sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Entrevista: Anonymous Souls

Resolvidos todos os problemas internos que assolaram a banda, os Anonymous Souls partiram para a produção do seu terceiro álbum e como resultado surge One Foot To Chaos, o mais forte e poderoso disco da carreira da banda de Sta. Maria da Feira. Rui Moreira, o guitarrista do coletivo, acedeu a fazer para Via Nocturna uma retrospetiva da carreira dos Anonymous Souls e a dissecar esta obra caótica que é One Foot To Chaos.
 
 
Terceiro álbum em dez anos de carreira. Os Anonymous Souls afirmam-se como uma das bandas mais consistentes da cena nacional. Como se consegue isso?
Na verdade consegue-se pensando sempre naquilo queremos ser e não naquilo que já somos. Não é fácil ter uma banda de metal em Portugal, muito menos quando se leva a sério aquilo que se faz, mas a nossa atitude está sempre centrada no futuro e na evolução. O nosso objetivo é sempre o de dar o melhor em todas as situações. Fazemos sempre tudo o que está ao nosso alcance e queremos continuar a evoluir para levar o nome dos Anonymous Souls o mais longe possível.

Os problemas do passado foram definitivamente resolvidos, suponho. Os Anonymous Souls de hoje são uma banda completamente estável?
Completamente. Passamos por momentos complicados mas conseguimos ultrapassá-los. A mudança de vocalista foi uma espécie de catástrofe para a banda mas, como diz o velho ditado: “Para grandes males, grandes remédios”. Hoje percebemos que foi precisamente essa mudança que trouxe a necessária estabilidade aos Anonymous Souls e, somos uma verdadeira família unida.

Quanto a One Foot To Chaos, concordas quando se refere que é um disco muito mais forte e poderoso que os anteriores? Era esse o vosso objetivo desde o inicio?
Sim. É muito mais forte e poderoso do que os anteriores. Esse era o nosso objetivo principal, porque tínhamos a sensação de que os álbuns anteriores não transpareciam aquilo que os Anonymous Souls são na sua essência. Principalmente no caso do Agony, que foi gravado num ambiente de grande instabilidade (troca de guitarrista seguida de vocalista). Assim, o nosso objetivo era precisamente o de criar o álbum mais coeso da carreira dos Anonymous Souls. É um álbum bastante completo e pelo qual demos sangue, suor e lágrimas. Foi pensado e criado com muito empenho e apresenta tudo de melhor que os Anonymous Souls têm para dar.

Há algum significado específico neste título ou em todo o disco?
O título do álbum, assim como os temas que o compõem, retrata a situação que atualmente vivemos quer a nível global, quer a nível pessoal. Quisemos que o álbum tivesse uma vertente devastadora e caótica bem notória. Compusemos os temas mais pesados de toda a existência dos Anonymous Souls, e isso mostra precisamente o estado de sítio atual, sob a forma de música.

De que forma é que toda a experiência acumulada na vossa carreira e, muito principalmente, as imensas atuações que fizeram desde a edição de Agony, acaba por se repercutir nesta sonoridade do novo disco?
A estrada dá-nos a oportunidade de evoluir como músicos e pessoas. Podemos analisar o nosso próprio som de uma perspetiva diferente daquela que temos na sala de ensaios e no estúdio. Começamos a perceber quais são os temas e as malhas que nos dão mais gozo a tocar e que nos fazem abanar a cabeça. Inconscientemente, tudo isto começa a definir e a influenciar o caminho que queremos seguir quando compomos algo novo.

Já há algum tempo tinham disponibilizado nas redes sociais, dois temas do álbum. Funcionou como uma espécie de estudo para ver a reação dos fãs?
Disponibilizamos 2 temas no myspace exatamente uma semana antes do concerto de apresentação do álbum e comemoração dos 10 anos de banda (que teve lugar a 7 de outubro). Queríamos dar um cheirinho daquilo que iriam poder ver e ouvir no concerto. Tínhamos e ainda temos, imensa expectativa em perceber a reação do público e também da imprensa, porque do nosso lado reina um espírito de entusiasmo e os novos temas são os "meninos dos nossos olhos" (risos).

Como decorreu o processo de gravação de One Foot To Chaos?
Decorreu de forma muito calma, sem pressões e sem limites de tempo. Fizemos questão de que este novo trabalho fosse criado e gravado com as nossas mentes num estado absolutamente tranquilo, para que aquilo que ficasse gravado fosse o espelho da estabilidade que a banda vive desde 2009. Demoramos bastante tempo quer na composição quer na gravação, mas foi a melhor atitude a tomar uma vez que estamos plenamente satisfeitos com o resultado final.

O videoclip para o tema Relentless está pronto. Porque a escolha especifica deste tema e quem esteve a trabalhar convosco?
A escolha foi difícil. Muitos outros temas mereciam destaque mas escolhemos este porque achamos que era um tema bastante completo. De certa forma inclui as várias sonoridades que podem ser encontradas ao longo do álbum. É um tema que consegue ser forte/pesado e ao mesmo tempo melódico e até hipnótico. Quem trabalhou connosco foram os nossos amigos (risos). Foi tudo feito com prata da casa. Cerca de 20 pessoas, todos amigos de longa data que acompanham a banda há muitos anos. A produção foi feita pelo André Almeida, que também produziu o álbum.

A terminar, já há planos para levar One Foot To Chaos para a estrada?
O One Foot To Chaos já está na estrada. Assim que publicamos o vídeo começamos a receber convites. Já temos alguns concertos marcados mas ainda estamos a tentar marcar mais. Gostávamos de levar o álbum a alguns grandes eventos de metal em Portugal, mas não é fácil. Vamos ver. Entretanto, visitem a nossa renovada página oficial www.anonymoussouls.com. A página é atualizada com uma frequência quase diária. Entre outras coisas, podem consultar as datas dos próximos concertos, encomendar o álbum, t-shirts, etc. Para finalizar, queremos agradecer à Via Nocturna o interesse demonstrado no nosso trabalho.

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