segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Entrevista: Ten Thousand Wrong Choices

Com um enigmático nome de Ten Thousand Wrong Choices (TTWC), onde se encontram alguns músicos com provas dadas no panorama rock/metal nacional, este coletivo nortenho apresenta a mais séria candidatura à revelação do ano. Os 17 minutos divididos por 4 temas do seu homónimo EP de estreia são surpreendentes e criam uma sensação de ansiedade em relação ao futuro longa duração. Reunida na sala de ensaios, a banda falou com Via Nocturna.

Podem contar-nos um pouco da origem e da história até à data dos Ten Thousand Wrong Choices ?
Mad Makk (MM): Poderá dizer-se que a banda teve origem na minha parceria com o Hugo. Acho que queríamos continuar os objetivos da nossa antiga banda, os Y? Ou seja, os objetivos seriam os mesmos mas a abordagem teria que ser diferente. Fazer algo diferente e novo, presumo que sejam objetivos comuns a muitos músicos. Tentar quebrar barreiras pessoais e coletivas, fazer algo original, algo ambicioso. Então tentamos ter tudo em consideração desde o dia 1. Sendo que a fase mais importante seria a escolha dos membros da banda.

Hugo Moreira (HM): E a primeira “contratação” foi mesmo a vocalista Sofia Lopes que já era admirada pelo seu trabalho fantástico com Slow Motion, havia quase uma certeza de que “temos que conseguir a Sofia”. Já a tínhamos visto em palco e ficamos totalmente impressionados, ao vivo ainda nos parecia mais incrível do que nos registos em estúdio, acho que a reação foi mais ou menos “ela parte a loiça toda”. Tudo isso juntamente com a imagem que parecia ser perfeita para os nossos objetivos, tivemos que a convencer e lá conseguimos.

Sofia Lopes (SL): Depois de iniciarmos o processo de composição rapidamente chegamos à conclusão que seria necessário um teclista, mas teria que ser um teclista diferente e após bastante procura encontramos trabalhos do John KeeL. Ficamos impressionados com a abordagem fora do comum que ele tinha nos seus temas, soubemos logo que tínhamos de o ter na banda, e claro, mais uma vez conseguimos. Assim que ele se juntou à banda o som de Ten Thousand Wrong Choices mudou bastante, começamos a ter uma identidade mais definida e mais um membro participativo na composição.

Hugo Moreira (HM): O baixo foi complicado. Inicialmente tínhamos um amigo na banda, que até nos acompanhou durante a composição de alguns temas mas inesperadamente decidiu abandonar a carreira de músico. Apanhou-nos um pouco de surpresa mas não podemos fazer nada contra, restou-nos iniciar audições para tentar encontrar um novo baixista. Foi ai que encontramos o Pedro Moutinho, convenceu-nos logo não só pela sua capacidade e destreza mas pela originalidade e objetivos musicais. Simplesmente “encaixava” perfeitamente na banda.

Que nomes apontam como sendo as vossas maiores influências?
SL: Não existem grandes influências para a composição das nossas músicas, até porque todos os músicos têm gostos bastante distintos. Existem algumas referências que se destacam mais mas serão talvez referências pessoais de cada membro, desde Guns and Roses a Porcupine Tree, de Faith No More a Nine Inch Nails, passando por Alice In Chains e até Linda Perry.

Qual é o background musical dos elementos que constituem os TTWC?
Pedro Moutinho (PM): Nesta banda temos de tudo: o Mad Makk sempre foi o indiscutível rocker, em bandas como Boundead, Love Lies Eternal e Y?, onde nesta última tocou com o Hugo. Ambos contam com bastantes trabalhos editados e concertos memoráveis como o Super Bock Super Rock. O Hugo é ainda baterista em outras duas bandas, uma com um portfólio fantástico no mundo do Metal,os Unfolded Vision, e na banda Rock 29th Secret que está atualmente com uma agenda invejável, um álbum acabado de editar e até participações em programas televisivos. A Sofia tem como trabalho de maior expressão e com excelentes críticas, os Slow Motion onde brilhou como uma das nossas favoritas vocalistas de Rock. Também com álbuns editados, DVD gravado ao vivo no Hard Club e tempo de antena em rádios nacionais. O John KeeL tem um passado associado ao Metal/Rock Progressivo e pouco mais sei sobre ele, conheço participações como músico convidado ou como teclista de sessão noutros projetos, sei que tocou numa banda de Rock e Blues, e sei que anda a preparar um álbum no mundo do Metal. De resto passa o seu tempo a criar os sons mais assustadores e estranhos que já ouvimos... e quando coloca uns auscultadores entra em modo “menino autista”... (!risos). Já eu, como diriam os meus bandmates “Pedro do Baixo”, não tenho um passado cheio de aventuras em bandas. Acho que durante bastante tempo me concentrei mais na aprendizagem. Depois trabalhei como músico de sessão e gravei um pouco de tudo. Apesar de me orgulhar dos baixos que gravei já das músicas onde eles estavam inseridos não posso dizer o mesmo. Posso dizer que Ten Thousand Wrong Choices foi de facto a banda que ouvi e disse “eu quero fazer parte disto” e cá estou.

