significativo para nós. Nada mais.

Sendo The Invalid, a vossa estreia, como vêm o álbum?
Dan Durakovitch (DD): Estamos todos orgulhosos naquilo que conseguimos mas, como qualquer músico, é difícil não pensar em coisas que poderia ter sido feitas de uma forma diferente. Porque nós tocamos tantas vezes esses temas, que é como se eles fossem velhos amigos. Ficamos felizes de vê-los, mas conhecemos muito bem a sua rotina. E é fácil esquecer que existem muitas pessoas que estão a ouvir estas músicas pela primeira vez. Adoramos tocar em frente de muita gente porque nos ajudam a alimentar a nossa energia e a reacender a nossa paixão por compartilhar a nossa música com o mundo. Da Vinci disse que "A arte nunca está terminada, apenas abandonada."

Como se processou o vosso ingresso na Nightmare Records?
DD: Uma comunidade online de fãs de música estava a dar ao nosso álbum algum burburinho e a Nightmare tomou conhecimento disso. Por outro lado, estávamos a ter algum airplay numa estação de rock progressivo chamada Progulus. Lance King ouviu-nos lá e contactou-nos. Era fácil de ver que eles compartilhavam os mesmos objetivos que nós no que diz respeito à divulgação da nossa música com o público, o que é muito importante para nós. Por isso, tem sido ótimo desde então!

Em The Invalid, vocês cruzam diversos estilos. Quais são as vossas principais influências?
DD: Durante o processo de gravação deste álbum ouvimos um monte de metal/rock progressivo. Mas como este álbum foi escrito ao longo de alguns anos, vários outros estilos se esgueiraram para as músicas, tal como o pop, eletrónico e metal moderno.
JP: Não temos a certeza de onde vem, exatamente, a nossa inspiração. Ouvimos muitas coisas diferentes, mas pensamos que tudo vem naturalmente quando realmente apreciamos as coisas e nos lembramos das sensação que provocam. Costumamos ouvir Michael Jackson, por exemplo, e apesar de não soarmos como ele, tenho certeza que existe alguma inspiração que não nos damos conta quando criamos. Nós também gostamos artistas experimentais como Bjork. Eu não escuto pop coreano, mas eu tenho certeza que existe alguma influência oculta que eu não penso quando escrevo melodias. A nossa base é rock e metal, mas não temos medo de explorar outros territórios musicais e captar o que eles têm para oferecer aos ouvintes. Eu sinto que agora é quase inútil falar das nossas influência de metal, porque Clandestine é apenas como uma tela para as cores serem adicionados. Não importa que tipo de música escutas, as sensações acumulam-se ao longo do tempo e criam o seu som com o seu toque pessoal. Eu acredito que este é o som de The Invalid.

E como decorreu o trabalho de composição?
DD: Este álbum foi escrito principalmente por June e por mim. Nós trabalhamos juntos na composição e June lida com todas as partes relacionadas com as letras e vocais. Normalmente, a música é escrita em primeiro lugar e, em seguida, as partes vocais. Finalmente trabalhamos em todos os extras que complementam a música. Nós usamos diversos programas de sintetizador para adicionar texturas na estrutura básica das canções.
JP: Quando escrevo as letras e escolho o título, eu tento sentir a música, ouvindo mais e mais e perceber para onde me leva a minha mente. A música é como uma criptografia. Mesmo que nós não criássemos música com um tema específico, eu poderia identificar a sua origem e projetar a mensagem com as palavras. Quanto à bateria, tentamos sempre dar as indicações tão detalhadas quanto possível ao nosso baterista. A programação de bateria pode ser um processo moroso, mas não deve ser negligenciado para o nosso tipo de música porque ele pode realmente mudar o efeito da música. Naturalmente, o nosso baterista toca muito melhor do que uma performance MIDI com a sua técnica, sensibilidade e ideias e, no final, muitas vezes há mudanças em comparação com as peças programadas. E essa é a maneira que esperamos que seja, já que se trata apenas de uma orientação que fazemos para facilitar o processo de escrita. No futuro, porém, gostaríamos de envolver toda a banda no processo de composição. O Mark tem vindo a contribuir com as suas ideias e nós estamos muito animados sobre os novos caminhos para nos podemos expandir.

