domingo, 26 de fevereiro de 2012

Entrevista: Karnak Seti

Os Karnak Seti estão de regresso com mais um trabalho que, na opinião dos próprios, se pode classificar de mais melódico e dinâmico. A estrear um novo vocalista, In Harmonic Entropy vem mostrar que a Madeira também consegue produzir material de alta qualidade. Erre, o novo vocalista, fala-nos deste novo trabalho do coletivo.

Novo trabalho, três anos após a vossa bem sucedida estreia. Como decorreu o processo de composição deste novo trabalho?
É verdade, um novo álbum. Começamos a compor em meados de 2010 as primeiras músicas para o In Harmonic Entropy. Podemos dizer que foi um processo bastante natural apesar da pressão que pusemos sobre nós próprios, queríamos fazer um trabalho diferente do Scars Of Your Decay, não nos queríamos repetir mas também não queríamos perder a nossa essência. Gravámos alguns demos no final de 2010 para poder melhorar alguns pormenores e ter uma ideia geral de como seria o álbum. Já tínhamos em mente adicionar alguns temas de demos anteriores e as escolhas caíram sobre Figureless Icons e Collateral Dreams, temas fortes que nunca tiveram a devida qualidade de estúdio.

Entretanto, mudaram de vocalista. De que forma é que isso afetou a vossa forma de trabalhar e compor e de que forma se refletiu isso neste novo disco?
Quando saímos dos UltrasoundStudios em 2008 sabíamos que iríamos ficar sem o Nelson Nascimento mas só caímos na realidade o quão difícil seria arranjar um novo vocalista uns meses depois das gravações. Entretanto estávamos a preparar as músicas na eventualidade de tal vocalista aparecer, a composição para um novo álbum ainda estava distante e sinceramente, apesar de termos um bom álbum nas nossas mãos, estávamos um pouco desmotivados. Com a entrada do Erre para a família e com o primeiro concerto da era "Scars..." em finais de 2009 a motivação veio ao de cima e prosseguimos com os planos de divulgação do álbum. A mudança de vocalista não veio alterar muito a forma de compor, a base era a mesma, o Erre é que teve de se adaptar.

E como foi essa adaptação?
O Erre, apesar de estar há pouco tempo no meio da música, conseguiu adaptar-se bem ao ambiente da banda e não teve dificuldades em apanhar os temas antigos visto que sendo um fã da banda já conhecia muitas das músicas. A falta de eventos quer na região e também o atraso no lançamento do álbum por parte da distribuidora fez com que também fossemos trabalhando com calma.

Para além da mudança de vocalista, que outras diferençais mais significativas apontas entre a vossa estreia e este trabalho?
Há duas coisas que saltam logo ao ouvido quando comparamos os dois álbuns; um registo de voz diferente, para não falar na introdução de vozes limpas, cortesia do senhor Daniel Cardoso, e a aposta nos teclados para dar mais ambiente às músicas. Pondo estes pormenores de parte, In Harmonic Entropy é claramente um álbum mais melódico e dinâmico que o Scars Of Your Decay.

Há algum tópico principal a ser abordado em In Harmonic Entropy?
In Harmonic Entropy aborda inúmeros temas em que todos eles refletem o percurso existencial de cada um de nós. Um percurso é feito de quedas e de momentos harmoniosos com o próximo e com o que nos envolve. Cada um tem a consciência que se não existisse “entropia” na vida de cada um, não seriamos resistentes. A queda traz resistência. Somos o nosso percurso e In Harmonic Entropy transparece precisamente isso: as falhas, a força e a capacidade de cada ser conseguir se adaptar a uma sociedade.

Voltaram a gravar com o Daniel Cardoso. Como decorreram as sessões?
O Daniel Cardoso é um grande profissional e com uma musicalidade que nos apela muito. Temos grande respeito por ele e foi, mais uma vez, muito bom trabalhar com ele. Foram duas semanas muito intensas, com alguns contratempos e imprevistos mas a banda demonstrou que é capaz de superar qualquer problema que surja pela frente. Contámos com as participações do Daniel Cardoso, Pedro Mendes, Shore e Juan Pestana neste álbum, tudo ideias trabalhadas no estúdio que vieram dar mais profundidade ao nosso trabalho.

Este é um disco em lançamento independente, certo? Já tem havido contactos com alguma editora?
Sim, desta vez decidimos não esperar por editoras/distribuidoras, queríamos por o álbum cá fora o mais depressa possível. Já tivemos alguns contactos mas não nos são muito favoráveis, continuamos a mostrar o nosso trabalho, receber reviews e estamos sempre dispostos a ouvir novas propostas que eventualmente surjam.

De que forma o facto de serem da Madeira condiciona ou não o vosso crescimento e desenvolvimento?
Condiciona em termos de divulgar o nosso trabalho ao vivo, isso não há sombras de dúvidas. Os gastos são muito mais elevados, o transporte, backline, condiciona bastante o nosso crescimento dentro do meio. Alem de também sermos postos de parte a quando de eventos no continente, nem somos considerados por causa dos custos que a promotora de eventos irá ter, é compreensível. Apesar disto tudo, tentamos visitar o continente sempre que nos é possível, como foi durante 2010 que tivemos varias atuações fora da ilha, SWR Barroselas, Vimaranense e as data com Dark Tranquillity. Mostramos que somos uma banda capaz de bons shows apesar de estarmos stranded no meio do Atlântico.

E o que já está planeado a respeito de apresentações ao vivo de promoção a este novo trabalho?
Demos o nosso primeiro concerto de 2012 passado dia 18 com os Switchtense aqui na Madeira. Já entramos em contacto com varias promotoras de eventos no continente mas até agora sem resposta positiva, mas vamos continuar a tentar e esperamos voltar ainda este ano pisar o solo continental. Entretanto podemos já ir trabalhando no sucessor de In Harmonic Entropy.

A terminar, queres acrescentar algo…
Desde já obrigado pela oportunidade de divulgação através desta entrevista, é algo que ainda estranhamos um pouco. O nosso álbum, assim como qualquer dos nossos lançamentos, está disponível através do correio eletrónico da banda (karnakseti@gmail.com) e custa 10€ com os portes incluídos. Apostamos bastante no aspeto visual deste álbum com 16 páginas de artwork a cargo da Ana Gomes (www.artofanasgomes.com) e podem ouvir alguns temas online no nosso site (www.karnakseti.net) ou na nossa página de facebook, myspace e outras semelhantes. Espero que as pessoas gostem e partilhem o nosso trabalho.

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