Qual o significado do vosso nome?
John KeeL (JK): Sinceramente, foi a maior ligação que encontramos entre os membros da banda. Durante as primeiras sessões de composição quando ainda procurávamos um nome para a banda, chegamos à conclusão que todos já tomamos muitas decisões erradas. E assim foi, começamos a brincar com as palavras “Wrong Choices” e rapidamente alguém sugeriu o nome “Ten Thousand Wrong Choices”.

De que forma descreveriam a sonoridade praticada pela banda?
MM: Sinceramente nenhum de nós consegue responder objetivamente a essa pergunta, talvez só quando acabarmos a composição do futuro álbum é que vamos conseguir ouvir as músicas descontraidamente e ter uma noção da nossa sonoridade. A cada nova música que escrevemos parece que quebramos novas barreiras e entramos em novos reinos sonoros. Para já temos momentos que vão de baladas Rock a Riffs com uma força que são quase característicos do Metal. Com os teclados existem momentos em que o eletrotécnico se mistura ao Rock e chega quase ao Industrial.

Vocês acabam de gravar o vosso primeiro trabalho. Totalmente satisfeitos com o resultado final?
JK: Somos músicos, como tal nunca poderíamos estar totalmente satisfeitos. Talvez esteja a responder mais por mim do que pela banda mas nunca consegui olhar para uma música e dizer “OK está pronto, melhor que isto é impossível, não alterava nada”. Mais tarde ou mais cedo aparecem sempre ideias novas, algo que gostaríamos de experimentar, coisas que até surgem durante ensaios muitas vezes por feliz acidente. A questão é que isto foi um EP com o urgente objetivo de mostrar a banda ao público, ou até para simplesmente poder começar a marcar concertos. Porque precisamos disso, temos a necessidade de tocar ao vivo e tentar perceber o impacto que os nossos temas têm na plateia. Neste momento enquanto marcámos concertos estamos também a compor temas para o futuro álbum, a abordagem ao álbum será diferente. Assim que acharmos que o trabalho que queremos partilhar está pronto então iremos para estúdio. O EP não foi assim, o EP foi uma necessidade pois a banda já estava a compor há mais de um ano e eram precisos resultados para consolidar o grupo. Acho que foi quase um impulso de adolescente mas que foi necessário para o grupo crescer e evoluir e só trouxe coisas boas para a banda.

Mas houve alguns atrasos na edição do EP, pelo que me apercebi. A que se ficou a dever isso?
SL: Pois, ao contrário da gravação do álbum que demorou 4 dias (incrível não é?) a edição demorou um pouco mais. Tivemos que ponderar bem como iríamos apresentar a banda. E a estratégia lá ficou definida, apostamos muito na vertente online, pois com dois designers e um programador Web na banda tivemos que tirar o máximo partido disso. Com alguns conselhos do nosso produtor decidimos recorrer à Brandit para distribuição digital mundial e também eles foram super prestáveis. Para já os resultados estão à vista, estamos muito satisfeitos com o nosso site e basta olhar para o enorme número de fãs que temos no Facebook para dizer que conseguimos ultrapassar os nossos objetivos.

Aparentemente nada de grave, atendendo à qualidade demonstrada…
MM: Pois não não, sabes como é, isto hoje em dia com a situação da indústria musical os músicos têm que fazer tudo, têm que compor, gravar, editar, distribuir, publicitar, serem managers e promotores, fazer o site, tratar do facebook, escrever muitos e-mails e fazer muitos telefonemas. Daqui a mais não sobra tempo para tocar... (risos!)