As reviews tem sido muito boas. Estavam à espera de obterem tanto sucesso?
JP: Nós, naturalmente, esperávamos respostas positivas, porque gostamos do que fizemos, mas não tínhamos certezas. A única coisa que sabíamos era que não é produtivo ter medo de críticas. Seria ótimo se as pessoas se sentissem da mesma forma que nós fazemos sobre The Invalid, mas não podemos controlar os seus pensamentos e emoções. A música é uma experiência pessoal, tanto em fazer como em ouvir. Fizemos a nossa parte para fazer música com honestidade e pô-la cá fora e esperamos pacientemente sem estarmos demasiado preocupados com o que as pessoas pensam dela. Parece que há cada vez mais pessoas que apreciam o que nós expressamos em The Invalid e, claro, essa é a maior gratificação que uma banda pode ter.

Disappear In You é o vosso videoclip do álbum. Por que esse tema em particular?
JP: Achamos que Disappear In You combina elementos musicais e líricos que podem apelar a um público amplo. É uma das músicas mais simples do álbum, mas ainda assim tem um secção instrumental interressante. Eu acho que é uma canção bem equilibrada, que tem uma mensagem forte. É sobre ser inconscientemente viciado num relacionamento abusivo que, eventualmente, destrói a autoidentidade e força. O vídeo mostra a consequência de tal dilema – a saída mais extrema para escapar de ficar completamente sugado e ser manipulado a cada momento.

De que forma é que o galardão de Best Female Fronted Band vos ajudou no vosso crescimento enquanto banda?
JP: Foi um bom galardão para colocar na nossa biografia. Para uma banda de iniciantes, essas são coisas que ajudam a construir o reconhecimento por intrigar as pessoas e fazer com que elas vão verificar.

Falem-nos um pouco do processo de gravação. Como decorreu?
DD: Foi tudo gravado em três estúdios diferentes aqui em Los Angeles. Optou-se por gravar um instrumento de cada vez. Isso permitiu-nos realmente dar um passo atrás, escutar o que tínhamos feito e ir alterando algumas coisas ao longo do caminho.
JP: Foi o nosso primeiro álbum completo, por isso não eram coisas que poderíamos ter planeado melhor. Demorámos cerca de 3 semanas para terminar as gravações. Verificámos todos os instrumentos em primeiro lugar nos Ameraycan Studio, em Los Angeles. A parte mais difícil foi a bateria uma vez que o Sammy tinha apenas duas semanas para aprender as músicas antes da gravação. Ainda estávamos numa fase de tentar descobrir os detalhes das peças e torturávamo-lo com diferentes ideias e sugestões. Não nos esquecemos da chamada telefónica que o Sammy fez, um dia antes da sessão. Ele estava muito preocupado, porque pensava que não tinha tempo suficiente e disse-nos que talvez devêssemos ligar ao Virgil Donati para gravar em vez dele. Mas ele saiu-se muito bem porque ele é fenomenal.
DD: Depois, a June ficou doente antes do início das gravações e, infelizmente, não recuperou a tempo. Então decidimos que iríamos gravar a sua parte noutra altura e noutro lugar. O nosso engenheiro tem um pequeno estúdio e passadas poucas semanas June gravou as vozes.
JP: O Dan pensou que poderia acrescentar mais algumas faixas de guitarra para engrossar a variedade de seu tom. Depois disso, ainda não estava satisfeito com o resultado e então trouxe o seu equipamento para um estúdio no seu local de trabalho e gravou mais pistas. Era fim de semana, mas ainda havia algumas pessoas lá. Ele não se importou - ligou o amplificador tão alto que todo o edifício tremeu. Após estas peripécias, fomos para Weed, Califórnia, para misturar com a infame Sylvia Massey. Ela e Rich Veltrop realmente deram vida às faixas. Nós gostámos muito de ter estado em Weed. O velho e assombrado teatro de Sylvia, com paredes roxas foi o lugar perfeito para mim.

E o que está a ser preparado para levar The Invalid em tournée?
Nós temos alguns projetos. Existem algumas tournées alinhadas, mas é demasiado cedo para dizer as datas exatas. Posso dizer que haverá uma tournée pela costa oeste, em meados de junho e algum tempo depois, nas duas costas dos EUA. Fiquem atentos ao nosso site para saber quando se concretizarão. Entretanto, estamos a ensaiar e a terminar uma nova linha de merchandising. E estamos ansiosos para conhecer os nossos novos fãs!

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