terça-feira, 22 de novembro de 2011

Entrevista: Hélder Oliveira

For Eternity, como o próprio nome indica, pretende ser um trabalho para a eternidade. Porque é único. Porque é inovador. Porque não deve nada ao que melhor se faz lá fora neste género. Hélder Oliveira é um verdadeiro guitar-hero. Mas é português. Beirão. Forjado no granito do Montemuro. Via Nocturna não quis deixar passar a oportunidade de conhecer este fantástico músico por alturas do seu disco de estreia.

Para começar, Hélder, parabéns pelo teu excelente trabalho. Quando decidiste que estava na altura de gravares um álbum como este?
Boa noite, em primeiro lugar obrigado pela oportunidade dada para falar sobre este projeto. A ideia de gravar um álbum destes surgiu por volta de 2006 ou até antes, quando comecei a ouvir vários álbuns instrumentais de guitarristas a solo tais como Marty Friedman, Jason Becker…., na altura fiquei fascinado por este tipo de música e decidi fazer o meu próprio álbum a solo.
 
 
E porque decidiste que seria instrumental?
Decidi que seria instrumental simplesmente porque adoro música instrumental (risos), acho que essa é a principal razão…. por outro lado devido ao facto de ser instrumental acho que isso me trouxe mais liberdade para me exprimir a nível musical.
Que expectativas tens para este lançamento?
Tenho boas expectativas apesar da música instrumental não ser muito apreciada, digamos assim, sobretudo em Portugal, mas ao mesmo tempo como não há muitos trabalhos deste género no nosso país isso também pode ser algo positivo para mim. Vamos ver como é que as pessoas vão continuar a reagir ao álbum, até agora têm reagido bastante bem.

Este foi trabalho composto entre 2007 e 2009. Foi um longo percurso de composição. A que se deveu tanto tempo?
Pois …(risos), já muita gente me perguntou isso, quero começar por dizer que algumas partes musicais já as tinha escrito antes de 2007. A razão pela qual demorou tanto tempo a ser composto foi porque, por outro lado as ideias para as músicas foram surgindo de uma forma natural, sem pressões, e também foram escritas em alturas em que o meu tempo para me dedicar à música não era assim tanto por causa do emprego, etc…, daí ter levado este tempo todo.

E depois mais um longo período de produção, suponho, uma vez que só agora, em 2011, o disco vê a luz do dia. Contingências da interioridade ou nem por isso?
Não, acho que o período de produção levou também tanto tempo até estar concluído porque quis-me certificar que os temas ficariam o melhor possível também a nível de produção, deixámo-los assim amadurecer até estarem prontos a ver a luz do dia, em vez de me precipitar e no final o resultado não ser tão bom, mas nunca tive dúvidas que iria concluir este projeto, custasse o que custasse…

E como decorreu todo esse processo de gravação e produção?
O processo de gravação foi um pouco, eu diria estranho…. porque comecei por gravar uma pré-produção do álbum em minha casa no meu computador portátil com uma placa de som de 50 euros (risos), isto mais ou menos de novembro do ano passado até fevereiro deste ano. Depois de ter gravado tudo fui ter com um amigo chamado Ricardo Sousa que é produtor e tem um estúdio em Viseu chamado Estúdios Singular para começarmos a gravar definitivamente o álbum. Entretanto aproveitámos todas as guitarras elétricas que eu tinha gravado em casa, (ritmos e solos) assim como vários teclados e regravámos o baixo, guitarras acústicas e os restantes teclados. Foi uma experiencia agradável e interessante visto que foi a primeira vez que gravei mesmo num estúdio….

E pode dizer-se que o Hélder Oliveira de hoje faria exatamente o mesmo tipo de trabalho?
Sim, sem dúvida, faria o mesmo tipo de trabalho instrumental, mas certamente tentaria melhorar alguns aspetos no álbum porque sinceramente nunca estou totalmente satisfeito com o que faço, de cada vez que faço algo tento superar-me a mim mesmo (risos)

Em termos técnicos, quais são os teus principais inspiradores?
Marty Friedman, Jason Becker, Tony Macalpine, Michael Angelo Batio, Yngwie Malmsteen, etc….

Neste trabalho assumes todos os instrumentos. Foi uma opção porque te sentias melhor assim, ou simplesmente não encontraste músicos que te acompanhassem?
Na realidade desde que surgiu a ideia de gravar um álbum deste género quis ser eu a assumir todos os instrumentos porque este álbum para mim é bastante pessoal e também quis provar a mim mesmo que o conseguia fazer. Entretanto, por exemplo no que diz respeito à bateria, esta foi construída em midi por mim inicialmente e depois com a ajuda do produtor (Ricardo Sousa) e de dois amigos meus bateristas trabalhámos as baterias no estúdio, em termos de dinâmicas, aperfeiçoando ritmos, etc, de modo a parecer o mais real possível.

Para promover este trabalho tens feito algumas apresentações ao vivo com backing tracks. Como tem sido a receção a este formato?
Até agora tem sido boa, porém, as pessoas ficam curiosas e perguntam-me porque é que ainda não formei banda… (risos)

Mas sei que já estás a montar uma banda para te acompanhar. Para já quem está contigo?
Neste momento já tenho baterista e segundo guitarrista mas só gostaria de anunciar o nome dos elementos da banda quando tiver o line-up completo, visto que ainda me falta arranjar um baixista, por isso já agora para quem estiver interessado em preencher o lugar de baixista na banda é contactar-me…

Por falar em apresentações ao vivo, como decorreu a apresentação do álbum em Pindelo dos Milagres?
A apresentação do álbum correu bastante bem, o bar esteve cheio e o público foi magnífico, foi uma noite para relembrar mais tarde.

Antes de terminar colocava-te uma questão, que eventualmente já te colocaram: sem letra, como é que se batiza um tema? Em que te baseias para pôr este ou aquele título?
É verdade, já não é a primeira vez que me fazem essa pergunta, na maior parte das vezes baseio-me no tipo de melodia da música, se a música tem uma melodia triste então a música terá um título mais negativo como por exemplo Life’s Unfair que para mim é a música do álbum mais sentimental e triste; já Illusion’s Paradise é uma das músicas mais agressivas do álbum, e para mim a melodia transmite um bocado de raiva e indignação, daí ter posto esse nome. Normalmente a melodia e os títulos das músicas refletem um bocado o estado de espírito em que eu estava na altura que as compus (risos).

Finalmente, que objetivos pretendes atingir com este trabalho e que aspirações tens para um futuro mais próximo?
Com este álbum pretendo conseguir por exemplo um contrato com alguma editora musical do género, formar a banda e tocar ao vivo o máximo possível, e claro, agora é continuar a divulgar o álbum o melhor que conseguir, inclusive para outros mercados no estrangeiro mais virados para este género de música por que daí podem surgir boas oportunidades também…., e num futuro próximo logo se verá, mas provavelmente gravar um álbum novo mas primeiro veremos no que dará este For Eternity.

1 comentário:

Anónimo disse...

Que grande musico! Grande disco e grande produção!
Um orgulho para a música nacional!
Ray