Como decorreram as coisas nos AMP Studios com o Paulo Miranda?
HM: Acho que ele merecia mais responder a essa pergunta do que nós. Para ele nós devemos ter sido a pior banda do mundo de gravar (risos!). Foram condições muito específicas, guiadas por um forte impulso de que “tem que ser agora, já, rápido”, nós tínhamos dois fins de semana, existia uma ou outra música que ainda não tínhamos 100% certeza do que queríamos na versão final e pronto siga lá fomos nós. Marcámos a sessão enquanto íamos tentando acabar as músicas. A verdade, e acho que ainda não foi dito nesta entrevista, é que a somar a muitas outras coisas, tínhamos a nossa vocalista a partir para Londres por motivos profissionais.

MM: Durante a gravação ninguém falhou, foi tudo rápido e nos primeiros takes ficava arrumado.

HM: Depois de gravar deixamos praticamente tudo na mão do Paulo Miranda e fomos dando as nossas “ideias” de como queríamos a mistura e aí devemos ter sido a banda mais chata do planeta (risos!), acho que conseguimos mesmo esgotar com a paciência dele (risos!). Mesmo assim o resultado final é o que todos podem ouvir, e apenas podemos imaginar como será o resultado do álbum que irá ser feito com todo o tempo do mundo e com a maior atenção ao mais pequeno pormenor. O Paulo Mirando é um profissional que se destinge pela sua experiência, a sua capacidade para guiar um músico é incomparável e os seus conselhos têm sido impagáveis.

Um dos temas do EP, Change, está disponível para download gratuito. Como está a ser a “procura”?
JK: A contar pelo número de downloads a procura tem sido muita. Na primeira semana conseguimos mais de 3000 downloads. Não esperávamos tanto quando a promoção ainda é tão pouca, mas estamos a trabalhar nisso. Como o Pedro disse e bem, é complicado serem os músicos a fazer tudo, preferia concentrar-me mais na composição e em tocar.

E há espetáculos agendados para os próximos tempos?
SL: Estamos a marcar, a tentar criar uma agenda interessante, mas temos condições logísticas muito especiais... não está a ser propriamente muito fácil. Infelizmente estamos a ter que recusar bastantes espetáculos.

MM: Mas já temos alguns agendados que vão valer MUITO a pena. Em breve será tornada pública a nossa agenda.

Uma questão curiosa: a criação deste projeto não foi uma das dez mil escolhas erradas, pois não? (risos!)
SL: Claro que não (risos!). Por vezes é complicado aturar os rapazes, tem dias... (risos!) mas para alguns de nós isto é tudo o que temos, é o objetivo mais definido da nossa vida.
JK: A considerar que fizemos um ensaio de portas abertas e apareceram muito mais pessoas do que contávamos, que para um ensaio foi um dos melhores “concertos” das nossas vidas e que alguns membros da banda acabaram a dar autógrafos em rabos e seios, parece-me que não... este projeto não parece ter sido nada uma má escolha.
MM: (risos!) O John KeeL é mesmo um invejoso, a parte desses autógrafos não era para se tornar público, ele só está invejoso porque toda a gente sabe que os teclistas nunca dão esse tipo de autógrafos (risos!)
PM: Autógrafos de parte, esta banda tem um espírito quase de família, temos sido os melhores amigos uns dos outros. Tem sido um projeto muito gratificante e uma viagem que não iria querer perder por nada deste mundo.
HM: Sem dúvida que não, podemos fazer muitas escolhas erradas, até dentro da banda e em relação à banda, mas o projeto e os objetivos são claros e a sua existência foi das nossas melhores escolhas.

A terminar, querem acrescentar mais alguma coisa que não tenha sido abordada?
SL: Podemos acrescentar que nos dias que correm, com o estado do meio musical, são sites como o VIA NOCTURA que fazem a diferença. Sites como este têm sido uma excelente ferramenta de promoção de novas bandas nacionais.

MM: E a acessibilidade e disponibilidade que vocês têm é louvável. Temos apenas que agradecer e continuar leitores assíduos.

Site (podem ouvir e fazer o download dos temas):

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